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Capítulo 87 - Abram Alas Para as Classificações

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 87 - Abram Alas Para as Classificações

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Os telhados das cidades de origem anã eram quase únicos.

Prédios de pedra rústicos de telhado chato, tanto que, em alguns terraços dava para se ver acampamentos perto das chaminés e até algumas pessoas dormindo neles.

Claro que alguém se movendo entre aquela estrutura irregular chamaria atenção, mas era esse o intuito de Varis. Cada canto que ele conseguia vasculhar, ele procurava vestígios dos membros que encontrou.

Os seus rostos estavam cobertos com as máscaras furtivas de seu clã, se não fosse essa coincidência, além dos dois que reconheceram Varis o atacar de imediato, suas mochilas ainda eram feitas de material militar e possuíam um brasão da Interfectores Del Amine como principal decoração.

Obviamente, quando Varis recuou no ataque inicial para evitar um combate, eles se moveram e sumiram logo em seguida.

Isso levou o ladino até onde ele chegou, a porta do hotel onde seu grupo os esperava.

-- Alguma sorte? – James questionou, vendo a resposta pela face do ladino.

-- Nenhuma, mas é realmente interessante quantas pessoas acabam nos terraços. – Varis respondeu de forma desanimada, logo em seguida ele olhou para Aquiles e Glans. – E vocês?

-- Demos a sorte grande, conseguimos um ajudante e um suporte a mais. – Aquiles falou com um sorriso.

-- Aliás, falando nisso. – Edward interrompeu. – Já devem estar abertos os testes para o torneio.

-- De fato... – Voltten concordou, olhando para o céu rapidamente.

-- Melhor falarmos disso lá então. – Varis sugeriu.

-- Talvez até encontremos os dois lá. – Aquiles complementou. – A primeira leva das classificações começa pela manhã, o horário de pico deve ser em torno do meio dia para frente.

-- Aliás, vocês pegaram os detalhes da competição, certo? – Edward olhou especialmente para Varis e James, os mais desligados do assunto.

-- Claro... – O ladino respondeu de face neutra.

-- Você se lembra deles? – James perguntou.

-- Não...

-- Eles vão dividir as pessoas em quatro medidas: força física, resistência física, tiro ao alvo e poder mágico. – Aquiles disse rapidamente. – Temos uma hora para fazermos os testes que eles vão apresentar, se deixarmos um deles em branco, significa sem interesse ou sem talento. Logo, eles vão pegar uma média dos quatro e escalar os melhores.

-- Parece que vai ser mais difícil do que parece. – Varis falou preguiçosamente.

-- O intuito não é ser fácil. – James complementou. – Em resumo, cada um aqui tem sua área.

Todos olharam rapidamente para Edward enquanto caminhavam.

-- O que foi?

-- Você vai ser o mais bem classificado daqui. – Voltten comentou. – Além de força e resistência física de um soldado, você tem o Arder de Seus Pecados para garantir uma boa classificação.

-- Enquanto nós só nos garantimos em uma ou duas. – Aquiles complementou. – Eu e Glans nos garantimos na força e eu e Varis nos testes de resistência.

-- Se eu puder usar minhas adagas eu posso tentar o tiro... – Varis murmurou pensativo. – Aliás, essa sua “deusa” que vocês foram acompanhar, ela não poderia nos entregar alguma coisa para capacidades mágicas, nem que seja para marcar presença?

-- Bem, tecnicamente nós poderíamos jogar cloreto de cobre no fogo e falar que ele ficar azul é magia. – James comentou em tom de brincadeira, mas os outros sentiram que ele realmente poderia fazer isso.

-- Em uma cidade anã, eu chuto que eles já colocaram fogo em todas as pedras possíveis. – Voltten respondeu, cortando o pensamento do arqueiro. – Aliás, se conseguir entrar como suporte físico, talvez eu possa olhar quem se destacar logo na primeira classificação.

-- Bem, de trinta e dois temos a suposta certeza de sete. – Aquiles afirmou. – Nós cinco, Pulu e Klaus.

-- Não boto fé nesses dois. – Varis retrucou rapidamente. – Mas também não boto fé em nós, então é meio indiferente.

-- Você podia ser mais otimista. – James contrapôs. – Pelo menos, temos apoio mágico a mais.

-- Me impressiona você acreditar em alguém que se diz ter sido um Deus.

-- Eu tenho que concordar com Varis em alguns pontos, mas acho que os escolhidos de Tac Nyan quebram esse argumento em algumas partes. – Voltten interveio.

-- Um escolhido de Tac Nyan ainda é mais crível que uma mulher que já foi Deus. – Edward murmurou.

-- Viu, até o paladino concorda. – Varis apontou. – Você desconfia do paladino?

-- Me poupe. – Edward olhou para Varis.

O grupo seguiu caminhando até que chegou no local de cadastro, o topo de um monte com um castelo gigantesco rodeado por um muro tão grande quanto. Seus guardas, em sua maioria, anões de armadura pesada e machados postos, controlavam a população que se sobrepunha e furava a suposta fila que deveria ser respeitada.

Inúmeras pessoas circulavam aquele local, as espécies e características variavam, mas, mesmo não sendo o horário de pico, aquela entrada estava mais que lotada. Matheus Freitas: Uma pergunta aqui. Essa princesa é uma Anã, certo? Agora imaginem o Glans ganhando ou o Aquiles ou uma raça mais estranha, COITADA!

O grupo parou uma quadra antes ao ver os montes, ficando sem ter o que fazer, até que um tapa foi dado nas costas de Aquiles.

-- Fale-me as novidades meu companheiro! – O jovem de vestes cor bronze o circulou, enquanto Aquiles e seu grupo o identificava.

-- Maldito moleque folgado. – Faufautua reclamou, se revelando próxima a Pulu.

-- Então ela é a deusa com costelas de árvore? – Varis olhou curiosamente.

-- Cada pessoa que escuta essa história é uma tentativa nova de suicídio que eu penso. – Ela reclamou para si mesmo.

A mulher estava com um chapéu de veludo vermelho sangue e com duas malas, uma feita de metal reforçado e outra de madeira.

-- Trouxe os materiais para os selos? – Aquiles questionou.

-- Sim, e pelo visto, você trouxe o draconato... – Ela olhou fixamente para Glans, mas logo em seguida voltou a atenção para Edward. – E você realmente possui o Punho de Fogo no seu time.

-- Acho que a história de Harenae me deu títulos bregas e idiotas também. – Edward murmurou envergonhado.

-- Sinceramente, você parece ser uma pessoa decente, pelo menos à primeira vista.

-- Espera, o que você quer dizer com isso? – Aquiles perguntou incomodado.

-- A roupa desse cara é feita de cobre ou só tem a cor de cobre? – Varis apontou para Pulu e cortou a conversa dos dois.

-- É tipo uma cota de malha, mas feita de anéis menores e revestida de um tecido de mesma cor para estética. – Pulu respondeu.

-- “E assim os idiotas se encontraram”. – James ironizou.

-- Ei! – Os dois reclamaram simultaneamente.

-- Desculpe a pergunta, mas o que você tem nas maletas? – Voltten questionou se destacando entre o grupo.

-- Ah, a resolução para os problemas futuros. – Faufautua respondeu, erguendo as maletas.

-- Materiais para selos?

-- Isso é a solução prática.

-- O que seria isso? – Edward e Aquiles estranharam.

-- Algo que soluciona qualquer problema com uma ação, se precisar ser usada quer dizer que temos problemas.

-- Mais do que já temos? – Varis ironizou.

-- Realmente, temos que passar pela fila de cadastro... – Aquiles murmurou.

-- Vocês têm um draconato gigante e tão preocupados com a fila... – Faufautua se virou para Glans com uma cara confusa. – Aliás, ele fala ou fica só encarando as pessoas numa conversa?

-- Normalmente eu falar, mas ser meio desconfortável com várias pessoas. – Glans explicou de forma incômoda.

-- Ah, bem, vocês precisam passar pela fila, não é? – Ela olhou de forma astuta.

-- Basicamente, é isso. – Edward concordou indiferentemente.

-- Deixem com a chefe aqui. – Ela passou pelo grupo de forma rápida e decidida. – Paladino, tire o elmo e vá para direita, draconato, fique na esquerda.

Todos ficaram se olhando de forma confusa e em seguida para Pulu.

-- Não ouviram ela, vamos, vamos! – Ele falou animado, esperando o que ela iria fazer. – É melhor não questionar.

Se escorando em uma casa, Faufautua começou a pegar um papel de sua maleta, tirando a luva e revelando ao grupo suas mãos com olhos que, apesar de descrito por Aquiles, ainda era bizarro e nojento.

Depois de efetuar um pequeno feitiço, ela produziu um selo de propriedades específicas, um que só iria se ativar quando ela ordenasse, ao mesmo tempo, iria se desfazer quando ativado e que iria grudar onde a contraparte – que não possuísse o desenho da runa – grudaria fortemente como uma cola ou piche.

Após fazer três selos da mesma runa, ela os colou na sola de seus sapatos. Todos olharam para ela, não a questionando, até que a mesma sorriu e começou a caminhar em direção da multidão.

-- Preparem-se... – Faufautua chamou Edward e Glans para serem uma espécie de guarda-costas dela.

Eles se aproximaram mais cinco metros, faltando apenas dez metros da multidão, mas foi então que os selos foram ativados. Ela pisou forte no chão e uma explosão gigantesca ecoou. – tudo devido a ativação dos selos – dando-a toda a atenção do local para ela.

-- Afastem-se, bastardos! – Ela gritou ameaçadoramente, ativando o gatilho de medo de todos a sua frente.

Foi como uma magia de manipulação natural, toda a multidão se afastou e formou um corredor de passagem para o grupo. Todos tremeram ao ver os guarda costas da mulher de vestes escarlate, a mesma não poupou esforços em continuar as ameaças.

-- É bom ver que as pilhas de músculos amaduradas ainda têm o mínimo de neurônios para distinguir os maiores nessas situações. – Faufautua continuou a incentivar o conflito emocional do medo em cada um dos supostos participantes.

A mulher guiou o grupo, enquanto Edward tentava esconder o rosto de vergonha do que estava fazendo, já Glans, seguia sem muita reação. O resto do grupo seguia atrás deles como uma sombra.

Tanto Varis, quanto Vollten e James faziam o reconhecimento das pessoas que abriram caminho, mas nenhum sucesso para o ladino em reconhecer os membros da Interfectores.

Porém, os outros dois identificaram possíveis ameaças, mas nada que saia do padrão de grandes e musculosos cavaleiros.

De forma coordenada, eles pegaram seis papeis de treino, cada um possuía duas tabelas, uma de resultado e outra que deveria ser preenchida com um carimbo. Assim como já visto por todos, eram quatro modalidades, força física, resistência física, tiro ao alvo e poder mágico, se um dos resultados estivesse em branco, era como desistência na categoria.

Todos passaram confiantes para a ala de seleção, Voltten e Faufautua atuando como suportes. Após aquilo, a bagunça que estava antes de sua passagem voltou, mas isso de pouco importava.

Guiados pelas placas e pelas zonas vigiadas e trancadas do local, eles chegaram em uma grande ala de treino. De imediato, Aquiles e James lembraram da ala de treino do castelo de Monssolus, porém aquela era imensamente maior. Possuía quatro alas em especifico, cada uma com uma pequena sala.

Para força física havia o mais frio e básico treinamento de levantamento de peso, cada ala com um jurado para anotar os resultados e carimbá-lo.

Em resistência física havia um grande círculo desenhado círculo desenhado – cada volta nele equivalia a cem metros.

Em tiro ao alvo o mais cru que alguém poderia prever, alvos em círculo presos em feno.

Em poder mágico, as coisas mais abstratas possíveis. Era uma pequena bancada com diversos itens em um espaço aberto – afinal, nem mesmo os organizadores saberiam como adivinhar os resultados dessa categoria.

Afastado próximo à ala de força física, haviam bancos de espera e descanso, ou nesse caso, o local que os suportes ficariam para averiguar as situações e interferir se necessário.

-- Muito bem... – Aquiles olhou ao redor. – Te espero no teste de força física, Glans. – O elfo deixou seus itens junto de Voltten e seguiu para o levantamento de peso.

-- Certo. – Glans deixou o que carregava, as mochilas dos companheiros, e seguia junto de Aquiles.

-- Bem, vamos tentar o tiro ao alvo. – Varis girou as correntes das adagas para se exibir.

-- Você não vai para lá antes do teste de resistência? – James questionou, o acompanhando.

-- Prefiro deixar para quando Edward e Aquiles estiverem juntos nisso. – Varis riu. – Vai ser mais divertido.

Edward suspirou vagamente.

Quando olhou para o lado, ele se deparou com Faufautua – da forma mais carinhosa e superprotetora, tal como uma mãe – tirando e colocando selos de reforço físico e mágico em Pulu, que se assemelhava muito a uma criança, até mesmo reclamava com pequenos gritos de dor.

-- Magias de reforço? – Edward questionou.

-- Exato. – Ela pegou mais um papel para fazer mais um selo. – Vocês não vão se acostumar rapidamente com selos corporais, então eu preferi nem mencionar isso, mas tenho uns guardados para depois.

-- Isso realmente é curioso. – Voltten afirmou pensativo. – Uma magia própria com suas próprias regras deve ser interessante de mexer.

-- Se você não se importar quando retirar eles. – Pulu ironizou em meio a dor que sentia. – Não importa quantos você aplica, sempre vai doer.

-- E a pior parte, é que ele está certo. – Faufautua complementou. – Pulu está nisso a uns dez anos, essa parte não é frescura.

Quando Faufautua terminou de efetuar o uso de selos, Pulo movimentou o braço, sentindo lentamente os estímulos da magia em seu corpo.

-- Melhor esperar uns minutos para o efeito deles chegarem em cem por cento. – Faufautua auxiliou. – Vá para o teste de poder mágico primeiro.

-- Certo! – Pulu concordou animadamente.

-- Acho que vou te acompanhar. – Edward seguiu.

-- Não seria melhor ir para força física primeiro? – Voltten questionou. – O desgaste mental pode interferir um pouco.

-- Eu uso apenas dois. – Edward olhou rapidamente por trás dos ombros. – Após isso, eu irei para o teste de resistência física.

-- Certo. – Voltten concordou de forma positiva.

-- Boa sorte aí, Punho de Fogo. – Faufautua falou em tom de deboche. – Para você Pulu, só não me decepcione ou me faça me arrepender por estar com você.

-- Entendido! – Pulu concordou, puxando Edward.


Por Matheus Freitas (Leia SZPS) | 14/01/21 às 21:09 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia