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Capítulo 2.6 - Bem-vinda ao time

Habitantes do Cosmos - Nova Atlântida (HDCNA)

Capítulo 2.6 - Bem-vinda ao time

Em uma construção, uma escavadeira quase destrói um drone que passa apressado, levando algumas caixas.

Cuidado! — O encarregado diz ao operador da escavadeira, através de uma tela holográfica nos controles da máquina.

— Me desculpe, senhor!

Preste mais atenção! Você sabe quanto trabalho dá pra conseguir um drone hoje em dia?

— Sim, senhor! É que me distrai com uma mensagem...

Nunca fui a favor dessas mensagens nos controles... Vocês sempre as usam pra brincadeiras. Agora, preste mais atenção. A caverna deve permanecer intacta.

— Sim, senhor! — A obra segue apressada na região semidesértica de Marte. O encarregado acompanha os trabalhos em campo; um operário, ofegante, se aproxima dele.

— O Senhor Takeda está aqui e quer falar com o senhor.

— Era tudo que eu precisava hoje... — O homem fala irritado. — Obrigado, volte ao seu posto.

— Sim, senhor!

Desde o início da obra, Takeda, o contratante da empresa responsável pelo trabalho, sempre ia inspecionar os avanços da construção. Ele idealizou um grande templo ali, ao redor daquela antiga caverna marciana.

— Bom dia, senhor Takeda!

— Bom dia. Como está indo o trabalho?

— Tudo dentro do prazo, senhor.

— Hum... Então hoje começa a construção do salão principal...

— Sim, senhor! O salão da caverna já começa a ser construído.

— Ótimo! Estarei em Marte por mais dois dias, não hesite em me chamar caso ocorra algo fora do normal. — O encarregado fica intrigado com a orientação, mas decide não fazer perguntas.

— Sim senhor!

Takeda é muito jovem, mas é muito respeitado, pois se destacou rápido na Comunidade Comercial, a CadCom, isso foi possível porque ele descobriu, em uma visita à Lua, ser descendente de uma linhagem importante entre os comerciantes, o que lhe garantiu o acesso a um grupo secreto que preserva conhecimentos muito antigos. Devido à sua herança genética, Takeda se desenvolveu de forma impressionante e agora é um Mestre entre os místicos da CadCom.

Um dia, enquanto meditava, Takeda pôde vislumbrar o passado remoto do planeta vermelho e reconheceu uma caverna em suas visões, a caverna dos cristais, que Marcos Takeda encontrou quando ainda era uma criança. Ele descobriu que o cristal que Uiara escolheu, entre tantos outros, era o cristal mais importante de todos. Não é à toa que o lugar escolhido pelo jovem mestre, para a construção de seu templo, seja ao redor da caverna.

Takeda está se afastando da obra, seguindo em direção ao seu veículo, e atende uma chamada em seu comunicador. A pequena tela holográfica aparece a partir de um fino bracelete.

Senhor Takeda, descobri a localização dela.

— E onde ela está?

Foi designada para uma missão na Terra.

— Hum... Em que região?

Na Atlântida, senhor.

— Na Atlântida... — Takeda faz uma pausa. — Me envie todas as informações sobre ela. — A porta do veículo se abre, Takeda se aproxima, mas não entra, pois um homem chama por ele.

— SENHOR TAKEDA! — Takeda olha para trás. Luzes fortes saem da caverna, o jovem mestre sorri.

— Começou...

 

Uiara chega ao acampamento do exército e sente algo estranho; sem saber por que, a soldado segue até o alojamento principal, que abriga os comandantes e a equipe de engenheiros, médicos e cientistas. Logo na entrada, ela escuta uma conversa entre dois enfermeiros.

— Fiquei com medo do que aconteceu com o doutor Douglas...

— Eu também. Fico com receio de ser alguma doença contagiosa.

