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Capítulo 3.2 - O despertar da deusa

Habitantes do Cosmos (HDC)

Capítulo 3.2 - O despertar da deusa

Autor: Francélia Pereira

Alguns meses se passaram. Por um tempo, Artemísia não encontrou pistas e por isso deixou de lado sua busca pelo Muiraquitã e se dedicou somente às missões, até que algo acontece. 

 

Artemísia está em sua nave. O cristal encontrado no templo de Ártemis começa a brilhar e acorda a mercenária, que se levanta da cama. O cristal projeta uma espécie de holograma na parede, mostrando a forma correta de se ler o mapa, depois se apaga novamente. A mercenária se aproxima e vê a indicação de um lugar em Marte. Artemísia segue para o planeta vermelho.

 

Em uma taberna, a venusiana bebe vinho enquanto analisa o mapa. Um grupo de mercenários a observava, ao longe.

— Veja, Drackor, não é nossa velha amiga, Artemísia?

— Sim, aquela prostituta arrogante. — Drackor cospe no chão. — Ela tem roubado as melhores missões do Sistema e os melhores guerreiros também preferem acompanhar essa mulher prepotente.

— Infelizmente temos que concordar que nenhum guerreiro, homem ou mulher, se compara à Artemísia. Eu não a enfrentaria nem com um exército inteiro ao meu dispor. — Drackor treme de ódio com o comentário do mercenário e dá um soco na mesa.

— Não me admira não conseguirmos as missões, estou rodeado de covardes inúteis. — Drackor vira a mesa e segue em direção à Artemísia, que se mostra totalmente indiferente a tudo ao seu redor. O mercenário puxa uma cadeira e se senta.

— Então, mulher... do que se trata esse mapa?

— Não me lembro de tê-lo convidado para sentar-se à mesa comigo, caro Drackor. — Artemísia responde sem desviar o olhar do mapa, tomando mais um gole de vinho.

— Sou Drackor, o terror encarnado, nunca precisei de convite pra nada. Faço exatamente o que quero e quando quero, mulher arrogante. — Artemísia lança um olhar frio e indiferente para o mercenário.

— Caro Drackor, sua presença desagradável já está me incomodando. Retire-se, por favor. — Drackor se levanta e ergue sua espada.

— Sua insolência custará a sua vida. Entenda de uma só vez, guerreira, você pode ser temida pelo bando de covardes sem bolas que habita o Sistema Apolo, mas diante de um filho do Clã, você não passa de uma fêmea brincando de ser garotinho. Levante-se, lute e tenha uma morte honrada. — Artemísia suspira, como se estivesse com preguiça. Guarda o mapa, pacientemente, e se levanta. A guerreira observa Drackor de pé à sua frente, segurando a espada.

— Patético... — Artemísia dá um soco no rosto de Drackor, que o deixa atordoado, e com um chute forte na barriga o joga para fora da taberna.

 O guerreiro mercenário cai no chão, no meio das pessoas que por ali passam; ele procura sua espada e a vê um pouco distante. Artemísia sai da taberna e espera até que Drackor se levante e busque sua arma. Enquanto espera, encostada na porta, a guerreira o olha com um sorriso debochado.

— Vamos, nobre Drackor, minha morte não pode esperar tanto!

Os olhos do mercenário se tornam vermelhos de ódio. Ele solta um grito feroz e pega sua espada. Artemísia vai para o meio da rua. Drackor tenta atacá-la, mas a mercenária se defende com os protetores que usa nos braços. A espada do guerreiro faísca ao tocá-los. Drackor grita com raiva, enquanto Artemísia se mantém sorrindo.

— Mulher desgraçada... — A venusiana ri do ataque de ira do guerreiro e o empurra para longe.

 O mercenário corre para atacar Artemísia novamente, mas ela, cansada daquela luta entediante, o desarma, jogando sua espada para longe, e dá um soco no estômago do guerreiro; o sangue jorra de sua boca, mas Drackor não desiste, tenta atacar e recebe outro soco, agora no rosto. Ele observa, assustado, um dente que voa com o sangue. Artemísia ri.

— Vou te matar, mulher maldita. — Drackor está com ódio no olhar.

— Quanto medo me inspira o seu ódio, caro Drackor... — Artemísia sorri e se vira, seguindo em direção à entrada do deserto.

 O guerreiro corre, gritando de ódio, e tenta atacar Artemísia pelas costas, mas ela se desvia do soco que levaria na cabeça, dá uma rasteira no venusiano e pressiona pontos no pescoço dele, de forma muito rápida, isso o deixa paralisado e a mercenária o desmaia com uma cotovelada no coração. Drackor, o terror encarnado acaba de ser humilhado em público; ele estaria morto, se Artemísia não estivesse de bom humor. A guerreira sobe em uma phantom e desaparece no deserto.

O dono da taberna joga água de um jarro no rosto de Drackor. O mercenário acorda meio atordoado e, ao recuperar a consciência, pega o homem pela camisa.

— Onde está aquela mulher?

— Ela seguiu para o deserto.

— Em qual direção? — O homem aponta para a direção em que a phantom seguiu.

Drackor pega sua espada, sobe em uma phantom e vai atrás de Artemísia.

 

A guerreira para no meio do deserto e analisa o mapa mais uma vez. A phantom de Drackor vem se aproximando.

— Não acredito! Ele não desiste... — Artemísia esfrega o rosto, irritada.

— Vadia desgraçada. Por que não me matou? Agora você desonrou o meu nome e de todos os meus ancestrais. — Drackor caminha em direção à mercenária.

As palavras de Drackor despertam mágoas antigas no peito da venusiana, seus olhos brilham como o fogo e ela decide dar ao desertor do Clã a morte que veio buscar. Mas, primeiro, ela o faz sofrer.

Artemísia olha com ódio para o mercenário, ele puxa a espada das costas.

— Pegue sua espada e lute com honra... — Drackor aponta sua espada para Artemísia enquanto fala. A venusiana sorri de forma sarcástica, corre em direção ao inimigo e o ataca, com vários socos na cabeça, no queixo, na barriga, no peito e chutes que acertam as pernas do guerreiro.

O filho do Clã mal consegue acompanhar a velocidade dos golpes da mercenária. Em poucos segundos ela o deixa cheio de hematomas e se afasta. Drackor fica meio tonto e cospe sangue, sentindo uma dor horrível no estômago e na cabeça. A mercenária observa seu oponente tentando compreender o que aconteceu.

— Que tipo de golpe foi esse? — Drackor está confuso, olhando para Artemísia.

— Você terá a morte que veio buscar, não se preocupe. — A guerreira corre em direção ao mercenário novamente, mas dessa vez não ataca.

Drackor eleva sua espada e tenta atingir Artemísia, que está parada em sua frente, mas ela se desvia dos golpes. O mercenário ataca com socos, chutes, rasteiras, mas nada atinge a venusiana. Suor começa a escorrer pelo rosto do filho do Clã.

— Cansado, Drackor?

— Maldita. — Drackor range os dentes e tenta cortar a barriga de Artemísia com a espada, mas ele mal consegue segurar a arma, por causa do cansaço e das dores que sente por todo corpo. Artemísia se desvia do golpe fraco e joga Drackor no chão, com uma rasteira. Ele está ofegante, sangrando e sem força. Artemísia se aproxima e se agacha perto da cabeça do venusiano. 

— No fundo, todo homem inveja até a mais medíocre das mulheres... — A venusiana olha nos olhos de Drackor. — Pois por mais que vocês se esforcem em criar dogmas, leis e outras sandices, tentando justificar a falácia da superioridade masculina, a Natureza, em sua vasta sabedoria, já definiu de forma inquestionável o lugar real que lhes cabe. — A venusiana, com olhar frio, levanta a cabeça do filho do Clã e puxa os cabelos dele na nuca. — No processo da vida, da perpetuação da vida humana, vocês são meros coadjuvantes... e todo homem já nasce sabendo disso. — Artemísia puxa os cabelos do guerreiro com mais força. — Meu corpo é um portal pra este mundo, é uma terra fértil, cheia de vida, enquanto o seu é simplesmente um frio reservatório de meias sementes. — A mercenária deixa a cabeça de Drackor bater no chão e se afasta. O venusiano sente dor, mas as palavras da guerreira ferem seu orgulho e, enquanto observa Artemísia se afastando, ele encontra força para revidar.

— Mulher insana. Essas serão as últimas palavras que essa boca devassa irá proferir.

O guerreiro enfurecido se levanta, ergue sua espada, que se divide em duas, e vai correndo em direção à Artemísia, com todo o ódio que alguém pode sentir. A mercenária espera a aproximação do oponente, calculando seus movimentos; quando seus olhares se encontram, Drackor sente a lâmina fria da espada de Artemísia atravessando sua barriga. Foram poucos segundos, que pareceram uma eternidade para ele.

Antes que a vida abandone seu corpo, Drackor vê nos olhos da guerreira todo o desprezo que ela sente pela humanidade. A frieza do olhar da filha do Clã congela o coração do mercenário. A expressão séria dela dá lugar a um sorriso sarcástico, cheio de prazer, e sua postura não é de alguém que acaba de tirar uma vida, mas sim de alguém que está roubando uma alma. O guerreiro sente o mais angustiante terror e quando Artemísia, bruscamente, retira a espada, o corpo dele caiu inerte no chão.

Artemísia olha para Drackor por um instante, cospe em sua cabeça, limpa a espada e segue rumo à phantom.

 

Desde que esteve no templo na Lua, Artemísia sentia, a cada ciclo, o poder da deusa crescendo dentro dela. Após a luta com o filho do Clã, a guerreira percebeu que agora, graças a um dos dons com os quais Ártemis lhe presenteou, através do ódio, poderia roubar as almas dos homens que se tornam suas vítimas.

A venusiana fecha os olhos, sente que sua energia vital se tornou mais forte. Quando abre os olhos ela sorri, sobe na phantom e segue seu caminho solitário, rumo ao pôr do sol.

Por FranHDC | 09/02/18 às 11:05 | Brasileira, Ação, Aventura, Fantasia, Protagonismo Feminino