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Capítulo 80 - Um Novo Objetivo

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 80 - Um Novo Objetivo

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Aos poucos, mais e mais cultistas saíam das escadas em espiral, chegando em seu ápice após dez minutos. Imediatamente, Phineas se afastou dos cultistas e se aproximou do grupo, seguido dele, Briseis o acompanhou sem jeito.

–  Fico feliz que ficaram esperando. – Phineas os saldou. – Eu sou Phineas, o líder representante desse Culto da vida.

–  Então acho que é com você que devemos falar. – Aquiles tomou posição. – Bem nós estamos atrás de uma pessoa...

–  O escolhido de Tac Nyan, certo? – Ele questionou rapidamente.

–  Já lhe falaram sobre? – Edward perguntou, enquanto o cavaleiro ficou sem palavras.

–  Na realidade não, mas as previsões diziam isso... – Phineas se cortou rapidamente. – Enfim, nós temos o escolhido de fato.

–  Ótimo, quem seria? – James questionou de forma positiva, se aproximando de Edward e Aquiles.

Phineas direcionou seu braço e apontou para si mesmo.

–  Sou eu. Matheus Freitas: Ótimo, era só o que faltava, leve o escolhido e ganhe um culto de esquisitos de brinde.

Edward arregalou os olhos enquanto seu grupo se entreolhava em suas costas, junto disso Voltten tentava averiguar.

–  Sua aura é meio fraca... – O mago questionou intrigado.

–  Ah, eu estou ocultando minha aura. – Phineas uniu os punhos, respirou fundo e rapidamente inspirou. – Revole. – Em menos de um segundo, o cultista de máscara diferenciada explodiu em uma aura capaz de afetar até mesmo os que não conseguiam manusear magia.

–  É, é ele! – Voltten afirmou espantado.

O cultista respirou novamente, encobrindo sua aura abundante.

–  Só uma pergunta. – James falou rapidamente. – Se você tinha tamanha aura, porque você mesmo não resolveu o problema do necromante?

–  Oras, eu consigo manipular a energia divina da Vida, não a de Tac Nyan. – Ele afirmou de forma requintada

–  É possível manipular duas energias divinas? – Varis questionou rapidamente.

–  Por que não seria? – Phineas retrucou. – Eu posso crer e ter fé em múltiplos deuses ao mesmo tempo, mas manipular dois tipos de magia é algo tão complicado quanto você pode  imaginar.

–  Então você conseguia manipular as magias da Vida e não as de Tac Nyan... – Edward murmurou de forma pensativa.

–  Bom, eu chuto que vocês têm um plano para transporte, ou preferem que eu pegue um cavalo e vá sozinho para Cartan?

–  Ele sabe muito mais do que aparenta... – James falou impressionado.

–  Obrigado.

–  Voltten, o teletransporte. – Edward se virou para o amigo rapidamente.

–  Oh, certo. – O mago recuou até sua mochila e a vasculhou, tirando uma tapeçaria.

–  Teletransporte? – Phineas questionou dando alguns passos para frente. – Não sabia que vocês usariam magias tão avançadas.

Seguido dele, Briseis o acompanhou calmamente.

–  Qual é a do cultista aí? – Varis questionou incomodado, olhando como louco para as proporções do corpo de Briseis. – Ou deveria dizer “cultista”?

–  Hum? – Phineas e Briseis pararam vagamente.

–  Briseis virá comigo, os discursos de seu amigo parecem ter a atraído para um novo caminho. – Ele afirmou, apontando para Aquiles.

–  Obrigado...? – O cavaleiro respondeu.

–  Aliás, Jameson. – Phineas chamou a atenção de James, tirando suas mochilas e bolsas. – Deixarei isso para você.

–  Hum? – O arqueiro questionou confusamente. – O que seria isso.

–  Quando acordou de seu desmaio, você me questionou como conseguiria efetuar um tiro perfeito baseado na leitura do universo. – Phineas falou, dando costas para seus itens e seguindo na direção de Voltten. – Além das modificações que fizemos na sua arma, as teorias estão todas aqui, são mais de vinte livros falando sobre uns cinco tabuleiros e diversos itens pseudomágicos usados para treino. Boa leitura.

O arqueiro estranhou aquilo, mas se manteve afastado dos dois, enquanto Voltten fazia os preparativos.

Não demorou muito para que raios vermelhos envolvessem aquela tapeçaria. De seu centro, um olho negro se abriu, revelando galáxias contidas em pequenos focos de luz, logo aquele buraco mágico se sincronizou com um segundo buraco no chão que dava uma visão peculiar de uma das salas do castelo de Cartan.

O lugar era visto como se a parte do portal de Cartan estivesse em uma parede, então era se como a diferença da área de chão na cidade élfica estivesse fazendo um efeito de ângulo contrário com o de Cartan.

–  Então é só cair? – Phineas perguntou pensativo.

–  Sim... – Voltten concordou de uma forma nervosa por não entender o que deveria acontecer.

–  Bem, então vamos. – Phineas simplesmente se jogou no buraco. Após isso deu para ver o mesmo se ajeitando de uma queda, junto disso os guardas começaram a vir assustados.

–  O portal não vai durar muito tempo. – Voltten alertou Briseis rapidamente.

–  Certo, até depois para vocês. – Disse a cultista vagamente envergonhada e receosa, mas no fim, acabou pulando junto no portal que logo em seguida se fechou em uma pequena explosão de fogo que reduziu a tapeçaria a pó.

–  Bem, acho que nossa missão aqui acabou. – Aquiles falou de forma cômica.

–  Sim... – James respondeu conferindo os conteúdos deixados para ele.

–  Qual o próximo? – Varis questionou pegando as cinzas da tapeçaria, as lambendo e cheirando de forma escondida.

–  Bom... – Voltten caminhou de forma vagamente bamba para sua mochila e pegou a bússola. – Acho que agora é para Telletü.

–  Alguém lembra de onde deixamos os cavalos? – Aquiles questionou.

–  Acho que eu me recordo. – Edward olhou para as mochilas que eles deveriam carregar. – Vai ser difícil carregar tanto peso.

–  Nós carregar. – Glans afirmou de forma cômica e socou o braço de Aquiles.

–  Exatamente! – Aquiles concordou de forma animada.

Ao fundo, Voltten viu os cultistas se dirigindo para um local aleatório, seguindo um rumo sem seu mestre.

–  O que vai acontecer com eles? – Voltten se questionou.

–  Quem sabe? – James falou de forma irrelevante. – Não posso afirmar o porquê da existência desse culto e imagino que diversos outros existem ou deixaram de existir, mas pelo menos, esse aparenta ter um propósito, seja lá qual for.

–  Cultos religiosos... a tempos não vejo isso. Desde que vários deuses morreram, cada vez está mais frio e vago esse mundo. – Voltten afirmou de forma pensativa.

–  Não conseguimos viver em sintonia com diversos deuses, a Guerra dos Povos mostrou isso.

–  James, você tem setenta e oito anos, certo?

–  Sim... Matheus Freitas: Mas tá conservado! Esse usa produtos Ivone na veia!

–  Você poderia me contar algumas histórias das religiões que você se deparou?

O arqueiro riu vagamente.

– Com todo prazer.

No fim, foi difícil voltar para a carroça, mas eles conseguiram. Os cavalos estavam em pé e reconheceram os “donos”. Aquiles ajeitou a estrutura da equipe no veículo, já que obviamente seria muito catastrófico deixar o ladino com o paladino ou ele mesmo com o arqueiro.

Glans e Varis foram na retaguarda da carroça, Voltten e James se encarregaram de ficar no meio dela, cuidando dos pertences – James inclusive já tinha começado a ler os livros de Phineas – e Aquiles ficou com Edward no comando dos cavalos.

Após dar meia volta e seguir para o caminho, Aquiles se localizou pela bússola e pelos mapas da região e até o final daquele dia o grupo já estava em rumo a Telletü.

Parando para um acampamento, o grupo ainda não estava em sintonia, mas estavam de acordo com o dever da missão. O jantar foi feito em torno das sete da noite e foi constituída de uma sopa feita com diversos alimentos e rações que o grupo havia guardado para aquelas ocasiões.

–  Bem, se eu estou certo, vamos demorar uns dois dias para chegar em Telletü. – Disse Aquiles, compartilhando o mapa com James e Voltten que se puseram a acompanhar seu raciocínio.

–  Qual a cidade mais próxima da borda? – Voltten questionou.

–  A Cidade C. – Aquiles respondeu.

– Cidade C? – Glans, Edward, Varis e Voltten questionaram de imediato.

–  Telletü era uma terra anã pura, seus fundadores e colonizadores nomearam as cidades principais baseados em elementos químicos. – James afirmou de forma pensativa.

–  A Cidade C é baseada no Carbono que simboliza tanto o carvão, que é a base de toda criação, quanto o elemento base do diamante, uma das joias mais raras. – Aquiles explicou.

