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Capítulo 3.5 - No calor da batalha

Habitantes do Cosmos (HDC)

Capítulo 3.5 - No calor da batalha

Autor: Francélia Pereira

No encontro com Hikari, há alguns meses, o mestre instruiu Artemísia a seguir para Europa, o satélite frio de Júpiter que abriga a elite de Apolo. Após um tempo, que passou liderando missões, a venusiana chega ao seu destino.

Em Europa, a procura pelo Muiraquitã teve que ser interrompida, por causa de uma guerra civil. Um grupo rebelde, liderado por remanescentes da elite do Clã, tenta tomar o poder.

Mas o poder em Europa é o Governo, que administra tudo em Apolo; se os rebeldes tomarem o satélite, o Sistema inteiro fica à mercê de ditadores ignorantes e retrógrados. O Governo não poderia correr o risco de perder essa guerra, por isso solicita o apoio de Artemísia, a mercenária invencível.

— Onde estão os generais? — Artemísia pergunta a um dos treze governadores.

— Já estão a postos.

— Há quanto tempo essa guerra começou?

— Há duas semanas; mas as baixas do nosso lado só aumentam.

— Mas os melhores guerreiros lutam pelo Governo...

— Sim, mas agora eles têm... — Uma soldado desesperada entra na sala e interrompe o governador.

— Nossas tropas não irão aguentar por muito tempo, senhores. Recebi uma mensagem informando que a situação em campo já está quase definida, com vitória para os rebeldes.

— Artemísia, contamos com você. — Uma governadora diz. Artemísia se vira e segue para o campo de batalha.

Do lado de fora das cúpulas das cidades, todos usam roupas especiais para suportar o frio intenso de Europa, exceto Artemísia, que já não é atingida pelo clima das regiões espalhadas por Apolo. A cada encontro com as divindades ela se torna mais forte. Quando chega ao campo, percebe várias baixas do lado do Governo e acha estranho o fato de terem poucas do lado inimigo.

— Eles estão utilizando algum tipo de arma secreta? — Artemísia pergunta.

— Não é bem uma arma; eles contam com a ajuda dela. — A solado aponta para longe.

— Katira... — Artemísia vê Katira ao longe, destilando seu ódio, sua maldade, matando dezenas de soldados de uma só vez. Atrás dela sobra pouco para o exército rebelde enfrentar. Nem as guildas de mercenários contratadas conseguem avançar muito, diante dos ataques da adolescente.

Katira sente a presença de Artemísia e se teletransporta para perto dela.

Mestra... Não esperava vê-la tão cedo!

— Você enlouqueceu de vez, Katira. Sabe ao menos a quem você está defendendo?

— Não defendo ninguém. Eles me ofereceram uma chance de me divertir; é só isso. — Artemísia olha com raiva para Katira. — Mas é claro que a diversão não estaria completa sem você, Guerreira... — A jovem retorna para seu posto no campo de batalha.

Artemísia lidera o que restou das tropas do Governo e eles conseguem avançar. Com a venusiana em campo, as baixas do inimigo aumentam consideravelmente. Mas ao fim do ciclo, os soldados estão exaustos e Katira, a comandante do lado rebelde, faz com que os mortos caídos no chão, dos dois lados, se levantem e lutem contra os poucos soldados e mercenários que ainda mantém a defesa do lado do Governo.

— Maldita! — Artemísia se irrita, fecha os olhos e chama por Athena, a deusa guerreira, que luta pela guerra justa. O artefato treme na espada e a deusa toma o corpo da venusiana.

Athena joga sua bênção sobre os soldados que ainda resistem, eles se curam de suas feridas, além de se sentirem mais confiantes para lutar. Cada guerreiro tem sua força triplicada e todos estão protegidos por um escudo de energia.

— AVANTE, SOLDADOS... NÃO É HOJE QUE TERÃO A SORTE DE VISITAR OS CAMPOS ELÍSEOS. — A voz tonante da deusa ecoa pelo campo. Todos seguem Athena-Artemísia.

A batalha se intensifica. Os mortos-vivos de Katira são derrotados com facilidade pelos soldados de Athena. Katira assiste ao longe com seus generais.

— Katira... acredito que já é hora de recuarmos. — Diz um general, Katira o pega pelo pescoço e o ergue um pouco acima do chão.

— Se quiser fugir, velho, fique à vontade... — Katira joga o general no chão e volta sua atenção para o campo de batalha. — Lute o quanto quiser, Guerreira... No final seremos só nós duas.

Katira e Artemísia já se enfrentaram em outras batalhas; destruir a venusiana se tornou uma obsessão para a jovem, cujo poder aumenta a cada ciclo. A batalha em Europa seria decisiva, ao menos é essa a vontade da jovem guerreira.

O ódio de Katira começa a aumentar quando percebe que seu exército está quase todo destruído. Ela tenta dar vida aos mortos que não estão mutilados, mas eles mal começam a se levantar e já são destruídos pelo inimigo.

— Maldição! Já me cansei de brincar... Eu mesma vou acabar com isso. — Katira diz com ódio e olha para trás, para os generais. — Sei que são covardes e que temem por suas vidas inúteis; podem ir, não preciso de vocês aqui. — Os generais não pensam duas vezes antes de fugir. Katira se teletransporta para o meio da batalha. Ela usa duas espadas e consegue matar alguns soldados antes de se aproximar de Artemísia.

— Não sei quem está nesse corpo, mas vou matá-lo do mesmo jeito. — Katira segue com todo ódio para atacar Artemísia. Quando chega bem perto, seu corpo se paralisa no ar. Ela olha ao redor e percebe que o campo de batalha não existe mais, somente a vastidão do espaço... Na sua frente, não vê mais Artemísia, mas sim, a própria deusa.

— O que te trouxe aqui, jovem Katira? — Athena pergunta.

— O ódio. — Katira está séria.

— Ódio por quem?

— Por mim mesma.

— E por que tenta destruir Artemísia?

— Porque me vejo nela. — A deusa olha nos olhos da jovem.

— Você não a odeia, na verdade você a admira.

— Sim. Mas ela me ignora. O que ela representa me ignora.

— O que ela representa é o que você gostaria de ser.

— Exatamente. Gostaria de ser, mas não sou. E nunca serei.

— Como sabe disso? Você mesma reconheceu que se vê nela.

— Sim, me vejo nela... sei que tenho um potencial muito grande pra ser como ela, mas cada um de nós é único, pois cada um de nós é o resultado de cada experiência vivida e ninguém experimenta a mesma coisa do mesmo jeito. Minha vida me limitou a ser quem sou... mas Artemísia teve exatamente o que precisava pra se tornar o que nunca serei.

— Se você a destruir, não haverá Artemísia alguma, e o que você tanto admira deixará de existir.

— Se eu a destruir, ninguém será melhor que eu; o padrão superior a mim deixa de existir com ela.

— Até que um novo padrão surja e destrua você. — Katira olha para a deusa e sorri sarcasticamente.

— E não é assim também entre os deuses?

— E você ousa a se comparar a nós?

— Sei da pedra que Artemísia busca. Após matá-la, eu a encontrarei e, assim, também serei eterna; e é tudo que me falta pra ser como vocês. — Athena olha com indiferença para Katira.

— Mortal ignorante; não perderei meu tempo tentando explicar o que já deveria saber, antes de se dirigir a mim. Você terá a morte que merece. — As duas estão novamente no campo de batalha e Katira pode ver a imagem de Artemísia à sua frente.

— Deusa ou mortal, você vai morrer hoje. — Katira fala com ódio, segurando suas duas espadas, com os braços abertos, olhando para Artemísia.

A deusa deixa o corpo de Artemísia, mas a protege com sua bênção. A venusiana vê o ódio nos olhos de Katira, que vem correndo com as duas espadas nas mãos. Artemísia pega sua espada e as duas começam uma luta insana.

As espadas se chocam. Artemísia usa os protetores no braço para se defender dos ataques. Katira fere o rosto da venusiana e sorri, mas o ferimento se cura rapidamente, graças à proteção de Athena.

— Não tão fácil, garotinha... — Katira se irrita com o deboche da mercenária.

— Desgraçada, seu sorriso imbecil será a primeira coisa que vou destruir. — Com muito ódio, Katira libera muita energia, que joga Artemísia longe.

Katira corre em direção à mercenária e ataca com uma rajada de luz, forte. Artemísia, ainda no chão, se protege com o escudo de energia gerado pelo protetor em seu braço e se levanta. Quando Katira está bem próxima, Artemísia aproveita uma breve distração da oponente e atravessa seu corpo com a espada, a general dos rebeldes sente a lâmina dentro dela e se decepciona ao ter que reconhecer que é uma simples mortal. O sangue já amarga em sua boca e Katira olha para Artemísia, assustada.

— Morra, criança, talvez assim sua alma encontrará um pouco de paz. — Artemísia puxa a espada e o corpo de Katira cai sem vida no chão.

Naves com reforços chegam ao campo. Todos seguem Artemísia até o quartel general do inimigo. Eles matam mais soldados rebeldes e os líderes são presos.

 

— Seu pagamento. Foi mais que merecido. — Artemísia está na sala principal do Governo. Os treze Governadores estão sentados em suas cadeiras, em uma mesa que tem o formato de meia lua. Artemísia segue até o centro e pega o cristal suspenso.

— Estou sempre à disposição. — Artemísia diz aos governadores, após pegar o cristal com os créditos.

— Esperamos nunca vê-la no campo inimigo. — Uma Governadora comenta.

— Basta manterem a mesma linha de governo que isso não acontecerá. — Todos acenam com sinal positivo com a cabeça. Artemísia deixa a sala. Um homem espera por ela do lado de fora do prédio.

— O que faremos agora? — Artemísia pega o cristal em formato de cartão, o homem mostra a ela seu comunicador e a guerreira transfere créditos para ele.

— O de sempre.

Cada um por si”. — O homem sorri. Artemísia sorri de volta e coloca o capuz. Os dois mercenários seguem seu caminho em lados opostos. 

Por FranHDC | 12/02/18 às 17:07 | Brasileira, Ação, Aventura, Fantasia, Protagonismo Feminino