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Capítulo 22 - Nova Kálope

Fallen Angels (FA)

Capítulo 22 - Nova Kálope

O veículo, com os novos moradores da Cidade, atravessou os grandes portões do Palácio de Tyran. Ele passou pelo pátio principal, virou à esquerda e seguiu uma via, que dava acesso aos aposentos reais, aos aposentos dos súditos mais próximos do Comandante Supremo e então chegava ao terceiro jardim, perto do alojamento dos soldados do Palácio.

O veículo parou, perto de uma escadaria, toda adornada com flores e plantas. Essa escadaria levava a um local subterrâneo.

— Bem-vindos à Cidade! — Uma jovem barkarian, sorridente, recepcionou os novatos, enquanto os últimos tripulantes saiam do veículo. — Este é Carlos, ele será o guia de vocês, a partir daqui. — Um homem, terráqueo, foi apresentado ao grupo.

— A Cidade fica aqui, no Palácio? — perguntou, Doraka.

— Não se preocupem, todas as perguntas serão respondidas, no momento certo. Por enquanto, sigam Carlos e façam tudo que ele disser. — A jovem, sorridente, disse. Doraka sorriu entre os dentes.

Carlos levou o grupo pelas escadas, que ia até a entrada do que parecia uma estação de metrô. Os soldados infiltrados não se olhavam, mantinham uma postura de tranquilidade, mas, no fundo, todos estavam bem apreensivos. — E se a tal Cidade não existe e isso aqui for uma cilada, uma forma de eliminar barkarians rebeldes? — Doraka não conseguia parar de pensar nessa possibilidade.

Após andarem um pouco, o grupo virou à direita e seguiu por um largo corredor. Ao fim do corredor, podia-se ver grandes portões, de grades grossas, que davam acesso ao que parecia uma plataforma, com trilhos de metrô.

— Aguardem um minuto. — Carlos disse ao grupo, depois seguiu para um grande espelho, ao lado do portão. O homem colocou sua mão direita sobre o espelho e vinte soldados barkarians apareceram, do outro lado dos portões. Carlos se virou e fez sinal para o grupo. — Podem vir! — Os portões se abriram.

Doraka e Urana esperavam que Carlos tivesse algum recado, para eles, mas o homem os ignorou, totalmente. O guia foi o último a atravessar os portões, que logo se fecharam, após sua passagem. Os soldados vigiavam o grupo.

— Assim que ouvirem seus nomes, se aproximem de mim. Vou levá-los até aquela porta e ficaremos lá por vinte minutos. — Carlos mostrou uma porta, que ficava a alguns metros do local onde estavam, na plataforma. — Vamos de cinco em cinco, até que todos tenham passado pelo processo, ok? — O grupo concordou. Carlos chamou os cinco primeiros, que se organizaram, perto dele. — Os demais podem esperar aqui, vocês podem se sentar nos bancos. — O guia apontou para vários bancos, dispostos nas paredes da plataforma. Os soldados continuavam vigiando, de pé.

Após quase duas horas de espera, um metrô apareceu. Quando Doraka se levantou do banco, para seguir em direção ao metrô, um soldado se aproximou dele.

— Ei, o que você tem aí? — O soldado segurou Doraka pelo braço e o barkarian se irritou. — Vocês ficarão sozinhos, nos vagões do metrô, é seguro conversar. — O soldado disse ao ouvido de Doraka e então o entregou um pequeno aparelho, parecido com um fone sem fio, com instruções.

— Algum problema aí? — perguntou outro soldado, ao ver a abordagem.

— Não, tudo certo. — O soldado respondeu, depois escoltou Doraka até a porta do metrô. — Desculpe, senhor, boa viagem! — Doraka fez sinal positivo com a cabeça, depois embarcou no metrô.

Dentro do metrô, Doraka se sentou ao lado de Urana. Eles estavam em um canto, isolados do resto do grupo, que se espalhou pelo vagão. Enquanto se sentava, ele colocou o pequeno aparelho no ouvido.

