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Capítulo 6.2 - Alfai

Fallen Angels (FA)

Capítulo 6.2 - Alfai

Não foi fácil encontrar a GDM. Em poucos meses, Tyran já era o senhor absoluto da Terra, governando todo o planeta de forma autoritária. Os Anjos Caídos, ou seja, os barkarians rebeldes, eram punidos com a morte, sem julgamento, e os terráqueos que não aceitavam a nova condição eram transformados em escravos, quando não eram assassinados. A maioria acreditava que Tyran era, de fato, um salvador e por isso discriminava quem duvidada dessa narrativa, que era considerado um herege.

Com essa coisa de herege, a própria população já mantinha o controle social necessário para que Tyran governasse, mas ainda existiam os chips, implantados em todos os terráqueos, tecnologia que eles mesmos criaram, para atender aos planos de dominação mundial que alguns grupos seguiam, antes da nossa chegada. Tyran aproveitou isso, o que garantiu a ele a paz necessária nos primeiros meses do seu reinado.

Como ainda não conheciam bem o inimigo, os membros da GDM se infiltraram no meio da população comum, alguns serviram à Polícia Sem Fronteiras, nova força policial, criada por Tyran. Esses soldados eram responsáveis por vigiar e manter a ordem entre os terráqueos e, na PSF, muitos membros da GDM aprenderam muito sobre os barkarians, já que eram seus superiores nesse grupo militar.

Dispersados e misturados entre a população comum, era quase impossível encontrar um membro da GDM, até que os meses se passaram e as células começaram a se organizar, novamente.

Conheci o primeiro Mura em um combate, no centro de Brasília. Soldados da PSF tentavam matar um grupo de rebeldes, que queria explodir a Esplanada dos Ministérios, um dos atos terroristas organizados pela GDM, mas que foi frustrado por causa do Órion, que previu o ataque.

Alguns rebeldes foram mortos, mas a maioria conseguir fugir, quando entrei em combate. Cinco deles permaneceram comigo. Achei estranho quando uma jovem ruiva, entre os rebeldes, me impediu de matar um rapaz, da PSF, só depois descobri que ele era um dos rebeldes infiltrados.

O grupo me levou para um esconderijo improvisado, em uma mata. Depois seguimos para Belo Horizonte, onde estava o QG. Lá, conheci o Bruno, líder da célula e, meses depois, conheci a Alice e o Rafael, o soldado que quase matei em Brasília, os dois trabalharam na PSF por um tempo, mas depois retornaram para sua célula, assim como os demais.

Quando Bruno sentiu que poderia confiar em mim, finalmente, conheci Alfai, um homem sério, forte e muito belo. Um típico brasileiro, mestiço de pele morena. Quando me viu pela primeira vez, não disse nada, me olhou por um instante, depois me deu um longo abraço e suspirou profundamente, então fomos para a sala de reuniões dele, na Fortaleza; um lugar impossível de ser localizado.

— Sente-se! — Alfai se sentou em um sofá, me sentei do lado dele. — Há muito tempo recebi essa missão, e não foi fácil chegar até aqui. Depois que o governo de Tyran se estabeleceu, confesso que tive medo que você estivesse morta.

— A velha, na ilha do Amazonas, me disse que os Etéreos conversaram com ela e que você seria o único que poderia me ajudar a vencer Tyran, pensei que os Etéreos estivessem guiando você.

— A Ilha de Marajó! Tenho saudades de lá. — Percebi que Alfai tinha uma relação próxima com a velha, mas não o interrompi. — Os Espíritos, os Etéreos, como você diz, me preparam pra essa missão, mas foram bem claros ao afirmar que o karma seguia seu curso, mas o desenrolar dos fatos dependeria das escolhas de cada um. Por causa do livre arbítrio, o futuro nunca é estável. Existem infinitas variáveis que definem o futuro, por isso uma previsão nunca será exata.

— Bem, estou aqui, o que esperam de mim?

— Precisamos deter Tyran, libertar a Terra e os barkarians.

— Pode contar comigo, mas Tyran é meu. E também vou precisar da ajuda de vocês.

— Sua nave...

— Sim, preciso ter minha nave de volta e salvar minha tripulação.

— Pelo que vi, suas naves funcionam como grandes cidades, que viajam pelo Espaço.

— Sim, e cada comandante é responsável por essa população. Tenho certeza que ninguém na minha nave seria capaz de apoiar Tyran, por isso preciso salvá-los, pois não sei por quanto tempo ele vai garantir a sobrevivência deles, para manter as aparências entre o nosso povo. Por enquanto Tyran só mata barkarians acusados de traição, mas minha tripulação jamais irá se ajoelhar diante dele, temo que ele use isso para justificar uma dizimação.

— Podemos te ajudar com isso, mas ainda há um problema.

— Utar?

— Sim. Ele prometeu destruir a Terra.

— Tenho certeza que isso foi mais uma das mentiras de Tyran... E não se preocupe, Utar é uma pessoa sensata, se eu conseguir contato com ele, garanto que virá para nos ajudar.

— Isso seria muito bom! Do que você precisa, pra entrar em contato com ele?

— Vou precisar de Órion, o vidente.

— Onde ele está?

— Na nave de Tyran.

Por FranHDC | 12/05/19 às 10:18 | Ação, Fantasia, Ficção Cientifica