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Capítulo 43 - Cães Demoníacos

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 43 - Cães Demoníacos

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Nota do autor. Isso é apenas uma mensagem do autor, pode ignorar se preferir. Ola, desculpe se eu parecer ignorante ou irritado, mas é só um ponto de vista que me deixa meio desanimado em alguns pontos. Eu sei que não é obrigação de ninguém, mas é meio desanimador ver os analytics e comparar as visualizações com os comentários. Sei que é comum esse tipo de coisa, mas da a impressão de que eu estou escrevendo apenas para maquinas verem, claro que agradeço a quem comenta e interage, em especial o Paragon e o ClayMan e a toda comunidade do discord. Acho que isso é só um convite pra trocar ideias nos comentários, mas de novo, ninguém é obrigado a nada. Bem, espero que gostem do capitulo, Say ya

O clima havia ficado tenso entre os quatro e o imperador.

O homem de pele queimada e olhos dourados olhava para Aquiles com um sorriso sádico e levemente despretensioso.

Aquiles, por sua vez, continuava nervoso e com muito medo, talvez até mais do que antes. Não pensava que, ao discursar, suas palavras possuíssem a capacidade de o condenar a uma possível morte ou a geração de uma guerra.

“...podemos começar uma nova guerra, apenas por citar o nome de Cartan.” Pensou Voltten, relembrando os dizeres de Edward ao avistarem a capital pela primeira vez.

O mago deu alguns passos à frente para que conseguisse ver o rosto do amigo.

Ao encarar a face confusa de Aquiles, que naquela altura também se lembrava dos mesmos conselhos de Edward, Voltten só aumentava mais e mais o seu pânico.

O elfo ruivo procurava uma desculpa, uma saída ou qualquer coisa que não os condenasse. Logo teve uma crise de memória e indo para a resposta mais segura.

— Ibi. – Foi depois de quase dois minutos de tensão, que ele afirmou com uma leve calma em sua voz.

Kaf levantou suas sobrancelhas em sinal de dúvida, não entendendo a resposta de Aquiles.

— Que país seria esse? – Questionou o imperador, dificultando ainda mais para Aquiles.

Aquiles disfarçou a preocupação com um escudo sensível de vergonha.

— Ah... você não conhece? – Questionou Aquiles avoado, tentando se acalmar enquanto continuava a falar. — É um país no extremo sul, não somos muitos populares por aqui, sabe...?

A face de Kaf demonstrava um desinteresse na explicação do cavaleiro, que tentou justificar com fatos ilógicos sua presença naquele lugar.

O trunfo do imperador veio à tona em sua mente após alguns segundos.

A sua pergunta que quebraria por completo todo e qualquer argumento do grupo saiu de seus lábios e cruzou o ar, impregnando os ouvidos dos quatro que estavam sem escapatória.

— Uma pergunta. — Iniciou Kaf, cortando as explicações ilógicas de Aquiles e o calando junto com todos da sala que pararam de fazer barulho, inclusive o som de respiração. — O seu amigo, aquilo era magia divina, suponho que seja um paladino. Qual seria sua religião?

Tudo havia se perdido.

Voltten e James sabiam de cor os deuses que ainda estavam vivos, os sete últimos divinos que ainda residiam naquele mundo eram distintos o suficiente para que a afirmação da religião de Edward já os denunciasse.

Aquiles também tinha essa informação, não tão detalhadamente, mas era o suficiente para que compreendesse a armadilha montada pelo imperador.

— T-Tac N-Nyan. — Respondeu Aquiles com extremo medo e receio ao falar, desviando o olhar para baixo.

O esperado pelos três que possuíam a informação sobre os deuses era de que Kaf ficasse extremamente irritado com a invasão de outro país com outra religião e ainda teria motivos para começar uma guerra, pois eles invadiram a capital do país, agrediram os guardas locais, os difamando e ainda mataram o monstro número um de seu coliseu.

A execução era quase certa e uma possível guerra já estava a sendo cogitada.

Sem esperanças, Aquiles se acalmou por completo e fechou seus olhos, apenas aguardando a reação do imperador perante aquela informação.

Porém, um dos guardas que acompanhava Kaf começou a tremer e a segurar com força sua lança de forma desequilibrada, a empunhando com as duas mãos na intenção de ameaçar Aquiles.

— O-Os Cães Demoníacos?! – Afirmou um dos guardas, que se assustou com as palavras do cavaleiro.

— Hum? – Murmurou Voltten, não entendendo as palavras do guarda, que adquiriu um medo surreal em segundos.

— Acalme-se, soldado! – Ordenou o imperador com receio.

— S-Sim, senhor! — Respondeu o guarda, após a ordem do imperador.

— Muito bem... – Murmurou Kaf, tomando um leve ar tenebroso em seu tom de voz. — Podem ir embora, de preferência o mais rápido possível.

— Como!? – Gritou Voltten e James, confusos com a concessão de liberdade dada pelo imperador.

— Espere, “Cães Demoníacos”? – Sussurrou Aquiles para si mesmo, enquanto abria os olhos novamente, fazendo as ligações.

— Vocês podem ir embora, simples. Meus curandeiros irão trazer seus amigos ainda hoje se possível, vocês podem partir ainda ao pôr do sol. — Completou Kaf, deixando o mago e o arqueiro ainda mais confusos, isso sem falar do draconato que desistiu de participar da discussão a muito tempo. – Nós fingiremos que nada aconteceu e o povo vai esquecer da luta no coliseu em alguns meses eu suponho.

— Mas nós invadimos seu país! — Afirmou James confuso, procurando uma razão lógica. — Nós atacamos seus guardas e matamos o seu monstro...

— ...E você vai nos deixar ir embora com tanta facilidade? – Completou Voltten, igualmente confuso.

Kaf deu um breve suspiro ao entender que aquelas pessoas não sabiam toda a história por trás de Civitas.

— O que vocês sabem sobre o país que servem? – Questionou o imperador calmamente.

— O que nós sabemos? – Perguntou Voltten, questionando para si mesmo. — Civitas foi o palco do Genocídio das Estrelas, ele era um país que foi primeiramente dominado pelos Cavaleiro Negros e atualmente segue a Tac Nyan.

— E....? – Perguntou esperando ouvir mais sobre o que eles sabiam.

— Acho que é só isso... — Respondeu o mago, levemente receoso.

— Sinceramente, quem ensinou vocês? Um historiador de classe média?  – O imperador debochou dos dois que não sabiam da força de seu próprio país.

— Civitas foi o último ponto que o Caçador foi visto? — Acrescentou James, mesmo sabendo que seus amigos não acreditavam na sua história.

O mago raciocinou sobre quem James estava se referindo, com um leve atraso.

— O Caçador não passa de uma lenda. – Retrucou Voltten incomodado. — Ele é só uma história para assustar crianças, não é real.

— Acredite no que você quiser. — Respondeu James de forma indiferente. — Eu só falei o que eu sei.

Aquiles, ao ouvir o citar do nome da besta conhecida como “Caçador”, lembrou de uma das principais regras de seu clã e que entrelaçavam aquela situação por completo.

Ele se lembrou de uma das principais normas que não podia quebrar nem que isso custasse sua vida. Uma informação que poderia causar uma revolta em toda a região, talvez no mundo como um todo devido as relações desse fato.

O cavaleiro arregalou os olhos e olhou fixamente preocupado para a boca do imperador, querendo confirmar o que ele sabia sobre o Caçador e sobre a velha unidade dos Cães Demoníacos.

— Exato! – Afirmou Kaf, confirmando a importância do Caçador na história, deixando Aquiles ainda mais tenso.

— Como? – Questionou Voltten, ao ver que um motivo tão supersticioso era uma razão de suas liberdades.

— Você pode não acreditar, mas o Caçador é tão real quanto eu ou você. – Kaf começou a falar, fechando os olhos e proferindo as palavras de forma suave. – Lembro-me das histórias contadas e de alguns casos que eu vi.

James se pôs a ouvir melhor a história do país, afinal o mesmo sempre buscava informações novas.

– Nos tempos antigos, o caos imperava em Harenae, o motivo era a vinda do Caçador para essa região. – Ele teve um leve arrepio ao citar o nome da besta momentaneamente. – Porém, nossa salvação vinha em um grupo de soldados específicos de um país que não éramos aliados ou inimigos, a unidade dos Cães Demoníacos.

Voltten ainda encarava com ceticismo aquela história, mas continuava a ouvir sem incomodá-lo.

– Ela era uma organização militar formada pelos seres mais fortes dos Cavaleiros Negros da época, os Cães Demoníacos puseram um fim na lenda do Caçador, o matando de uma vez por todas. – Kaf finalizou com um suspiro calmo e vago.

— Não acredito que isso seja real. — Exclamou Voltten, tirando um pouco da moral épica da história. – Continuo achando que é só uma lenda para crianças.

Aquiles se acalmou levemente ao entender que o imperador não conhecia a versão real da história, apenas a suposição do que acontecera.

— A quanto tempo foi isso? – Questionou James, interessado nos detalhes da lenda.

— Bastante tempo, quase um século atrás. — Respondeu Kaf, se alegrando com o interesse do homem pela história.

— Certo.... Quando podemos sair? – Questionou Aquiles, mudando rapidamente de assunto.

— Sim, como já disse, estamos em uma espécie de dívida com vocês por terem impedido o caçador, uma longa dívida na verdade. – Disse Kaf, virando seu rosto para Aquiles, ele parecia bem mais tranquilo do que antes. –Mandarei um guarda preparar seus equipamentos confiscados, então apenas aguardem um pouco até seus amigos acordarem.

— Entendido. — Respondeu Voltten aliviado.

— A Propósito. — Indagou o cavaleiro, chamando a atenção de Kaf. — O que vai acontecer com o lanceiro?

