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Capítulo 61 - Suspeitos, Mascarados, Caloros e de Confiança Duvidosa

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 61 - Suspeitos, Mascarados, Caloros e de Confiança Duvidosa

Autor: Tisso | Revisão: Shind

Após os relatos serem passados para Glans e Voltten, os dois ficaram receosos perante o desmaio do amigo. Junto disso as informações sobre a “Maldição dos Arrependidos” lhes deixaram ainda mais com pé atrás.

– Como está, James? – Voltten questionou tentando colocar moral sobre um dos homens de branco com máscaras assustada.

– Ele está bem, apenas desmaiou. – Afirmou o mais próximo de Voltten com um tom meloso e envergonhado. – Logo ele vai acordar.

– O que vocês fizeram? – Glans questionou, mostrando sua presença forte apenas dando um passo que fizera o homem de branco recuar para trás.

– N-N-N-Não fizemos nada. Ele só desmaiou após uma conversa com o mestre. Não houve o uso de magia ou veneno, eu juro.

Enquanto o homem de branco com máscara assustada suplicava aqueles dizeres, dois homens de máscara zangada armados com lanças bizarras se aproximaram dos três.

– Afaste-se! – Um deles afirmou intimidando Glans.

As armas, não só daquele homem, mas sim a de todos do local, possuíam um formato robusto com uma jóia fixada perto da ponta da lança, da chappe da espada ou a mira do arco.

Quando eles faziam movimentos bruscos com o equipamento, as joias se moviam internamente de uma forma estranha, parecendo um líquido entrando em um redemoinho, ou até mesmo uma galáxia a seguir seu ciclo.

– Essa arma... – Voltten afirma pensativo perante aquele implante no equipamento.

– Recuem! – Uma voz bruta e rústica atrapalha completamente os três homens de branco, os fazendo se agruparem e ficarem em posição de sentido.

– Sim, Mestre! – os três afirmam de forma alta e clara enquanto todos envolta desviaram rapidamente o olhar para Phineas.

– Desculpem pelo incômodo. – Phineas afirmou ficando entre os três homens e os dois amigos. – Jameson teve uma crise de stress e acabou desmaiando.

Voltten encarou as íris verdes receoso, mas tomou coragem quando ao recuar encostou de relance em Glans.

– Como pode nos provar que ele está bem? – O mago questionou juntando toda a coragem possível, avançando em um passo de raiva.

– Você mesmo pode vê-lo se preferir. – Phineas respondeu mostrando a onde haviam levado James.

De longe dera para ver o arqueiro dormente, ele não parecia ferido, muito menos em perigo, apenas desacordado.

Voltten conferiu o corpo de seu amigo, o mesmo estava totalmente normal em questão corporal, nada havia sido ingerido ou aplicado, pelo menos era isso que sua magia indicava.

Voltando para o local original o mago se questionara o que aqueles homens iriam fazer agora.

– Jameson falou que vocês estavam atrás de seus amigos. – Phineas afirmou completamente neutro perante as estranhezas de Voltten. – Acho que eles são sua prioridade no momento, certo?

– Hum? – Voltten e Glans murmuraram intrigados.

– Você sabe onde eles estão?

– Exatamente a onde não. – Phineas afirmou calmamente. – Porém sabemos o local que eles supostamente estão.

– Qual ser esse local? – Glans questiona tentando fazer igual a Voltten e emplacar uma postura ameaçadora. Ele conseguiu facilmente.

– Aqui mesmo, mas quilômetros e quilômetros abaixo de nós. – Phineas afirma apontando para baixo, logo em seguida recolhendo as mãos. – Vocês viram a escada em espiral quando subiram, certo?

– Sim... – Voltten afirmou recuando para trás vagamente.

– Ela leva para essa construção paradisíaca, mas também podemos descê-la. – Phineas afirma como se estivesse a recitar alguma prosa antiga. – Esse lugar já foi uma imensa fortaleza élfica, mas, após a Colisão dos Mundos, esse lugar foi corrompido por um dos seguidores da morte. Tal ser era um exímio necromante, um manipulador de corpos que sugou toda vida que essa cidade possuira, manipulando almas e corpos para formarem uma fortaleza embaixo de nossos pés.

– O que ele fez com os corpos das pessoas? – Voltten questionou apreensivo. – Porque deixou os corpos dos soldados aqui? E o que ele vai fazer com nossos amigos?

Phineas o encarava friamente. O mago buscava a razão, mas seus pensamentos acelerados não compreenderiam as explicações complexas dele.

– Os corpos foram jogados ao pântano e com o tempo a magia da cidade os corroeu, mudando a tonalidade da água junto de suas propriedades.

Voltten rapidamente ligara os corpos corroídos com magia a água que, se usada, como colírio permitia-lhes uma visão dos fantasmas do local.

– Os guardas desse local foram a primeira grande ameaça para o necromante. – Continuou Phineas. – Ele usou de uma matilha de lobos mortos para derrotá-los. Ao contrário dos corpos, eles não foram jogados, virando meros fantoches do feitiço de controle de corpos. Feitiço esse que nós eliminamos quando chegamos aqui.

– E os amigos?! – Glans perguntara impaciente, era de se entender que o draconato não estava a entender a conversa e queria apenas respostas rápidas.

– Eles foram levados para dentro da fortaleza do necromante por meio de um feitiço. – Afirmou ignorando a explicação da maldição local por pura falta de paciência.

– Qual o estado deles? – Voltten questionou.

– Não sabemos.

– Para que eles querem eles?

– Não sabemos, mas achamos que é para conseguir novos soldados.

– Isso já aconteceu?

– Nesse lugar eu não sei, mas já lidamos com isso.

– Então sabem como resolver?

– Sim, é bem simples.

– Então porque não resolveram? – Glans questionara novamente.

– Simples é diferente de fácil. – Phineas murmurou. – Aqui em cima não somos afetados por esse feitiço, mas lá em baixo as coisas são diferentes.

Apontando para os membros feridos de seu culto, Phineas expôs contra o que eles estavam lutando.

– Somos idealistas, não soldados. – Phineas respondeu cabisbaixo. – Nossos especialistas em combate não são o suficiente, nem se enviássemos todos que temos aqui a chance teríamos um bom resultado, além disso os reforços demorariam a chegar.

– Reforços? – Voltten se intriga. – Tem mais de vocês?

– Eu acho que isso é irrelevante por agora. – Phineas afirma focado na face de Glans. – Mas chuto que vocês possam ajudar.

– Hum? – Os dois questionam receosamente.

– Nós queremos acabar com essa maldição e vocês querem seus amigos, acho que podemos uns ajudar os outros, não acham?

– Se todos que foram acabaram voltando feridos, acho que nós dois sozinhos não mudamos muito. – Voltten afirmou receoso.

– Ainda temos uns quatro ou cinco homens em seus cem por cento.

– Lanceiros?

– Os lanceiros patrulham, os que enviamos usam em sua maioria espadas ou magias.

– Magias? – Glans e Voltten questionam simultaneamente.

– Somos um culto religioso no final das contas, apesar de ressalvas.

– Magias do Deus da Vida... – Voltten se lamentara vagamente. – Não é tão útil em combate, mas pelo menos temos médicos...

– Temos dois médicos de campo se forem de seu agrado.

– Quantos mais melhor, não? – Afirmou pensativo. – Se é para conseguirmos em uma única chance, é bom formar o melhor grupo.

– Pretendem conseguir em uma única tentativa? – Phineas pergunta vagamente impressionado.

– Nós não queremos deixar nossos amigos sozinhos e temos mais trabalho para fazer além disso. – Voltten olhou para Glans rapidamente. – Acha que conseguimos?

– Glans ir na linha de frente. – Afirmou o draconato exibindo seu machado. – Quando nós ir?

– Já que vocês estão tão animados eu vou convocar os meus homens. – Phineas afirma desviando o olhar. – Apenas aguardem aqui.

Os dois amigos sentam próximos a porta de que saíram, ainda com receio daqueles homens de armadura branca. Claro que os mesmos os observavam de forma estranha.

Suas máscaras esboçando apenas uma emoção limitava a interpretação de cada um que os via de fora.

Voltten chutou rapidamente que havia um padrão entre as máscaras, mas o único que ele identificara fora o das máscaras zangadas. Elas eram usadas principalmente pelos lanceiros que patrulhavam pelo lugar, sempre em busca de algo que os ameaçasse – inclusive dois em específico que os observavam a cada movimento.

– E-E-Ei vocês. – Uma voz fina chamou Voltten e Glans. A sua origem era de uma máscara assustada pertencente a uma figura pequena em padrões normais, comparados aos dois amigos ela era uma anã praticamente.

 – Hum? – Os dois viraram o rosto, causando um leve receio na pessoa que os chamara.

– A-A-Ah... – ela perdera rapidamente a compostura. – Vocês... vocês precisam comer?

– Hum? – Voltten murmurou para si.

A tensão do local culminada com a perda de seus amigos e agora com esse culto os encarando fora um disfarce perfeito para que se estômago não sentisse a necessidade de alimento.

O mesmo ocorria com Glans, mas no caso do draconato ele ainda conseguia suportar mais tempo sem comer nada.

Porém, era inegável que um pouco de comida era aceitável.

Os dois se olharam rapidamente, Glans depositara a resposta em Voltten que logo se pronunciou.

– Acho que aceitamos o convite. – O elfo afirma se levantando junto de Glans.

A pessoa tremula seguiu para junto de mais pessoas com as mesmas máscaras assustadas. Junto delas alguns com máscaras felizes e zangadas.

Os dois sentaram em volta de um caldeirão fervente. Voltten analisara visualmente aquela sopa dentro do caldeirão.

Seu caldo possuía o cheiro de ervas fortes e salgadas, sua cor era marrom e fluida, boiando nele havia inúmeros vegetais.

– Onde vocês conseguiram vegetais nesse fim de mundo? – Questionou o mago impressionado.

Um homem com máscara sorridente caminha em sua direção, carregando consigo duas tigelas e uma concha. Atrás dele dava para ver mais das pessoas com máscaras assustadas agrupadas com medo.

– Oh, nossos vegetais são cultivados na hora. – o homem de máscara sorridente afirmou de forma calma e prazerosa.

– Hum? Como? – O mago questiona. – Um vegetal demoraria semanas para ser cultivado, no inverno é ainda pior.

– Voltten. – Glans apontara para um dos cantos daquele lugar.

Ao olhar para o local, Voltten percebe um pequeno canteiro a ser cuidado por um daqueles homens, mas ele estava ajoelhado a rezar.

A reza não era audível a tal distância, mas o brilho verde nítido denunciava o uso de magia em uma espécie de varinha ou cetro pequeno.

– Crescer as sementes com magia... – Voltten afirma impressionado. – Isso é uma ideia incrível, nunca pensei em uma forma de cultivar plantas tão facilmente.

– Também cultivamos galinhas, isso nos da carne de frango e ovos frescos. – O homem com a máscara feliz afirma entregando as tigelas para Voltten e Glans.

– Frango... – Glans afirma pensativo e com apetite.

– Isso mesmo, frango! – Servindo uma tigela, o homem afirmou animado.

– Aqui. – Voltten passa a tigela para Glans. – Acho que vamos precisar de talheres...

Ao olhar novamente para Glans, Voltten percebe que o mesmo engolira tanto o caldo quanto os vegetais e o frango em uma única virada de tigela.

– Hum? – Glans questiona se virando para Voltten.

– Esquece. – O mago afirma pegando a segunda tigela. – Obrigado pelo alimento.

– Não precisa agradecer. – O homem afirmou de forma humilde entregando um talher para Voltten. – Se vocês vão nos ajudar precisam estar no melhor estado possível.

Após uma refeição rápida, Voltten vê em sua direção a vir um mini esquadrão guiados por Phineas.

Sem nem mesmo uma troca de palavras ele se posiciona junto de Glans para seu próximo objetivo. O mago, apesar do lugar suspeito e ameaçador, tomou certa confiança por aqueles homens de branco, mesmo eles ainda serem misteriosos e intrigantes.

– Vamos? – A voz calma e rústica de Phineas questionou os dois de forma suave.

 

Por Tisso | 15/10/20 às 21:16 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia