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Capítulo 4.4 - A guerra em Marte

Habitantes do Cosmos (HDC)

Capítulo 4.4 - A guerra em Marte

Autor: Francélia Pereira

O tempo passa e os conflitos locais agora já seguem para uma grande guerra que envolve todo o Sistema Apolo.

 Takao solicitou ao filho que lutasse com ele, para proteger Marte, mas Hayato já tinha uma missão muito grande, ele é um dos cinco escolhidos dos quais depende toda a esperança de um futuro para a humanidade. Como não pode ficar em Marte para ajudar ao pai, ele decide pedir o apoio de sua amiga venusiana, para que os exércitos de Marte tenham chance de defesa. Takao a princípio nega a ajuda da mercenária, mas Hayato o convence.

— Não é hora para orgulho, pai... aceite a ajuda de Artemísia e lute ao seu lado pela garantia de que a vida em Marte continue livre e próspera. — Takao fica pensativo.

— Você está certo.

Após mais uma batalha, Artemísia sentiu que deveria ir para Marte. Quando já está bem perto do planeta vermelho, a guerreira lê a mensagem de Hayato em seu comunicador e se lembra das palavras de Huxley, então atende prontamente ao chamado.

— Artemísia já está a caminho. — Hayato recebe a resposta da venusiana em seu comunicador. — Alguém deve esperar por ela aqui no porto.

— Vou informar ao Conselho e eu mesmo a receberei. Espero que você tenha uma razão nobre para nos deixar agora. — Hayato sorri e se despede do pai.

Takao aguarda a chegada da mercenária com suas naves guerreiras, que não demoram a aportar. O pai de Hayato observa Artemísia se aproximando.

— Senhor Takao!

— Seja bem-vinda, Artemísia!

Takao explica a situação de Marte para a mercenária. Os dois seguem para a sede do Conselho para que as estratégias da guerra sejam discutidas.

— Somos gratos por sua ajuda, Artemísia! Nossa situação está a cada ciclo mais complicada. Inimigos antigos estão se aproveitando do estado caótico no qual se encontra nosso Sistema e tentam a todo custo tomar o poder em Marte. — Um dos líderes do Conselho diz.

— A situação se complicou em todo o Sistema. A guerra que já começou tem tudo para ser a maior de todas já vistas em Apolo. Há bases que jamais se recuperarão; como a última em que estive. Lá só restam cadáveres e uma destruição irreversível. Em todos esses séculos de existência, jamais presenciei tamanho terror.

— Sim, Artemísia; essa guerra tem tudo para ser a maior e também a última guerra travada em Apolo.

Após ouvir a conversa de Artemísia com os líderes do Conselho, Takao fica preocupado. Seria essa guerra, de fato, o motivo do fim da vida humana em Apolo? E se realmente fosse assim, valeria mesmo a pena desperdiçar seus últimos dias em um campo de batalha? Takao afasta os pensamentos e segue com sua postura sempre fiel à tradição e aos costumes de seu povo.

Os comandantes se reúnem para definir seus postos nos campos de batalha.

— Defenderei os postos principais. As vias que dão acesso ao centro e à sede do Conselho. — Artemísia diz.

— Então ficarei com a defesa da periferia de Marte, no lado oposto.

— Nobre Takao, Hayato me solicitou que cuidasse bem de você. Como poderei atender a um chamado seu a essa distância?

— Quem Hayato pensa que sou? Agradeço sua ajuda, Artemísia, mas se eu não puder liderar meus soldados e defender a minha própria vida é melhor que eu morra na batalha. — Artemísia compreende os princípios pelos quais Takao vive e luta. Ela respeita a decisão dele.

— Então vamos. As tropas inimigas já estão avançando. — Artemísia cumprimenta os líderes do Conselho e sai da sala rumo ao campo de batalha.

De todos os pontos no Sistema, Marte é o mais cobiçado. É lá que tudo acontece, pois todos dependem das transações comerciais para sobreviver. O planeta é o mais estável, o que o torna mais adequado à sobrevivência humana. É em Marte que se produz a maior variedade de alimentos que sustentam a vida humana no Sistema, além de ser a região onde o lazer é mais intenso. Muitos grupos desejam tomar o poder em Marte, mas sua defesa sempre foi um obstáculo para os que cobiçam o planeta vermelho; agora, com o caos instaurado no Sistema, é cada um por si, e os inimigos decidem atacar de uma só vez.

— Veja, Artemísia! Naves herculanas. — Um soldado diz.

— Droga! Odeio herculanos... — Artemísia fala com desprezo.

A base Hércules é uma base nômade, mas seus habitantes nunca mudam de temperamento, geração após geração. Hércules é uma base de exploração de minério espacial, ocupada pelos humanos mais ignorantes que Apolo já conheceu. Homens e mulheres sempre envolvidos em brigas, disputas sem sentido, que vivem sempre abusando do uso de entorpecentes. A população de Hércules não dá muito valor à vida, nem mesmo à deles, por isso sempre dão mais trabalho quando entram em uma batalha.

Há tempos, Artemísia deixou de utilizar os dons que recebeu das divindades, só fazendo uso dessas habilidades extras quando é de fato necessário. O dom da imortalidade lhe faz experimentar a existência de outra forma. Como não precisa se preocupar com a morte, a venusiana luta intensamente nas batalhas; sem o auxílio das deusas.

— Avante, seus covardes! Os insetos estão ganhando vantagem... — Artemísia segue à frente.

A venusiana se torna uma verdadeira máquina de matar. Seu exército fica em vantagem. Do outro lado de Marte, o exército de Takao não tem muita dificuldade em conter o inimigo, mesmo porque, a periferia não era um ponto de interesse na guerra; os exércitos inimigos que rumaram para aquela região tiveram como único objetivo dividir a defesa das vias principais.

Após matar mais um soldado, Takao para um momento e observa ao seu redor. A guerra parece sem sentido; é como se a humanidade tivesse enlouquecido de vez.

Enquanto Takao se distrai, um soldado acerta uma flecha de energia na perna direita dele. Um de seus soldados o afasta da mira do atirador enquanto outro, que estava próximo do arqueiro, atravessa o corpo do inimigo com uma espada.

— Obrigado! Mas estou bem; posso voltar a lutar. — Takao diz. O soldado presta os primeiros socorros ao comandante e os dois voltam para a batalha.

Artemísia está insana. Algo muito ruim paira no ar e ela incorporou todas essas vibrações negativas.

— MORRAM, MALDITOS!!! — Aos berros, a venusiana vai matando sem parar e a cada vez com mais brutalidade. Ao fim do ciclo, não há mais inimigos para serem mortos.

Toda suja de sangue e ofegante, Artemísia para e passa a mão na testa.

— E então... Quem me acompanha até a taberna? 

Alguns soldados mercenários seguem para o centro com a guerreira; os soldados do Conselho seguem para suas casas.

— Quanta insanidade! — Takao não se conforma ao ver as baixas no campo de batalha, tanto do seu lado quanto do lado inimigo.

Ao retornar para a sede do Conselho, Takao pôde ver a destruição pelo caminho. Seus olhos se enchem de lágrimas ao observar tamanho terror em seu lar. O que fazia sentido na vida agora? 

Por FranHDC | 17/02/18 às 11:17 | Brasileira, Ação, Aventura, Fantasia, Protagonismo Feminino