–  Cidade Be se refere a berílio então? – Voltten questionou, visualizando as cidades do mapa. – Si quartzo, Al alumínio, Cu cobre, além de nomeações baseadas em minérios elas parecem possuir uma hierarquia baseada em relevância dos minérios.

–  Exato, anões são os melhores ferreiros naturalmente. – James tomou a palavra momentaneamente. – Durinn, um dos dois deuses do panteão anão, era o deus da forja e da fornalha, ele foi responsável pela criação de inúmeras armas citadas em lendas por todo o mundo.

–  Então ele era o deus das armas? – Edward questionou.

–  Um deles, pelo menos. – James comentou. – Passando por diversos lugares, eu reparei várias histórias relatando os mesmos tipos de estrutura de arma.

–  É tipo o tempo... – Varis comentou, arregalando os olhos e sorrindo vagamente. – Nós temos uma medida de tempo, mas todos têm uma medida própria, mas parece que todos temos a mesma quantidade de dias ao ano, a mesma quantidade de horas por dia, a mesma quantidade de segundos por minutos... – ele havia ficado eufórico enquanto comentava. – Não é estranho? Matheus Freitas: Varis é muito doidão...

Todos olham de forma peculiar para o ladino, mas o deixaram quieto em seu canto, enquanto o mesmo se balançava sentado.

–  Exatamente, como o tempo, aparentemente, diversas raças entraram em um consenso de como criar armas sem nem ao menos se comunicarem. – James comentou levemente incomodado. – Ou todos acharam a mesma resposta para a mesma dúvida.

A explicação dos amigos foi cessada com um bater de assas forte de um pássaro de quatro asas – duas vermelhas sangue e longas e outras brancas menores. Suas patas possuíam garras afiadas e douradas assim como seu pico pontudo e sublime.

Tal animal voava em direção ao grupo carregando consigo um pequeno pacote amarrado a sua pata direita. Imediatamente o grupo o identificou, mas no exato momento que entendeu o que era aquele pássaro, Varis começou a gritar.

–  James, atira! – O ladino gritou apavorado.

–  Hum? – Todos questionaram sem entender muito do que se tratava.

–  Esse maldito pássaro de novo não! – Varis continuou, se preparando para correr.

Quando ele entrou em rota de colisão com ele, Varis percorreu quase que uma mini maratona até que ele se cansou e o pássaro pousou em seu ombro, começando a bicar sua nuca de forma leve, mas que dava agonia ao ladino.

–  Varis... – Edward questionou vagamente, enquanto o ladino voltava cansado para o grupo. – O que é esse pássaro?

Varis respirou fundo e se recompôs devagar.

–  Pessoal, esse é o Hermes, ele é um pássaro mensageiro que o Cérbero usa para passar informações importantes de forma rápida. – Varis encarou o pacote de cartas de suas patas. – E por algum motivo, ele me odeia.

–  É bom ver você de novo Hermes. – Aquiles afirmou de forma neutra.

O pássaro deixou de focar na nuca do ladino e gritou para Aquiles.

–  Obrigado por fazer ele estourar um dos meus tímpanos. – Varis afirmou desnorteado. – Você vai ficar aqui até nós respondermos as cartas, Hermes?

O pássaro piou duas vezes enquanto o bicava.

–  Certo, só começa a bicar mais rápido, porque assim eu paro de sentir minha nuca.

–  Você consegue entender o que ele diz? – James questionou intrigado e surpreso.

–  Eu trabalhei com Cérbero por um tempo e ele gostava de manter Hermes por perto quando estávamos em descanso... – Varis afirmou, ficando cada vez mais sem esperanças e vida ao falar. – Esse maldito pássaro é tão rápido que é impossível de matar e eu chuto que tem uma magia que protege ele.

– Eu vou adicionar ainda mais. – Voltten afirmou, se aproximando vagamente de Varis. – Eu nunca vi um pássaro de quatro asas dessa forma.

– Mais um ser quase extinto? – Edward ironizou, desviando rapidamente o foco de Glans para o pássaro.

–  Eu diria que poderia ser um homúnculo... ou melhor, uma quimera. – Voltten comenta.

–  Outra? – Aquiles ironiza.

– Cala a boca! – James retrucou rapidamente. – A gente sabe que provavelmente você sabe tudo sobre ele.

–  Bem... – Varis sacou sua adaga e abriu o pacote de cartas. – Vamos ver o que temos aqui.

Por Tisso | 22/12/20 às 18:25 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia