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Capítulo 88 - Números e Fatos

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 88 - Números e Fatos

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Existiam quatro cabines de alvos, cada uma com três alvos e um avaliador. James e Varis ficaram afastados um do outro para a avaliação. Foi então que o avaliador do ladino se pôs a encará-lo.

– Você pretende arremessar o quê? – Ele o questionou.

Varis tirou as adagas das bolsas em suas axilas e as mostrou.

– Desculpe, mas acho que não podemos considerar essas suas adagas. – O homem interrompeu. – Estamos classificando os alvos por quantidades de arremessos e, ao que aparenta, você só vai conseguir arremessá-las duas vezes. Fora que, se puxá-las, pode aproximar os alvos ou alguma outra coisa.

– Hum, certo... – Varis olhou para suas adagas. – Infelizmente, elas foram feitas e forjadas pra terem o encaixe das correntes, não tem como tirá-las.

– Sem problemas. – O anão pegou de dentro de uma das gavetas uma pequena bainha de couro. Ele a colocou no balcão da cabine e espalhou cinco facas de arremesso. – Estamos preparados para isso.

– Hum, curioso... – Varis pegou uma faca e a jogou para cima para se acostumar com o peso, em seguida, ele pegou mais duas e começou a fazer malabares. – Elas são leves...

– Sim... – Respondeu espantado com as ações do ladino.

Rapidamente, Varis pegou as últimas duas adagas, fazendo um show de circo digno de um malabarista lendário. Todo aquele espetáculo teve seu fim quando o ladino franziu os olhos para os alvos e rapidamente coordenou suas mãos para o arremesso.

A distância era de vinte metros e o ladino jogou suas adagas em um único movimento.

Porém, mesmo com a surpresa do jurado, Varis suspirou quando viu os alvos acetados todos de forma certeira – três adagas no centro do alvo do meio e duas próximas ainda na zona.

– Então, quantos pontos cinco certeiras dão? – Varis perguntou.

– Bem... – O anão ficou surpreso, ele pegou seu caderno de anotações, carimbo e lápis. – Cada acerto certeiro é considerado cinquenta pontos... então você conseguiu duzentos e cinquenta pontos...

– Ótimo. –  Varis assentiu, pegando sua fixa de resultados. Logo em seguida, se virou para o Arqueiro. – Ei James, como foi?

O arqueiro se afastou do local de tiro ao alvo e guardou sua arma.

– O que acha? – Ele perguntou, mostrando seu resultado perfeito para o amigo.

– Boa! – Varis acenou com a cabeça, direcionando a visão para Edward e Pulu, que estavam a poucos passos dos dois. – Ei, parece que o cara de roupa de bronze vai fazer algo.

Pulu estava quase sacando sua arma – uma cimitarra prateada com detalhes dourados e com diversos selos em seu punhal, semelhante a uma machete, uma boa espada cutlass. Foi em um movimento rápido que ele invocou a magia da lâmina afiada, projetando um corte que seguia seu ângulo.

A magia percorreu o chão como um pilar de vento espantando tudo a sua volta, até que atingiu um manequim de testes. O pilar de vento foi contido pelo corpo do manequim, mas isso ocasionou ventos cortantes que danificavam o manequim.

Quando Pulu deu um golpe no vento visando atacar o manequim, ele explodiu em uma manifestação de ar – algo que lembrou as magias de Parysas para Edward, mas bem inferior.

– Oh! – Varis e James afirmaram ao ver o potencial dos poderes do pequeno rapaz.

Os avaliadores que estavam fazendo seu trabalho pararam para bater palmas. O próprio guardou sua arma envergonhado em meio a glória.

Ele levou a fixa de resultados para os avaliadores, que anotaram e a carimbaram. Sorridente, Pulo foi correndo para Edward mostrar seus resultados.

– Olha o que eu consegui! – Ele falou animadamente. – Duzentos pontos!

– Duzentos? – Varis e James se olharam.

– Eles não estão colocando essa categoria de magia num nível grande demais? – Varis questionou. – Digo, nós não temos poderes mágicos e conseguimos mais que isso.

– Realmente, é algo para pensar. – James respondeu, impressionado pelos mesmos motivos.

Edward trocou algumas palavras com Pulu e reparou que chegou a sua vez de ser avaliado, ele se virou para a área de tiro ao alvo e identificou Varis.

– Varis, pode vir aqui? – Perguntou com um tom elevado de voz. – Vou precisar de sua ajuda para isso.

– Minha ajuda? – Varis perguntou desconfiado.

– Sim, pode vir aqui?

– O que diabos você planeja fazer? – Varis se aproximou.

– Eu preciso de um alvo para direcionar o Arder de Seus Pecados e ninguém aqui tem mais pecados do que você. – Edward explicou brevemente. – Você só precisa ficar numa área meio próxima de mim e depois pode correr para longe, só preciso de você por uns cinco minutos. – Edward completou enquanto se dirigia ao centro da área de avaliação. Matheus Freitas: Tudo friamente calculado. Só espero que o Varis não fique muito tostado...

– Você tem certeza? – Varis o acompanhou. – É muito pecado para o seu nível...

– Eu aguento o tranco. – Edward falou de forma confiante, parando no meio da ala de avaliação. Ele direcionou seu foco para os avaliadores. – Peço apenas um breve minuto para recitar uma oração.

– Concedido. – Um dos avaliadores respondeu.

Edward começou a murmurar as orações de Tac Nyan, enquanto Varis ficava tremendo a cinco metros de distância. Aos poucos, ficou óbvio o acúmulo de energia santa vinda de Edward, tais efeitos começaram a deixar Varis ainda mais sério, até que a magia foi invocada.

A faísca verde do fogo esmeralda tomou conta do espirito de Edward, que expeliu sua magia para suas roupas e equipamentos, se tornando um cavaleiro metálico queimando no fogo vívido da própria magia.

Tal magia foi o suficiente para explodir tudo a sua volta, o que deu para Varis o gatilho do medo vindo de dentro de sua alma. Instantaneamente, o ladino se jogou para trás e fez movimento tão rápido que, sem nem perceber, Pulu tinha se tornado o seu escudo humano.

O paladino não deu sequer um passo, ele continuou respirando de forma rítmica, manipulando as chamas de forma padronizada. Ele as direcionou para os braços, para a espada, para o escudo e até mesmo para a cota de malha interna, dando a impressão de uma armadura vazia que estava sendo consumida pelas chamas.

Aquilo não durou nem cinco minutos direito, mas foi suficiente para garantir os duzentos e cinquenta pontos do paladino com facilidade.

– Então eles consideram duzentos e cinquenta o máximo em tudo... – James falou ao ver a cartela de Pulu e Edward. – Eles separaram em cinco tiros com cinquenta de peso cada e devem ter um critério próprio para magia...

– Isso faz pensar o que eles fazem para medir a força.

Todos ficaram quietos por breves segundos, até que, o grito de um avaliador foi ouvido.

– Alguém por favor parem esses dois! Eles não param de adicionar pesos! – quando os quatro se viraram, “surpreendentemente” viram Aquiles levantando pesos, mas eram muitos pesos, algo completamente além do anormal.

– A gente devia fazer algo a respeito, não? – Varis sugeriu sem reação, assim como o resto dos três.

– Vocês já conseguiram a pontuação máxima! Não precisam continuar adicionando os pesos! – O jurado anão falou em desespero com Aquiles e Glans que, a cada levantamento, colocavam mais um peso.

– Se tem pesos livres... – Aquiles murmurou, levantando o equivalente a quinhentos quilos em pesos – Ainda não acabou.

Então eles olharam para Glans, ele dizia o mesmo, mas com uma cara estourada e focada, assim como Aquiles.

– Isso é normal? – Pulu perguntou impressionado.

– Digamos que sim... – James respondeu, tentando deixar seu rosto vazio, mas que mostrava um pouco de vergonha ao ver essa cena.

Após uma gritaria desnecessária e de Aquiles fazer mais algumas cenas, os seis se reuniram.

– Então? – Edward saudou os amigos.

– Duzentos e cinquenta! – Aquiles afirmou orgulhoso, exibindo sua ficha junto de Glans.

– Não é muito uma surpresa. – Varis falou em tom neutro.

– Obrigado! – Glans flexionou seus músculos, imitando Aquiles.

– Não foi bem um elogio.

– Bem, acho que podemos fazer o que realmente interessa aqui. – Aquiles apontou para a ala de teste de resistência. – Nós seis na corrida!

– Aquiles. – Edward interrompeu. – Eles só aceitam quatro de uma vez.

– Droga! – Aquiles e Glans xingaram com decepção.

– Ah.... – Pulu olhou para o elfo exibicionista e o draconato gigante, depois se virou e disse. – Eu vou tentar o tiro ao alvo... boa sorte aí.

Pulu correu rapidamente para longe, dando apenas um tapa em Edward e Varis de encorajamento.

– Acho que Glans deixar essa passar. – Glans disse de forma intelectual. – Se Glans correr como Glans está agora, Glans correrá impulsivamente para frente e não conseguirá fazer as curvas... Matheus Freitas: Glans ser Glans porque somente Glans é infinito, Glans ser o maior... Sonho em ver o Glans falando direito...

– Por que o Glans, depois de malhar, lembra o Varis falando sobre um assunto aleatório? – James comentou rapidamente.

– O que você quis dizer com isso? – Varis questionou incomodado.

– Os dois falam coisas que fazem o total sentido ou que, são complexas demais para a curva de inteligência que todos esperam.

– Espera, o quê?! – O ladino reclamou ainda mais incomodado.

– Glans vai esperar com Voltten e Mulher estranha. – O draconato falou, suspirando e respirando lentamente. – Depois ir no teste de corrida, boa sorte.

Com menos duas pessoas, os quatro já se preparavam para o próximo teste. Edward, assim como Aquiles, tirou sua armadura pesada e cota de malha, ficando apenas com a veste de pano, James e Varis continuaram com as suas armaduras de couro, guardando apenas suas armas.

– Muito bem... – James se alongou. – Pelo que eu vi, cada volta equivale a cem metros, a cada dez voltas, temos cinquenta pontos.... Logo, são cinquenta voltas para duzentos e cinquenta metros.

– Isso são cinco quilômetros... – Varis falou, também se alongando.

– Sem paradas, sem diminuir o ritmo, direto como eu gosto – Aquiles começou a rir.

Enquanto os quatro iam para o começo da pista circular, Glans se deitou próximo a Voltten e Faufautua que observavam seus amigos realizando os testes.

– Hum, eu queria fazer umas perguntas para você, Faufautua. – Voltten iniciou a conversa de forma envergonhada.

– Você é um mago ou pesquisador que quer saber sobre a história de uma ex-deusa? – Faufautua comentou de forma folgada. – Que original...

Voltten ficou quieto com receio.

– Relaxa, eu estou acostumada com esse tipo. – Ela ironizou, pegando um cantil de metal e bebendo um gole, depois ela estendeu o cantil para Voltten. – Quer?

Ele hesitou um pouco, mas pegou o cantil e bebeu um pequeno gole, sentindo o álcool queimando sua garganta como carvão envolto em lava.

Voltten tossiu um pouco enquanto devolvia o cantil para Faufautua, que se matava de rir. A ex-deusa guardou o cantil e bateu nas costas do elfo loiro de forma amigável.

– Adoro fazer isso, ninguém aguenta esse porre. – Ela ainda ria com alegria. – Mas e aí, o que quer saber?

– Hum? – Voltten se recompôs. – Bem, “o que você é?” Eu acho...

– Socialmente, eu me enquadro como uma ferreira imortal solteirona que cuida de uma família que hoje se resume a um garoto de vinte e um anos. – Ela respondeu. – Ah, eu possuo um terço do meu poder divino original e costelas de raiz.

– Ah... o que seria “um terço do poder original divino” e “costelas de raiz”? – Voltten questionou intrigado com quase tudo que ela falou.

– Bem, arrancaram minhas costelas e um ser santo colocou raízes no lugar e cicatrizou meus ferimentos. – Faufautua riu de forma depressiva enquanto bebia do cantil. – Nunca descobri quem é esse cara ou garota, mas ele ou ela tinha uma armadura vermelha rasgada, tipo a do Caçador, embora possa ser um delírio.

– Eu duvido que ele exista de verdade. – Voltten retrucou.

– É bom esse desgraçado existir, perdi tudo por culpa dele.

– Entendo...

– Não, você é um elfo normal, não sabe o que é criar uma comunidade e tribos que te cultuavam porque você era útil... – Ela olhou para o horizonte. – E depois que uma grande ameaça se aproximou e você não foi o suficiente, eles decidiram usar de sua alma divina como arma e de partes de seu corpo como molde.

– Eles arrancaram sua alma divina? – Voltten perguntou com espanto.

– Dois terços dela, eu consegui manter um pouco comigo. – Ela riu de forma vazia. – Você sabe como funciona almas dos deuses, garoto?

– Ah... um pouco.

– Já esperava, pelo que o Pulu e Aquiles disseram. – Faufautua respondeu um pouco mais animada. – Existiam cinquenta deuses, cada um tinha uma alma divina que faziam coisas distintas.

Voltten ficou em silêncio, se focando completamente em Faufautua.

– Uma alma de deus pode ser dividida pelo próprio deus, que escolhe as porcentagens que quer compartilhar com outro ser, claro que, com isso, o deus deixa de ser deus. – Faufautua riu de forma irônica. – Acho que ficou claro que isso também pode ser feito de forma forçada.

– Os panteões e magias santas, quando os deuses morrem, as magias ficam impossíveis de se invocar, certo?

– Em parte, apenas as pessoas que possuem partes da alma do deus podem usar depois que ela é repartida, por isso que eu posso criar selos. – Faufautua olhou para suas mãos cobertas por luvas.

– Uma pergunta, o que seriam as reencarnações, como no caso de Tac Nyan? – Voltten questionou com grande curiosidade.

– Quando um deus foge para um outro plano, ele abandona o avatar que estava usando, quando decide voltar, ele não escolhe quem vai ser seu novo avatar ou até mesmo quantos vão ser. – Faufautua olhou para Voltten. – Mas dizem que há alguns fatores que os une, mas são infinitas variáveis. Os avatares divinos podem nunca se encontrar, dependendo do poder que a alma dá a eles, eles podem ser lendas em suas regiões.

– Entendo...

– Aliás, uma pergunta. – Faufautua interrompeu os pensamentos de Voltten. – O que planejam fazer com os seis reunidos?

– Você até sabe a quantidade... – Voltten não pôde negar que teve um déjà vu da mesma pergunta feita por Pur em Suma.

– Vocês têm noção de que se um morrer a energia dele vai passar para os outros cinco e assim sucessivamente até Tac Nyan reencarnar por completo, certo?

Voltten escutou aquilo com receio, sem palavras para descrever essa descoberta.

– Aliás, Civitas é aliada de Artit e dos Cavaleiros Negros, vocês não tinham uma mega equipe de soldados para sequestrar facilmente a princesa? – Faufautua se perdeu um pouco nas palavras. – Digo, vocês são bons, mas não teria algo me...

Quando a mulher olhou para Voltten, ela conseguiu ver a mais pura expressão de pânico tentando ser escondido.

– Vocês estão sendo ameaçados, certo? – Ela questionou.

– Sim. – Voltten confirmou depois de uma pequena hesitação.

– Quem são?

– Demônios, todos eles.

– Eles estão esperando vocês reunirem os seis em um único lugar para eliminá-los de uma única vez...

– Sim...

Faufautua e Voltten se encararam de forma nervosa, mesmo que a mulher não tivesse nada a ver com relação a Tac Nyan, ela entendia em parte o quão nervoso o mago estava.

– Eles estão a nos usar? – Glans perguntou, interrompendo os dois.

– Argel, Ortros, Parysas, até mesmo Sansa... eles sabiam que todos os escolhidos alguma hora vão morrer até restar um e não falaram para evitar pânico... – Voltten ficou sem expressão, sentado olhando para seus pés com as mãos trêmulas. – Todo esse trabalho, todo vínculo, tanta coisa... para no fim, sermos apenas uma ferramenta de busca mais discreta.... Se os demônios não tivessem atacando eles poderiam ter enviado Cérbero ou outras pessoas...

Quando vieram as vozes de comemoração dos amigos no teste de resistência, Voltten terminou seu lamento com essas tristes palavras.

– Somos inúteis.

– Hum? – Faufautua olhou para a face pálida do elfo. – Ei Voltten, você está bem? – Ela sacudiu o elfo, que não reagiu, apenas caindo para o lado duro depois de desmaiar..

Por Tisso | 19/01/21 às 18:01 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia