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Capítulo 27 - Bárbara

Fallen Angels (FA)

Capítulo 27 - Bárbara

Enquanto as naves seguiam para a Ilha de Marajó, Rafael recebeu uma mensagem de um general da GDM. A velha esperava por eles em uma das células que ficavam perto da Ilha.

— Então, você acredita que se tornou um avatar para a essência de Megara? — A velha perguntou à Alice.

— Se isso significa incorporar a alma dela, sim.

— Isso seria impossível. Megara não era nenhuma divindade. A essência de um ser humano não pode ser incorporada por outro ser humano... Dizendo em uma linguagem que você talvez compreenda melhor, duas almas não podem ocupar o mesmo corpo, a Natureza não permite isso. A essência de Megara se desprendeu de sua antiga morada e agora já se fundiu ao oceano cósmico, novamente. Ela está totalmente inacessível, para nós.

— Então, o que aconteceu comigo?

— Você herdou a memória genética de Megara, ou seja, todo o processo evolutivo pelo qual todos os ancestrais da Megara passaram, assim como tudo que ela viveu, agora está registrado na memória de cada célula do seu corpo. — Alice ficou boquiaberta. — Isso é biológico e definitivo. Caso tenha um filho, algum dia, ele herdará esse DNA modificado.

— Você quer dizer então que agora sou uma híbrida?

— Exatamente isso. Claro que tive que filtrar algumas informações genéticas, já que vocês pertencem a raças diferentes, em processos evolutivos diferentes, mas seu DNA foi propício a essa experiência, não se perdeu muita coisa.

— Você fala em DNA e memória genética, mas o que fez foi usar a magia. O ritual que você descreveu...

— Você pode chamar de ciência, magia ou do que quiser, para o Cosmos isso pouco importa. Desde que você tenha o conhecimento necessário, os resultado será controlado e satisfatório. E dizendo isso, percebo que havia me esquecido de um detalhe importante... Você vai precisar passar por um treinamento, para utilizar a energia cósmica de forma apropriada. Órion vai cuidar disso, certo? — A velha olhou para o vidente.

— Claro!

— Se tenho as memórias de Megara, isso não será necessário...

— Esse conhecimento ainda funciona como flashes de lembrança, tudo está confuso, em sua mente. Você precisa passar pelo treinamento para trazer tudo isso para a consciência. Resumindo, seu corpo passou por um upgrade e sua mente por um update, agora precisa aprender a utilizar as novas funções.

— É engraçado, você misturar uma linguagem mística com uma linguagem científica... Qual é a sua história? — A mulher olhou para Alice, por um instante, como se fosse dizer: Não é da sua conta, mas acabou cedendo.

— Trabalhei com ciência e tecnologia por muitos anos. Um dia, a vida perdeu o sentido e me inscrevi em uma expedição que prometia uma viagem para viver uma experiência mística, na selva. Imaginei que fosse só um grupo de maconheiros, que iria se drogar na mata, aquilo já me parecia bom. Mas seguimos para a região do parque do Xingu. Alguns integrantes do grupo, deixou o guia e saiu em busca de aventura, fui com eles. Enquanto andávamos por uma trilha, em direção a um rio, me perdi na mata. Acabei chegando em uma pequena aldeia, meio isolada. Fiquei assustada, por causa de algumas histórias de hostilidades entre indígenas isolados e invasores, que ouvi, mas fui bem recebida pelo grupo. Eles me levaram para dentro de uma das casas, que eram só três, ao total. Dentro da casa, percebi que estavam no meio de um ritual. O pajé, que estava sentado, em transe, se levantou, quando entrei, e se aproximou de mim. Ele disse que fui escolhida pelos Espíritos e que eu deveria ser a guardiã de um conhecimento muito importante, pois o Equilíbrio dependeria dele. Levei uma baforada de fumaça na cara, do cachimbo do velho pajé, e desmaie. Quando acordei, o mundo já não era mais o mesmo, ou melhor, minha percepção da realidade havia mudado. Entendi que guardava em meu DNA uma ancestralidade poderosa. Voltei pra casa e tentei levar uma vida normal, mas comecei a ter experiências místicas. Os Espíritos passaram a guiar os meus passos. Seguindo a cartilha dos Espíritos, conheci um homem incrível. Nos apaixonamos e do nosso amor nasceu Cláudio, pai de Alfai. Após o nascimento de Cláudio, os Espíritos me deixaram em paz. Criamos nosso filho com muito amor e rodeado por muito conhecimento, mas ele não havia demonstrado aptidão para assimilar o Conhecimento do Cosmos, então Cláudio seguiu o caminho que trilhei na ciência e na tecnologia. Mas Alfai, desde criança, tinha sonhos inspirados pelos Espíritos. Tentei guia-lo, mas o ceticismo de Cláudio o fazia me ver como uma velha louca e ele me afastou do menino. Nesse tempo, meus dons se tornaram mais intensos e os Espíritos me guiaram até um lugar na mata, na Ilha. Lá, construí minha casa e então começou o meu período de reclusão. Basicamente é isso.

— Então, todo o conhecimento que recebeu foi através dos Etéreos... — constatou Órion.

— Sim. Tudo veio deles.

— Bárbara, você acredita que existem outros humanos, com esse conhecimento, aqui na Terra?

— Não, que eu saiba. Você é um vidente barkarian, pode acessar os Arquivos para buscar essa informação.

— Tenho atravessado um período difícil... até acessar os Arquivos se tornou uma tarefa frustrante. — Órion ficou desolado.

— Seu único problema é falta de autoconfiança. Enquanto duvidar de si mesmo, até sua intuição será confusa e imprecisa. — O vidente ficou pensativo. — Acho melhor levar Alice para a minha casa, na Ilha. Posso ajudá-la nessa primeira fase. Depois ela estará sob sua responsabilidade, Órion.

— Que assim seja, então!

 

Na enfermaria do Palácio, após seguir a orientação que recebeu em Nova Kálope, Urana aguardava pelo médico de plantão, depois de ser atendida por um enfermeiro. A soldado estava meio sonolenta, por causa de uma medicação que foi aplicada, nela.

— Então, temos um caso de quarentena, aqui? — O médico disse, sorrindo, ao se aproximar de Urana.

— Um médico barkarian... o que aconteceu com os nossos curandeiros?

— Você será levada para a sala de isolamento, lá estará segura, até que chegue o resgate. — O médico disse ao ouvido de Urana.

— E os outros?

— O resgate virá para todos vocês, não se preocupe. Agora durma! — O médico aplicou uma injeção no braço de Urana, que adormeceu em seguida.

 

Uma forte explosão foi ouvida em todos os andares inferiores da delegacia, em Nova Kálope. A equipe de segurança foi acionada e o sistema de incêndio se tornou operante. No andar da enfermaria, havia muita correria, entre os destroços, causados pela explosão.

Na confusão, ninguém viu um soldado barkarian, trocando de roupa com um funcionário do setor. Por causa do incêndio, as saídas de emergência foram liberadas e Doraka teve acesso aos elevadores, livremente. Ao chegar no térreo, todo o prédio estava sendo evacuado, foi fácil sair no meio da multidão, com sua roupa de enfermeiro.

A fuga do soldado barkarian foi arquitetada por Tegara. Quando o barkarian acordou do coma, a prefeita estava ao lado dele e então os dois combinaram a farsa. Com a solicitação de Tegara, Doraka foi transferido para a enfermaria e ela introduziu dados falsos, na máquina que monitorava o coma. O barkarian teve tempo para se recuperar e colocar em prática a sua fuga.

Fora da delegacia, do outro lado da rua, um veículo vermelho esperava por Doraka.

— Como vou sair daqui, agora? — Tegara sorriu.

— No banco de trás há algumas roupas e uma mochila, com pertences pessoais, simulando uma bagagem para dois dias, no Palácio. Há também documentos falsos, que você usará, para pegar o trem. Você deverá entrar no terceiro vagão, um dos nossos irá te abordar e te orientará sobre os próximos passos.

— Se me pegarem, você...

— Não se preocupe, ninguém vai te pegar. Mas, caso aconteça, tenho formas de me proteger. Agora vamos, pois daqui a pouco a segurança será reforçada, nos trens.

O veículo vermelho levitou e seguiu apressado, pelo ar, para a entrada da cidade.

 

— Esse será o seu quarto, fique à vontade. — Bárbara abriu a porta de um quarto simples, mas bem confortável. Alice se aproximou da porta.

— Por que você fez isso? — Alice olhou nos olhos de Bárbara.

— Hum! Entre... — As duas entraram no quarto e se sentaram sobre a cama. — Megara tinha a missão de libertar a Terra da tirania de seu comandante, a saber, Tyran. Mas ela falhou. As escolhas feitas por Megara a levaram ao fim trágico que ela teve. Eu já sabia que isso poderia acontecer, mas minha missão era garantir o equilíbrio, por isso já havia me preparado para essa tragédia. O amuleto que entreguei à Megara, a protegia dos comandantes barkarians, mas também absorvia sua memória genética. Foi um equipamento que desenvolvi, com base em um conhecimento profundo sobre a essência da matéria. O ritual foi uma forma de solicitar a ajuda dos Espíritos, ou Etéreos, como os barkarians dizem. Ativei o amuleto de Megara através da outra parte, que guardei comigo e os Espíritos cuidaram para que você recebesse toda aquela informação.  

— E se eu não estivesse perto dela, na hora do ritual?

— Os Espíritos sabem tudo, foram eles que me alertaram que já era a hora e foram eles que te escolheram e fizeram essa tatuagem no seu peito. Essa á a marca de uma nova linhagem, somente os seus descendentes terão uma ligação psíquica com você, assim como os comandantes barkarians têm entre si.

— Então não vou precisar usar um amuleto?

— Não.

— E... — A velha se levantou.

— E agora você vai dormir e me deixar descansar. Amanhã teremos um dia longo, pela frente. — Bárbara saiu do quarto. —Tem comida na cozinha, fique à vontade! — A velha gritou, já a certa distância.

Alice foi até a cozinha e tomou um copo de leite, depois tomou um banho e foi se deitar. Enquanto pensava sobre sua nova condição, ela recebeu uma mensagem de Rafael, em seu comunicador.

Boa noite, nova Alice! — Alice sorriu.

— É um bobo, mesmo!



FIM DO VOLUME 2

BOAS FESTAS!!! 

ATÉ 2020 ;)

Por FranHDC | 30/11/19 às 22:35 | Ação, Fantasia, Ficção Cientifica