CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 16 - Missão

Fallen Angels (FA)

Capítulo 16 - Missão

Um grupo de soldados se divertia no refeitório, em uma das pirâmides de treinamento, na Fortaleza.

— Urata! Conta outra vez, como você conseguiu fugir da nave, na Antártida. — disse um soldado terráqueo.

— Tá bom! — Os soldados ficaram atentos. Urata estava sentada sobre a mesa, com os pés sobre o longo banco, de metal. — Naquele dia, sabe-se lá por que, enviaram um soldado pra me entregar a refeição, serviço que era feito, sempre, por um drone. O soldado abriu a porta da cela, entrou e deixou a bandeja sobre a minha cama, eu estava de pé, encostada na parede, ao fundo, de frente para a porta. Antes de sair, o soldado olhou pra mim e senti uma conexão, então, institivamente, pedi, mentalmente, que ele se aproximasse. Me assustei quando ele se moveu em minha direção.

— Ele tava te querendo! — uma soldado barkarian disse, todos riram.

— Não seria novidade. — Urata disse, com um sorriso malicioso.

— Hahaha até parece.

— Enfim... O soldado veio em minha direção e ficou parado, na minha frente, como se estivesse esperando algum tipo de ordem. Nesse momento, não hesitei, olhei nos olhos dele e pedi que se sentasse, ingerisse o alimento e depois deveria sair da cela, trancar a porta e levar a bandeja para o refeitório.

— E ele seeeentooou... — Um soldado disse, em tom vitorioso, todos riram.

— Sim... e foi dessa forma que esse dom magnífico me foi revelado.

— Tá, mas a ala das celas é bem vigiada, ninguém apareceu quando as câmeras captaram sua imagem andando pelo corredor? — perguntou um soldado barkarian.

— Claro que apareceu. Pra minha sorte, os primeiros a chegarem ao local foram soldados, se fossem drones eu não estaria aqui, agora.

— E você usou seu novo poder neles também, certo? — perguntou uma jovem.

— É a primeira vez que você ouve essa história? — perguntou um soldado.

— Ei, não enche!

— Sim, usei a hipnose e eles me escoltaram até a sala de controle, onde usei a hipnose mais uma vez. De lá foi fácil reprogramar os drones e os canhões, que vigiavam a nave, e também foi fácil andar pela nave, escoltada pelos soldados. Com a confusão do lado de fora, ninguém viu quando sai pela porta, por onde saem os veículos terrestres, e, andando pelo gelo, descobri, também, que tinha a capacidade de voar.

— Você é uma general, como pode desenvolver habilidades da classe de comandantes? — perguntou uma soldado, barkarian.

— Basta observar os olhos dela — disse Órion, com sua voz serena, todos olharam para ele. Os olhos da general eram castanhos, mas suas pupilas eram rodeadas pela cor zaruk — Urata é uma hibrida e a necessidade fez com que seu organismo desenvolvesse as habilidades adormecidas em seu DNA. — Órion olhou para o grupo, que entendeu que deveria dispersar. Somente Urata permaneceu no local; o vidente se aproximou dela e se sentou no banco.

— O que vocês fizeram com ela? — Urata perguntou, séria.

— Não se preocupe, Megara está bem, mas precisa permanecer fora de ação.

— Qual o sentido de manter uma comandante no grupo, se ela precisa ficar fora de ação? E outra, nunca engoli aquela história que você contou, quando as frotas voltaram daquela missão de resgate. No seu estágio, não seria possível criar um portal e duvido muito que Megara se isolaria por vontade própria, que se esconderia seja lá do que fosse... — Órion suspirou. — Ela tá aqui na Fortaleza, certo?

— Sobre o portal, foi sugestão do Alfai, na verdade, foi uma imposição dele. Quando recebi a mensagem da Alice, pela telepatia, Alfai estava em transe, do meu lado, estávamos no quarto dele, conversando, e de repente os olhos dele viraram e ele ficou inconsciente, foi então que Alice entrou em contato. Foi tudo muito rápido, Alfai retomou a consciência e disse que deveríamos resgatar Megara com um portal dimensional, falei que não estava pronto para isso, que poderíamos perde-la, para sempre, mas ele segurou as minhas mãos, me olhou nos olhos e então me senti seguro para executar a tarefa.

— Então vocês receberam ajuda dos Etéreos...

— Sim, só me dei conta disse quando Megara estava... — Órion fez uma pausa, olhando para o chão, depois encarou Urata novamente. — ... quando ela estava a salvo.

— Tá, mas o que fizeram com ela depois disso?

— Na última batalha, ela quase se entregou ao Tyran, em troca da suposta libertação de sua tripulação, não podíamos permitir, por isso ela precisa ficar onde está, sob a nossa proteção. Após recuperarmos a nave, Megara voltará ao combate, não se preocupe.

— Se fizerem esse resgate sem Megara, ela vai ficar puta, vai pegar a nave dela e sumir desse Sistema, pra sempre!

— Infelizmente, não vai. — Órion se levantou.

— Como assim, infelizmente?

— Não vim aqui para falar sobre a Megara. Um grupo vai sair em missão, no Deserto de Gobi, e você vai liderar essa equipe.

— Ah! Para... Não vou praquele maldito deserto.

— Vai sim. Você é fundamental nessa missão. — Órion olhou serenamente para Urata, que deu um breve suspiro.

— Até hoje, não entendi porque Tyran foi morar no meio de um deserto.

— Estratégia. Ele não sabe onde fica a Fortaleza, mas sabe que no Brasil se encontra o maior número de células da GDM, e que o grupo surgiu lá. Ele deduz que ali é uma região perigosa, logo, foi pra bem longe e se isolou em um local de fácil vigilância.

— Era só ficar na nave mãe dele, na órbita da Terra, como fizeram com a nave de Zatyr.

— A nave de Zatyr tem sido usada como base espacial. É uma segurança, para o império de Tyran, contra possíveis invasões vindas do Espaço, e Tyran já entende bem os terráqueos; ele sabe que vivendo em um continente, dentro das tradições terráqueas, ganha mais respeito, admiração e temor.

— Gente estranha, esse povo da Terra. — Órion riu.

— Bem, o grupo te espera na pirâmide vermelha, não demore.

— Tudo bem. — Urata observou o vidente se afastar, esperou um pouco, depois desceu da mesa em um salto. Ao passar pela cozinha, a general viu Órion pegando uma bandeja. — Hum! Bem estranhei você vir pessoalmente falar comigo, já que bastaria enviar uma mensagem através da telepatia.

— Videntes não se alimentam de Energia Cósmica, como muita gente imagina. — Os dois riram, Urata se afastou, em direção à saída.

Órion seguiu pelo refeitório e se sentou em uma mesa bem ao fundo de uma das salas, na ala dos generais. A sala era a mais iluminada, do lugar, e, àquela hora, Órion estava sozinho, até que um homem de pele clara, olhos azuis e cabelos grisalhos se aproximou.

— Ótimo lugar, para uma reunião secreta. — disse Adam, um dos fundadores da Fortaleza, ao se sentar, colocando sua bandeja sobre a mesa.

— A melhor forma de esconder alguma coisa é...

— Deixá-la à vista de todos. — Adam completou, o vidente sorriu. — Você acha que vai funcionar?

— Na minha visão, Urata liberta Megara e ela morre, ao se entregar para Tyran. Com Urata em missão, no outro lado, nossa comandante estará a salvo, aqui.

— Então é possível mudar o futuro...

— Como você sabe, o futuro é instável. Podemos interferir nos resultados, mudando algumas variáveis no presente.

— Mas há várias formas de se chegar ao mesmo resultado.

— Sim. Por isso devemos ficar atentos. — disse Órion.

— A nave de Megara precisa ser resgatada, logo.

— O mais breve possível. — Adam ficou pensativo. — Vamos comer, antes que esfrie. — Os dois riram. Órion mastigou a comida, depois fechou os olhos, por um instante.

— Nem adianta, né?

— É... acho incrível essa blindagem que as mentes de alguns de vocês têm. Não consigo ler nada e nem enviar mensagens.

— Entre os barkarians, a telepatia é comum à todos?

— Nem todos são ativos, como eu, mas todos são bons receptores. Você foi o primeiro ser humano que encontrei, na Galáxia, que não é receptivo à telepatia. A princípio imaginei que se tratava de um caso isolado, mas depois encontrei outros, aqui na Terra.

— Talvez seja o nosso estágio evolutivo.

— É uma possibilidade, já que vocês regrediram muito, no processo de evolução.

— Sua raça também está em pleno declínio, nesse processo; isso me faz pensar...

— Que esse encontro não foi por acaso.

— Exato!

— Nada, absolutamente nada, acontece por acaso no Cosmos, meu amigo. — Órion continuou a comer, Adam ficou pensativo.

Por FranHDC | 06/09/19 às 18:11 | Ação, Fantasia, Ficção Cientifica