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Capítulo 4.1 - Hayato

Habitantes do Cosmos (HDC)

Capítulo 4.1 - Hayato

Autor: Francélia Pereira

Cinco séculos se passaram desde o encontro de Artemísia com Îasy. A humanidade agora está desesperada para encontrar um novo lar e o Governo teve que passar por mudanças em sua estrutura, levando a elite de Apolo para Titã.

Artemísia se torna uma lenda viva e raras são as pessoas que conhecem a sua verdadeira história.

Em uma taberna, a venusiana conheceu um belo jovem, Hayato, e logo se simpatizou por ele, o que a levou a aceitá-lo em sua frota mercenária. No dia em que se conheceram, Hayato viu alguns homens se aproximando de Artemísia, como se fossem atacá-la. Imaginando que se tratava de uma pessoa indefesa, o jovem comerciante não hesitou em tentar salvar a mercenária. Ele observou um pouco, e quando um dos homens foi puxar sua arma, Hayato o acertou com a caneca em que bebia cerveja, depois subiu na mesa, deu um salto e se jogou sobre os três agressores, e eles começaram a lutar.  Artemísia assistiu à luta, achando graça na atitude heroica de Hayato, mas ao ver o jovem apanhando, ela pôs fim ao conflito, matando os agressores com sua espada.

— Isso não é coisa para criança. Vá para casa, rapaz, seus pais devem estar preocupados. — Artemísia fala, enquanto limpa sua espada.

— Salvei sua vida. É assim que você me agradece? — A mercenária solta uma gargalhada.

— Se é aventura que você procura, venha comigo. — Artemísia sai da taberna, como se fosse uma divindade, enquanto o jovem Hayato a segue.

Foi nessa taberna perdida, em um canto esquecido de uma das bases próximas à Europa, que a amizade entre Hayato e Artemísia começou. Ele era um jovem comerciante, que começava a ganhar notoriedade no Sistema. Pertencia a uma família que tinha tradição no comércio há gerações. A família de Hayato tinha uma história que, provavelmente, se encontraria com a história do Clã, em um passado muito distante; mas a classe de comerciantes de Marte não era tão antiquada quanto o já esquecido Clã.

A mãe do rapaz pertencia a uma família da elite de Europa. Seus ancestrais se misturaram a remanescentes do Clã, alguns deles participaram da guerra civil em que Katira liderou o exército rebelde. As tradições do Clã não puderam resistir ao tempo, pois havia poucos sobreviventes e muitas concessões foram necessárias para se criar alianças, tanto políticas quanto genéticas. Gradra, mãe de Hayato, era descendente de cinco séculos de uma tradição que tentava conciliar os interesses de uma classe com os costumes de uma época em que a humanidade parecia perder de vez as rédeas de seu destino.

 

— Muito bem, Hayato. Você tem evoluído muito desde que te salvei daqueles orcs... — Artemísia elogia Hayato, enquanto treinam com espadas. Hayato para um pouco após o comentário de Artemísia.

— Você me salvou? Eu que te salvei...

— Essa discussão não vai chegar a lugar algum. — Itá aparece no jardim.

— Mestra!

— Você não é meu discípulo, Hayato.

— Me desculpe mest... Itá. — Hayato fala com um olhar pidão.

— E não me olhe assim. Não tenho lições para você. — Itá segue em direção à Artemísia. Hayato faz um cumprimento com a cabeça, em sinal de respeito, e sai do jardim.

— Hayato! — Yuki chama da cozinha. O jovem comerciante vai até ela. — Você vai até o centro?

— Vou sim. Como sabia?

— Eu não sabia... — Os dois riem.

— Preciso de umas coisas de lá.

— Tudo bem. — Hayto segue para a cozinha.

No jardim, Itá e Artemísia conversam.

— Hayato é um homem muito especial. — Itá comenta.

— Eu sei. Soube disso desde que o vi pela primeira vez.

— Foi muito importante você tê-lo encontrado. O que ele tem aprendido será muito útil para a missão dele.

— Gostaria de poder ajudar mais...

— Você já está fazendo a sua parte; e muito bem.

— Ciclos sombrios nos esperam, certo?

— Sim, minha querida. Mas também um futuro incerto, que provavelmente não quebrará a regra básica da existência.

— O Equilíbrio.

— Exato.

— Hoje fico pensando no passado. Tudo que aconteceu pra que eu encontrasse o Muiraquitã Original... Agora isso.

— Não se preocupe. Somos habitantes do Cosmos e isso já nos basta para termos confiança no ritmo da dança eterna...

Confie no Dharma. — Artemísia sorri.

— Sempre! Por hora, cuide de Hayato como se fosse seu filho. O instrua e plante em seu coração as sementes que logo brotarão e o levarão a aceitar o seu destino.

— Farei o melhor que puder.

Por um tempo, Artemísia foi mestra de Hayato, mesmo sem ter consciência disso. Ele aprendeu muito com ela, tanto nos treinamentos quanto nas batalhas; sempre entre uma transação comercial e outra. Em pouco tempo o nome de Hayato já era conhecido e respeitado em Apolo, fazendo surgir sentimentos contraditórios no coração de seu pai que, por um lado, admirava e se orgulhava do sucesso do filho, mas por outro, reconhecia na independência de Hayato uma forma de negar as tradições e o nome de sua família. Takao, o pai de Hayato, via no filho um espírito rebelde, um espírito que ele quis alimentar um dia, mas não teve coragem.

 

Os ciclos se passam. Os serviços de exércitos mercenários se tornam mais solicitados, pois as revoltas e rebeliões viram rotina. Não faltam oportunidades para Hayato pôr em prática tudo que aprende com a venusiana, e também não faltam oportunidades para vê-la em ação.

— Maldito! Esse manto é novo... — Artemísia grita, enquanto mata um rebelde que rasgou seu manto ao girar a espada para matar um oponente na batalha. Hayato ri da situação, ao longe.

— HAYATO, ATRÁS DE VOCÊ! — Artemísia grita sem olhar para o seu protegido.

Um homem muito alto e muito forte se aproxima. Se não fosse o aviso de Artemísia Hayato poderia ter morrido, enquanto ria distraído.

— MORRA INSETO! — O gigante diz e vem com tudo para cima do filho de Takao, que logo consegue se defender. Ele aproveita o tamanho desengonçado do homem, que chega correndo, e chuta uma pedra em direção ao pé direito do gigante. Ele se desequilibra e cai, enquanto Hayato se desvia daquele corpo que quase o acerta. Sem pensar duas vezes, o comerciante mercenário crava sua espada no gigante. Artemísia assiste ao longe.

— E então? — Hayato se exibe para a venusiana.

— Preste atenção na batalha. — Artemísia alerta seu discípulo. Dois rebeldes, um homem e uma mulher, se aproximam com muita raiva. Hayato se concentra na luta.

Após o fim da batalha, um pequeno grupo de mercenários se junta a Artemísia e eles seguem para a taberna mais próxima.

Todos estão sentados ao redor de uma mesa. Artemísia bebe vinho.

— Onde está Hayato? — Uma jovem mercenária pergunta.

— Olhe pra porta. — Artemísia bebe mais vinho. A moça olha e vê Hayato entrando, todo sujo.

— O que é isso? — A jovem mercenária pergunta, quando Hayto já está perto da mesa.

— Um drone que recolhia os corpos no campo de batalha me confundiu com um morto, eu acho... Ele me jogou na vala junto com os corpos e tudo mais que encontrava pela frente. — Hayato olha para Artemísia. — Chamei por você, Artemísia, mas você não apareceu... Então tive que me virar sozinho mesmo. — O guerreiro fica sério.

— É assim mesmo que se faz, Hayato. Sente-se e pegue um copo. — Hayato faz o que Artemísia sugeriu, mas fica com cara de criança magoada.

— O bebezinho de Artemísia se sentiu abandonado... Tadinho dele! — Um dos homens diz, enquanto pega no rosto de Hayato, que fica irritado com a brincadeira e olha para Artemísia.

— Não me olhe assim, rapaz... Se quiser ser tratado como um adulto, haja como um adulto. — Todos riem, mas o jovem comerciante entende a lição.

 

Após alguns anos convivendo com Hayato, Artemísia sente que já é hora de seu pupilo seguir sua própria estrada.

— Ainda não me sinto pronto...

— Mas você está. Não se preocupe; basta sempre seguir sua intuição e tudo ficará bem. — Artemísia e Hayato se abraçam. — Sempre que precisar de mim, basta chamar.

— Muito obrigado por tudo!

— Ainda é cedo pra agradecer... — Artemísia ri, enquanto atrapalha os cabelos negros de Hayato.

 

Por FranHDC | 14/02/18 às 09:54 | Brasileira, Ação, Aventura, Fantasia, Protagonismo Feminino