CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 4.2 - O pergaminho

Habitantes do Cosmos (HDC)

Capítulo 4.2 - O pergaminho

Autor: Francélia Pereira

— Pois lhe garanto que não será assim, caro Hikari...

— Certamente que será. E não vejo razão para ser diferente. — Hikari pega uma chave dourada e entrega a Mirdigan. — Pegue isto.

— O que é?

— Saiba que, ainda nessa geração, surgirá um pequeno grupo de humanos capazes de nos salvar da degradação total. E eles procurarão por esta chave com você. — O velho Mirdigan solta uma gargalhada.

— Você é um otimista incurável, Hikari.

— Não sou um otimista; o que lhe disse é um fato.

— Você está abusando dos entorpecentes. Escuta uma coisa... — Mirdigan se apoia no balcão e encara o sábio. — Nosso destino é a destruição, e assim será melhor para o Universo. Veja só como os conflitos têm se intensificado nas últimas décadas... Antes que todos os recursos que sustentam a vida humana neste Sistema Solar se acabem, nós mesmos nos destruiremos. Somos uma raça amaldiçoada, nobre Hikari. Não há nada de bom na humanidade pra ser salvo.

— Pois bem. Façamos uma aposta então.

— E do que se trata essa aposta?

— Guarde esta chave com você. O grupo ao qual me refiro virá aqui; então você entregará a chave a eles e indicará a forma correta de se encontrarem comigo.

— E como saberei onde você estará?

— Você saberá.

— E o que apostaremos?

— O prazo máximo será de trinta anos terrestres. Se dentro desse prazo eles não aparecerem, eu perco; mas fico com a sua loja. E se eles aparecerem, eu ganho; e você poderá acreditar que existe um lado bom na humanidade. — Mirdigan fica confuso.

— Espere um pouco; me pareceu que se eu ganhar eu perco, é isso mesmo? — Hikari sorri.

— E então? — Mirdigan pensa um pouco.

— Já estou velho, em trinta anos terrestres provavelmente nem estarei vivo mais. Tudo bem; aceito essa aposta maluca.

Mirdigan é dono de uma loja de armas. É um velho soldado aposentado, mas cheio de força e vitalidade.

— Até breve, meu amigo. — Hikari se despede. O velho vai guardar a chave; quando volta, uma bela moça o espera no balcão.

— Em que posso ajudá-la?

— Preciso de uma espada.

— E de que tipo precisa?

— A melhor que tiver. — O velho observa o rosto da moça, depois olha a espada que ela carrega.

— Você é a temida Artemísia, certo?

— Sim; sou Artemísia. — O velho sorri.

— Venha comigo. Armas comuns não servem pra você.

A venusiana procura uma espada para presentear o filho de Yuki, que acabou de nascer. Ela sentiu uma energia de guerreiro na criança, bem diferente da energia dos engenheiros, tradicionalmente daquela família. Desde que a cidade flutuante onde conheceu Itá havia sido destruída, os membros sobreviventes da família da velha Yuki tiveram que se adaptar a outra realidade, até que pudessem construir outra morada na Terra. A Yuki que acabou de se tornar mãe, recebeu esse nome em homenagem à sua ancestral, amiga de Artemísia. A venusiana foi quem indicou o nome quando viu nos olhos da recém-nascida o mesmo brilho da velha Yuki de tempos atrás.

Hikari anda pela praça central de Europa. A maior praça do Sistema Apolo é um lugar onde se discute de tudo; de política à filosofia. Ponto de encontro entre sábios, artistas, místicos e conspiradores. Sempre que vai para as proximidades de Júpiter, Hikari dedica um pouco do seu tempo em andar pela praça em Europa, onde sempre se atualiza sobre as novidades do Sistema.

Enquanto caminha, Hikari sente alguém chamando por ele. O sábio para perto de uma coluna, esculpida no estilo da antiga civilização egípcia da Terra, e conversa com Andyrá, através da telepatia. Os dois se encontram no centro da praça, em meio a uma multidão.

— E então? — Hikari pergunta.

— Encontrei o pergaminho. — Andyrá mostra um holograma do pergaminho para Hikari. O Mais Antigo dos Sábios olha para o velho amigo e sorri.

Andyrá conta para Hikari que teve uma visão enquanto meditava e que lhe havia sido indicado um local remoto em Atlântida. Era uma galeria de cavernas, de acesso muito difícil. Andyrá foi guiado por sua intuição, até que encontrou o pergaminho. Desde então, o sábio tem procurado por Hikari. Agora os dois seguem para o templo de Andyrá, em Marte. O Templo Pirâmide, erguido no Deserto de Anúbis.

 

— O que foi? — Artemísia pergunta ao velho soldado.

— Não sei. De repente me veio uma sensação estranha...

— Que tipo de sensação?

— Como se algo muito importante estivesse próximo de acontecer. — Mirdigan fica pensativo. Artemísia percebe a preocupação dele.

— Você sabe de alguma coisa?

— É que hoje... — Um cliente chama por Mirdigan no balcão, o interrompendo.

— Atenda o homem. Posso escolher a espada sozinha. — Artemísia se vira e pega uma das espadas que estão na parede. Mirdigan segue para o balcão.

A venusiana escolhe duas espadas, uma para o filho de Yuki e outra para lhe servir de reserva. Ela sempre evita usar a Espada Ancestral nas batalhas.

— Velho idiota; não quero brinquedos de criança... Preciso de uma arma que esteja à altura de um guerreiro de verdade. — Um mercenário ignorante está aos berros com Mirdigan. O velho soldado se aborrece, salta sobre o balcão e joga o homem no chão.

— E ONDE ESTÁ O GUERREIRO DE VERDADE? — Mirdigan grita, desarma o homem, sobe sobre ele no chão, aperta seu pescoço e quase o mata sufocado. O homem fica vermelho e seus olhos parecem saltar para fora. Mirdigan se dá por satisfeito ao vê-lo implorar pela vida através do olhar, então o solta. Artemísia assiste à cena sorrindo, enquanto espera o dono da loja atender o cliente insolente. O homem se levanta e sai aos tropeços, lutando para respirar.

— Me desculpe. — Mirdigam olha para a mercenária.

— Não se preocupe, eu não seria tão paciente como você... — Os dois riem. — Vou levar essas duas.

Quando sai da loja, Artemísia tem uma visão.

— Hikari... 

Por FranHDC | 15/02/18 às 10:13 | Brasileira, Ação, Aventura, Fantasia, Protagonismo Feminino