— O que é isso? — perguntou Urana.

— Só um instante e já te respondo. — Doraka ouviu toda a mensagem, que durou cinco minutos. — Fui abordado por nosso contato, do Palácio.

— Carlos?

— Não. — Doraka olhou para Urana. —Também imaginei que seria ele. — Os dois sorriram. — Ele me entregou um pequeno aparelho com instruções, depois ouça. — Doraka, discretamente, passou o pequeno fone para Urana. — Ele disse que estamos sozinhos, nos vagões, que aqui é seguro conversar.

— Ufa! Já estava quase explodindo. — Doraka riu. — Não estou gostando de nada, aqui.

— Eu também estava desconfiado, mas me acalmei, após ouvir as instruções. Escute logo, temos menos de dez minutos, até a Cidade, agora.

— Ok! — Urana colocou o aparelho no ouvido e escutou, atentamente, a voz suave, que explicava o próximo passo que o grupo deveria dar. A mensagem terminava dizendo que o fone deveria estar com Doraka, quando chegassem à Cidade.

Quando o metrô parou, e suas portas se abriram, uma mulher, barkarian, aguardava pelo grupo, com uma escolta de soldados, ela abraçou um por um.

O aparelho. — A mulher sussurrou ao ouvido de Doraka, ao abraça-lo, e ele entregou o fone, discretamente. — Bem-vindo! — A mulher sorriu e foi recepcionar os demais recém chegados, depois se posicionou de frente para o grupo. — Sou Tegara, prefeita de Nova Kálope, a primeira cidade da Nova Era barkarian, na Galáxia! Nosso Comandante Supremo faz questão que cada novo membro, dessa encantadora cidade, seja recepcionado por mim, pessoalmente. — O grupo todo sorriu, mas ninguém teve coragem de fazer comentários. Doraka ficou apreensivo. — Venham! — Uma porta de metal se abriu ao meio e o grupo atravessou. Ao longe, se via dois portões enormes, de metal prateado, ao final de um pátio gigantesco. O lugar era muito iluminado. — Agora vocês passarão pelo último teste, antes de atravessarem aqueles portões. Estarei esperando por vocês, do outro lado. — Um pequeno veículo, com tecnologia antigravidade, parou perto da prefeita. Ela seguiu para os portões, que se abriram quando seu veículo se aproximou. O grupo foi levado para outra sala, de testes.

— Puta, merda! Mais escaneamento de retina? Já perdi a conta de quantas vezes passamos por isso, desde que... — Um homem interrompeu a jovem, que reclamava.

— Qual o problema, tem algo a esconder, mocinha?

— Não, é só que...

— Levem a moça, pra um teste mais profundo. — Soldados levaram a jovem, para uma sala onde a mente dela seria vasculhada. O grupo de Doraka e Urana ficou mais atento.

Todo o grupo foi aprovado, incluindo a jovem que teve a mente vasculhada, e eles chegaram à Nova Kálope.

 

— O que foi, Órion? — perguntou Adam, ao se aproximar do vidente, que observava o sono induzido de Megara.

— O destino... Às vezes ele parece um roteiro, predefinido.

— Predefinido por quem?

— Por nossas escolhas pessoais, que ecoam no Cosmos e interferem nas escolhas coletivas. — Adam observou Megara, adormecida. — Causa e efeito, meu amigo. Essa é uma lei rígida, da qual nada foge, no Universo. — Os dois homens se olharam.

— Você disse que, em sua visão, Megara morreria hoje, antes do pôr do sol. Ela está segura, aqui, na Fortaleza, não se preocupe. Tudo vai terminar bem.

— Racionalmente não vejo motivo para me preocupar, mas minha intuição...

— O que foi, dessa vez?

— Não é nada objetivo. É só um sentimento forte, de que algo muito grande acontecerá hoje, antes que o sol se ponha aqui na Fortaleza.

— Talvez seja algo relacionado a esta dimensão, já que não sabemos muita coisa, sobre ela. A peregrinação dos meus colegas do Vale já dura meses, talvez seu pressentimento esteja ligado a essa jornada, por aqui.

— Não. — Órion ficou com o olhar fixo em Megara, novamente. — Esta dimensão não apresenta grandes perigos, seus amigos retornarão em breve, em segurança. Tenho certeza que, meu pressentimento, tem relação com Megara. — Adam suspirou, depois tentou mudar de assunto.

— E sobre a missão de Urata, há alguma notícia?

— Ela disse que o grupo conseguiu se infiltrar na Cidade, mas estão sem comunicação. Um dos contatos disse que eles estão bem, mas foi só isso.

— E Urata?

— Continua se passando por guia, na vila, aguardando informações.

— Vamos aguardar, então! E a célula do Bruno?

— Alice disse que já está tudo preparado. Ela tem tomado a frente, das decisões, na outra dimensão.

— Alice e Megara desenvolveram uma conexão impressionante. A jovem Alice tem se destacada muito, desde o treinamento com a comandante. — Órion olhou nos olhos de Adam e sorriu. — O que foi?

— Nada... — Órion olhou para o chão. — Não é nada.

— Espero que cumpra sua promessa, Órion! — Alfai disse, ao entrar no quarto. O vidente se virou e olhou para ele.

— Acredite, Alfai, de todos nós, sou o que mais deseja ver Megara em ação, novamente. Após o pôr do sol ela estará livre, tem minha palavra.

 

 — Nossa, que casa luxuosa! Não acredito que... — Ao girar, encantada com a casa nova, a soldado deu de cara com Urana, que fez uma expressão de reprovação. — ... essa será a nossa nova, casa! — Urana ficou aliviada.

— Se passarem em todos os testes, cada uma de vocês receberá uma casa melhor que essa! — disse a guia, uma barkarian jovem, ruiva.

— O que envolve esses novos testes? — perguntou Urana.

— Aqui, mulheres barkarians são especiais, muito especiais! Vocês passarão por alguns testes biológicos, se tudo der certo, vocês farão parte da elite de Nova Kálope.

Testes biológicos... isso tem a ver com reprodução? — A guia ficou séria.

— Senti um certo teor de reprovação, no tom da sua voz. Até aqui, você é livre, pra ir embora, se quiser, mas se decidir ficar, sugiro que se mostre mais receptiva ao modo de vida, de Nova Kálope, ou terá problemas sérios, por aqui. — Urana se esforçou para não expressar a raiva que sentiu, ao ser repreendida, pela guia.

— Me desculpe, se me expressei mal, foi só uma pergunta.

— Bem, o fato é que Nova Kálope tem suas regras, haverá um período de adaptação, pra vocês, onde tudo será esclarecido. Meu conselho é que aproveitem tudo de bom, que nossa cidade tem pra oferecer, e que não sejam resistentes às mudanças, às quais terão que se submeter. — A guia sorriu. — Agora podem descansar. Há roupas novas, nos armários dos quartos de vocês e comida, na cozinha. Se precisarem de alguma coisa, basta solicitar por esse comunicador provisório. — A guia tirou duas pulseiras, do bolso. — O sistema biométrico deles já está configurado, basta colocar no pulso e ele funcionará, perfeitamente.

— Uhul! Vou tomar um banho! — A soldado subiu as escadas da sala, que levavam ao andar de cima.

— Acho que vou fazer o mesmo! — Urana disse, sorrindo.

— Isso mesmo! Descansem bastante, em duas horas estarei de volta, para levá-las à uma reunião, com todos os novatos. — A guia se despediu, Urana ficou apreensiva.

Por FranHDC | 19/10/19 às 14:30 | Ação, Fantasia, Ficção Cientifica