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Capítulo 52 - E la vamos nos outra vez

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 52 - E la vamos nos outra vez

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

No meio da noite, mais um ano começava.

Os presentes foram trocados e a maioria demonstrava felicidade e apreço.

Uns ganharam coisas de valores inestimáveis, outros apenas um prazer momentâneo, mas todos aparentavam estar felizes.

Cérbero acabou seu dia com o espirito de sua falecida filha voltando a virar pó, restando apenas o crânio novamente.

Tanto Varis quanto Voltten acabaram adormecendo em camas alheias de suas parceiras.

James, Aquiles e Glans bebiam junto de Bellator, Ertiaron e Ortros, enquanto Edward e Crist comiam o banquete normalmente.

Merlin apenas residia em seu quarto, realizando seus feitiços junto de seu escolhido.

Os ventos fortes do local esfriaram, deixando as ruas desertas.

A escolhida, já protegida, brincava em seu tempo livre com uma espada de ferro pequena e sem o mínimo fio. Depois de alguns dias, era como se seu surto fosse algo semelhante a um sonho.

O paladino, recompensado pelo mestre e por Ortros, ganhou um escudo novo, mais brilhante, curvado e resistente.

O mago ganhou o seu primeiro canalizador mágico de respeito, um cajado com uma garra de coruja dourada em sua ponta. Já a maga usufruiu de seu corpo e tendo as experiências que buscava.

Livros e livros foram trocados das mãos de James com diversos dos companheiros, mas nada que o arqueiro não conhecia, nem mesmo pelos livros da biblioteca ele achou algo que procurava.

Com a riqueza de Varis, Sagita ganhou das mais caras roupas e mais caras joias.

O clima era de festa, mas ao mesmo tempo de receio pelo novo ano, principalmente para os de maior influência naquele local.

O caçador estava voltando para Kranbar, enquanto seu irmão organizava as próximas expedições, gastos e tropas, tudo enquanto a transferência de Argel para Monssolus era agendada e revisada.

Foram cerca de três dias de calmaria para todos, os demônios até mesmo cessaram os seus ataques, mas logo chegou a hora do quinto escolhido de revelar.

Reunidos em uma sala decorada com diversas coisas de aspecto militar, uma mesa de centro com um mapa da região e diversas marcas feitas a tinta ou a carvão.

Rodeando a mesa, James tentava ler e entender o que seria tais marcas enquanto Aquiles e Varis se escoraram nas paredes. Edward e Glans observavam com admiração as decorações locais.

De fato, nenhum estava fazendo algo útil, mas lhes foi dado a ordem de estar naquela sala naquela hora.

Quando a porta foi aberta, Ortros e Voltten vieram seguidos de Sansa. Ambos os magos estavam portando seus cajados e Sansa carregava uma caixa maior que seu punho com a outra mão.

– Então todos chegaram. – Varis afirmou, dando um passo para a frente e iniciando a conversa.

– É o que parece. – James respondeu rapidamente, se aquietando em um dos cantos da mesa.

Em meio a todos, Ortros chamou a atenção, colocando rapidamente as mãos no mapa e deslizando seu dedo pelo papel.

James curioso, ficou observando os movimentos do falso rei, mas logo ele reparou o que era aquela série de movimentos. À medida que o dedo de Ortros encostava no papel, uma grande área envolta do toque se alterava.

Em questão de alguns segundos, o mapa estava completamente diferente.

Antes ele parecia velho e manchado, mas agora ele estava limpo e com partes novas da região.

– Bem, temos novidades. – Afirmou Ortros, tirando seus dedos do mapa.

Alguns também reparam na alteração do papel, outros acharam que era puro delírio, mas no fim, todos estavam reunidos ao seu redor.

– Onde será dessa vez? – Varis questionou rapidamente, evitando explicações e enrolação.

Sansa colocou a caixa na mesa, abrindo-a e revelando a bugiganga que residia no recipiente de madeira.

Era dourada e com detalhes em metal, com um círculo gigante com duas setas de metal – uma com a ponta feita de um material mais brilhante, dando detalhes azuis ao objeto – que insistiam em apontar para dois lados distintos, um contrário ao outro.

Atrás daquelas setas haviam engrenagens e símbolos queimados em algo que parecia ser uma madeira branca – algo não característico daquela região.

– Uma bússola? – Aquiles questionou, intrigado após assimilar o objeto.

– Não só uma bússola. – Sansa afirmou, colocando mais ao centro da mesa.

– É a bússola que vai nos levar aos escolhidos. – Voltten completou em tom vagamente desleixado e confiante.

– “Aos”? – Edward perguntou, notando de imediato o plural da fala do amigo.

– Estávamos testando coisas novas. – Ortros deu um leve peteleco na caixa de madeira que protegia a bússola. – Não foi barato nem fácil, mas acho que vai ser mais útil.

Quando todos focaram nas setas da bússola, notaram de imediato a agitação de ambas, elas giravam de formas anormais, cada vez aumentando sua velocidade, assemelhando-se mais a um relógio do que uma bússola.

– Era para isso acontecer? – James questionou, apontando para o objeto.

