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Capítulo 6.1 - Olhos negros

Fallen Angels (FA)

Capítulo 6.1 - Olhos negros

Quando acordei, na praia, a velha estava me olhando, meio sem paciência.

— Se levante, não tenho forças pra carregar você — disse a velha, em tom ranzinza. Me levantei e percebi que havia um amuleto no meu pescoço, em formato de jacaré.

— O que é isso?

— Proteção. Com ele o seu povo não vai conseguir te encontrar.

O amuleto que a velha me deu, que uso até hoje, bloqueia a conexão psíquica que tenho com os barkarians de olhos zaruk. Isso me deixa imperceptível pra eles, o que os levou a crer, por um tempo, que eu havia morrido no rio Amazonas.

A velha me levou para a casa dela e lá me deu roupas terráqueas, cortou os meus cabelos e me entregou um par de lentes de contato pretas, para que a população não identificasse a minha origem barkarian, já que no meu povo ninguém nasce com olhos negros.

À noite, a velha fez uma fogueira em seu quintal, que se encontra com uma mata densa. Nessa fogueira ela assou uns peixes, para o jantar, e me contou algumas histórias antigas.

— Vários povos foram massacrados, por aqui, devido à ignorância humana. Muitos de nós desconhecem o significado da palavra respeito e não sabem que toda ação reverbera por todo o Cosmos e gera consequências, muitas vezes desastrosas.

— A lei básica de causa e efeito.

— Sim. — Fiquei pensativa.

— Não sei como não percebemos que Tyran era um líder tão imaturo.

— Ele sempre era submisso às decisões da maioria. Vocês viam isso como um sinal de sabedoria, mas, na verdade, ele era um fraco. Tinha medo de ser deposto, por isso falava pouco e se deixava levar.

— Como você sabe dessas coisas? Como sabia que eu estaria na praia, naquele exato momento?

— Há algumas noites, enquanto adormecia, os Espíritos vieram me buscar e me levaram pelo Cosmos. Eles me mostraram tudo que eu precisava saber sobre vocês e me disseram que minha missão era ser sua guia, neste planeta.

— Sua consciência se conectou com os Etéreos?

— Sim. — A velha se levantou, deixou o prato com as espinhas de peixe sobre uma pedra e foi para dentro da casa. Esperei um pouco, depois olhei para o alto, para o céu estrelado e, antes que eu me levantasse, a velha retornou, com um livro. — Tome, este livro deve ser lido por você. Ele conta a história da GDM, a Guerrilha dos Muras.

— E o que é isso? — perguntei, enquanto pegava o livro da mão da velha.

— O povo Mura habitou o Brasil em tempos antigos e foi um povo que representou a resistência, contra a invasão europeia. Inspirado por esse povo, e guiado pelos Espíritos, um homem recriou a Guerrilha dos Muras. Ele conquistou muitos adeptos, muitos soldados, para a sua causa, mas não lhes contou quem realmente seria o inimigo a ser combatido.

— Por quê?

­— Porque ele seria chamado de louco, afinal, antes de vocês chegarem aqui, quem acreditaria que seríamos vítimas de uma conspiração alienígena?

— Entendi. Então os Etéreos já sabiam o que iria acontecer com a gente.

— Sim, eles sabem tudo sobre o passado, o presente e o futuro, no Cosmos, mas pela natureza deles, não podem intrometer diretamente, então eles nos guiam em nossas escolhas, para garantir o equilíbrio.

— E o que devo fazer, agora?

— Agora você deve dormir e descansar. Amanhã você deverá procurar por Alfai, o homem que criou a GDM.

— E onde posso encontrá-lo?

— Ninguém sabe. Geralmente é ele que encontra as pessoas. — A velha viu minha expressão de decepção. — Mas você é uma barkarian, use sua intuição, acesse os arquivos cósmicos e siga o caminho indicado por eles.

— E por que devo procurar por esse tal de Alfai?

— Ele é o único que poderá te ajudar a vencer Tyran.

No dia seguinte, acordei bem cedo, meditei entre as árvores da mata, sob os raios do sol, então encontrei um caminho a seguir. Me despedi da velha e fui para a cidade, onde convenci um homem a me dar um barco, que me levou para o outro lado do rio. Foram meses, andando de um canto a outro, até encontrar a GDM. Nesse tempo, ninguém me reconheceu como uma barkarian, graças ao olhos negros, presente da velha.

Por FranHDC | 12/05/19 às 10:17 | Ação, Fantasia, Ficção Cientifica