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Reporte de sessão III - Doença

Heróis Improváveis (HI)

Reporte de sessão III - Doença

Autor: Henrique Zimmerer

Era meio dia e Mira ainda dormia. Najla percebeu que algo estava estranho e tentou acordar a amiga, percebeu que ela suava frio e parecia pálida. Passou um bom tempo tentado descobrir o que a amiga tinha, mas não conseguiu nada e começou a se preocupar com a possibilidade de aquilo ter sido a mesma coisa que havia atingido Reyny Erix.

A clériga remoía essa questão com Bolton e Aron quando Zanshow e Meia-noite chegaram.

— Adivinhem só! — O humano se aproximou animado, sem perceber o clima no albergue.

— O que foi? — Najla resmungou.

— Eita! Calma lá, por que essas caras?

Zanshow olhou para o humano e depois para os três companheiros sentados. Coçou a cabeça e foi se sentar, tirando a katana da bainha para lustrá-la.

— É a Mira. — Bolton disse, com aparência cansada.

Meia-noite reparou na maga dormindo.

— Ela não acordou hoje?

Como resposta ele recebeu abanos de cabeça.

— Agora minha notícia nem parece grande coisa. — O feiticeiro cruzou os braços. — Fiquei sabendo que o bebê é filho do Reyny.

— O quê? — Aron se inclinou rapidamente para a frente.

— Precisamos voltar lá — disse Bolton, ele apoiou o queixo em uma das mãos e franziu o cenho.

— Voltar onde?

— No templo que achamos ontem.

— Templo de onde companheiros quase não votaram vivos. — Zanshow agora prestava atenção.

— Sim, grandão, mas com o estado da Mira... talvez aquele seja o único lugar onde vamos conseguir respostas.

— Dessa vez Zanshow estar protegendo amigos. Ninguém se machucar.

— O que estamos esperando? — Meia-noite já estava de pé.

***

 

Fazendo o mesmo trajeto do dia anterior, o grupo, agora maior, entrou no templo e seguiu para o salão onde tinham visto o corpo de Reyny, assim que entraram uma voz familiar os saudou.

— Ora, ora, temos mais companhia hoje.

Surpresa Najla reconheceu o morto vivo que tinha matado a menos de 24 horas.

— Najla... você não disse que tinha acabado com ele? — Aron deu um passo para trás levando a mão ao arco.

— E acabei...

— Lamento desapontá-la, querida.

— Na verdade, é bom que esteja vivo de novo, talvez dessa vez seja mais sensato e nos conte o que estão planejando.

— Nãããã....

— Olhe, uma amiga nossa está doente, provavelmente a mesma coisa que aconteceu ao mauricinho que vocês pegaram. Vamos lá, me leve até o seu líder e a gente faz vocês cooperarem.

— Meu líder? Ó não, não, não. Meu mestre não precisa perder tempo com vocês. No entanto — O morto-vivo cruzou os braços e coçou o queixo teatralmente. —, a doença da sua amiguinha se trata da Maldição do Lorde, uma doença transmitida por mortos-vivos conhecidos como Lordes-Zumbi através do ar.

— Como sabe disso? — Meia-Noite se adiantou.

— Ora essa, porque ela se infectou ao lutar contra nós no cemitério.

— Ah... faz sentido...

— E como tratamos isso? — Aron se pôs ao lado de Najla.

— Que interessante. Parece que seremos todos amiguinhos então.

— Homem morto estar forçando a barra. — Zanshow pôs a mão na Katana.

— Tudo bem, tudo bem. Uma pena... — Ele fingiu estar deprimido para depois abrir um sorriso para a clériga do grupo. — Mas antes de eu contar algo, você fará um juramento no altar de Tenebra, de que jamais se intrometerá novamente nos meus planos, nem mesmo permitir que seus companheiros o façam, sob pena de ser amaldiçoada pela própria Deusa.

Najla sentiu um puxão na capa, olhou para baixo e viu Bolton pedindo para que ela ajoelhasse. Revirou os olhos e se ajoelhou ao lado do halfling.

— Isso não é uma boa ideia — sussurrou ele.

— Não precisava dizer. Mas eu confio na minha deusa, e essa é a forma que temos de ajudar Mira.

Ela foi até o altar de Tenebra enquanto o grupo esperava, receoso. Quando voltou ao seu lugar o morto-vivo bateu palmas.

— Muito bem, muito bem. Minha vez de cumprir o trato. — Ele começou a andar de um lado para o outro. — Vamos ver... vocês tem três alternativas. 

Ele levantou um dedo enquanto caminhava. 

— Chamar por Khassawidi al-Muskati, sacerdote de Azgher, o Deus-Sol, ele é conhecido por dominar técnicas de cura desconhecidas até mesmo pelas mais poderosas sacerdotisas da deusa da vida, Lena. — Levantou mais um dedo. — Viajar a Abbathor e procurar por Tex, o Paladino de Anilatir, a deusa menor da inspiração, dizem que ele sempre dá um jeito de conseguir aquilo que quer.

Ele parou de andar ao levantar o terceiro dedo, pôs um sorriso estranho no rosto e continuou:

— Ou a alternativa mais rápida. Solicitar a ajuda de um halfling druida de Megalokk, o Deus dos Monstros, que vive no subterrâneo de Thanagard...

 

***

 

O grupo passou todo o caminho de volta para Thanagard discutindo, pararam em uma taverna enquanto ainda tentavam decidir.

O tempo passou até que uma notícia se espalhou, pegando-os de surpresa.

Reyny Erix havia retornado à mansão de sua família há poucas horas.

Os aventureiros se entreolharam e decidiram por adiar a escolha, precisavam fazer uma visita aos Erix.

 

***

 

Denea Erix estava radiante, pois tinha seu filho em seus braços novamente. Atendeu o grupo com um sorriso no rosto e os convidou para entrar.

— Senhora Erix, será que poderíamos ver o seu filho? — Bolton disse, ao segurar gentilmente a mão da dama.

— Claro que sim, vou chamá-lo agora mesmo. Ele está tão feliz com a atenção que vem recebendo. Entendam, ele é um jovem gentil e carente de atenção.

Ela se retirou, dando risadinhas.

Pouco depois a figura de Reyny desceu as escadas, não parecia muito à vontade, mas forçou um sorriso para aqueles convidados inusitados.

— Olá... hmmm... senhora e senhores.

— Senhor Erix, desculpe se ficarmos um pouco desconfiados de que você possa ser um morto-vivo. Afinal nós batalhamos contra alguns deles tentando proteger o seu corpo. — Najla se forçou a ser sociável.

— Ah, então foram vocês que salvaram o meu filho!

— Sim.

— Bem, o que me lembro é que voltei dos mortos com uma visão do meu filho, senhorita. Creio que foi uma grande dadiva de Thyatis. O grandioso Deus Fênix!

Najla olhou fundo nos olhos do homem, era ele mesmo ali,  não se tratava de um morto-vivo, não havia mentira nas palavras dele, embora ele parecesse bastante assustado por ter sofrido uma epifania. 

A clériga sabia que pessoas ressuscitadas através de Clérigos de Thyatis, o Deus da Ressurreição e da Profecia, costumavam ter visões após voltarem do mundo dos mortos, e que essas visões costumam ser tarefas importantes que a pessoa estava destinada a realizar, mas fora interrompida por uma morte inconveniente. Se Reyny Erix dizia que tinha visto o próprio filho, ela não via motivos de duvidar daquilo.

No entanto, enquanto seguia o grupo para fora da mansão, ela se perguntava se realmente um clérigo de Thyatis havia aparecido naquela cidade, até que se distraiu pelo assunto do grupo.

— Vamos atrás do paladino Tex, é claro. Deve ser um homem de espirito forte e por isso sempre consegue aquilo que quer! — Bolton, montado em sua loba, enchia o peito ao falar como se conhecesse todos os paladinos do mundo.

Najla pensou em Anilatir, a deusa da inspiração não costumava ter paladinos e ela se perguntou como um deles seria. Ainda assim, eles estavam ficando sem tempo. Era melhor não continuar aquela discussão e irem logo para Abbathor... assim que achassem um mapa.



Por Eastar | 18/08/18 às 13:07 | Aventura, Fantasia, RPG, Comédia, Ação