CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 19 - Equilíbrio

Fallen Angels (FA)

Capítulo 19 - Equilíbrio

— Eles não sabem de nada, senhor! — disse um general a Zuron.

— E a moça da tatuagem?

— Passou em todos os testes, ela diz a verdade.

— Leve-a para a sala de interrogatório, quero conversar com ela, pessoalmente.

— Sim, senhor!

Zuron liberou os turistas que estavam detidos em uma delegacia, em uma vila, perto da Via Doloris. O grupo era o mesmo que aparecia no vídeo de segurança, onde havia uma jovem com uma tatuagem de Uirapuru. A moça contou às autoridades que era fã da GDM, antes da chegada dos barkarians, e que esse foi o motivo de ter tatuado um Uirapuru, mas que agora era uma apoiadora do regime tyraniano.

— Você conheceu algum membro da GDM?

— Nunca, senhor. E se hoje conhecesse, o entregaria à PSF.

— Então por que ainda usa essa tatuagem?

— Não tenho dinheiro pra removê-la, senhor. E como a GDM foi derrotada por Tyran, pensei que não teria problema com essa tatuagem.

— Vamos remover pra você. Usar esse símbolo pode passar uma ideia errada ao seu respeito, concorda?

— Sim, senhor.

Zuron levantou a mão e um soldado entrou na sala.

— Leve-a para Pequim. A tatuagem deve ser removida, depois essa jovem deve ficar uns dias de repouso, no spa. — O soldado arregalou os olhos.

— No spa?

— Sim, no spa. Após tanto tempo carregando essa lembrança pesada, no pescoço, ela merece um descanso, concorda?

— Sim, senhor! — O soldado respondeu, com um sorriso sem graça.

— Obrigada, Lord Zuron! — A jovem sorriu, Zuron se levantou e seguiu, entediado, pelo corredor.

Lord Zuron... Como esses terráqueos são bregas.

Spa era o código que indicava que um prisioneiro deveria ser levado para um campo de trabalho forçado. Após o desaparecimento de Megara, Tyran espalhou a notícia de que a GDM havia sido derrotada, mas, desde então, qualquer sinal de apoio ao grupo de resistência era visto como ameaça e a punição mais branda era o confinamento nos spas.

 

— Não sei como conseguem comer depois de ter visto aqueles corpos nas cruzes. — Doraka comentou, enquanto o grupo devorava cachorro-quente, em uma lanchonete da vila.

— Aquilo é o que acontece com quem não respeita nosso Comandante Supremo — disse Urana.

— E então? — perguntou Urata.

— Encontrei nosso contato, entre os turistas na Via Doloris, ele nos levará até a cidade. — Urana respondeu.

— Acho estranho que ninguém tenha a menor noção da existência de uma cidade, no deserto.

— Com toda a nossa tecnologia, só sabemos que ela existe, mas não temos a menor noção de onde fica, exatamente, e nem mesmo qual o nome dela — comentou Doraka.

— Sim. E o contato disse que Urata não poderá entrar, pois os olhos são verificados pelo sistema de segurança, se identificarem lentes, já era.

— Disso eu já sabia, por isso todos vocês são soldados. Pra vocês fica fácil se misturar aos comuns. — Uma soldado se sujou de ketchup ao morder o cachorro-quente. — Que tipo de disfarce irão usar?

— O contato disse que amanhã saberemos os detalhes, como somos todos barkarians, qualquer comandante poderia ler nossas mentes e...

— Sim, eu sei... qualquer deslize poderia comprometer toda a missão. — Urata olhou para Doraka. — Parece que vamos precisar de um plano B, caso nossos guias nos deixem na mão.

— Se tudo der errado, a gente mete o loko e aciona a Equipe Rambo! — disse uma soldado, todos riram.

— Tudo isso, graças ao nosso amado Lord Tyran! — disse Urata, todos retornaram aos seus papeis de turistas.

 

Zuron atravessou um largo corredor, que levava à sala de reuniões, no palácio de Tyran. Ao vê-lo se aproximar, dois soldados abriram as portas douradas, para que o comandante pudesse entrar.

Tyran estava sentado em uma mesa redonda, com alguns comandantes. A decoração do ambiente foi inspirada nas salas de reunião das naves mães barkarians.

— Bem, então isso é tudo?

— Sim, Comandante Supremo!

— Estão dispensados. — Os comandantes se levantaram. — Meu caro Zuron! Quero boas notícias. — Tyran disse, enquanto os comandantes seguiam para a saída.

— Não havia nada com o que se preocupar.

— E a moça? — Zuron olhou para a porta e viu o último comandante deixar a sala.

— Mandei pra um spa.

— Muito bem! — Tyran sorriu. — Tire o resto do dia de folga, você merece.

— Agradeço, mas tenho muito trabalho a fazer. Com licença! — Zuron se virou e deu um passo, em direção à saída.

— Ei! Essa sua insubordinação já está ficando intolerável. — Tyran disse, batendo as mãos sobre a mesa, enquanto se levantava. Zuron ficou furioso e se aproximou do Comandante Supremo.

— Escute aqui, Tyran. — Zuron segurou o pescoço do Comandante e o olhou, profundamente, nos olhos. — Estou cansado dessas futilidades terráqueas que você tanto aprecia. Se ainda me quiser como seu braço direito, vai ter que me respeitar como um barkarian, como um COMANDANTE barkarian. — Os olhos de Tyran se encheram de ódio, quando Zuron o jogou sobre a cadeira.

— Você enlouqueceu, Zuron? Perdeu o respeito pela hierarquia?

— Hierarquia? Respeitávamos a hierarquia, pois sabíamos que ela era necessária para que o grupo pudesse sempre alcançar os melhores resultados. Mas hierarquia, entre nós, nunca significou que existiam barkarians mais ou menos importantes, hierarquia nunca foi motivo para humilhar ou subjugar ninguém. Todo barkarian sabe que só se tem liberdade onde há equilíbrio, como sempre valorizamos nossa liberdade, essa era a razão de haver hierarquia entre nós. — Os olhos de Tyran começaram a brilhar e seu ódio fez com que alguns objetos se quebrassem, na sala.

— VEJA BEM COMO FALA COMIGO, ZURON. — Tyran disse ao se levantar, depois atacou o comandante com uma rajada de energia, mas Zuron nem se moveu, simplesmente criou um campo de energia ao redor de seu corpo, que o defendeu do ataque. — Não tenho medo de você. — Zuron se aproximou de Tyran e elevou a mão esquerda. O Comandante Supremo sentiu algo apertando seu pescoço e segurando suas mãos, nas costas; totalmente imobilizado, ele teve que ouvir seu braço direito falar.

— Quer saber porque sigo você? Quer saber porque aceitei ser o braço direito de um comandante medíocre, mais fraco que eu? Sente-se! — Zuron fez sinal com a mão e Tyran foi jogado sobre a cadeira, o comandante se sentou, em seguida. — Por causa das pilhagens e do nosso modo de vida nômade, no Espaço, nosso povo estava regredindo, dentro do nosso processo evolutivo. Aqui, neste planeta, os terráqueos estavam presos em uma fase, primitiva, de sua evolução, graças aos condicionamentos criados por mentes viciadas em poder. Eles estavam condenados a nunca avançar na existência, o que tornaria suas vidas inúteis, para o Cosmos. Quando chegamos aqui, percebi o grande propósito. Nossa presença na Terra não poderia ser obra do acaso, como imaginavam os membros do nosso alto comando, afinal, o Cosmos não trabalha com acasos. — Zuron se levantou e aproximou seu rosto ao de Tyran. — A Consciência Cósmica encontrou uma forma de unir as duas raças, para que ambas tivessem a chance de entrar, novamente, na reta ascendente da evolução, rumo à onisciência. Disso depende o equilíbrio do Todo. — Zuron se afastou.

— Quanta tolice! — Tyran disse, com raiva. — O que o impede, então, de me matar agora e assumir a posição de Comandante Supremo?

— Você tem as características necessárias para unir as duas raças. Você é medíocre, age por impulsos egoístas, tem sede de poder, logo, seria capaz de tudo para manter a coesão do império que foi criado, aqui. Sem contar que já havia um contexto favorável à sua liderança, entre os terráqueos e entre os barkarians. Você já era nosso comandante, escolhido dentro das nossas tradições, e aqui na Terra havia uma narrativa que te encaixava como o salvador. A mim só caberia auxiliá-lo em sua missão, para que não se desviasse muito dos propósitos do Cosmos. — Tyran olhou, desconfiado, para Zuron. — Como vê, minha consciência me mantém ao seu lado, mas não brinque com minha paciência, ou encontrarei outra forma de salvar nosso povo de um futuro fadado ao fracasso. — Zuron libertou Tyran, que ficou ofegante, sentado na cadeira, observando seu braço direito sair da sala.

Ao atravessar as portas douradas, o comandante não esperou que os soldados as fechassem, ele levantou a mão esquerda e as duas portas bateram forte, gerando um som de trovão.

Por FranHDC | 22/09/19 às 01:09 | Ação, Fantasia, Ficção Cientifica