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Capítulo 23 - Volte para a Fortaleza

Fallen Angels (FA)

Capítulo 23 - Volte para a Fortaleza

— Nova Kálope? — perguntou Alfai.

— Sim, foi esse o nome que Doraka me disse. — Órion confirmou.

— Mas esse não era o nome da capital do planeta de vocês?

— Nova Kálope não era só a capital de Barkar, era a cidade mais bela e feliz, de toda a Via Láctea! Ao menos é o que nos dizem, os Arquivos Cósmicos.

— Então eles, realmente, pretendem acabar com os terráqueos. — Alfai disse, sério.

— As informações de Doraka levam a crer que a ideia é criar uma raça hibrida, mas com predominância barkarian.

— E o que acha que acontecerá aos demais terráqueos, os de raça pura? — Alfai se levantou do pequeno sofá, branco, e seguiu para uma janela, grande, de vidro, com vista para a mata. Os dois estavam em uma sala, nos aposentos de Alfai, na pirâmide branca. Órion também se levantou e se aproximou do líder da GDM, que estava pensativo.

— Não deixe o medo tomar conta do seu coração, vamos conseguir impedir esse projeto, irresponsável, do Tyran.   

— Você disse que Doraka não conhece a localização exata, de Nova Kálope, só sabe que é subterrânea, e que o acesso é pelo palácio.

— Sim.

— Não espere o pôr do sol. Liberte Megara, agora!

— Você sabe que não posso. E que diferença faria adiantar a liberdade de Megara, em algumas horas?

— Você tem seus pressentimentos, tenho os meus. E sinto que Megara precisa ir até o palácio, o mais rápido possível. Lá ela saberá o que deve ser feito. Alice pode ajuda-la, guiando as tropas que estão do outro lado.

— Alfai, entendo o seu desespero, mas não vou fazer mudanças repentinas, baseadas em fortes emoções. Vamos aguardar o pôr do sol, então discutiremos tudo isso com Megara.   

— Você estava certo... você não está preparado, pra essa missão. — Alfai disse, depois saiu da sala. Órion suspirou e ficou pensativo, olhando para a paisagem à sua frente, através da janela.

Após a conversa com Adam e Alfai, nos aposentos onde Megara estava adormecida, Órion foi meditar, para tentar diminuir o mal-estar, causado pela sensação de que algo ruim estava prestes a acontecer. Durante a meditação, o vidente conseguiu se conectar com a consciência de Doraka, com a ajuda dos etéreos. O soldado barkarian contou tudo que presenciou, desde o começo da missão em Gobi. Órion compartilhou as informações com Urata, Alice e Alfai, solicitando que mais ninguém soubesse de nada, para evitar uma possível retaliação de Tyran, pois se alguém fizesse algum comentário, que fosse interceptado pelos sistemas de vigilância do Comandante Supremo, os soldados infiltrados em Nova Kálope seriam executados.

A reação de Alfai, ao saber das notícias sobre a missão em Gobi, aumentou a angústia do vidente.

 

— E então? — perguntou uma general ao operador, em uma das salas de segurança, de Nova Kálope.

— Nada. Parece que ele adormeceu.

— Talvez estivesse meditando, por isso as alterações nas ondas cerebrais.

— Ainda acho que ele estava conversando com alguém.

— Por telepatia? — o operador encarou a general, que entendeu a referência. — Órion está desaparecido há meses, não é possível...

— É melhor prevenir. Pode realmente não ser nada, mas se o novato se comunicou com Órion, a localização de Nova Kálope...

— Não precisa dizer mais nada. Traga o novato pra cá, eu mesma quero sondar a mente desse homem.

— Sim, senhora! — O operador solicitou, a um grupo de soldados, que Doraka fosse levado até à delegacia central.

Em sua casa provisória, Doraka meditava sobre a grama, no jardim. Ele abriu os olhos, quando sentiu a presença dos três soldados, que se aproximavam devagar.

— Vocês disseram que um carro viria em duas horas, ainda não me arrumei para a reunião.

— Mudança nos planos. Sua presença foi solicitada na delegacia. — O barkarian olhou para o comunicador em seu pulso, ele entendeu que seus sinais vitais estavam sendo monitorados, depois se levantou e encarou o soldado.

— Posso ao menos me trocar? — Doraka vestia um pijama, de tecido preto, leve.

— Não será necessário. — Os quatro seguiram para o carro.

Na delegacia, Doraka foi levado para o andar onde ficavam várias salas de monitoramento. A general o aguardava em uma sala cheia de equipamentos, destinados a interrogatórios com medidas mais invasivas. Ao entrar na sala, Doraka ficou tenso, pois sabia o que o aguardava.

— Não se preocupe, Doraka! — A general leu o nome na ficha do barkarian, em uma pequena tela holográfica. — Você está aqui porque percebemos algumas alterações no seu organismo, é só uma checagem de rotina.

— Minha saúde está muito bem, não vejo necessidade de...

— Sente-se, por favor! — Doraka entendeu que não adiantaria conversar, ele se moveu em direção à uma cadeira reclinável, acolchoada, e se sentou. Dois soldados o acomodaram, seus braços e pernas ficaram presos, por faixas de energia, e um medicamento foi aplicado em seu pescoço, através de uma injeção. O corpo do barkarian liberou uma quantidade de adrenalina, analisada como normal, pelo sistema, diante daquela situação.

Doraka resistiu bem, ao procedimento, até que a general descobriu que ele havia recebido treinamento militar. Ela enviou as informações para o operador, na sala de segurança, e em poucos minutos ele descobriu a verdadeira identidade do soldado desertor. A general entrou mais profundamente na mente de Doraka, então viu a pirâmide vermelha, da Fortaleza, local de treinamento dos rebeldes da GDM. Doraka gritou de dor, sua mente resistia à invasão e pedia por socorro, o que causou uma conexão involuntária com Órion. Ao constatar a falha na segurança de Nova Kálope, a general solicitou que todos os novatos, do grupo de Doraka, fossem detidos. A mente do soldado não aguentou a intensidade do procedimento e ele entrou em coma.

Urata andava pela vila, com os soldados que não foram aprovados para seguir até Nova Kálope, então, de repente, ela recebeu uma mensagem de Órion, por telepatia. O vidente estava desesperado.

Como assim, eles foram pegos?

Não há tempo para explicações, Urata, você precisa sair daí o mais rápido possível. Traga os soldados que estão com você, agora!

Não! Precisamos salvar...

Isso é uma ordem, não ouse desobedecer. Mais vidas serão comprometidas se você ficar. — Urata olhou para os soldados que a seguiam.

— Como eu gostaria de visitar o palácio do Comandante Supremo!

— O que aconteceu? — perguntou um soldado.

— Órion disse que eles foram pegos.

— O quê?

— Vocês precisam voltar pra Fortaleza, agora!

— Tá louca? Não vamos sem você. — Urata suspirou.

— Ok! Mas precisamos sair daqui, nossos rostos já devem estar rodando pelos sistemas de segurança.

— Temos treinamento de sobrevivência em desertos.

— Vamos pro meio do deserto, então. Lá poderemos pensar em alguma forma de resgatar o grupo — disse Urata. A pequena equipe seguiu para um carro alugado, que os deixou à beira do deserto.        

— Eles vão analisar as rotas do carro que alugamos. — Um dos soldados disse.

— Sim, mas não temos muita opção. Se pegarmos a Via Doloris, seremos presos em questão de minutos, ela é muito vigiada. — disse Urata. — Vamos deixar rastros confusos, isso pode nos dar um pouco de tempo.

— Sim, senhora!

 

Eles estão sob a liderança de Urata, uma general hibrida, da nave de Megara. Ela usou uma identidade falsa, de guia turístico. Sua última localização foi em uma vila, perto da Via Doloris. — Em uma tela holográfica, Tegara informou a Zuron, no Palácio.

— Hum! Devem estar no deserto, então. Obrigado! — O comandante desativou a pequena tela, em seu comunicador.

Zuron acionou o general responsável pela segurança em Gobi. Ele solicitou que drones fossem espalhados por toda a região, depois seguiu para a sala de reuniões, onde Tyran o esperava, junto de alguns generais.

— Então, eu não precisava me preocupar... — Tyran disse, enquanto Zuron se sentava, ao lado dele, na mesa.

— Está tudo sob controle.

— Claro! A GDM invade Nova Kálope e está tudo sob controle. — Zuron suspirou, de raiva. — Esse evento, pode ser o fim...

— Pode ser o fim da GDM.

— Agora se dá a delírios, caro Zuron?

— A equipe de invasores era liderada por Urata, e agora ela está acuada, no deserto, prestes a ser capturada. — Tyran ficou surpreso com a informação. — Com Urata como refém, você poderá...

— Xeque-mate! — Tyran sorriu, com satisfação. — Tendo Urata como refém, podemos tirar Megara de seu esconderijo.

— Sim, com certeza ela virá salvar sua amada.

— A sorte está do nosso lado, mas não pense que me esqueci que você falhou na segurança de Gobi. Quando aquela jovem apareceu com o Uirapuru no pescoço, eu disse que teríamos problema com a GDM, você ignorou o caso.

— Não ignorei, verifiquei o ocorrido, pessoalmente, e cuidei de isolar a jovem, mesmo após constatar que ela não tinha ligação com a GDM.

— Você ainda tem muito a aprender sobre esses rebeldes. — Zuron ficou sério. — Mas deixemos isso para outro momento, agora precisamos encontrar Urata o mais rápido possível.

 

Na Fortaleza, Órion marcou uma reunião de emergência com Adam e Alfai.

— Urata não virá. — Alfai afirmou.

— Eu sei, por isso chamei vocês aqui. Não quero tomar essa decisão sozinho.

— O que você pensa em fazer? — perguntou Adam.

— Pensei em enviar as tropas lideradas por Bruno, para resgatar o grupo de Urata.

— Em Nova Kálope?

— Não, os soldados que estão em Nova Kálope não podem ser resgatados, agora. Urata está no deserto, com um grupo pequeno, mas a segurança já foi acionada, em breve eles serão capturados.

— Você sabe o que penso, minha opinião não mudou.

— Qual a sua opinião, Alfai?

— Alfai acredita que devemos libertar Megara, agora. — Órion disse.

— Só faltam duas horas para o pôr do sol, se esperamos até aqui, não seria imprudente libertá-la agora?

— Foi o que tentei explicar.

— Vocês dois estão errados, mas são maioria. Já que não podemos enviar Megara, ao menos devemos resgatar Urata, ela é uma hibrida, o grupo precisa dela. — Alfai disse e foi até uma mesa, onde havia um jarro com água, ele encheu um copo com o líquido. — Envie às coordenadas para Alice e peça que se preparem para um combate de guerra. — Alfai bebeu a água e saiu da sala. Órion seguiu as instruções do líder da GDM.

Por FranHDC | 26/10/19 às 10:33 | Ação, Fantasia, Ficção Cientifica