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Capítulo 4.5 - No frio de Europa

Habitantes do Cosmos (HDC)

Capítulo 4.5 - No frio de Europa

Autor: Francélia Pereira

Após algumas batalhas, a presença de Artemísia em Marte desmotivou os inimigos mais fracos, o que também enfraqueceu o maior interessado em tomar o planeta, o exército mercenário de Karck.

Karck já foi membro do Conselho, em Marte, mas sua conduta fora dos padrões da Comunidade Comercial causou sua expulsão e ele passou a liderar grupos de piratas, atrapalhando o comércio no Sistema e conspirando para que um dia pudesse deter o poder no planeta vermelho.

 A Grande Guerra se mostrou uma oportunidade para Karck colocar em prática sua ambição, mas Artemísia atrapalhou os seus planos. Agora, com todas as demais tropas rebeldes rumando para outros pontos do Sistema, a defesa em Marte pôde se fortalecer novamente, e as naves inimigas já são abatidas antes mesmo que cheguem à órbita do planeta. Karck teve que adiar a concretização de seu sonho.

— Acredito que não sou mais necessária aqui, nobre Takao. Os exércitos de Marte já podem defender o planeta sem mim. Há mais alguma coisa que eu possa fazer por você?

— Fico grato por toda a ajuda que nos tem oferecido, Artemísia. E peço desculpas por tê-la julgado mal por um tempo; na verdade, acredito que minha implicância com você não passava de ciúmes, por ter a admiração e o respeito do meu filho mais do que eu.

— Não se preocupe, não levo uma vida que espera a admiração das pessoas... — Os dois riem.

— Há uma coisa que ainda quero lhe pedir... Gradra foi para Titã; se passar por lá, por favor, veja como ela está.

— Farei o possível. E provavelmente é pra lá que irei. A sede do Governo precisa de toda proteção, pois dela dependerá a reconstrução do Sistema; caso seja possível. E é lá que também depositamos a esperança de encontrar um novo lar. — Takao suspira enquanto olha ao redor. Artemísia se despede e os dois seguem seus caminhos.

 

Quando as tropas da venusiana se aproximam de Júpiter, um chamado desesperado, vindo de Europa, desvia o curso da expedição; um conflito caótico tomou conta do satélite gelado e a ajuda de Artemísia é fundamental para deter o avanço dos rebeldes.

— O caos chegou à Europa. Nobres guerreiros, o tempo agora fica mais frio... — Artemísia diz. Os mercenários vão vestir os trajes especiais para suportarem o clima gelado de Europa.

— Artemísia? — Hikari fica intrigado ao observar o deslocamento das naves das tropas lideradas pela venusiana. A nave dele sobrevoa o velho satélite gelado.

— O que foi, Hikari?

— Não é nada, caro Dravidan; só uma velha amiga...

— Ainda iremos para o vulcão?

— Sim. Não há razão para mudar a rota.

Hikari e Dravidan retornam da missão que levou os Cinco até seu destino; os dois sábios seguem para o templo no vulcão. Hikari não esperava se encontrar com Artemísia novamente; sua presença em Europa mexeu com sua intuição.

— Hikari! — Do porto, Artemísia sente a presença do antigo mestre, olha para o céu e vê, ao longe, a nave dele indo em direção ao lado abandonado de Europa. — O que o destino nos reserva, Mestre? — A venusiana observa a nave desaparecer. Uma bela mulher ruiva se aproxima.

— Artemísia... fico muito feliz em vê-la!

— Boadiceia... Há quanto tempo! — As duas guerreiras se abraçam.

— Fico feliz em poder lutar ao seu lado mais uma vez, cara Artemísia...

Boadiceia é a governadora de Europa. A guerreira ruiva já foi uma grande mercenária em sua juventude, mas após um incidente, ela se alistou nas tropas do Governo e tem seguido a carreira militar desde então. Boadiceia Foi subindo de patente de forma muito rápida, até que alguns Conselheiros a indicaram para ser a governadora do satélite gelado. A guerreira ruiva lutou ao lado de Artemísia algumas vezes.

— E qual é a situação atual em Europa?

— Como pode ver... O caos. — Naves se chocam no céu. No porto, soldados correm para todos os lados. As batalhas não têm campo definido. Parece o fim de Europa.

A nave de Dravidan atravessa a boca do vulcão, depois desce até a fenda que leva a um grande salão, em uma caverna, onde deixa o veículo. Junto de Hikari, o sábio segue para uma porta secreta, que leva direto ao templo.

— Eu devia saber que o labirinto não era a única entrada. — Hikari comenta.

— Se você soubesse, essa porta deixaria de ser secreta... — Os dois mestres riem.

Após alguns minutos andando por um longo corredor, iluminado por cristais de energia, Dravidan e Hikari chegam ao templo.

— Nada como a segurança do lar... Fique à vontade, Hikari. Preciso de um banho.

— Não se preocupe comigo, Dravidan. Vou meditar um pouco, perto da fonte.

— Tudo bem!

Desde que sentiu Artemísia, Hikari ficou inquieto. Ele havia decidido não participar da Guerra; mas agora sente que seu lugar é ao lado de Artemísia, na batalha. Esse não era o caminho dos sábios, mas naquele momento parecia ser o seu caminho particular.

— O que há ainda para ser aprendido? — Hikari se questiona, então se posiciona, fecha os olhos e começa sua meditação. O barulho da água na fonte, no centro do pátio principal do templo, ajuda na concentração.

De repente, uma visão tira o mestre do estado profundo de meditação. Ele abre os olhos.

— Preciso ir...

Quando Dravidan sai do banho, encontra uma mensagem no fundo da fonte.Ainda há o que ser feito, meu amigo. Dravidan sorri e retoma sua rotina no templo.

Por FranHDC | 18/02/18 às 09:48 | Brasileira, Ação, Aventura, Fantasia, Protagonismo Feminino