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Capítulo 26 - O funeral

Fallen Angels (FA)

Capítulo 26 - O funeral

Enquanto os preparativos para a viagem de Órion e Alice eram feitos, Adam convenceu a todos de que seria melhor que o vidente barkarian informasse aos moradores da Fortaleza sobre a morte da comandante. Alfai não se opôs e Órion seguiria para a pirâmide amarela, onde aconteciam as principais reuniões coletivas. Todos foram convocados, enquanto Adam preparava o funeral de Megara.

— Qual é a história delas? — Rafael perguntou à Alice, enquanto os dois observavam, a certa distância, Urata arrumando as flores, ao redor de Megara, que estava em uma espécie de sarcófago.

— Elas eram grandes amigas, desde a infância, mas na adolescência, a amizade se transformou em paixão. Urata e Megara descobriram o amor, juntas, mas a cultura barkarian não permitia que duas pessoas criassem vínculos afetivos pra vida toda... — Rafael ficou confuso. — Eles não permitiam que duas pessoas assumissem um compromisso, como um namoro ou casamento, assim como fazemos, na Terra.

— Então não existiam famílias barkarians?

— Existiam, mas não com o conceito que conhecemos. Eles acreditavam que esse tipo de compromisso era egoísta e que enfraqueceria os membros da frota, ou seja, o compromisso de um barkarain era com todo o povo barkarian e não somente com poucos indivíduos.

— Ah! Entendi. Por isso elas...

— O amor delas era muito forte, isso incomodava os comandantes, que levaram suas reclamações ao antigo líder, anterior ao Tyran. Ele as chamou em sua sala, na nave principal da frota, e disse a elas que aquele amor não era proibido, mas que as duas deveriam encontrar outros parceiros, para que pudessem se desapagar uma da outra. Com o tempo, as duas foram se tornando adultas, vieram as obrigações da classe de cada uma e as missões foram tomando todo o tempo, mas Megara e Urata sempre encontravam uma forma de se ver. Quando Tyran assumiu a liderança dos barkarians, armou uma intriga que afastou as duas amantes, mas pelo visto, o amor que havia entre elas nunca morreu.

— E qual foi a intriga que Tyran armou pra elas?

— Como você sabe tudo isso? — Órion interrompeu a conversa, ao se aproximar.

— Eu... — Alice ficou pensativa.

— Foi Megara que te contou essa história?

— Não, eu... — Alice olhou, assustada, para Órion, que se concentrou, de olhos fechados.

— Você tem as lembranças de Megara... — O vidente colocou a mão sobre o peito de Alice. — É como se ela ainda vivesse, dentro de você! — Órion fechou os olhos, outra vez. — Posso sentir a essência dela, pulsando em cada célula do seu corpo. — Alice e Rafael ficaram assustados.

— Ei! — Alice deu um passo para trás. — Isso é impossível. — Órion abriu os olhos.

— Sim. É impossível...mas...

— Mas o quê? — perguntou Rafael.

— Não sei, acho melhor terminarmos tudo aqui, logo, e seguir para a nossa missão, na Ilha. — Órion olhou para o chão e seguiu para perto de Urata.

— Isso fica mais estranho a cada momento... — comentou Rafael.

— Desculpa, Rafa, vou pro quarto... não tô me sentindo muito bem.

— O que você tá sentindo? Precisa de alguma coisa?

— Não. E não se preocupe, só preciso descansar, um pouco. Diga a todos que não vou ao funeral.

— Tudo bem, qualquer coisa, me chama! — Alice fez um sinal positivo com a cabeça, sorriu e se afastou. Rafael recebeu uma mensagem em seu comunicador, a presença dele era solicitada no hangar.

A notícia da morte de Megara caiu como uma bomba atômica, na Fortaleza. Os principais generais barkarians queriam começar uma guerra contra Tyran, imediatamente. O prestígio de Órion, entre seu povo, diminuiu mais ainda, mas Urata apareceu e consegui convencê-los, através de um discurso emocionante, a seguir com o plano de resgatar a nave de Megara e só então declarar guerra. Quando questionada sobre as derrotas anteriores, Urata levitou alto, no salão, e quebrou uma vidraça, depois derrubou uma árvore ao longe, com um golpe de energia cósmica. Ela então contou que suas habilidades de comandante já haviam se manifestado e que agora ela os lideraria rumo à vitória. Resgatar a população da nave de Megara e matar Tyran se tornou uma questão pessoal para Urata e para todos os barkarians da resistência, esse foi o compromisso assumido por eles, no funeral da comandante Megara.

 Após o funeral, Alice, Órion e Rafael seguiram para o outro lado do portal. Na nave, o vidente se isolou em um quarto, para meditar e solicitar orientação aos Etéreos, enquanto Rafael e Alice conversavam na sala de comando.

— Me contaram sobre o discurso de Urata, eu teria chorado, se estivesse lá — comentou Alice.

— Foi emocionante, mesmo... — Rafael observou Alice, que desviou o olhar para o chão. — Ei! Parece que você tá se sentido culpada, por alguma coisa...

— Minha mente tá ficando um pouco confusa, é como se eu tivesse roubado a vida da Megara... — Alice olhou nos olhos de Rafael. — Ela achava que a gente era um casal.

— Você e Megara? — Alice riu.

— Não... Eu e você. — Rafael sorriu.

— Pensei que ela não gostava de mim.

— Ela te admirava, só te achava meio bobo. — Rafael ficou sério.

— Bobo, eu? — Alice riu.

— General! Vamos atravessar o portal. — Um dos operadores disse.

