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Reporte de sessão VIII - Parte I - Kizoku (de quem?)

Heróis Improváveis (HI)

Reporte de sessão VIII - Parte I - Kizoku (de quem?)

Autor: Henrique Zimmerer

O grupo passou o tempo no Albergue de Greward, esperando pelo mensageiro de Denea Erix para saber como seria o encontro com o tal Kisoku.

Tinham encontrado com Mira e Meia-Noite naquela manhã, conversaram um pouco, mas os dois antigos companheiros estavam mudando de vida. Ainda não sabiam bem o que fariam, mas disseram que iriam embora de Thanagard em poucos dias.

Todos desejaram boa sorte e se despediram logo depois.

Bem, não estava o grupo todo ali, Zanshow tivera uma ideia, e arrastara Earwen para ajudá-lo assim que acordou.

 

***

 

O orc foi de taverna em taverna puxando conversa e tentando subornar garçons. O bardo-ladino assistiu a tudo aquilo abismado, era uma cena horrível de se ver.

Em determinado momento eles se sentaram em um balcão.

— Zanshow querer algo bom.

O atendente, que usava um avental e tinha um pano incrivelmente sujo nos ombros olhou para a criatura a sua frente. Balançou a cabeça resmungando algo e encheu um copo sujo de liquido transparente... que não estava tão transparente assim.

Vendo aquilo o jovem coitado que havia sido arrastado pelo orc resolveu pedir por uma cerveja e, enquanto o orc trocava algumas palavras desconcertantes com o dono da taverna, ficou de ouvidos atentos para a conversa ao seu redor. Um grupo de anões mercenários lhe chamou a atenção.

— Tô ficanu cansado dissu.

— Calma Grom, a gente chegou aqui tem poucos dias. Com certeza o Pele de cordeiro vai ser mais difícil de achar que isso. — Um anão careca de barba longa e negra respondeu, encurvado sobre o copo.

— Enquanto eles estiverem me pagando eu não tenho pressa. — Outro anão caçoou, com seu enorme bigode ruivo trançado.

— É um saco quando a pista esfria, ué. — Grom cruzou os braços. — Um cara que se disfarça tão bem a ponto de ganhar esse nome vai ser difícil de achar.

— Mas sabemos que eles está aqui. E olha o tamanho desse lugar, é minúsculo. Rapidinho a gente põe as mãos...

Earwen foi distraído pela voz de Zanshow ao seu lado.

— Zanshow precisar achar homem Kizoku. Sabe onde encontrar?

— Talvez... — O homem de avental apoiou os cotovelos no balcão.

Zanshow tirou algumas moedas de ouro e as pôs na mesa.

— E agora?

— Mas Zanshow... — Earwen tentou interromper, mas foi cortado.

— Zanshow negociando, você ficar quieto.

— Mas é que...

— Shiu.

— Ok, ok... to tentando falar a manhã inteira, mas se não quer ouvir... — Ele ergueu a caneca como em um brinde e tomou um longo gole.

O samurai se virou de novo para o dono da taverna, que respondeu:

— Ele fica na Hospedaria Realeza Rosada, é só marcar um horário que ele te recebe... se você for importante o suficiente. — Ele deu uma risadinha sarcástica e o ladino ao lado do orc se segurou para não acompanhá-lo.

 

***

 

Os dois aventureiros chegaram ao albergue e samurai tomou a frente, orgulhoso.

— Zanshow conseguir informações de Kisoku. Grupo poder ir encontrar com ele. Ele fica no Albergue Realeza Rosada.

O orc inchou o peito e sorriu.

— Mas Zanshow. — Bolton começou, erguendo uma das sobrancelhas e mostrando uma carta. — A gente já sabe de tudo isso, inclusive estávamos esperando vocês para ir lá vê-lo. Lady Denea conseguiu marcar o encontro.

— Earwen, você também se esqueceu? — Najla cruzou os braços, incrédula.

— Eu? Tô tentando falar isso pra ele desde que essa parede me acordou cedo e me arrastou pra fora da minha cama! Mas quem disse que ele escuta. — O ladino abaixou a cabeça e suspirou, caindo sentado no seu colchão de palha.

— Mas Zanshow até gastou dinheiro. — O orc parecia não entender direito a situação.

Os outros arregalaram os olhos, se viraram para o homem sentando, como se precisassem de uma confirmação.

— É verdade... sério, todo o processo foi uma tortura para os olhos e os ouvidos.

O orc ficou emburrado e cruzou os braços.

— Culpa do grupo por não avisar Zanshow antes.

Todos abriram as bocas, pensando em responder, mas olharam entre si e balançaram as cabeças, desistindo.

 

***

 

Na Realeza Rosada, eles entregaram a carta de apresentação de Lady Denea na portaria e foram encaminhados até o diplomata tamuraniano.

Assim que entraram na sala Zanshow o reconheceu.

— Você. — Ele apontou para o homem.

— Eu? — O homem levou uma mão ao peito enquanto sorria.

Alguma coisa nos olhos dele fez Zanshow ter certeza que tinha sido reconhecido também.

— Zanshow saber quem você é.

— Tenho certeza que sim. — O homem não deixava de sorrir.

O grupo todo trocou olhares, esperando o que viria da conversa.

— E você saber quem Zanshow ser.

— Hum... talvez sim.

— E Zanshow saber quem você é.

— Já percebi isso.

— Por que você estar aqui?

— Porque moro aqui? — Ele continuou sorrindo com inocência.

— Mas Zanshow saber quem você é.

— Zanshow. — Najla sussurrou no ouvido do orc. — Já repetiu isso bastante.

— Mas...

— Senhor Kisoku. — Bolton se adiantou, interrompendo a conversa confusa.

Ele pulou em uma cadeira e conseguiu se sentar, apesar de quase desaparecer nela, pigarreou e continuou:

Viemos a mando de Lady Denea Erix.

— Sim, sim. — O diplomata abanou a cabeça, o sorriso ainda ali. — Fui informado por ela das necessidades de vocês. Lady Denea é uma grande amiga, e espero poder ajudar de todas as formas possíveis, meus caros.

— Então, o mapa?

— Já está em andamento, mas vocês terão que voltar aqui em algumas horas. Grafson é difícil de se convencer, mas já mandei uma carta e conversarei com ele mais tarde. Tenho certeza que ele me emprestará um dos mapas dos esgotos.

— Que ótimo. Voltaremos mais tarde então. — Bolton sorriu e pelejou para sair da cadeira.

O grupo se despediu e foi almoçar, pegariam o mapa mais tarde.

 

***

 

— Zanshow, pode nos explicar o que aconteceu lá? — Bolton perguntou.

Estavam todos sentados comendo, e as atenções se voltaram para o orc.

— Zanshow conhecer aquele homem.

— Já entendemos bastante essa parte. — Aron revirou os olhos.

O orc grunhiu mostrando os dentes, fazendo o meio-elfo voltar a encarar o prato, e então contou a história de seu mestre, e explicou que Kisoku deveria estar morto.

— Ele não pareceu má pessoa. — Bolton coçou o queixo.

— Mas ser.

— Bem, vamos com calma. Por enquanto, o que nos importa é que ele conseguirá o nosso mapa.

Todos concordaram, apesar de Zanshow ainda se sentir meio confuso e irritado.

 

***

 

Algumas horas depois eles voltaram a Realeza Rosada e receberam o mapa. Foram então para o albergue, e Kuoth começou a mexer em sua bolsa, tirando pena, papel e tinta.

— O que está fazendo? — perguntou Bolton.

— Uma copia.

— Aaaahh... esperto.

— Sempre sou.

Assim que a cópia ficou pronta eles saíram do albergue, e deram de cara com Héere.

— Conseguiram algo?

— Bom dia pra você também. — Earwen cruzou os braços.

— Desculpem, isso vem me estressando. — Se virou para os membros do grupo que ainda não conhecia. — Olá, meu nome é Héere, desculpe incomodar tanto vocês, mas é necessário.

— Ajudar pessoas nunca é um incomodo, meu caro. — Bolton bateu no peito e Meirelles latiu.

— Conseguimos o mapa, agora precisamos chegar a entrada do esgoto no Distrito Sul.

— Ótimo, darei cobertura pelos telhados. Vamos.

Com Kouth em posse do mapa e Aron guiando o caminho eles chegaram a entrada dos esgotos, se despediram de Héere e entraram.

Por Eastar | 01/09/18 às 13:18 | Aventura, Fantasia, RPG, Comédia, Ação