— Sim. Há insetos aqui que nem foram catalogados ainda... — Os enfermeiros entram no prédio. Uiara decide seguir rumo à enfermaria, na construção ao lado, a alguns metros dali.

Na enfermaria, Uiara passa pela recepção sem fazer perguntas e segue por um longo corredor. A soldado para, perto de uma porta, e olha para dentro do quarto, onde vê Douglas deitado, inconsciente. Uiara entra e se aproxima do cientista, então a soldado tem visões em flashes, com imagens do que aconteceu a ela no rio, ainda há pouco. As lembranças são confusas, a jovem sente vertigem e ouve Douglas a chamando suavemente, mas ao observá-lo, ela percebe que o cientista continua inconsciente.

— Sinistro... — Mesmo achando tudo estranho, Uiara não sente medo, instintivamente ela fecha os olhos e ouve Douglas com clareza.

Querida Uiara! Fico feliz que tenha vindo... Preciso muito lhe falar. — Os dois conversam por telepatia. Douglas conta que sua consciência está em outra dimensão e que é muito importante que seu corpo permaneça ali, até que ele desperte. O cientista pede que Uiara procure pelo doutor Huang e o explique a situação, pois ele saberá como convencer a equipe médica a não transferi-lo para outra unidade de tratamento em Atlântida. A soldado pergunta sobre o que aconteceu com ela no rio. — Você foi iniciada... Quando eu despertar, você terá toda a orientação que precisa. Por enquanto, não se preocupe. Está tudo bem. — Uma enfermeira entra no quarto. Uiara abre os olhos e não consegue mais ouvir Douglas.

— Você é amiga do doutor Douglas?

— Sim.

— Teremos que transferi-lo hoje à noite. — Uiara fica pensativa.

— Preciso falar com o doutor Huang.

— Procure por ele no prédio principal, você não o encontrará aqui na enfermaria.

— Por quê?

— Doutor Huang é um cientista.

— Ah, sim! Obrigada! — Uiara sai do quarto. A enfermeira avalia as informações nas máquinas que monitoram os sistemas vitais de Douglas. Pelos registros, ele despertou por alguns instantes. A enfermeira se aproxima do cientista.

— Doutor Douglas... — Ela chama baixinho — Hum... Essas máquinas... Nunca confio nelas.

 

No prédio principal, Uiara procura por Huang.

— O doutor Huang está em reunião — diz a recepcionista humanoide.

— Posso aguardar aqui?

— Sim, senhora. — Uiara se senta em uma poltrona na pequena sala de recepção. Três homens, usando jalecos brancos, se aproximam do elevador. A recepcionista chama um deles.

— Senhor Huang! — O cientista se vira.

— Sim!

— Esta soldado aguarda para falar com o senhor. — Huang olha para Uiara, que se levanta. O elevador chega, os outros homens entram.

— Os vejo mais tarde!

— Ok! Até mais. — A porta do elevador se fecha. Huang se aproxima da soldado.

— Em que posso ajudá-la?

— Doutor Huang, nem sei como explicar, mas... O doutor Douglas...

— Douglas! Venha até a minha sala. — Os dois seguem até o fim do largo corredor à direita e chegam à sala de Huang.

— Sente-se, por favor!

— O doutor Douglas está inconsciente.

— Sim. Fiquei sabendo durante a reunião, e estava exatamente indo até a enfermaria para vê-lo.

— Estive lá há pouco, e algo estranho aconteceu... Nem sei se foi real.

— Não se preocupe. Pode me contar, acredite, nada que vem do Douglas me assusta. — Os dois riem. Uiara conta tudo a Huang. — Muito obrigado por ter me procurado. Tomarei as devidas providências. E a propósito, seja bem-vinda ao time.

— Ao time? — Uiara se assusta, Huang ri.

— Você vai entender...

Por FranHDC | 16/06/19 às 13:27 | Ação, Aventura, Fantasia, Brasileira, Distopia, Inteligência Artificial, Colonização de Marte