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Capítulo 86 - Faufautua a Grande Ferreira dos Selos

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 86 - Faufautua a Grande Ferreira dos Selos

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

– Não importa o quão longe estejamos de casa. – Aquiles comentou, colocando o pé para fora do hotel. – O frio irritante do inverno sempre virá no mesmo período do ano, um milagre da criação do mundo, não?

– Frio ser estranho. – Glans comentou, acompanhando o amigo. – Frio ter neve, ter cervos, humanos fracos, mas não ter diferença. Sinto a carapaça do corpo de Glans dura de mesma forma.

– Eu era fanático por dragões quando tinha uns onze anos, devo admitir que a mística de heróis que salvavam princesas de dragões enormes nos livros infantis eram algo a se pensar. Eu nunca acreditei ao certo ter um ser como um dragão vivo. – Afirmou de forma simplória e cômica. – Bem, pelo menos até que eu obtive mais conhecimento sobre o assunto.

– Glans também não ver dragão, só outros da espécie de Glans. – o draconato falou de forma firme, enquanto o vapor saia de sua boca e de seu corpo superficialmente quente. – Ancião contar histórias sobre grandes ancestrais, animais colossais, parentes distantes de Glans.

– Drákomati fez vários, não? – Aquiles perguntou com interesse.

– Ho! – Glans o parou, seus olhos estavam brilhantes. – Você conhecer o que o Ancião fala?

– Drákomati criou os dragões e Drákollum os moldou. É uma das poucas raças que tiveram um deus só pra sua raça, quase igual ao panteão élfico, mas mais espinhoso. – Aquiles falou de forma irônica, dando um leve soco no braço de Glans. – Eu sei mais dos divinos do que parece, apesar de tudo ser uns textos decorados que Ortros me obrigou a ler. “Você não pode ser apenas uma pilha de músculos, tem que ter o conhecimento mínimo”, era o que ele dizia.

– Então você não saber deles?

– O seu ancião deve saber falar melhor, eu só peguei o básico do básico... – o cavaleiro ficou um pouco envergonhado. – Eu lhe falei porque estamos indo para uma ferraria às seis da manhã, não?

– Hum... – Glans olhou pensativamente. – Ferraria mágica?

– Não exatamente. – Ele negou, se localizando naquela cidade gigantesca e movimentada, mesmo que fosse de manhã. – Há uma extrema complexidade para criar uma arma mágica.

As palavras do cavaleiro pararam de se tornar naturais, e viraram rapidamente um texto que ele recitava como uma prosa.

– Durante a forja de uma arma, é aplicado magias específicas, a mais comum é a que transforma o item em um condutor mágico, logo depois é posta uma segunda magia, que varia de caso a caso. – Aquiles mostrou seus conhecimentos, sempre conferindo em seu arredor para ver se alguém estava os perseguindo. – Armas mágicas não são tão boas quanto aparentam. Colares e anéis são usados normalmente para estabelecer uma conexão com o mundo mágico, o mesmo se estende para cajados e varinhas, que são itens mais requintados, mas uma arma mágica pode ser extremamente tênue.

– Hum? – Glans perguntou intrigado. – Por que seria?

– Além de obrigar o usuário a estabelecer uma conexão mental mágica com ele, armas mágicas são extremamente instáveis ao nível de explodirem em um único golpe em casos de azar extremo. Varia muito do ferreiro que a forja, no usuário de magia que conjura os feitiços e até mesmo o tipo de magia. Mas até com Sansa imbuindo os melhores itens mágicos que eu já vi em minha vida, nenhum deles durou mais de cinco anos.

– E o fogo de Edward?

– Edward usa de uma magia para envolver seus equipamentos, Voltten usa de seu cajado como um conector mágico extremamente eficiente e aquela bola estranha de James, eu não tenho a mínima ideia do que se trata.

– Mas se armas mágicas ser ruins, por que estamos indo atrás delas?

Aquiles parou brevemente e suspirou pensativo.

– Você já ouviu falar de Faufautua?

– Isso ser uma comida?

– Eu esperava algo assim. – Aquiles murmurou de forma cômica, mas voltando para o tom sério. – Faufautua não era muito popular fora da região, mas eu ouvi algumas histórias vindas dos Grandes Mares da América Central. Faufautua era uma deusa da imbuição, ela desenvolveu métodos de encantar armas, equipamentos e talvez até pessoas. Pelos vagos relatos que eu ouvi, ela foi traída pelos seus seguidores, que abriram suas costas e arrancaram suas costelas, embutindo a alma dela nelas, tudo para criar de seus ossos, armas tão poderosas capazes de derrotar qualquer exército, com isso, ela perdeu seu posto como Deusa.

– E o que acontecer depois disso? – Glans questionou, intrigado com a história.

– Os membros dos grandes lagos da América Central morreram um após o outro de forma misteriosa, mas o corpo da deusa nunca foi encontrado. – Aquiles pausou de forma dramática. – Teoricamente, ela ainda possuía os poderes de um deus, mesmo não sendo um. Seu corpo era semi-imortal, podendo apenas morrer por ferimentos, ela ainda poderia usar suas magias.

– Por que estar a falar dela?

– Eu não tenho certeza, mas talvez nós estejamos indo ao encontro de um deus antigo.

O draconato se calou enquanto Aquiles concluía o trajeto de seu mapa, se virando para uma ferraria comum do local.

– É aqui. – Ele afirmou, indo para a porta do local. – Vamos.

O grande draconato o acompanhou.

O som de um martelo batendo de forma violenta em metal foi escutado logo ao abrir a porta, contrastando com um badalar amigável de sino anunciando a entrada no estabelecimento.

De vista uma recepção simplória e meio suja de pó – um balcão e duas cadeiras de espera feitas de metal.

Dava para ver atrás do balcão uma gigantesca metalúrgica privada, com uma figura feminina trabalhando. Ela estava com máscara e um macacão de proteção para evitar acidentes, mas logo que percebeu a entrada dos dois possíveis clientes, ela colocou a ferramenta que estava moldando em descanso e começou a tirar as proteções.

Sua roupa era peculiar e refinada. Estava usando uma camisa branca cara por baixo do macacão, junto dele, um colete vermelho sangue, a mesma cor de seus cabelos e olhos. Seu rosto era jovem, mas parecia astuta e vívida de certo modo, junto disso, ela possuía luvas negras com uma espécie de tatuagens vermelhas saindo das mãos.

– Olá, sejam bem-vindos. – A figura feminina saldou de forma tão masculina e casual quanto um taverneiro, inclusive, a mesma pegou um cantil de metal para dar um gole. – Como posso ajudar?

Aquiles se surpreendeu com ela encarando o draconato como se fosse algo normal, mas logo ele notou que deveria ser por causa de outras raças estranhas já vieram naquele local.

– Oh, olá, desculpa por termos vindo tão cedo. – Aquiles iniciou a conversa, tomando partido e se aproximando do balcão. – O Pulu deve ter falado que nós viríamos.

– Hum? – Ela olhou para eles indiferentemente. – Pulu não falou nada sobre visitantes...

– Ele falou que Faufautua precisava de ajuda... – Aquiles comentou casualmente, mas foi cortado pelo barulho do cantil de mental, que foi prensado pelas mãos da mulher como se fosse madeira podre.

– Por favor, esperem aqui. – Ela falou, deixando o cantil amassado na mesa e indo para uma porta atrás do balcão.

– Será que alguma coisa acontecer? – Glans questionou, se aproximando de Aquiles.

– Não sei. – Aquiles respondeu. – Talvez ela não esperasse visitas...

Aquiles foi cortado com um barulho de explosão gigantesco. Logo ele e Glans ficaram em posição de alerta, o elfo até mesmo sacou suas armas, esperando a possível ameaça.

– Você vai vir! – O grito da mulher soou como um trovão, balançando cada parte dos dois. E isso porque o grito não foi dado para eles.

– São seis da manhã! – Pulo respondeu de forma negligente.

– Eu não perguntei! – A voz da mulher estava fria, cada palavra era como um trovão, de forma indireta, essa era uma clara prova que Faufatua era extremamente poderosa.

Aquela sessão de gritaria só acabou quando a mesma porta que a mulher saiu foi arrombada pelo corpo de Pulu visto apenas de um pijama. O vulto dele parecia uma bala de canhão, no lugar de sua queda, uma pequena cratera foi formada.

 Aquiles olhou o corpo caído do rapaz por trás do balcão completamente em alerta, ele já estava pensando no que iria fazer se ela os tomasse como próximo alvo.

Depois de alguns segundos, a mulher voltou, se apresentando novamente.

– Desculpe a demora... – Ela pegou o corpo de Pulu pelo pescoço e o ergueu até a altura do rosto. – Eu tive que ir buscar ele. – Ela completou.

– Eu não tenho culpa de nada! – Pulu gritou, se debatendo de dor e falta de ar. – Me solta, me solta!

Não demorou muito para que a mulher de cabelo vermelho jogasse Pulu para o lado como se fosse uma escoria.

– O que acontecer? – Glans perguntou confusamente para Aquiles, estranhando o que estava acontecendo.

– Desculpa o que o pirralho aí fez de problemas, mas tem idiotas que não conseguem manter segredo. – A mulher afirmou, se aproximando do balcão, ficando a centímetros de Aquiles. – Não precisam se preocupar com violência. – Ela apontou para as armas do cavaleiro que logo as guarda. – Bem, prazer, eu sou Faufautua.

A mulher estendeu a mão para Aquiles, que a cumprimentou de volta.

– Cara, é vergonhoso ter que explicar tudo de novo, o porquê eu estou viva e afins. – Faufautua falou com um bocejo.

– Não é tão ruim ter mais pessoas para ajudar... – Pulu murmurou, se levantando e aproximando de Faufautua pacificamente. Mostrando como o seu corpo era resistente.

– Quieto! – Ela o interrompeu com um chute que o jogou para o lado. – Bem, pelo visto vocês me conhecem, ou preferem que eu faça uma conte uma biografia da minha vida?

Aquiles e Glans trocaram olhares rápidos, enquanto Pulu se levantava atrás do balcão.

– Bom dia... – Pulu afirmava se recuperando.

– Oi... – Os dois cumprimentaram sem jeito.

– Eu acho que eu preciso explicar a história. – Pulu colocou um sorriso no rosto e falou de forma animada, enquanto Faufautua se escorava no balcão de forma que escondesse seu rosto.

– Prossiga. – Ela ordenou.

Pulu começou a contar de forma que tentava parecer épica, mas só conseguiu ser meio infantil.

– Nós viemos dos Grandes Lagos. Faufautua residia como uma verdadeira deusa, fornecendo suas runas desenhadas para soldados usarem como habilidades mágicas temporárias. – Pulu puxou a manga direita até o cotovelo, revelando papeis colados com runas desenhadas neles. – As habilidades variam de runa para runa, elas podem deixar as pessoas mais fortes, rápidas e com outros atributos. O mesmo pode ser feito com armas, tipo aquelas wakizashi que eu mostrei na casa de leilões.

– Parando para pensar, isso explica o porquê de não identificarem magias nas armas... é um outro padrão... – Aquiles comentou, se direcionando para Faufautua. – Alias, desculpe a pergunta, mas como você está...

– Aqui? – Ela completou.

– Bem, sim.

– Eu também quero saber, mas agora começa a parte vergonhosa da história...

Faufautua residia como uma deusa, mas seus esforços como deusa não estavam sendo o suficiente. Logo, a grande ameaça do Caçador veio aos ouvidos de todos. Eles falavam que Faufautua era fraca, mas seu corpo era forte... – Faufautua estava vermelha, mas não interrompeu. – Eles a capturaram em seu descanso, a levaram para um altar onde a prenderam, abriram as costas, retiraram seus poderes divinos juntos de suas costelas.

De forma espantada, os dois amigos olharam para mulher que tinha duas correntes de lágrimas descendo pelo seu rosto.

– Ela perdeu dois terços de seus poderes e suas magias viravam exclusivas de quem possuía as partes divinas. Tudo estava perdido e Faufautua iria morrer alguma hora no altar que foi abandonada.

– Lá vem... – Faufautua murmurou em tom vergonhoso.

Pulu sorriu de forma infantil e cômica.

– O seu grande herói apareceu, criando costelas vegetais para seu corpo, de seus ossos cresceram raízes e, com mais magias de regeneração, ela conseguiu se mover de novo.

– Costelas orgânicas? – Aquiles questionou pensativo. – Isso parece familiar...

– Eu nunca vi o rosto daquele homem, mas lembro com certeza o que ele me disse quando me soltou do altar. – Faufautua ergueu a cabeça. – “Ameaças externas causaram o pânico daqueles que só queriam seu poder, procure quem realmente lhe mereça”.

Glans e Aquiles se calaram.

– Eu devo admitir que a Colisão dos Mundos acabou dando medo e receio, isso deve ter feito eles me traírem. – Teorizou rapidamente. – Desde que eu encontrei uma boa família que estava disposta a me acolher eu vivi com ela, migrando devido a guerra dos povos... – Ela rapidamente se virou para Pulu. – Até que só sobrou isso.

– Então vieram aqui por fama e dinheiro? – Aquiles questionou pensativamente.

– De início, viemos pela grande oportunidade de uma ferraria comum, depois de nos estabelecermos, decidimos lucrar com itens mágicos exclusivos para esse torneio. – Pulu afirmou com uma risada.

– Com esse torneio, podemos divulgar nosso trabalho nas lutas e assim conseguir uma clientela maior. – Faufautua complementou.

– Então foi para isso que você nos chamou, para usar seus desenhos mágicos. – Aquiles perguntou casualmente.

– São imbuições de runas em formato de selos. – Faufautua corrigiu. – Desenhos e escritas mágicas eram do meu colega de planeta, ele conseguia escrever uma palavra para roubar e emular a magia apenas com tinta. – Ela olhou para o céu com uma leve tristeza. – Saudades do Doro, ele foi o único deus que conseguiu poderes mágicos sem ter poderes mágicos que eu conheci, ele era legal.

– Então o que você fazer? – Glans questionou pensativo.

– Hum? – Faufautua olhou. – Bem, é uma coisa complicada. – Ela lentamente tirou as luvas, revelando dois rasgos de uma pele vermelha, quase cor de carne.

Lentamente, os rasgos se abriram e revelavam dois olhos vermelhos escarlate, que ficaram a observando os dois companheiros que recuaram instintivamente. Faufautua riu, enquanto pegava um pedaço de papel.

– Essa forma de magia pode ser embutida tanto em objetos quanto pessoas, vai depender do efeito da magia o que irá acontecer com a entidade aplicada. – Gentilmente, ela colocou o papel no centro da mesa e, logo em seguida, a mão em cima dele. – Vamos aplicar uma explosão de vento básica.

O olho começou a brilhar em uma cor safira, ao mesmo tempo que começava a puxar energia para sua palma. Um pequeno show de magia foi feito por Faufautua, que finalizou aquilo com uma lágrima azul límpida e reluzente como um cristal que, ao entrar em contato com o papel, o encolheu. Transformando-o em um quadrado colável tal como um selo de carta.

Ao ver o resultado, o papel agora possuía uma espécie de símbolo próprio da runa envolta de vários círculos e linhas, quase que uma linguagem de mil padrões.

– E aí, querem ver o resultado? – Faufautua perguntou com um sorriso.

– Vá em frente, faça meu dia. – Aquiles ironizou junto.

Faufautua rapidamente sacou uma moeda e a lançou no selo. Quando a moeda encostou na superfície do selo, ela simplesmente acionou um mecanismo que explodiu em uma esfera de ventos, afastando as coisas a seu arredor.

– Nossa. – Aquiles e Glans ficaram surpresos.

– As magias são mais complexas do que isso. – Pulu afirmou, se aproximando do selo, pegando pela parte de baixo para não ativá-lo e simplesmente o jogou na fornalha. – Meu corpo está com três em uso nesse momento, eu tenho que me acostumar rápido pra combate, então eu estou usando pra melhorar velocidade, foco e força.

– E a de leitura de mentes? – Faufautua questiona.

– Bem, eu precisei trazer esses dois de alguma forma. – Pulu afirmou sem jeito e com algumas risadas.

– Esse tipo de selo demora para ser feito e você gasta pra isso?!

– Você leu nossa mente? – Aquiles reclamou instantaneamente.

– Foram só pensamentos superficiais. – Pulu se explicou rapidamente. – Eu apenas consegui ver o porquê vocês estão aqui.

– Mas e aí, o que dizem? – Faufautua questiona confortavelmente. – Eu posso dar alguns selos para vocês em troca de uma divulgação ou dinheiro. Matheus Freitas: Temos uma deusa mercenária aqui?

– Trabalhar com magia é meio tênue... – Aquiles murmurou de forma pensativa.

– Temos uma lista de selos se preferir. – Pulu tirou um livro de baixo do balcão.

Aquiles trocou olhares com Glans rapidamente.

– Certo... por que não, não é mesmo?

Por Tisso | 12/01/21 às 21:03 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia