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Capítulo 53 - Cartas de Nossas Almas e uma Arvore Lendária

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 53 - Cartas de Nossas Almas e uma Arvore Lendária

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

As cartas eram embaralhadas de forma rápida e precisa, cada uma foi jogada no ar e pega logo em seguida.

Os dedos cinzentos as manipulavam com extrema aptidão, mas os olhos do homem que as manipulava estavam fixos nas íris confusas do cavaleiro e do draconato.

Varis quase fazia uma estrutura com as vinte e duas cartas enquanto as embaralhava, mostrando cada vez mais sua incrível velocidade e destreza – afinal, o mesmo não conseguia mover as mãos sem tremer a menos de uma semana atrás.

Ao finalizar, Varis recolheu completamente o baralho.

Ele pegou rapidamente a primeira carta do topo do baralho e entregou a Aquiles – tudo sem revelar sua imagem. Entregou em seguida a segunda para Glans.

– A Força e a Carruagem. – Afirmou o ladino paciente, retraindo a mão que entregou as cartas e se acomodando.

Quando os dois viraram suas cartas, eles de imediato se arrepiaram.

Aquiles havia pegado a Força e Glans a Carruagem, assim como o mencionado.

– Como você sabia? – Aquiles perguntou perplexo, virando para Voltten logo em seguida. – Ele usou magia não usou?

O mago, sentado ao lado do paladino, se virou com paciência e serenidade.

– Não... – Afirmou calmamente, antes de ser cortado.

– Ele fez isso sem magia?! – O cavaleiro gritou assustado.

– Ele sabia a carta, ele sabia a carta! – Glans complementou arrepiado.

– Vocês podem parar de fazer um caso tão grande por isso. – Interrompeu o arqueiro na retaguarda da carroça, olhando para os dois com os subestimando por ficarem eufóricos por pouco.

– Você também viu. – Aquiles falou, caminhando na direção de James, quase tropeçando na carroça em movimento. – Ele fez aquilo com as cartas e do nada ele tirou as nossas e acertou...

– Você já cogitou que na realidade ele decorou todas as cartas, todas as posições e no fim ficou apenas dando voltas em círculo com as acrobacias para no final lhes entregar duas cartas premeditadas? Ele nem sequer pegou as cartas de volta para embaralhar pela segunda vez.

Aquiles e Glans pararam por um breve momento, olhando para o sorriso no rosto do ladino, que embaralhou rapidamente as cartas que lhe restava, sacando mais uma.

– O Eremita. – Varis afirmou, estendendo a carta para James, que a pegou sem surpresa de que ele havia acertado. – Vão querer também? – Direcionando a pergunta a Edward e Voltten que conduziam a carroça única, Varis sorri enquanto esperava resposta.

– Por que não? – Questionou a Edward, levemente intrigado.

– Nos mande as cartas então. – Voltten complementou.

Após mais alguns truques de cartas, Varis selecionou mais duas.

– Aqui. – Ele as estendeu e Voltten as pegou.

– Hum – Sem virar as cartas, Voltten o questionou. – Quais?

– A Justiça e A Sacerdotisa. – Varis afirmou com confiança.

Voltten logo as virou e confirmou as respostas.

– “A Justiça”, não é? – Edward questionou vagamente confuso.

– Não posso dizer se Varis está mentindo com essas respostas chochas e dando cartas que dizem algo sobre nós ou se as cartas estão condizendo conosco. – Afirmou Voltten, olhando para as cartas em sua mão. – Provável que a segunda opção.

– Qual é?! – Varis interrompeu. – Não acreditam que as cartas estão dizendo mais sobre vocês mesmos do que eu escolhendo de forma sortida?

– Porque não testamos? – James indagou, dando passos leves na direção do ladino.

Varis o encarou enquanto o arqueiro caminhava em sua direção de forma calma.

– Tire a sua carta, Varis. – James sugeriu, enquanto fitava as íris negras e vermelhas do ladino.

– Claro. – Afirmou calmamente, de forma até mais suave do que o normal. – Vamos ver.

Enquanto o ladino embaralhava, o foco de James intercalava entre as cartas e seus olhos de uma maneira absurda.

Se passaram mais de dois minutos que o ladino começou a embaralhar as cartas restantes e o arqueiro sequer piscou em todo esse tempo, era como se descobrisse uma falha naquele truque de cartas fosse o atual objetivo de James.

Ao acabar de embaralhar, Varis montou montes de quatro cartas de forma notória. James percebeu isso, mas aquela não era a falha.

– Então... – Varis rapidamente pegou uma carta no topo da junção. – O Mundo.

Todos encararam Varis, até mesmo os que estavam conduzindo a carroça.

– Nossa, O Mundo? – Aquiles perguntou impressionado.

– Isso ser grande, não? – Glans questionou.

– Absolutamente. – Afirmou Voltten impressionado.

– Essa não é sua carta. – James cortou Voltten completamente cético e sério.

– Hum? – Varis murmurou em sua direção.

– Ao pegar a carta você escondeu o verdadeiro resultado, pegou a segunda da pilha, não a primeira. – James explicou calmamente enquanto encarava Varis.

– Sério? – Aquiles questionou, se virando com surpresa para James.

Meros segundos foram marcados pelo encarar dos olhos do arqueiro e do ladino.

Varis engoliu saliva por receio e aquilo marcava a quebra de sua postura séria. O som produzido ecoou pela carroça coberta e denunciava para todos que o ladino havia trapaceado em sua própria tiragem.

– Hum! – Ele grunhiu de uma leve raiva, revelando a real carta para James.

– A carta de número 0, O Tolo. – James afirmou friamente após ver aquilo. – Agora devolvam as cartas, eu quero meu baralho de volta.

Todos devolveram as cartas para Varis enquanto riam de sua cara.

– O Tolo, perfeito. – Aquiles afirmou com gozação enquanto se acomodava em seu assento.

– Fica quieto. – Varis resmungou de forma arrogante. – Aliás, porque diabos você tem um baralho de Tarot?

– Eu costumo comprar coisas do tipo em minhas viagens. – Afirmou James, guardando seu baralho em uma proteção de couro propriamente feita para ele e em seguida em sua mochila. – Eu possuía um de arcana menor, mas pedi quando destruíram minha mochila, também perdi bons livros naquele dia.

James começou a resmungar para si mesmo, enquanto Edward conferia com Voltten a direção da bússola.

– Ela alterou? – O paladino indagou.

– Nem um centímetro sequer. – Reclamou o mago. – Ainda está apontando para Cartan.

– Tudo bem... – Afirmou Edward em tom leviano. – Acabamos de sair de Civitas, não poderíamos esperar mais.

– Você parece desapontado. – Voltten comentou enquanto guardava a bússola.

– Não podemos ter uma confirmação de como eles estão em Cartan, desde que Crist foi atacada, fico receoso sobre o que poderia acontecer. – O paladino afirmou calmamente com seu olhar disperso pelo horizonte.

– Olha, eu ainda não vi a força total de Ortros, mas o pouco que ele já me revelou por meio de experimentos e afins me fazem dizer o contrário. – Contra argumentou Voltten. – Você nunca chegou a ver as capacidades mágicas dele, não é?

– Apenas sei a teoria. – Edward respondeu, abaixando vagamente a cabeça para ver suas mãos que seguravam as rédeas dos cavalos. – Parysas vive falando que ele era o segundo mais forte do país e que os dois têm um nível surreal de diferença, mas não consigo me acalmar mesmo assim.

– Relaxa. – Disse Aquiles, pulando para perto dos dois, fazendo com que Varis e Glans mudassem o local de descanso. – Ortros é um trunfo para Civitas e para os Cavaleiros Negros. Nada conseguiria impedi-lo de proteger os escolhidos.

– Nem o Caçador foi. – Ironizou Voltten, atiçando a mente do arqueiro e preocupando a do cavaleiro.

Varis riu de forma suave, enquanto James admirava a paisagem da retaguarda da carroça.

As longas planícies de Civitas sumiram com a chegada de elevações no terreno que acabavam balançando a carroça.

Ao final do dia, os cavalos pararam para descansar em uma pequena entrada de floresta, onde foi montado o acampamento.

Revezando horários e disposição, eles garantiram sua segurança.

Nos dias seguintes, mais viagem. Tudo resultando no cruzar de Artit e na chegada convidativa a Skogeny.

A passagem para o país tinha marcada um risco enorme no solo – semelhante a uma rachadura – que acabava em uma gigantesca árvore quase morta.

Aquela poderia ser uma mísera planta, mas ela aparentava ter algo a mais. Ela possuía marcas de queimadas e ao mesmo tempo, em um de seus galhos, ainda crescia flores vermelhas e outras azuis, tudo isso durante o inverno.

– Aí, chegamos! – Afirmou Aquiles, saindo da carroça enquanto os outros iam devagar em direção a planta.

– Essa é uma planta rara da região? – Questionou Voltten, intrigado.

– Essa árvore que usamos para demarcar território. – Aquiles afirmou animado, já chegando perto do tronco ele rapidamente conferiu um buraco que dava para um oco na planta. – Ainda tá aqui!

Todos olharam confusos para Aquiles.

Após chegarem próximos da árvore, todos saíram do veículo e se aproximaram do cavaleiro para entender o que se tratava aquilo.

– O que tem de especial nessa árvore? – Questionou Varis de forma direta.

– Existem relatos que ela está em pé a mais de mil anos. – Aquiles falou.

– Relatos? – Perguntou Glans.

– Algum verídico? – Ironizou James.

– Ela não morre por nada. – Aquiles aos poucos foi reconhecendo as marcas na planta. – Ela já aguentou raios, queimadas, já usamos ela como combustível de fogueira uma vez. É praticamente mágica!

– Olha, mesmo que eu ache incrível isso tudo, ela não emana energia mágica. – Voltten afirmou apontando para o solo com seu cajado. – Pelo menos, nada notório.

– Que ela está viva a mil anos é besteira. – Afirmou James. – Mas ela realmente parece única.

O arqueiro olhou ao redor, além de mais raízes semelhantes ao que eles viram anteriormente, James reparou na extrema quantidade de flores ao redor, mas elas não eram coloridas aleatoriamente, todas possuíam um tom mais depressivo.

– Agora olhem isso. – Aquiles apontou para o buraco no tronco da árvore.

Ao se aproximarem um pouco, todos viram uma chama acesa em uma vela de cera vermelha.

Espantados pela estética estranha, eles se afastaram levemente.

– O que isso significaria? – Questionou Edward confuso.

– Eu sei lá. – Respondeu Aquiles, dando os ombros. – Essa parte eu acho que não tem explicação, deve ser só uma vela numa árvore. Ela está aí sem se apagar desde que eu me lembre.

– Você não tem ideia do que significa esse local nem essa vela então? – James perguntou confusamente.

– Você pode dizer isso.

– Voltten, você já viu como está a bússola aqui? – O arqueiro mudou repentinamente o assunto, tudo para evitar as possíveis próximas falas de Aquiles.

–Hum? – O mago tirou seu foco da vela e dirigiu sua atenção a caixa de madeira, revelando a bússola rapidamente.

Todos direcionaram o foco para Voltten, enquanto andavam em sua direção inconscientemente – com a exceção de Varis, que continuou focado na vela vermelha.

Quando abriu a caixa, Voltten viu rapidamente a alteração da direção apontada anteriormente. Agora a seta apontava para frente, ao Nordeste da sua localização atual.

– Ela Mudou... – Voltten afirmou com surpresa.

– Boa! – Glans e Aquiles afirmaram juntos.

– Ai! – Varis gritou tirando a mão do tronco, virando-se de costas para a árvore e rapidamente a escondendo atrás entre sua capa.

– Você queimou a mão com uma vela? – Edward questionou com ar vagamente cômico.

– O número zero veio bem a calhar nesse caso. – James comentou no mesmo tom.

– Ei! – Varis reclamou, tirando a mão de suas costas e conferindo o ferimento. – Isso é só uma vela!

O ferimento do fogo da vela fez uma mancha negra estranha na mão do ladino, que a encarou em meio a sua pele cinza.

Ele pensou em reclamar, ou pedir por ajuda, mas no instante em que abriu a boca para falar foi impedido por si mesmo, ficando paralisado e sem ação por alguns segundos.

– Ei, Varis! – James chamou a atenção do ladino, após todos já terem visto o resultado da bússola. – Vai ficar parado aí por mais quanto tempo?

– Hum? – Varis questionou voltando a atenção ao arqueiro e vendo que não só ele como todo o grupo estava voltando para a carroça. – Oh, certo.

O ladino rapidamente disparou até alcançar o grupo, mas o pensamento de que estava esquecendo algo de certa importância.

O grupo se reuniu e voltou para a viagem, agora para a direção onde a bússola apontava.

Deixando a árvore de lado, James a observou se afastar em meio ao cenário da retaguarda, tudo mostrando o progresso da viagem.

Por Tisso | 17/09/20 às 17:54 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia