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Capítulo 2.2 - Bem-vindo à Atlântida

Habitantes do Cosmos - Nova Atlântida (HDCNA)

Capítulo 2.2 - Bem-vindo à Atlântida

— Sem moleza, seus drones malditos... — Um homem grita, enquanto organiza a tropa de máquinas, responsável pelo transporte dos materiais que serão usados na construção da Matriz. Um soldado se aproxima do encarregado das máquinas.

— Dia duro, hein! — O encarregado cospe no chão, depois limpa a boca com a manga comprida da camisa.

— Já foi difícil trazer tudo isso até aqui, agora um idiota qualquer decide que devemos atravessar o mato. Que merda! — O soldado ri.

— Calma! Ao menos você se livrará desse caos na cidade. — O homem olha nos olhos do soldado.

— E provavelmente morrerei de alguma doença desconhecida, causada por algum inseto nojento dentro do mato.

— Não se preocupe. A diversidade biológica na Floresta já não é mais a mesma. Na verdade, o mundo já não é mais o mesmo, meu caro; não me assustaria se você fosse mais letal à Floresta que ela a você... Tenha um bom dia! — O soldado dá um leve tapa nas costas do homem e segue adiante.

— Bom dia, senhor! — O homem responde com deboche, então vê um drone de carga terrestre parado e vai até ele. — O que foi, está cansado? — O homem chuta o drone quadrúpede, que cai no chão. O encarregado abre a porta do painel de controle, na parte inferior da máquina. Outro encarregado se aproxima.

— O que aconteceu?

— Essas máquinas malditas... Tudo um monte de latas velhas.

— Vou chamar o engenheiro.

Obrigado.

Desde a catástrofe, as máquinas de transporte apresentam diversas avarias, o tempo todo, pois muitas foram perdidas e as que sobraram se desgastam fácil, devido ao uso excessivo de seus serviços.

 

***

 

— A equipe já foi selecionada. Alguns ficarão aqui, pois o caos só tem se intensificado ultimamente. — Luana informa a Douglas, na sala dela.

— Posso ver a lista dos soldados selecionados?

— Claro! — Luana aciona o monitor holográfico em sua mesa.

— Hum… Gostaria de solicitar uma alteração.

— Qual?

— Seria importante que a soldado Uiara participasse da missão na Floresta.

— Qual a justificativa?

— Ela é especialista em botânica e cresceu na Floresta, acompanhando as pesquisas do pai. — Luana observa Douglas, que fica sem graça.

— Tudo bem... Sei que esse não é o real motivo, mas é uma justificativa à qual o Governo não irá se opor. — Douglas sorri.

— Obrigado!

— Boa sorte! — O cientista deixa a sala da governadora.

 

Uiara está no dojo da base militar, treinando artes marciais com um pequeno grupo de soldados.

— Vamos, garotinha... Isso é tudo que você sabe fazer? — A oponente de Uiara zomba de sua performance, a jovem soldado fica nervosa e se prepara para dar um golpe, mas o mestre para a luta. Um soldado, que trouxe ordens de seus superiores ao mestre, sai pela porta do dojo.

— Uiara! Venha até aqui. — A soldado abandona a luta, sem olhar para a oponente, e segue em direção ao mestre.

— Teve sorte, mocinha... — A oponente diz em tom de ironia. Uiara ignora e se aproxima do mestre, que a informa sobre as ordens recebidas.

— Por que eu? — Uiara questiona, o mestre a encara com expressão séria, sem dizer mais nada. — Tudo bem. Peço permissão para sair. — O mestre continua em silêncio e se afasta, Uiara deixa o dojo.

No corredor, a soldado encontra Lucas, que se aproxima, com a intenção de dizer algo, mas é interrompido pela colega, que está irritada.

— Hoje não, Lucas... Meu dia já não está bom.

— Calma. Você é chata, hein... — Uiara continua andando. Lucas a segue. — Eu só queria me despedir. Fui designado pra missão na Floresta. Uiara para.

— Que merda!

— Como assim! Você não quer que eu vá? — Lucas sorri, Uiara olha para ele.

— Eu também fui designada pra essa missão. — A soldado segue andando. Lucas fica parado e sorri, feliz.

— Viu! O destino não quer nos separar... — Lucas diz alto, enquanto Uiara vai se afastando.

 

Douglas está no CAC, sendo auxiliado por Geovana nos últimos preparativos para a missão na Floresta.

— Esse mapa é muito complexo... Vou me perder, com certeza!

— Claro que não... Eu e seu pai já visitamos a Cidade várias vezes, e nunca nos perdemos. Você é o mais evoluído da família, duvido que se perca. — Douglas sorri para a mãe. Uma explosão forte faz o prédio tremer, Douglas cai, Geovana levita a alguns centímetros do chão. Uma sirene é acionada. Alguns segundos depois, o prédio se estabiliza. Geovana volta ao chão e se aproxima de Douglas, que está ainda atordoado.

— Você está bem?

— Sim. Só um pouco tonto; e esse zunido no ouvido... — Geovana coloca as mãos sobre a cabeça do filho.

— Está melhor agora?

— Sim. — Douglas sorri. Três soldados entram na sala.

— Tudo bem, Senhora?

— Sim, obrigada! O que aconteceu?

— Um grupo rebelde explodiu uma bomba no meio da cidade. — O soldado explica.

— Qual a razão disso?

— O de sempre.

— Triste. — Geovana fala com pesar. — Qual a situação?

— Evacuação dos prédios principais.

— Tudo bem. Já estamos indo.

— Sim, Senhora. — O soldado deixa a sala.

— Vamos, Douglas. Não temos mais tempo. — Os dois seguem os soldados.

— Mãe! O que é o de sempre?

— Pessoas insatisfeitas com suas vidas. Desde a catástrofe, tudo é motivo pra um ataque rebelde. Mas não as julgo. — Douglas fica pensativo.

— Por que não usam toda essa energia, gasta com destruição, para a construção de um mundo melhor? — Geovana sorri.

— Tenho muito orgulho de você... — Geovana e Douglas entram em um elevador.

No alto do prédio, o transporte aéreo chega à pista de pouso; o cientista e sua mãe seguem até ele e o veículo levanta voo após os dois entrarem. Da janela, Douglas observa o caos lá em baixo. Uma multidão nas ruas, pequenas explosões e muitos tiros trocados com o exército misto do Governo, em que os soldados se misturam a alguns humanoides.

— Não estou vendo os drones. — Douglas comenta.

— Não sobraram muitos. O Governo decidiu poupá-los desse tipo de rebelião. São usados somente em último caso.

— Interessante...

— O quê?

— De repente, preservar os drones se tornou mais importante que preservar vidas humanas.

— Bem-vindo à Atlântida!

Por FranHDC | 15/05/19 às 13:34 | Ação, Aventura, Fantasia, Brasileira, Distopia, Inteligência Artificial, Colonização de Marte