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Capítulo 20 - Alerta

Fallen Angels (FA)

Capítulo 20 - Alerta

Na pirâmide vermelha, Órion chegava atrasado para uma reunião com Alfai e alguns generais, que retornaram de uma missão de resgate, na Antártida. O grupo estava em uma sala toda branca e todos se sentavam em poltronas macias, também brancas, dispostas em círculo em um ambiente aconchegante.

— Ah! Ele chegou! — disse uma general, ao ver Órion se aproximar. 

— Me desculpem! — O vidente se sentou ao lado de Alfai.

— Não sabemos mais o que fazer, Órion. — A general disse, preocupada. — Essa foi a quinta missão e, mais uma vez, falhamos.

— Queria trazer palavras de esperança, de motivação, mas tudo que posso dizer é que devemos continuar persistindo.

— Já perdemos muitas vidas, tentando resgatar a nave de Megara. Sei que vocês devem ter uma razão muito forte para mantê-la fora de combate, mas, sinceramente, não sei como poderíamos conseguir, sem ela.

— Megara é muito importante para o grupo e...

— Ele teve uma visão. — Alfai interrompeu Órion, os generais ficaram surpresos com a informação.

— Como assim? — perguntou um general.

— Vi Megara morrendo, ao tentar resgatar sua nave. Como puderam constatar, sem Megara nas missões, temos pouca chance de sucesso. Não podemos libertá-la até que sua tripulação esteja a salvo ou até que possamos convencê-la a...

— Ei! Ela está presa? Vocês prenderam uma Comandante barkarian? — questionou uma general, os demais ficaram indignados.

— Se acalmem, por favor! — pediu, Órion.

— Onde ela está?

— Ela está bem, não se preocupem, mas precisamos...

— Isso é inadmissível, se fizeram isso com uma Comandante, o que fariam com algum de nós? — Os generais ficaram revoltados e falando sem parar. Órion olhou para Alfai.

— Não adianta me olhar assim, eles precisavam saber. — Alfai se levantou. — E você sabe que sempre fui contra essa decisão. — O líder da GDM deixou a sala.

Na missão de resgate, onde Megara desapareceu, o portal, criado por Órion, levou a comandante direito para a Fortaleza. Inconsciente, ela foi levada para os aposentos de Alfai, em segredo. Quando as tropas retornaram do combate contra Tyran, Órion convenceu os sábios do Vale a manter a comandante em estado de hibernação, em uma sala toda adaptada para esse fim, no alto da pirâmide branca, o centro administrativo da Fortaleza e morada de Alfai. O líder da GDM foi contra, pois entendia que privar alguém de seu livre arbítrio era o maior ato de violência que se podia cometer, logo, as consequências seriam sempre negativas. Mas Órion teve uma visão, onde Megara se entregava e era assassinada, por Tyran, então estava disposto a pagar o preço para preservar a vida de sua comandante.

Após a reunião na pirâmide vermelha, Órion foi conversar com Adam, em um dos jardins da Fortaleza. Enquanto conversavam, os dois admiravam a linha do horizonte, que separava o céu da mata, que parecia sem fim.

— Vocês já exploraram a Terra nessa dimensão? — perguntou Órion.

— Sim. Nossos drones fizeram todo o serviço, mapeando e catalogando as formas de vida existentes, aqui.

— E não há outros humanos?

— Ninguém.

— Ainda não consegui descobrir se essa é uma dimensão do tempo ou se...

— Não se preocupe com isso, todos nós sabemos que devemos deixar essa dimensão, assim que tudo estiver correto na nossa. — Órion sorriu. — Como foi a reunião? — perguntou Adam, olhando para o pôr do sol.

— Foi difícil. No final, todos se acalmaram, mas a frustração era clara, em suas faces. Me deu uma sensação de que começamos a ruir, de dentro para fora.

— As águas do destino são difíceis de domar. Ao tentar represá-las, há um preço muito alto a ser pago. — Órion suspirou. — Você é um vidente, devia saber disso.

— Sim, eu já sabia que minha decisão traria consequências, que sacrifícios deveriam ser feitos, mas se o preço a ser pago for o fim da resistência, manter Megara presa, já não faz mais sentido. A intenção era preservar o grupo.

— Então vamos libertá-la, logo.

— Amanhã, ao pôr do sol, esse é o prazo.

— A morte dela, na sua visão, acontece amanhã?

— Sim. Após o próximo pôr do sol, libertamos Megara e ela poderá decidir o que fazer do próprio destino. — Adam observou uma borboleta pousar sobre uma flor azul. — E tem mais uma coisa.

— O quê?

— Precisamos manter a célula do Bruno em alerta.

— O sudeste do Brasil é a região mais vigiada, no momento. Qualquer movimentação será considerada suspeita e isso poderá desativar a célula, pra sempre.

— Sim, mas precisamos correr o risco. Não consigo ter uma visão clara, mas sinto que Urata precisará de nós, em breve — disse Órion.

— A missão em Gobi... — Órion ficou sério. — Mais uma decisão equivocada, pelo visto.

— Às vezes as visões me confundem, as sensações me confundem... sinto que precisaria de ao menos uns dez anos de treinamento, para lidar com tudo isso. Acho que eu não...

— Pare! Não se culpe por isso. Veja a Fortaleza! Mesmo com todo o tempo que tivemos para estudar a situação, para nos prepararmos, ainda há muito que foge à nossa capacidade de ação. Fomos jogados nesse contexto, sem muita informação. Tivemos nossa vidas roubadas, em prol de uma possível liberdade que devemos buscar, para os dois povos, mas não temos certeza se isso será possível de realizar. Se doar por inteiro e esperar por bons resultados é tudo que nós temos, é tudo que podemos fazer.

— Obrigado, Adam! Ultimamente tenho me sentido muito só e perdido. É como se eu carregasse toda a culpa por tudo isso. — Adam se aproximou de Órion e colocou a mão direita sobre o ombro do vidente.

— Fique tranquilo! Enquanto a Fortaleza existir, ainda há esperança. — Os dois sorriram.

Após a conversa com Adam, Órion enviou uma mensagem para Alice, através da telepatia.

 

No centro de Belo Horizonte, Alice conversava com Rafael, enquanto os dois andavam por uma calçada.

— Lembra, quando a gente andava por essas ruas, sem pensar no futuro? — perguntou Rafael.

— Lembro sim! Eu reclamava de praticamente tudo, mas olhando pra trás, agora, minha vida era perfeita. — Alice e Rafael se olharam, sorrindo. — Só faltava... — Alice se perdeu no sorriso de Rafael.

— O quê?

— Ah, besteira! Deixa pra lá. — Alice pôs as mãos nos bolsos da blusa de moletom e se preparava para atravessar a avenida, quando Rafael a puxou pelo braço.

— Ei! Cuidado! — Rafael puxou Alice com força e a abraçou, um carro aéreo passou por eles, desgovernado, deixando para trás muita poeira e um vento forte, que desarrumou os cabelos da jovem general.

— Mas que merda é essa? — Alice e Rafael observaram o veículo bater no obelisco no meio do cruzamento, entre duas avenidas.

— Caraaaalho! Ele quebrou o Pirulito! — Rafael ficou surpreso, com a cena. Sirenes foram ouvidas e em segundos várias viaturas, com tecnologia antigravidade, chegaram ao local e os policiais prenderam o motorista descuidado.

— Putz! Um barkarian bêbado? — Alice e Rafael se olharam e começaram a rir, sem parar.

— Não foi à toa que Zuron convenceu Tyran a proibir esses carros para uso de civis, tanto terráqueos quanto barkarians. — Uma senhora, que parou para ver o acidente, comentou.

— Sim, mas parece que existem barkarians rebeldes, em nossa cidade — disse Rafael.

— Não use essa palavra, rapaz, você pode parar na Via Doloris. — A senhora falou, com expressão séria, Alice observou o “T”, de Tyran, pendurado em um cordão, no pescoço da mulher.

— A senhora tem toda razão. — A mulher sorriu, vitoriosa. — Uma boa tarde!

— Boa tarde para vocês também! — Alice puxou Rafael pela mão e eles atravessaram a avenida.    

— Ei, pra quê tanta pressa?

— Não viu o pescoço da mulher? É uma devota do Comandante Supremo.

— Não prestei atenção... se tivesse visto, teria jogado ela na frente dos carros.

— Rafael... Já te falei que... — Alice parou de uma vez e fechou os olhos. Rafael parou de andar, também, e aguardou, perto da general, até que Alice abriu os olhos, novamente.

— É o vovô?

— Sim. Precisamos voltar pra casa. — Rafael e Alice seguiram em direção ao metrô, após a general ter recebido uma mensagem de Órion, por telepatia. Os dois fizeram o percurso de metrô por cinco estações, então desceram e foram até um estacionamento, onde haviam deixado suas motos. De lá, seguiram para a célula.

Por FranHDC | 05/10/19 às 15:41 | Ação, Fantasia, Ficção Cientifica