CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 85 - Negociações e Ouro, Muito Ouro

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 85 - Negociações e Ouro, Muito Ouro

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Mesmo à noite, as ruas não deixaram de ser movimentadas. Porém, as carroças foram ficando cada vez mais raras com o tempo, mas tanto as lojas como ferrárias estavam a todo vapor, ou melhor, a todo carvão e brasa, poluindo o ambiente.

Em meio as pessoas, dois elfos caminhavam de forma apreensiva e de guarda alta. Aquiles não abandonou a Dente de Dragão, mesmo com o peso surreal que carregava somando a arma e as mochilas.

Cuidando de suas costas, o ladino carregado de peso andava de mãos inquietas, tais como um pistoleiro esperando às doze horas para sacar seu revólver.

– Estamos quase na casa de leilões, alguém por perto? – Aquiles questionou, surrando para Varis em meio à multidão.

– Ao que aparenta, não.... Aliás... – Varis pegou uma moeda e a jogou na a frente dos dois. Rapidamente, o ladino se abaixou e trocou olhares com o cavaleiro. – Você deixou essa moeda cair.

Aquiles pegou a moeda, entendendo a estratégia casual do ladino em conseguir ver os telhados de forma natural sem levantar suspeitas.

– Me chamar para ser seu guarda costas não foi a melhor das ideias. – O elfo negro comentou inquieto. – Glans ou Edward eram opções melhores.

– Eu precisava de um negociante, acho que você é o melhor para isso, não? – Aquiles respondeu rapidamente.

– “Negociante”? – Varis resmungou. – Você realmente espera que eu aja bonitinho para conseguirmos mais dinheiro?

– Estou esperando o contrário. – Aquiles afirmou rapidamente, conferindo a localização de forma vaga. – Cérbero relatou que suas especialidades vão além de uma capacidade física absurda.

– Você realmente sabia da vida de todos, mesmo antes de toda a confusão que nos envolvemos?

– Por que pergunta?

– Eu quero entender se somos apenas peças nesse xadrez que seu clã arrumou. – Varis perguntou suavemente, seus pensamentos não eram fáceis de compreender.

– “Peças” é uma palavra forte, eu defenderia qualquer um de vocês como um irmão... – Aquiles afirmou, notando a diferença de Varis. – Mas estamos em uma situação que as ordens falam mais altos que algumas ações.

– Me impressiona como alguém é devoto a um clã por escolha própria.

– O seu clã criava assassinos e criminosos que viviam à margem da lei. – Aquiles falou, virando rapidamente seu rosto para Varis. – O meu criou soldados e guerreiros que defendiam sua moralidade e princípios éticos. Sinta-se livre para entrar quando isso acabar.

– O inferno que vou! – Varis bufou. – No final das contas, vocês são apenas mulas com viseiras olhando para a cenoura moral amarrada com uma vara em sua frente. – Varis se calou. – Não que o meu antigo clã fosse diferente. – Ele completou indiferentemente.

– Bem, depois da porta é com você. – Aquiles afirmou, abrindo a porta da casa de leilões. – Pronto?

– Sempre. – Varis ironizou, se pondo na frente e observando o grande lugar.

Assim como no início do dia, o local estava bem animado, mas estava visivelmente mais calmo e pacífico, com pessoas brindando e compartilhando bebidas, como se aquele local fosse uma espécie de bar depois de tal hora.

Ao ver as atendentes livres, Varis se dirigiu a uma e exigiu um especialista para averiguar seus itens, logo ela saiu de trás do balcão.

Foram alguns minutos esperando, mas logo um anão surgiu de forma amigável. Ele possuía cerca de um metro e trinta, um bigode bem feito, uma cabeça vagamente calva e roupas de mercador, tudo isso acompanhado de um cachimbo aceso.

– Ho, ho, ho. – Ele riu fechando vagamente os olhos de forma animada. – Vocês precisam de um especialista em itens históricos élficos, certo?

– Sim. – Varis e Aquiles concordaram simultaneamente.

– Oras, então estão falando com o anão certo. – O anão rapidamente tirou uma espécie de diploma, um dos mais respeitados e renomados profissionais históricos estavam em sua frente, o grande avaliador Berend Colt. – Vamos, escolham uma mesa para discutirmos.

Os elfos rapidamente seguiram para uma mesa, mas apenas Varis e Berend se sentaram nela, Aquiles ficou de braços cruzados, como se fosse um guarda costas do ladino.

– Bem, o que vocês possuem? – O anão perguntou curiosamente.

– Aquiles. – Varis estralou os dedos para que mostrasse a mercadoria.

Aquiles assentiu e deixou a Dente de Dragão de lado para colocar a mochila recheada de armaduras élficas antigas.

– Minha nossa... – O anão ofegou em surpresa, tirando de uma pequena bolsinha em sua cintura uma escova e uma pasta.

Ele colocou um pouco da pasta na escova e limpou rapidamente um pouco de uma parte dourada das armaduras. Quando viu o resultado, foi para a próxima e em seguida para a próxima até terminar de conferir todas.

– O material delas é incrivelmente raro, é originalmente élfico sem dúvida...

– Hum, não precisa falar do que eu já sei. – Varis o cortou rapidamente. – Essas belezas vieram diretamente de Skogeny.

– Skogeny!? – Ele gritou incrédulo.

– Skogeny não produzem armaduras... diabos, eles nem ao menos tem um reino em si! – Berend ficou eufórico, tremendo ao segurar as armaduras, como se ele tivesse encontrado seu bem mais precioso. – Como vocês conseguiram isso?

Varis sorriu de forma irônica.

– Existem lugares no país que ainda há cidades, se você procurar bem vai ter muitas coisas para recolher. – O ladino riu vagamente enquanto explicava.

– Todas as pessoas que se arriscaram não voltaram para trazer algo, e vocês trazem peças completas.

– Então temos uma peça rara por aqui? – Varis levantou os olhos de forma superficial e genérica.

– Eu vou ter que averiguar as peças e se elas são historicamente importantes, mas se quisermos podemos ver o preço agora...

– Claro... – Varis afirmou calmamente. – Oitenta mil.

– “Oitenta mil moedas!?” – Aquiles gritou incrédulo em sua mente, foi necessário usar todo o seu treinamento para não deixar sua expressão escorregar e atrapalhar a negociação.

– Senhor, isso não é possível, são muitas moedas e...

– Hum? Um conjunto de diversas armaduras não valem tanto? – Varis levantou a cabeça e deu um sorriso ameaçador. – Então está dizendo que tanto o valor monetário quanto histórico é inútil?

– Não é isso eu só... – Berend começou a tremer as mãos enquanto tentava resolver a situação.

– Eu sei da rixa das espécies que existe entre anões e elfos, mas não esperava que você fosse levar isso no pessoal ao ponto de desvalorizar o grande trabalho que nossos antepassados tiveram. – Varis falou de forma assustadora, ele penetrava os ouvidos do anão de uma forma que mexia com sua mente, quase que uma lavagem cerebral, o mesmo era feito com pessoas que o ouviam ao longe. – Ou será que você não se importa com o trabalho que nós tivemos para consegui-las... Na realidade, você está fazendo isso apenas por eu e meu guarda costas sermos elfos também, não? – Varis começou a enunciar um monte de bobagens que nem ele sabia ao certo do que se tratava. Mas para qualquer espectador, ele estava honrando o trabalho de seus ancestrais e assumindo o heroísmo de trazer tantas relíquias históricas para a luz.

– Pare! – Berend gritou agoniado, suplicando para que o ladino parasse de falar naquele tom extremamente perturbador a nível neurótico. – Eu pago, só, por favor, abaixe um pouco o preço.

– Hum... – O ladino tomou um olhar como se estivesse em uma posição completamente difícil, mas no fim, ele fez uma cara de quem estava sendo abusado e finalmente abriu a boca. – Setenta.

– Ainda são... – O anão tentou falar, mas a figura cruel e imponente de Varis quase o traumatizou com seus olhos vermelhos e negros a o observarem, além disso, ele sabia que não conseguiria vencê-lo com meras palavras.

Varis se aproximou vagamente do anão.

– Setenta e um... – Ele sussurrou, mas dessa vez tomou uma postura mais feroz.

– Certo... – Berend afirmou, saindo da mesa tremendo e assustado, indo para uma ala especial para os donos do local.

– “Caramba...” – Aquiles olhou com desamparo para o ancião que saiu tão rápido quanto o vento.

– Era isso que você queria? – Varis ironizou de forma cômica, quando percebeu a expressão estranha do cavaleiro. Como se não tivesse torturado psicologicamente uma pessoa que não possuía quase nenhum contexto com sua missão.

– Realmente, suas táticas de negociação são extremamente tensas. – Afirmou, desviando a visão para o quadro do local. – Temos que fazer as fichas para o torneiro amanhã, talvez tenha algo interessante nos panfletos. Você cuida de tudo por aqui?

– Pode deixar, vá ver as armas à venda.

No grande painel de itens à venda, Aquiles procurava uma arma que se encaixasse nos padrões de Glans – uma arma pesada com o cabo grande e grosso para melhor manuseio. Quando ficou encarando os itens à venda, rapidamente um empurrão foi dado em suas costas.

Instantaneamente, Aquiles manobrou o próprio corpo de uma forma que ele conseguiria imobilizar o homem que o empurrou com um movimento. Mas ele logo reparou em suas roupas cor de cobre e em tranças amarelas junto de um chapéu anexado ao elmo.

– Você de novo? – Aquiles questionou, ele tentou parar, mas incapaz de parar o movimento, conseguindo apenas diminuir sua força.

– Eu só quis dizer oi... – Ele suplicou em dor. – Por favor, para...

Aquiles olhou o homem e rapidamente se recompôs com um sorriso no rosto, como se nada tivesse acontecido e ele não tivesse quase nocauteado o homem.

– Aliás, eu não perguntei o seu nome. – Aquiles tentou se desculpar com um aperto de mão casual.

– Ah, deixe-me apresentar. – O Jovem de vestes cor de cobre tirou o chapéu elmo, fazendo reverência como um cavaleiro. – Minha mestra me chama de Pulu, Novice Pulu.

– Hum, peculiar.

– Aliás, você estava procurando por uma arma, certo? – Pulu perguntou, arrumando a postura.

– Sim, por quê?

– Porque a proposta do torneio ainda está de pé! – Ele afirmou animado. – Qualquer arma que vocês me entregarem eu posso embutir em alguma magia se quiserem.

– Desculpe, mas não pretendemos usar armas mágicas. – Aquiles cortou. – Sabe, esse tipo de arma além de serem instáveis em mãos não preparadas, ocasionalmente quebram com mais facilidade.

– Por isso eu falo para vocês me visitarem... – Pulu rapidamente puxou Aquiles para sussurrar em seu ouvido. – Por favor, eu preciso de alguém como você e seu amigo draconato, Faufautua depende disso e pode ajudar Tac Nyan.

– “Faufautua”? – Aquiles repetiu, enquanto o jovem estava a correr pelo local até a saída do estabelecimento. Logo ele teve um breve choque de memoria.

Faufautua, também conhecida como “Deusa da Imbuição” ou “Deusa das runas”.

Em seu planeta, ela foi a responsável pela criação de diversas armas, entre elas, protótipos de armas que usavam pólvora – mas que infelizmente, nunca foram completos. Sua especialidade não era em evoluir as espécies, para isso ela dependia de outros deuses.

Porém, a grande habilidade que destacava Faufautua era suas magias, que facilmente aplicavam propriedades e melhoramentos em equipamentos por meio de desenhos, runas e selos. Tais melhoramentos eram diferentes das imbuições de magias brancas ou afins. Os itens embutidos por meios de Faufautua não prejudicavam a durabilidade das armas e não duravam eternamente, tendo sempre uma data de validade que variava de imbuição pra imbuição.

Com o tempo, ela foi se destacando com diversos outros deuses complementando suas bases e fazendo imbuições infinitas.

Faufautua demorou pra ser classificada como morta, sendo oficialmente classificada apenas em meados de mil duzentos e trinta.

Tais fatos eram relembrados vagamente por Aquiles que se viu intrigado com aquilo.

– Como assim? – Aquiles questionou rapidamente.

Pulu fez um sinal de silêncio com os dedos e a boca, indicando para manter aquilo em sigilo, pelo menos naquele local.

– Vai ser um prazer te ajudar a resgatar a princesa para Tac Nyan. – ele afirmou de forma marota, casual, e simplória, mas isso já foi o suficiente para causar mais receio em Aquiles.

– Como você sabe disso? – Aquiles questionou, quase puxando Pulu pelas roupas, só falhou por um pulo rápido do rapaz.

– Venha amanhã e descubra. – Ele referênciou o panfleto de localização que tinha entregado ao elfo enquanto corria como o vento para fora do local.

– Mas o que diabos... – O cavaleiro murmurou enquanto era cutucado em suas costas. Ele se virou rapidamente e identificou Varis com um enorme saco de dinheiro. – Nossa, é muito...

– Sim, eu sei. – Ele rapidamente entregou o saco a Aquiles para se livrar do peso, sentindo rapidamente o alívio nos braços. – Isso aí deve ter o peso do Voltten em ouro.

– De acordo. – Aquiles afirmou, confirmando a teoria.

– Aliás, encontrou uma arma boa a venda?

Aquiles apoiou o saco no chão com segurança e voltou o olhar para o mural de anúncios.

– Precisa ser uma arma grande com um cabo grosso... – Varis olhou para os anúncios.

– Temos todo o dinheiro que precisamos praticamente, então podemos pegar qualquer uma. – Aquiles olhou para um lugar vagamente afastado com mais um mural de itens. – Ei, que tal conferir ali.

– Hum? – Varis assentiu. – Claro.

Os dois, de forma desengonçada e defensiva – protegendo seu saco de ouro gigantesco – chegaram a um mural com itens de luxo. Cada arma não possuía apenas um desenho, muitas possuíam uma ficha de páginas explicando toda a origem e alguns “poderes” do item.

– É... era de se esperar de um local que tem um deus ferreiro como símbolo e referência. – Varis afirmou vagamente surpreso com aquela lista enorme de itens.

– Eu nem sei o que escolher...

– Acho que podemos pegar uns 3 e escolher o melhor depois. – Varis deu sua contribuição.

– De fato... – Aquiles conferiu o maior cartaz do mural que indicava quando iria ocorrer aquele leilão. – Eles cobram até pra participar do leilão?

– É a vida. – Varis comentou com o mesmo foco. – Ainda acontece à noite, primeira classe aos montes.

– Dá para pegar um sumário da lista de itens na bancada... ao custo de cinco moedas...

– Ah, droga... – Murmurou.

– O que foi? – Aquiles questionou vagamente preocupado.

– Eu esqueci de perguntar se eles podiam entregar em joias ao invés de moedas. – Ele bateu em sua testa.

– Perfeito... – Comentou sem reação. – Bem, conseguimos ver depois o item, temos uns dias até o torneio.

– Aliás eu achei que seria uma boa ideia tentar achar pistas dos membros da Interfectores nos telhados.

– Você se garante sozinho?

Varis riu misteriosamente.

– Você se garante em carregar esse saco de dinheiro sozinho até o hotel?

– De acordo então.


Por Matheus Freitas (Leia SZPS) | 07/01/21 às 21:00 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia