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Capítulo 2.5 - Nosso amor será eterno

Habitantes do Cosmos (HDC)

Capítulo 2.5 - Nosso amor será eterno

Autor: Francélia Pereira

Os dias vão passando e a paixão entre Artemísia e Arûara só aumenta. Os treinos no pátio estavam cheios de risos e brincadeiras; Maya já não os acompanhava mais. Artemísia vivia uma felicidade que jamais imaginou existir, ainda mais para ela. Às vezes Arûara se preocupava, pois sabia que seu caminho era solitário, paixão era algo que não condizia com a vida de um sábio, pois facilmente poderia confundir sua mente e atrasar sua jornada. Mas ele precisava de Artemísia naquele momento e vê-la feliz era fundamental, por isso não lutou contra seus sentimentos.

 

Artemísia e Alcmeão agora formam uma dupla invencível entre os discípulos de Arûara. Os dois se tornaram uma referência para os demais. Enquanto eles treinam no pátio, Maya conversa com Arûara, no alto da sacada.

— Sua namorada está com um brilho intenso. Se continuar assim, em breve você terá dificuldade em controlá-la.

— Não preciso controlá-la... e ela precisava se abrir.

— Parabéns, meu irmão; quando a conheci, duvidei que você teria sucesso em conquistá-la.

— Nada é mais forte que o destino; conquistar Artemísia só me deixa mais confiante quanto à minha meta.

— Lembre-se que agora está sozinho. Quando sua princesa ficar fora de controle, não conte comigo... — Maya fala com a mão sobre o ombro do irmão, depois sai. Arûara continua observando a guerreira treinando, com um olhar orgulhoso.

 

O sol nasce trazendo uma manhã agradável. Os discípulos do templo são dispensados de suas obrigações. Sem ter que se preocupar com as lições, muitos resolvem visitar conhecidos ou buscar algum tipo de aventura. Artemísia decide ficar para aproveitar a companhia do mestre.

Entre beijos apaixonados, Arûara revela alguns segredos à guerreira, mas sempre foge do assunto quando ela pergunta sobre o Muiraquitã.

— Sei que você tem muitas perguntas, mas elas podem esperar... — Mestre e discípula conversam em um corredor. — Hoje o dia é só nosso, minha bela guerreira. — Arûara dá um longo beijo na venusiana.

— Você tem razão. — Artemísia empurra Arûara contra a parede e o beija de volta, pressionando seu corpo contra o dele. O dia passa rápido.

A noite chega, e quando ela se torna mais escura, a guerreira vai dormir. Arûara segue para a sala do Muiraquitã. Dois homens do templo do Sol esperam por ele. Diante do Muiraquitã, os três começam uma espécie de cerimônia, a energia gerada por eles perturba o sono de Artemísia, que se levanta e segue em direção ao pátio, onde fica a sala onde Arûara participa do ritual.

A guerreira chega até a porta, mas não entra. Ela vê os três homens, em transe, ao redor do Muiraquitã. O mais velho olha para ela.

— Sua curiosidade lhe trouxe até aqui. Espero que tenha sabedoria suficiente para compreender o que está por vir ou, do contrário, trevas tomarão conta do seu coração. Agora que veio até a porta, entre. — Um arrepio toma conta do corpo de Artemísia. Ela quase ouve uma voz dizendo, “vá embora”, mas como se estivesse hipnotizada, a guerreira segue até o Muiraquitã.

Aruâra solta a mão do homem à sua esquerda e a estende para Artemísia.

— Venha... agora você conhecerá o meu maior segredo. — A venusiana, ainda vacilando, pega a mão de seu mestre.

Agora os quatro estão de mãos dadas ao redor do Muiraquitã, que começa a brilhar intensamente. Artemísia entra em transe e uma história ancestral é contada em sua mente, enquanto os homens sussurram uma espécie de mantra.

A guerreira abre os olhos. Os homens se calam e olham para ela.

— O Muiraquitã Original está na Lua. — Artemísia diz. Os homens se olham sorrindo. O mais velho olha para Arûara.

— Ela realmente é descendente das Icamiabas. — Arûara fica apreensivo.

Aquele simples ritual despertou em Artemísia um poder antigo, adormecido em seu DNA. Esse poder foi o que lhe permitiu conhecer a história de suas ancestrais, as Icamiabas, e descobrir onde poderia encontrar a pedra de Îasy. Ela agora sabe de toda a história. Sabe que o Muiraquitã Original garantiria, a quem o encontrasse, o dom da eternidade. Artemísia começa a desconfiar dos homens que estão na sala.

— É isso que vocês buscam... a eternidade? — Os velhos se olham.

— Não, minha jovem. Já somos velhos demais para sonhar com a eternidade dessas carcaças que vestimos. E não acreditamos na morte, da forma como a maioria a vê. Acreditamos em transformação. — Artemísia fica confusa.

— Então o que buscam na pedra de Îasy?

— Somos seus guardiões. Mas nossa seita já não atrai os mais jovens, precisávamos de alguém que pudesse continuar nosso trabalho. Encontramos esse alguém em Arûara, mas ele também um dia se tornará um velho.

— Por isso precisamos da pedra. Eu me sacrificaria e me tornaria um imortal para guardar os segredos de Îasy e das Icamiabas... assim, quando surgir uma nova geração de guardiões, poderei instruí-los.

— E por que vocês não sabiam do paradeiro da pedra?

— Somente uma das filhas de Îasy tem permissão para adquirir tal informação. Há muito tempo tentamos encontrar uma descendente das Icamiabas, mas sempre fracassamos. — O ancião diz. Artemísia olha magoada para Arûara. Ele percebe.

— Por favor, nobres sábios, preciso ficar a sós com Artemísia. — Os velhos saem sem questionar.

— Você me usou. — A guerreira fala, cheia de mágoa. Arûara se aproxima e pega na mão dela. O olhar dele é apaixonado.

— Não, minha linda. Jamais faria isso com você.

— O tempo todo você sabia que eu poderia ser uma descendente das Icamiabas... Por isso disse que eu era especial. Você só queria mesmo é encontrar a pedra e se tornar imortal. — Arûara suspira profundamente, depois sorri de forma serena.

— Artemísia... Meu amor! Não vê o futuro que nos espera?

— Futuro... Que futuro?

— Você é uma descendente das Icamiabas... todos os segredos de Îasy serão revelados a você. Quando encontrarmos o Muiraquitã Original, você será uma divindade e eu serei para sempre o seu protetor. Nosso amor será imortal. — Arûara fala, enquanto acaricia a face de Artemísia. A voz dele a hipnotiza, mas a mente dela luta contra aquilo que seu coração quer acreditar. A guerreira deixa que Arûara a abrace. Ela sente o calor do corpo dele contra o dela, mas sua intuição ainda não a deixa acreditar totalmente nas palavras de seu amado. Os velhos entram.

— Não temos muito tempo. Agora que a localização da pedra foi revelada, os testes devem começar imediatamente.

— Deixem que Artemísia descanse, hoje. Amanhã iremos até o templo do Sol. — Arûara diz, o ancião concorda.

Os velhos se despedem. Artemísia vai para o quarto, Arûara a acompanha.

— Dormirei com você essa noite.

— Não precisa. — Arûara se aproxima e segura o rosto da guerreira, com muito carinho.

— Preciso sentir o calor do seu corpo. Preciso sentir que você não me deixará sozinho. Preciso de você, da sua companhia. — Artemísia cede e deixa que Arûara durma ao seu lado, mas ela não adormece, passa a noite olhando para o mestre e tentando se livrar da sensação desagradável de desconfiança que agora tomou conta do seu coração.

— A Natureza nos testa a todo momento. Como tanta beleza pode guardar em si uma essência tão perigosa? — Artemísia pensa alto, enquanto observa seu amado, que dorme tranquilamente.

Por FranHDC | 05/02/18 às 12:59 | Brasileira, Ação, Aventura, Fantasia, Protagonismo Feminino