– Voltten, quer fazer as honras? – Sansa comentou em tom cômico para o colega.

O mago se arrepiou com o toque da maga em sua mão livre, mas logo se recompôs e se dirigiu a bússola.

– Certo... lá vai... – O mago, estreando seu cajado, o apontou na direção da caixa de madeira.

Sem recitar feitiços, mas usando de forças magicas, o mago direcionou energias para a ponta de seu cajado onde – no centro da pata de coruja – se originou um raio que se conduz naturalmente para arredor da bússola.

Todos ficaram observando com curiosidade, Voltten com mais receio do que curiosidade, devido à pouca confiança própria.

Foram dez segundos vendo as setas girarem sem rumo, até que a velocidade de ambas foram diminuindo e diminuindo ao ponto de se aquietarem.

Após isso, Ortros pegou a caixa em sua mão, mas sempre, deixando as setas a mostra, ele manipulou o objeto, o movendo de formas básicas e bem simplórias.

Independentemente de o quanto ele girasse ou movesse a bússola, ela sempre apontava para o mesmo local.

– É, funcionou. – Afirmou Ortros, colocando novamente a caixa na mesa.

– Então... agora sabemos a onde fica o Norte? – Varis ironizou, intrigado com toda a cena que os três estavam fazendo.

– Não gastamos tanto tempo para apenas isso, qualquer água com agulha conseguiria fazer isso. – Retrucou o diplomata com uma breve risada. – Essa vai apontar pra fontes de energia, podendo fazer isso até mesmo com as que ainda não foram geradas.

Ortros colocou sua mão do lado oposto ao que a bússola apontava a fazendo se mover quase de imediato. Quase que instantaneamente, Edward se espantou junto com Varis, que escondeu sua reação de medo involuntário.

Nem mesmo o ladino poderia explicar o porquê de sentir aquilo, foi como um exibicionismo ou uma ameaça, mas ele não entendeu nada de seus sentimentos, pois não via ameaças naquela ação.

Quando o falso rei depositou a energia em seus dedos a bússola voltou a girar descontroladamente. Logo após isso, ele sessou a ação fazendo tudo se normalizar.

– A lógica é simples. – Ortros começou a explicar calmamente, apontando para o mapa. – Não sabemos onde as energias estão, mas sabemos onde elas não estão.

Tirando de seus bolsos, Ortros retirou um pote de tinta e mergulha o seu dedo nele, preparando para fazer marcações no mapa.

– Começamos com Bellator em Monssolus. – Circulou com o dedo o local referente a capital de Artit.

– Onde atacaram a estalagem. – James comentou vagamente.

– E eu cortei a cabeça do demônio. – Aquiles completou de forma orgulhosa.

– Depois Crist em Kranbar. – Ele faz o mesmo em outra região próxima.

– Junto do ataque a vila. – Comentou Edward pensativo.

– O terceiro não temos quase que nenhuma informação... – Os dedos de Ortros escorregam para a área do oceano e fez um sinal de interrogação na água, dando um leve déjà vu caótico na mente de Aquiles.

– Sabemos que ele é importante para o Merlin e que o mesmo não vai falar nada independente do que der. – Aquiles afirmou vagamente irritado.

– Não duvido de ele estar aqui por interesses, mas vamos ignorar isso por enquanto. – O diplomata falou, direcionando a última marca de tinta, uma cidade em Harenae. – Ertiaron em Suma foi o último.

Quando olhado por cima, o mapa possuía um formato bem peculiar, a proximidade do primeiro para o segundo escolhido era relativamente baixa.

Mesmo não tendo uma certeza de onde o terceiro vinha – apenas a palavra de Merlin – era plausível teorizar que o quinto estaria perto do quarto e o sexto perto do quinto.

Quase todos na mesa chegaram a mesma conclusão, mas para quebrar todas as expectativas, Varis deu um passo à frente e pegou a bússola rapidamente.

– A ideia é que essa bússola vai nos levar a uma fonte de energia, supostamente ela sendo o escolhido, certo? – O ladino questionou Ortros, o encarando de forma direta.

– Na teoria.

– O objetivo então é nos afastar o suficiente para que os escolhidos que estão aqui não influenciem na busca para os próximos suponho.

– Exatamente, é isso que estou falando. – Ortros voltou sua atenção para o mapa. – Monssolus, Kranbar, Suma. Mesmo com Tac Nyan sendo o deus da sorte, não podemos contar com ela. – Suspirou

Ortros traçou pequenos riscos entre as outras marcações.

– Pode ser delírio, mas eu tenho quase certeza que eles não vão aparecer no mesmo lugar, muito menos ser um de nós.

– Não excluiria essa última possibilidade, se posso opinar. – James cortou brevemente Ortros. – Nós somos peculiares por natureza, diria até que mais peculiares entre os peculiares. Isso ocorrer com um de nós não me surpreenderia.

Um leve silêncio se instaurou na sala por alguns segundos.

– Eu tenho só uma observação. – Aquiles apontou, indicando Civitas no mapa. – Qual a probabilidade de que um escolhido se manifeste aqui, nessa cidade.

– É uma boa teoria...

Em meio as conversas paralelas, Glans tentava entender o mapa, mesmo não conseguindo, ele notou peculiaridades, pelo menos nas marcações que Ortros fez.

– Três lugares. – Disse Glans em meio a conversa de todos.

– Hum? – Aquiles e James se questionam ao mesmo tempo que Ortros virou seu rosto para o draconato.

– Esse tem um fechado, esse também, o outro também. – Ele afirmou, passando o dedo tanto nas marcações de tinta quanto nas delimitações dos países.

Todos pararam mais um momento para conferir o mapa. De fato, todos os escolhidos supostamente eram de países diferentes.

Artit, Civitas, Harenae, todos eram países diferentes – apesar das proximidades de Monssolus e Kranbar. Matheus Freitas: Sério que ninguém notou algo tão importante e simples? Poxa... Parecem os generais de um certo país que eu moro...

– Eu não sei dizer sobre isso, mas isso talvez seja algo. – Ortros afirmou, pegando o mapa em suas mãos e o amassando, ele formou uma grande bola de papel.

Quando a desdobrou de novo, ela possuía quase o dobro do tamanho e diversos novos caminhos, agora até mesmo além dos três países.

– Os mais próximos são Skogeny e Telletü. – Afirmou Ortros, apontando sem marcar com a tinta para os países do lado de Artit.

– Um de origem Elfica e outro de origem Anã. – Comentou Aquiles, cruzando os braços enquanto pensava.

– Eu vim por Skogeny quando cheguei em Monssolus, fiquei intercalando entre as bordas de lá com Artit. – James afirmou, apontando a rota que percorreu meses atrás.

– Skogeny está acabada desde que os Deuses Elficos morreram, o máximo que vamos ter de problema lá é pequenas aldeias ou criaturas tribais acéfalas que andam em bandos... – O cavaleiro afirmou pensativo, mas, ao terminar a fala, olhou rapidamente para Glans. – Sem ofensa.

– Hum? – Glans murmurou confuso.

– Telletü ainda possui uma hierarquia sólida e um exército considerável, mas quase nunca conseguiram algo com a fé. – Disse Ortros, complementando as palavras de Aquiles. – Praticamente são baixinhos de armadura pesada, não são perigosos se encarados sozinhos, mas aos montes, podem representar algum perigo.

– Chuto que iremos fazer o mesmo que no caso de Harenae. – James comentou. – No quesito de esconder marcas e afins.

– Mal ganhei e vou ter que cobrir o símbolo do escudo. – Ironizou Edward rapidamente.

– Vamos cobrir com metal derretido ou algo do tipo, igual fizemos com a armadura de Aquiles. – Ortros afirma, pensando rapidamente no que deveria fazer. – Uma viagem de cavalo deve durar algo em torno de três a cinco dias para Skogeny, adicione um dia a mais para ir a Telletü.

Temos que fazer viagens de ida e volta... – Disse Edward em um tom vago.

– Na realidade não... – No exato momento que proferiu isso, Voltten se tornou o foco de todos do lugar, até mesmo de Sansa e Ortros que se surpreenderam. – Merlin conversa comigo algumas vezes, é coisa rara, cerca de duas horas por semana.

– Hum, continue... – Disse Aquiles com desconfiança, mas não só ele estava assim, Ortros não confiava nem um pouco naquele mago real, Sansa era uma ponte entre a confiança cega de Voltten e a desconfiança total de Ortros.

– Ele já mencionou algo a ver com portais. Tipo uma brecha que atravessa as coisas. – Aos poucos o mago ficou empolgado quando falava, logo ele pegou o mapa e marcou dois pontos com tinta preta. – Imaginem que essas manchas são os lugares.

Dobrando o mapa e os furando com o dedo o mago finalizou sua explicação.

– Vamos poder transportar por magia!

Todos se olham desconfiados, apenas Sansa aparentava entender e gostar da ideia.

– Eu topo. – Varis afirmou rapidamente. – Se economizar tempo.

– O que acha, Ortros? – Aquiles e Edward questionaram simultaneamente o falso rei, que se perdia em seus pensamentos.

“Exatamente igual. Sem erros ou deslizes, essa é a exata forma de teleporte que ele nos ensinou... após todos esses tempos isso veio de novo.” Pensou calmamente averiguando a situação ao mesmo tempo.

– Eu averiguarei todos os processos dessa magia, Sansa e você me auxiliarão se necessário. – Ortros respondeu, sua voz do estava fria, carregada de sentimentos alheios.

– Certo. – O paladino e o cavaleiro concordaram cegamente.

– Hum. – Glans murmurou como afirmação, enquanto James ficava quieto.

 – Skogeny... – Murmurou rapidamente Varis. – Parece ser mais pacifica do que foi em Harenae.

– Lhes garanto que pelo menos não haverá um gigante com mais de três metros. – Ironizou Ortros em uma mescla de risos com sua fala séria.

– Sim, sim... – Varis completou. – Sempre tem algo pior. Matheus Freitas: Como diz aquele famoso filósofo que esqueci o nome: “Nada é tão ruim que não possa piorar...

Por Tisso | 15/09/20 às 18:15 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia