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Capítulo 71 - O Ditador de um Novo Final Começa Seus Planos

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 71 - O Ditador de um Novo Final Começa Seus Planos

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Acordando em uma clínica médica, o paladino se encontrou em uma cama quase que semelhante a do castelo de Carten – mas muito menor se comparado a ela. Ele tentou levantar, mas sua cabeça latejava de dor conforme se movia.

Um grito foi solto na visão de uma luz clara atrás da cortina, um grito de dor básico, mas um grito considerável.

Atrás da cortina, o barulho de armadura andando tomou a atenção do paladino que logo viu o ser entrando dentro das cortinas.

O homem era alto, mas não tanto quanto Glans, algo de dez centímetros menor que o draconato. Sua pele era extremamente pálida, incluindo seus lábios. Seus dentes eram perolas brancas grandes e afiadas, seu “cabelo” parecia uma espécie de calda de tubarão anexada biologicamente.

Sem dúvida nenhuma sua armadura foi feita sob medida, afinal, nunca que alguém forjaria uma armadura com aquelas proporções normalmente. Até mesmo os dedos de suas luvas possuíam no mínimo dez centímetros cada.

Ele era estranho.

De forma envergada, ele puxou um banquinho e se sentou nele enquanto olhava para Edward. Ele parecia receoso, mais pelo fato de não querer atrapalhar o paladino do que qualquer outra coisa. Sacou de sua cintura um cantil com chá quente de camomila.

– Acho que isso vai ajudá-lo. – A voz era calma e astuta, o entregou chá enquanto confundia a mente do paladino que tentava buscar em suas memórias quem era aquele homem e se amargurando por esquecer de alguém com tão única aparência.

Tão peculiar para ser esquecido, ele parecia um jovem para sua idade, sua pele tinha a sensação de ser macia apesar de forte.

Edward não respondeu nada, apenas pegou o cantil e começou a bebê-lo de forma receosa, sabia que, devido ao seu corpo de elfo, não seria envenenado facilmente, então isso o acalmou, mas não totalmente.

Dava para reparar facilmente que o homem de mais de dois metros estava olhando para seu ferimento da mesma forma que os outros. Porém, ele aparentava ter um peso maior, como se aquilo estivesse doendo nele também.

Aos poucos, a mente do paladino se estabilizava, nada diferente dos cansaços mentais que ele sofria quando se iniciou na magia.

– Você está bem? – O homem perguntou preocupado.

– Hum? – Edward fitou o olhar no rosto dele revirando suas memórias. – Sim...

– Ainda bem. – Afirmou com um suspiro de alivio.

Edward continuou a olhar para ele, percebia a aflição e o receio que o mesmo exalava, algo em Edward dizia para ajudá-lo, mesmo que suas memórias ainda estivessem conturbadas.

– Qual o problema? – Edward questionou inquieto e de forma caridosa, mesmo que não pudesse oferecer muito.

– Hum? – Ele virou seu rosto novamente para o paladino. – Há, Edward... – Se acalmou por um segundo. – A forma que você fala me acalma.

O dizer daquele ser revelava uma pequena angústia camuflada.

– Sabe de nossa situação, pouco dinheiro para nos mantermos, quase nenhuma ajuda alheia e a luta para mantermos sequer nosso espaço numa terra sem nome. – O paladino ouvia aquilo com choques mentais vagos. – Eu não sei se vamos voltar depois dessa missão...

– Kai Maikekai... – Edward sussurrou ao lembrar da face do homem na sua frente.

– Hum? Sim? – Questionou.

– Acalme-se, vamos conseguir! – Edward tentou aumentar a moral do amigo com seus dizeres positivos e sua face amistosa. E de fato conseguiu tirar um sorriso dos dentes afiados do homem.

– Obrigado... – Ele falou pacificamente enquanto se levantava. – Vou falar pra sua esposa e filha entrar, tudo certo?

– Sim.

A mente de Edward aos poucos retornava ao período que queria ter esquecido por completo, mas agora que estava sendo obrigado a olhar para trás.

Pelo menos faria aquilo com honra e orgulho aos feridos e mortos daquela época maldita. Aos poucos recuperando as memorias, eles traçavam os perfis a sua volta.

Kai Maikekai um homem que já era especial por sua genética. Filho hibrido de uma raça conhecida como “Nedture” e de outra conhecida como “Maluhia”.

Maluhia eram Humanos de proporções normais semelhante as sereias e tritões criados por Poseidon, mas esses eram de cunho pacífico, mas predatória com peixes menores, se destacando pelos dentes afiados de tubarões, pelo desenvolvimento de pernas humanas para vagarem pelo mundo e pela barbatana onde ficaria seu cabelo.

Nedture era o extremo raro do raro entre as raças gigantes. Algo como parentes de quarto grau, sendo grande para alheiros, mas minúsculos para os de pura raça.

Edward não se lembrava a idade real de Kai e tinha certeza que não conhecia seus pais diretamente. Ele sempre aparentava ter grandes esperanças por um futuro bom, uma estrela esperançosa que defendia com unhas e dentes o seu grupo.

Pessoas como o próprio paladino o seguiam por terem a mesma visão, além disso, devia a ele por ter conhecido sua esposa por meio de seus afiliados... ah sim, a Sra. Leurice.

Wyntree Leurice, esposa de Edward. A jovem elfa possuía dois anos a mais que o jovem paladino quando viva, e morreu a cinco anos no período verdadeiro.

A mesma possuía o desejo de maternidade cedo.

Além das descrições apresentadas, ela era uma exímia dona de casa e fazendeira, ela cuidou fielmente de sua filha e aldeia enquanto seu marido foi convocado para ataques e invasões no meio da guerra.

Teoricamente havia sido sequestrada por um assassino a parte e esquartejada em plena sede da Interfectores Del Amine antes da invasão.

A organização de assassinos não era temida apenas nas regiões próximas, ela foi a responsável pela morte de duques e reis. Já reuniram corpos e sacrifícios para rituais de cultos alheios, tratavam da segurança de quem pagasse – eram uma verdadeira máfia medieval.

Seu império construído logo no início da Guerra dos Povos foi se expandindo e expandindo, tendo inúmeros casos em que eles ditaram influências na guerra, guiando povos pelo medo assim como pastores de vestes negras e de foices afiadas.

Mesmo afiliando-se a diversas religiões, eles não eram fixados a uma em específico, pulando de uma em uma quando mais convinha. Nos anos duzentos e cinquenta, eles já estavam mal das pernas, não conseguindo trabalhos de grande importância como já conseguiram e tendo suas sedes cada vez mais sendo destruídas por exércitos inimigos.

Esse era o caso da que Edward invadiu, a última e mais importante sede da Interfectores Del Amine. Depois do massacre que foi aquele evento, assassinos ficaram com medo e órfãos e os poucos que sobreviveram imploravam pelo anonimato.

O detalhe que nunca chegou nos ouvidos do paladino foi quem denunciou a sede deles – o máximo que ele soube é que o indivíduo era um traidor e, julgando pelo nível da denúncia, um traidor com muitos escrúpulos.

Ele olhou para sua esposa na área de enfermagem, enquanto acalmava seus pensamentos e voltava para aquele cenário antigo que o mesmo ainda estava assimilando.

– Edward... – Ela murmurou de forma manhosa e preocupada com o paladino e marido, deitando-se em seu peito com cuidado para não aflorar o ferimento. – Desculpe, foi por impulso.

– Tudo bem. – O paladino afirmou da forma mais humilde e calma possível. Logo depois ele reparou a cesta de piquenique que ela carregava. – O que trouxe?

– Hum? – Ela se afastou e abriu a cesta e tirou algumas frutas. – Os vizinhos quiseram ajudar. – Ela descascou e lhe entregou uma laranja. – Eles deram ervas medicinais e um pouco de dinheiro para tratamento se precisarmos. Sei que os estrangeiros não são de total confiança, mas talvez algum possa ajudar.

– Eu não preciso de tratamentos médicos. – Edward falou enquanto pegava a laranja descascada, ele usou ambos os braços para manusear seus membros para comê-la. – A dor dele é suportável, não precisamos gastar dinheiro com tratamentos.

A máscara de confiança do paladino era maquiada suavemente com trejeitos de dor falsos para complementar sua postura inocente e pacifica.

– Mas querido, e se você... – Ela se encostou em Edward e toucou seu braço ferido com cuidado.

– É apenas um braço. – Comentou rindo vagamente. – Eu consigo me virar sem ele.

A elfa se calou com um suspiro.

– Você não precisa tomar tudo isso para você. Os médicos podem ajudá-lo dependendo do pagamento, se somarmos as nossas economias...

Edward rapidamente engoliu a laranja em pedaços pequenos enquanto se levantava, percebendo só de última hora que só estava de bermuda.

– Meu corpo ainda está perfeito para eu me movimentar e fazer os afazeres básicos. – Edward afirmou, retraindo o braço como teatro. – Apenas não posso o movimentá-lo muito, talvez seja melhor pegar uma armadura metálica e colada para mantê-lo no lugar.

– Você não acha que deixa ele menos exposto não vai prejudicá-lo?

– Acho que deixar mais exposto vai dar caminho livre para as bactérias e doenças entrarem mais fácil em meu corpo. Matheus Freitas: Umas aulas de Biologia fariam bem para ele...

– O que? – A cara de confusa de Wyntree era tão expressiva como a face de lagarto sem reação de Glans, algo que lhe causava uma leve risada interna.

– Eu não sei, foi algo que eu ouvi do padre. – Edward afirmou com um sorriso falso e calculista.

– Se o padre falou, deve estar certo então... – Ela murmurou.

Edward não poderia dizer se ela acreditou em suas palavras ou não, mas pelo menos poderia servir como uma resposta temporária.

Quando saiu daquele lugar, ele foi saudado pela sua filha e seus companheiros, vendo de fundo Kai sorrindo receosamente. Foi então que o plano do paladino iniciou.

Seria algo arriscado, mas que seria a única solução na mente do paladino. Seu braço, ao contrário do que todos de lá pensavam, estava tão potente quanto antes do ferimento, a armadura de metal completa estava quase na reta, só lhe faltava a arma e o escudo – a conexão com o mundo magico já era algo fora de cogitação, principalmente uma decente.

Edward não sabia como ou as dificuldades que iria enfrentar, mas ele iria proteger aquela vila. Saberia que não iria conseguir companheiros para aquela luta – afinal, os soldados de lá iriam para a guerra logo.

Os fundamentos do combate em guerra incluem muitas regras e normas próprias, como dogmas morais eles são seguidos por todos.

Aquiles estudou a fundo tais dogmas, como tratar seus soldados, como os reunir, posicionar e coisas além do combate como manter a saúde e disposição dos mesmos.

Edward também era do mesmo naipe do baralho, mas ao contrário do elfo da floresta que era um grande “Rei de Espadas” solitário em sua divisão, Edward era um surrado “Cavaleiro Qualquer”.

O elfo negro não possuía tanto conhecimento sobre regras de guerra e estratégias, apenas o básico e o que se tornara óbvio com o tempo.

Porém, conseguiu duas habilidades passivas em meio aos seus dias sem direção.

A primeira era seu estômago. Notoriamente entre as raças, elfos possuem maior resistência a venenos e doenças naturais, mas o estômago do paladino ex-soldado adquiriu capacidades incríveis.

Acostumado com paradas curtas e com comidas improvisadas, Edward sempre comia o máximo que conseguia antes de um combate futuro. Afinal, não saberia dizer se aquela refeição poderia ser repetida em outro momento. Tanto que, sua refeição favorita se tornou toda e qualquer sopa.

A segunda façanha foi seu sono. Elfos dormem em media cinco a seis horas por dia – cerca de duas horas a menos que um humano normal –, mas o sono de Edward era especial.

Viajando quase sem rumo entre sua conversão a Tac Nyan e a fatídica condenação em Kranbar, Edward se acostumou com a solidão em muitos momentos, isso lhe proporcionou uma leveza incrível em seu sono.

O paladino era um saco sem fundo quando comia e um gato atento quando dormente.

Os preparativos eram feitos cuidadosamente pelo mesmo, enquanto esperava o fatídico dia de seu combate em uma linha de tempo alternativa.

“Eu sei que isso não é real, o demônio controla esse lugar e minha fé não pode ser canalizada por aqui...”  Ele pensou para si próprio, reunindo força interna. “Mas de pouco importa. Eu vou vencer os assassinos e ditar um novo final, não importa como e o que eu preciso fazer, eu vou fazer!”

Por Tisso | 19/11/20 às 17:26 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia