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Capítulo 18 - O Ankh

Fallen Angels (FA)

Capítulo 18 - O Ankh

Urata e sua equipe seguiam, a pé, por uma pequena vila, destinada aos turistas que queriam conhecer a Via Doloris e o Palácio do Comandante Supremo. Com identidades falsas, Urata levava seus quinze soldados para um hotel.

— Já falei, não encarem as pessoas, vocês são cidadãos de bem, que apoiam o regime. — Urata sussurrou ao ouvido do soldado, que observava, com tristeza, um casal de idosos que pedia esmola, na calçada.

— Me desculpe, mas essa situação é revoltante — sussurrou o soldado.

— Depois conversamos sobre isso. — Urata disse aos sussurros, em seguida continuou com sua atuação. — Vejam! Ali está a famosa estátua do nosso Comandante Supremo, segurando o globo terrestre. — A general apontou para a estátua e os soldados, em seus papeis de turistas, correram para o local, simulando encantamento e felicidade. Eles tiraram várias fotos e comentaram sobre o quanto tudo aquilo era incrível.

Após fazer um tour pela vila, o grupo seguiu para o hotel onde deveria se hospedar. Em um dos quartos, Urata se reuniu com Doraka e Urana, escolhidos como líderes da missão.

Ao entrarem no quarto, Urata ofereceu bebida, aos dois, então colocou, discretamente, um aparelho, parecido com um pequeno comprimido, em baixo da mesa de centro, na sala que antecedia o dormitório. O aparelho bloqueou o microfone que vigiava o local. Os três agiram como se estivessem flertando, enquanto conversavam sobre a missão.

— Podemos conversar livremente, mas as câmeras devem ficar ativas, pois do contrário enviarão drones, pra verificar o local. Finjam que se trata de sexo e assim nos deixarão em paz. — Urata explicou.

— Essa hipocrisia do império de Tyran me dá nojo — disse Doraka, ao passar as mãos nos cabelos de Urana, sorrindo. — Esse maldito garante aos seus apoiadores uma vida de reis, para entorpecê-los diante da realidade.

— Sim. Ele controla o avanço da tecnologia, controla as crenças das pessoas, controla o acesso à informação, espalha o medo e o terror entre seus críticos e mantém muita gente na miséria, sem o menor peso na consciência. — Urana disse, olhando nos olhos de Doraka. Urata se aproximou do casal.

 — As duas raças sofreram perdas irreparáveis, desde que Tyran decidiu ser um ditador. Ele elegeu os medíocres, como seus aliados, e com isso condena as duas raças ao retrocesso, à decadência. — Urata segurou o casal pela nuca e beijou os dois. — Amanhã vamos passar pela ala das cruzes, na Via Doloris, reajam como turistas comuns, não deixem que o ódio os entregue. — Urata se levantou, foi até o dormitório e retornou com dois cordões.

— Quero o dourado! — disse Doraka. Urata entregou um cordão dourado ao soldado e um prateado para Urana, que se levantou e foi colocar o colar de frente a um espelho, na sala.

— Engraçado, a primeira letra do nome de Tyran, no alfabeto ocidental terráqueo, lembra muito um símbolo antigo, de uma das culturas deles. — Urana observava o colar em seu pescoço.

— Sim, o Ankh — concordou Urata.

— Também lembra aquele instrumento de tortura, que o CS está usando na Via Dolores, como atração turística.

— A cruz... — Urata disse, olhando para os dois soldados. — Vou entregar os cordões dos outros soldados a vocês, cada um deve orientar sua equipe. Jamais conversem sobre a missão, sem antes dizer Comandante Supremo. Essa é a senha para acionar o bloqueador; em um raio de cinco quilômetros nenhum microfone poderá captar as conversas e acima dessa distância, o áudio estará criptografado. Ao terminar a conversa, basta dizer Lord Tyran e tudo volta ao normal.

— Quem fez esses cordões? — Urana perguntou.

— Isso foi coisa do Adam, Órion me disse que estariam aqui, no meu quarto, mas não deu muitos detalhes sobre os envolvidos no processo.

— Não gosto disso. — Doraka disse.

— Do quê?

— Estamos confiando cegamente em um plano desenvolvido por Órion e um grupo de terráqueos. 

— Concordo com Doraka, também não me sinto segura quanto a isso — disse Urana.

— Vejam bem, Órion é nosso vidente, nosso único vidente, se não pudermos confiar nele, em quem poderemos confiar? — Os dois soldados se olharam. — Nosso povo já se ferrou muito, por não dar crédito aos videntes, vamos ter um pouco de fé, dessa vez. — Urata se posicionou entre o casal de soldados, pegou os dois pela cintura e o trio seguiu para o dormitório. Após trocarem beijos e carícias, Doraka e Urana receberam, cada um, uma caixinha adornada como presente. Nelas estavam os cordões que deveriam distribuir entre os demais soldados.

Por FranHDC | 15/09/19 às 10:36 | Ação, Fantasia, Ficção Cientifica