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Capítulo 5.2 - O deus Tyran

Fallen Angels (FA)

Capítulo 5.2 - O deus Tyran

A notícia de que a tentativa de fuga de Megara foi frustrada, chegou até Utar, na órbita da Terra. Isso aumentou a ira do comandante, que logo preparou uma ofensiva contra Tyran. Ele reuniu os generais de sua nave e os da nave de Drockar, que ficaram sob seu comando, mas alguns barkarians de olhos zaruk, da nave de Drockar, começaram uma rebelião. O motivo: eles não aceitavam a liderança de Utar.

— Sou Murak. Represento a classe de comandantes da nave de Drockar. Vim reivindicar o que é nosso, por direito. — O homem disse, diante de Utar, em uma assembleia solicitada pela população da nave de Drockar.

— E o que seria, nobre comandante?

— Queremos escolher nosso novo comandante. Como Drockar se desprendeu de sua forma material, cabe à classe de comandantes escolher quem ficará no lugar dele.

— Hum! Isso é justo, caro Murak, mas não temos tempo pra isso, agora. Precisamos nos unir, o mais rápido possível, para pôr fim à loucura de Tyran, que está dividindo o nosso povo e desequilibrando a harmonia do Cosmos.

— Sabemos disso, nobre Utar, mas nossa nave precisa de um líder próprio. Nossa cultura exige isso.

— Pois bem. Vamos até a sua nave resolver isso, agora.

Utar foi até a nave de Drockar. Todas as pessoas de olhos zaruk, das duas naves, se reuniram na sala de reuniões. Para ganhar tempo, Utar sugeriu que Murak fosse o novo comandante da nave, alegando que ele já demonstrou grande espírito de liderança, indo até ele, representar os interesses da população da nave. Somente Zarana foi contra e solicitou a disputa até a morte, mas Utar a convenceu de que não teriam tempo para isso, já que havia uma guerra a ser vencida, imediatamente. Zarana reconheceu que o interesse da maioria se sobressaia aos interesses pessoais, então todos aceitaram Murak como o sucessor de Drockar.

Após resolvido o contratempo, Utar retornou para sua nave e, junto com Murak, as ordens foram dadas aos generais, que seguiram com seus exércitos para atacar Tyran, na Terra.

— Comandante, todas as naves já estão a postos. — Um general disse, após receber a confirmação das naves, que se preparavam para deixar a nave mãe de Murak, em direção à Terra. Murak e o general andavam por um largo corredor, que seguia para o porto da nave de Utar.

— Ótimo! Hoje Tyran receberá o castigo que merece. Quero ver a luz dos olhos dele se apagando, enquanto estrangulo aquele maldito. — O comandante disse, com muito ódio.

— Isso, se Utar deixar algum pedaço do Tyran para... — Murak olhou para o general, com expressão assustadora. — Me desculpe, senhor. — Os dois seguiram para a nave de guerra do comandante. A nave de guerra de Utar já estava liderando as demais naves, a caminho da Terra.

Ao contrário da maioria dos comandantes, que usavam uma vasta cabeleira, Murak gostava de raspar a cabeça. Seus olhos zaruk se destacavam em meio às suas sobrancelhas ruivas, ralas, que contrastavam com a barba cheia, também ruiva, que ele usava com tranças e pequenos acessórios. O comandante tinha dois metros de altura, voz tonante e muitos músculos. Nas batalhas em solo, seus gritos já eram suficientes para assustar muitos inimigos, por isso Drockar o colocava sempre na linha de frente.

Quando Utar entrou na atmosfera da Terra, as defesas de Tyran anunciaram o ataque iminente. Ao comando de Tyran, várias tropas se movimentaram para destruir o inimigo.

Uma grande guerra pôde ser vista no céu. Os terráqueos ficaram apavorados, pois nunca haviam presenciado algo do tipo. Muitas luzes explodiam entre as nuvens, em pleno dia, e naves caíam como uma chuva mortal. O combate aconteceu no hemisfério norte, sobre regiões do Canadá, EUA, Oceano Atlântico, Groelândia e sobre a Inglaterra. Quando Tyran imaginava ter a vantagem da situação, as tropas lideradas por Murak surgiram, derrubando diversas naves aliadas do novo rei terráqueo.

— Hahahaha... morram, seus traidores. — Murak comemorava, em sua nave, enquanto naves aliadas de Tyran explodiam no ar.

Ao ver a nave de Utar perseguir um pequeno grupo de naves, Murak ampliou o sinal e viu que se tratava de Tyran, batendo em retirada.

— Vamos atrás do olhos puxados. — Tyran disse.

— Mas estamos em vantagem, se retirarmos as tropas agora... — Murak interrompeu o general.

— Assuma as tropas, vou em uma das naves unitárias, de ataque.

Murak partiu em uma pequena nave, munida de potentes canhões a laser. Ele ultrapassou a nave de Utar e abateu três das naves que faziam escolta à nave de Tyran.

— Uma das naves de Murak está derrubando a esquadra de Tyran — disse uma das generais de Utar.

— Não, é o próprio Murak. Se ele pensa que vai destruir Tyran sozinho, está muito enganado. — Utar assumiu os controles principais da nave e acertou a nave de Tyran, que girou no ar, antes de cair sobre uma região deserta da Groelândia. Utar entregou sua nave aos cuidados da general que o acompanhava e desceu, em uma nave unitária, atrás de Murak, com a cobertura de sua nave principal, que abateu as naves de escolta.

Antes que a nave explodisse, sobre o gelo, Tyran conseguiu fugir em um veículo de carga, terrestre. Murak viu o momento em que o comandante deixou a nave.

— Hoje você se desprende de sua forma material, seu maldito! — Murak disse, sorrindo, enquanto atirava no veículo de Tyran.

O veículo conseguiu se desviar dos ataques de Murak, mas quando Utar se juntou a ele, Tyran não teve chance. O veículo foi atingido e girou, sobre o chão coberto de neve. Murak e Utar pousaram suas naves, pois, graças à comunicação psíquica que mantinham com todos de sua classe, eles sabiam que Tyran ainda estava vivo.

— Não se atreva, Murak, Tyran é meu. — Utar disse ao gigante ruivo, com voz firme. Os dois andavam sobre a neve, como dois monstros, prontos para devorar sua presa. Murak não respondeu, somente encarou Utar, com sua face ameaçadora.

Ao se aproximarem do veículo, Utar seguiu em direção à porta traseira, para abri-la, mas uma explosão o jogou longe, Tyran saiu como um foguete e se elevou o mais alto que pôde, no ar. Murak subiu alto, deixando um buraco no chão, onde pisava.

— Isso mesmo, fuja, seu COVARDE! — A provocação de Murak atingiu o ego do comandante de olhos puxados. Tyran parou, no ar, e aguardou seu oponente. Murak parou, a certa distância. — Hum! Então você aceita lutar comigo?

— Quanta arrogância para um novato. Você herdou a nave de Drockar, Murak, mas não herdou as habilidades de seu antigo líder. — Tyran sorriu, de forma sarcástica, e Murak gritou de ódio, criando uma onda de energia violenta ao seu redor, que gerou uma forte ventania. Nesse momento, Utar se aproximava e foi pego de surpresa, sendo jogado para longe. Tyran se protegeu com um campo de energia, ao redor de seu corpo.

— Ahhhhhhhhhhh! Maldito! — Murak atacou com muito ódio, acertando o peito de Tyran com uma rajada de energia cósmica, isso interrompeu o campo que protegia Tyran.

O comandante de cabelos negros se irritou e os dois oponentes se chocaram no ar. Tyran acertou o fígado de Murak com um soco e se desviou de um soco que levaria no rosto. O comandante ruivo cuspiu muito sangue. Tyran deu um soco no queixo do gigante, que o jogou contra uma montanha de rocha escura, coberta de gelo, mas não teve tempo para comemorar, pois Utar o acertou com um soco na cabeça e depois foi jogado no solo, com um ataque de energia.

Utar desceu em direção ao comandante desmaiado no chão. Enquanto ele andava até o oponente abatido, Tyran começou a despertar, mas ainda estava confuso e a imagem dos dois comandantes se misturavam à sua frente. Utar, assim como Murak, também era ruivo, mas tinha longos cabelos, que ele usava no que vocês chamam de estilo viking, o queixo quadrado e era um pouco mais baixo que o herdeiro de Drokar.

— Você poderia ter entrado para a História como um grande comandante, Tyran... — Utar disse, enquanto se defendia de um golpe fraco, de energia. — Mas escolheu morrer como um verme. — Utar jogou um raio, que cortou o braço esquerdo de Tyran, mas que também recarregou a energia do comandante; depois ele correu, para pegar impulso, então gritou e saltou sobre seu oponente, para dar o golpe final, mas o comandante de olhos puxados, mesmo sentindo muita dor, sorriu e se movimentou muito rápido, se livrando do ataque. Quando Utar deu um soco muito forte no chão, com as duas mãos, Tyran o acertou pelas costas, com uma rajada, muito forte, de energia. O corpo de Utar afundou a vários metros de profundidade, abaixo do gelo e do solo escuro, e ele perdeu a consciência. Ao ver naves da frota de Utar se aproximando, Tyran subiu alto e desapareceu no céu.

 

— Tragam uma escavadeira — disse a general de Utar, no comunicador em seu braço, olhando para o buraco profundo, à sua frente.

— Veja, general! — Um soldado disse, enquanto ajudava outros cinco soldados a arrastarem o corpo de Murak. Os soldados deixaram o comandante perto da general.

— Hum... ele se foi. Preparem o corpo para ser entregue à nave dele. — A general disse, após avaliar os sintais vitais do comandante ruivo. As tropas bateram em retirada, pois forças aliadas, terráqueas, estavam se juntando às tropas de Tyran.

Utar foi resgatado com vida e levado para sua nave mãe. Quando retomou a consciência, Utar convocou uma reunião com seus principais generais. Zarana, agora comandante da nave de Murak, compareceu também, acompanhada de seus generais mais experientes. O grupo decidiu deixar a órbita da Terra, para reunir aliados e se vingar, no futuro. Utar enviou uma mensagem a Tyran, avisando que o povo barkarian vingaria todo o mal causado por ele, mesmo que toda a Terra fosse destruída, caso necessário.

Após ser resgatado no ar, por suas tropas, Tyran foi levado até sua nave mãe e teve seu braço reconstituído. Ele solicitou que a mensagem de despedida de Utar fosse editada, mantendo e enfatizando a promessa de vingança, que incluía a destruição do planeta Terra. Assim, Tyran permaneceu na Terra como um deus, temido e adorado pela maioria de seus fiéis. Ele prometeu defender o planeta, mas exigiu total submissão dos terráqueos.

Por FranHDC | 05/05/19 às 12:36 | Ação, Fantasia, Ficção Cientifica