— Normalmente se alguém se recusar matar seu oponente, os dois são mortos, mas neste caso farei uma exceção e farei algo a respeito depois. — Respondeu o imperador pensativo. — Seria ruim perder alguém como ele.

— Isso já aconteceu alguma vez? – Questiona James.

— São raros os casos de gladiadores com tanta empatia, normalmente os “santos” que tentam fazer isso perdem as cabeças junto do inimigo. – Kaf parou para pensar. – Não digo que seu caso foi único, mas não lembro de nenhum parecido.

— Desculpa por termos matado ele, aliás. — Disse Voltten, envergonhado.

— Sem problemas... — Respondeu Kaf com um leve suspiro. — Ele era um ser raro sem dúvidas, mas sua morte não foi totalmente culpa de vocês. Afinal fomos nós que largamos vocês lá...

— Não, foi culpa nossa. — Disse James, de bom humor. — Mas se você não nos condena, quem somos nós para reclamar?

Aquiles olhou incomodado, mas o imperador soltou um breve riso, pois achou a afirmação do arqueiro de tom cômico e agradável.

— É, tem razão. — Respondeu Kaf, após parar de rir.

A porta da sala foi aberta bruscamente, chamando a atenção de todos que encaram o guarda em destaque.

O homem estava ofegante, como se estivesse vindo às pressas para falar com o imperador que o encarava com uma leve curiosidade.

— Meu senhor... – Disse o guarda, respirando com força.

— Acalme-se homem. — Disse Kaf, se virando para ele.

— O ladino! O ladino acordou! – O guarda relatou a informação.

— Varis? – Perguntou Aquiles, fazendo a breve ligação.

— É esse o nome dele, não? – Perguntou Kaf, rapidamente. — Vou lá para ver o estado dele, fiquem aqui até um guarda trazer seus equipamentos.

Kaf já estava se virando para seguir caminho em busca do ladino, mas foi interrompido poucos passos depois.

— Eu irei com você. — Disse Voltten receoso, arrumando um pouco a postura e se aproximando do imperador, mas sendo parado por um dos guardas que o empurra levemente.

— Porque você precisaria me acompanhar? – Questionou, levantando com um leve tom curioso em sua fala.

— Varis é idiota a ponto de não acreditar no que você irá dizer, se eu for junto ele vai acreditar. — Respondeu Voltten.

O guarda trocou olhares com o imperador que fez um sim com a cabeça.

— Certo, você pode vir, mas só você. O resto terá que esperar. – Falou o imperador de uma forma mais rigorosa.

— Entendido. — Respondeu o mago, com um sorriso em seu rosto.

— Boa sorte cara. — Falou Aquiles, dando um leve tapa nas costas do mago, que o encarou de cima para baixo.

— Eu terei, pode ter certeza. — Respondeu, encostando no ombro do cavaleiro que o encarou nos olhos. Por segundos a preocupação do cavaleiro foi vista novamente, mas não questionada.

Ao sair do quarto de espera, Voltten seguiu o imperador e seus guardas que os rodeavam. Junto deles, dois surgem nas costas do mago para impedi-lo de fuga.

Os cenários do lugar eram magníficos.

Mesmo o mago nunca tendo estudado sobre os Deuses da Areia, as tapeçarias e retratos contavam sua história de forma indireta, mas clara aos olhos do Mago.

A primeira tapeçaria representava um exército de espíritos azuis rosados, todos com suas partes inferiores presas em algo que seriam runas, jarros ou outras relíquias menores.

Aquela era a representação de Kaabarse, Deus que originou os Deuses da Areia, e seu exército de djinns.

A segunda tapeçaria, logo ao lado, possuía dois homens, uma mulher e um humanoide azul. Os quatro estavam adentrando em uma espécie de tumba

A mulher possuía longos cabelos negros e véus de mesma cor. Em suas mãos, um kanun a emanar raios e vibrações ao seu redor.

O outro possuía cabelos carmesins médios, calça thai e colete dourado. Em suas mãos, uma espada vibrante que lhe dava uma posição épica em seu grupo. Ele estava mais a frente e seu rosto era o que mais sorria.

O terceiro possuía cabelos loiros curtos, véus diversos e um cobrindo parte de seu cabelo. Em contrapartida, diferentes de seus companheiros, ele estava desarmado por completo e socava pedras como se não fosse nada.

O humanoide azul estava atrás em uma pose semelhante a Harihara, emanando energias mistas de quatros braços.

A terceira tapeçaria representava uma luta entre os três supostos humanos e a figura da primeira tapeçaria.

A quarta e última vista por Voltten mostrava um círculo dividido em três partes, cada uma com uma das três pessoas da segunda e terceira tapeçaria. A humanoide azul estava morta em seus pés.

Cada um dos três possuía uma Bindi de uma cor diferente.

A vermelha estava no homem loiro.

A verde estava na mulher de cabelos negros.

A roxa estava na do homem de cabelos carmesim.

Mesmo não entendendo muito o que aquilo significava, Voltten continuou a seguir o imperador e os guardas do palácio.

Por Tisso | 13/08/20 às 17:15 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia