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Capítulo 4.3 - Os cinco

Habitantes do Cosmos (HDC)

Capítulo 4.3 - Os cinco

Autor: Francélia Pereira

Na visão de Artemísia, Hikari estava seguindo para um destino incerto. Ela ainda não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas sua intuição lhe dizia que era algo grande. A venusiana tentou várias vezes entrar em contato com seu antigo mestre através da telepatia, mas falhou em todas. A guerreira decidiu procurar por Itá na Terra, se ela não tivesse uma resposta, provavelmente Huxley teria.

Na Terra, Artemísia não consegue encontrar Itá. A mercenária segue para Atlântida e conversa com o guru humanoide.

— Há algo muito estranho acontecendo...

— A única coisa que tenho a lhe dizer, Artemísia, é que tudo segue como devia; não há com o que se preocupar.

— Então você sabe o que está acontecendo!

— Sim. Sei o que está acontecendo e o que nos espera daqui para frente. — Artemísia pensa um pouco.

— E quanto a Hikari? Ele apareceu na minha visão... significa que vai precisar de mim?

— É certo que sim, mas ainda não chegou o dia em que sua ajuda será necessária. Aguarde e em breve receberá um pedido de ajuda, não de Hikari, mas será um pedido que alinhará o seu destino e o do seu antigo mestre novamente. Enquanto isso, siga com suas atividades sem se preocupar com o futuro.

 

Em Marte, Hikari e Andyrá chegam à cidade mais movimentada do planeta vermelho.

— Adoro esse caos de Marte... é o que alimenta todo o Sistema... — Hikari observa, com alegria, toda a movimentação de pessoas e drones nas ruas.

— Reconheço que sim, nobre Hikari, mas prefiro o deserto. Já estou velho para a vida urbana.

— Velho! Você? Tenho no mínimo quatro séculos a mais e ainda não me sinto velho... — Os dois riem, enquanto Andyrá pega o cartão-chave de sua phantom com o atendente do depósito de veículos, em um balcão de frente para a rua.

— Obrigado, rapaz! — Andyrá agradece. O atendente sorri. Os dois sábios sobem no veículo e seguem para a pirâmide no deserto de Anúbis.

 

Dentro da pirâmide, Hikari aprecia os detalhes.

— É impressionante como você conseguiu construir este templo em tão pouco tempo... e somente com a ajuda dos humanoides e dos drones.

— Minha intuição parece ter melhorado com os anos, e não me faltou inspiração. É como se fosse uma necessidade das divindades a construção deste templo.

— Assim como foi há tempos com o templo de Nut, certo?

— Eu diria que foi até mais forte que aquele chamado. Mas vamos ao pergaminho.

— Claro. A roda está girando mais rápido agora.

— Exatamente... Me acompanhe por favor! — Os dois seguem para a sala das antiguidades.

— Veja! — Hikari se aproxima do pergaminho e olha atentamente para ele.

— Posso pegá-lo?

— Claro! — Com o pergaminho nas mãos, Hikari o analisa em cada detalhe, fecha os olhos e ouve sua intuição.

— Meu caro Andyrá, o pergaminho está incompleto.

— Incompleto?

— Sim. O que você achou foi uma parte dele. Quem o guardou parece ter seguido o princípio da dualidade, e, provavelmente, seu destino agora está ligado ao destino de quem tem a outra metade. — Andyrá fica um pouco decepcionado e reflete sobre o que o amigo lhe disse.

— Acredito que sei quem poderá encontrar a outra metade.

— E quem seria?

— Uma de minhas ex-discípulas.

— Seria a venusiana?

— Não. Para encontrar a outra metade do pergaminho, somente um ser que já alcançou a sabedoria. Artemísia ainda nega sua própria essência.

— A guerreira tem mesmo um temperamento difícil. — Os dois riem.

— Vou meditar um pouco para ter certeza se minha escolha está correta. Ao fim da noite entrarei em contato com Krishna, se esse for o designo do destino.

— Nome forte. Espere, essa moça é A Eremita?

— A própria.

— Ainda não tive o prazer de conhecê-la pessoalmente, mas sei que é uma pessoa confiável.

— Sim, ela é.

— Também irei meditar um pouco. Pela manhã saberemos qual o caminho indicado pelo Dharma.

— Então os rapazes estavam pensando em me excluir da festa? — Itá chega sem que os dois sábios a sentissem. Eles sorriem.

— Acho que as respostas não necessitarão de meditação hoje, caro Andyrá... — Hikari comenta.

Os três sábios conversam a noite toda. Itá instrui Andyrá e Hikari sobre como proceder na missão que envolve o pergaminho. Ela aprova a indicação de Andyrá, que logo vai enviar uma mensagem para Krishna. Os demais escolhidos já estavam sendo preparados há tempos; um deles era o protegido de Artemísia, Hayato.

— Quanto trabalho temos pela frente...

— Não desanime, Hikari. Tudo corre como devia. Basta que cada um de nós cumpra o seu destino e tudo acabará bem. — Itá comenta. Andyrá olha preocupado para ela. — Não me olhe assim, meu querido amigo. Tudo tem um fim e já cumpri todas as minhas missões nesta existência. O caminho de vocês continua... Eu fico por aqui. — Hikari também tem a mesma visão que preocupou Andyrá.

— Sinto muito por ter que partir agora, Itá. Só posso dizer que me sinto feliz e muito honrado em tê-la conhecido. — Hikari diz.

— Obrigada! — Itá sorri amavelmente enquanto abraça Hikari. — Venha aqui também, Andyrá. Quero me despedir dos dois. — Os três se abraçam e vão até a sala de meditação. Itá senta-se em posição de Lótus pela última vez. Seu sistema já está gasto após todos esses séculos de existência.

 Enquanto os três mestres se abraçam, a consciência da ginoide abandona a velha carcaça que lhe serviu de morada e se liberta para outro nível de existência. Antes que o corpo dela alcance o chão, Andyrá e Hikari o seguram. Os dois se olham e, sem dizer uma palavra, preparam Itá para prestarem suas últimas homenagens.

Na Terra, Artemísia está observando o bebê de Yuki dormindo, então sente que sua mestra e amiga havia deixado o Sistema Apolo para sempre.

— Uma das estrelas mais brilhantes que guiavam meus passos acaba de se apagar. O que devo esperar para o futuro próximo? — Artemísia fala com pesar.

 

Por FranHDC | 16/02/18 às 10:07 | Brasileira, Ação, Aventura, Fantasia, Protagonismo Feminino