— Ok! Todos em seus lugares. — Todos, na sala de comando, se sentaram e acionaram o sistema de segurança em seus assentos. Alice aproveitou a deixa para interromper a conversa com Rafael. Três naves atravessaram o portal, rumo à Ilha de Marajó.

 

Em Gobi, a noite era enfeitada por fogos de artifício, que comemoravam a vitória do Comandante Supremo, sobre a GDM.

— Esses terráqueos são primitivos, mas são bem criativos! — Tyran olhava, admirado, para as formas coloridas e brilhantes no céu.

— Os prisioneiros já estão prontos para serem filmados pela equipe de TV. — comentou Zuron. Tyran o encarou.

— Até agora não vi você feliz, com as comemorações... parece até que desejava um resultado diferente.

— Pra mim essas coisas são indiferentes, como bem sabe.

— Cuide da equipe de TV, vou apreciar os fogos.

— Mas você fez questão de aparecer nessa matéria, pra que todos pudessem ver o Comandante Supremo tratando os inimig...

— Mudei de ideia, vá você mostrar os prisioneiros para os habitantes desse planeta e não se esqueça de enfatizar qual será o destino deles, para que não sirvam de inspiração aos insatisfeitos.

— Sim, Comandante Supremo. — Zuron disse e deixou Tyran na varanda de seu quarto, apreciando a comemoração de sua vitória sobre Megara.

 

Em Nova Kálope, a equipe da missão de Gobi aguardava por julgamento em uma cela especial, enquanto Doraka permanecia em coma. Todos estavam no prédio da delegacia.

Tegara, a prefeita da cidade, entrou no prédio sem precisar apresentar identificação e seguiu para o subsolo, onde estava a ala de celas especiais. Essa era uma área restrita, Tegara entrou no elevador e passou pelo sistema de biometria, para ter acesso aos andares inferiores.

Ao sair do elevador, a prefeita passou por uma recepção e duas portas de vidro transparente se abriram à frente dela, dando acesso a um largo corredor, por onde Tegara andou, imponente. O local era todo feito de metal, tanto o chão quanto as paredes, portas e o teto. Parecia a mesma ambientação de vários setores das naves barkarians. Tegara passou por várias portas, então parou diante de uma delas, que em segundos se abriu para que a prefeita pudesse entrar.

Após atravessar a porta, Tegara entrou em uma sala de estar, toda branca, e se sentou em um dos sofás. A porta de entrada se fechou e duas portas, ao fundo, se abriram. Os soldados ficaram receosos de passar por elas, mas Urana tomou à frente e seguiu até um dos sofás, de frente para Tegara, e se sentou também.

— Venham logo, não tenho o dia todo. — A prefeita disse e os soldados se aproximaram. — Embora considerados traidores, vocês ainda são cidadãos barkarians. Como prefeita desta cidade, preciso saber se vocês estão bem! — Os soldados se olharam. — Quero saber se estão sendo bem tratados, aqui na prisão.

— Agora sim, mas... — disse um dos soldados.

— O que farão com a gente, agora? — perguntou uma soldado. Tegara ignorou a pergunta e direcionou o olhar para a soldado, à sua frente.

— Urana, você é uma das líderes, dessa missão. Gostaria de ouvir a sua versão dos fatos. — Urana ficou intrigada.

— O que sei é o que está no relatório, Doraka foi pego enquanto conversava com Órion, por telepatia.

— Não há nenhum fato novo a acrescentar?

— Tirando as torturas às quais fomos submetidos, não.

— Ok! Vocês serão transferidos para o palácio do Comandante Supremo e lá ficarão com os demais soldados, que foram pegos na batalha que levou Megara à morte.

— O QUÊ? — Urana se levantou, atormentada. Os demais soldados se abalaram com a notícia, também.

— No palácio vocês receberão mais informações sobre isso. — Tegara se levantou. — Agora se preparem, pois os soldados chegarão em menos de meia hora, para levá-los. — A prefeita se aproximou de Urana.

— Doraka disse... — Tegara interrompeu Urana, segurando firme no braço da soldado, e sussurrou ao seu ouvido.

Quando chegar ao palácio, diga que está se sentindo mal... Dor de cabeça, náuseas, dor no corpo... — Urana ficou atenta. — Eles te levarão para a enfermaria, com receio de que seja algo contagioso. Lá, você receberá novas instruções. — As duas se encararam, como se estivessem com raiva, e Tegara soltou o braço de Urana, depois se aproximou da porta, que se abriu imediatamente para que ela pudesse sair da sala. Urana entendeu que aquela conversa deveria ser mantida em sigilo.

Ao chegar em casa, Tegara foi até seu escritório e fez uma ligação, com imagem holográfica, para Zuron.

Os prisioneiros já estão preparados, chegarão em aproximadamente vinte minutos. Eles não sabem que Doraka está vivo, é melhor que continuem assim.

— Tyran perguntou porque vocês não o mataram.

Ele é o único que sabe onde fica a Fortaleza, todos os outros guardam lembranças das construções e treinamentos, mas não sabem chegar lá, parece que os tripulantes das naves são adormecidos a certa distância, então não têm consciência da localização. Mas Doraka tem prestigio entre eles, alguns fragmentos de lembrança mostram que ele já pilotou naves rumo à Fortaleza, precisamos dessa informação, por isso ele ficará comigo, até que não seja mais útil e então Tyran poderá fazer o que quiser com o soldado.

— Certo! Vou manter Tyran informado. — Zuron desligou o comunicador.

Por FranHDC | 17/11/19 às 14:11 | Ação, Fantasia, Ficção Cientifica