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Reporte de sessão XII - Parte II - Zumbilândia

Heróis Improváveis (HI)

Reporte de sessão XII - Parte II - Zumbilândia

Autor: Henrique Zimmerer

No albergue, Najla aguardava sentada, quando ouviu o galope de Meirelles e Bolton entrando no salão logo depois.

— Bolton, você não vai acreditar! O resto do grupo está todo contra mim! Nunca menti pra ninguém, sempre ajudo todo mundo, então chega um demônio da tormenta qualquer e todos querem defendê-lo! Isso é um absurdo, é ridículo! Faça algo! Eles são um bando de imbecis!

— Querida Nalja, não fale assim de um lefou, a Mira era uma boa garota, por que o Héere não seria?

— É um demônio da tormenta!

— E você é uma medusa.

— Mas..., mas... aah! Vão tomar no cu!

Najla saiu pisando forte, enquanto Bolton suspirava.

— Aiai... esses dias são difíceis... pobres mulheres.

Logo depois, o restante do grupo chegou, carregando o corpo do clérigo das trevas morto e o pobre clérigo de Azgher muito ferido.

Najla correu até o corpo com armadura negra.

— O que vocês fizeram? — disse, colocando-o no chão com cuidado. — Esse homem foi meu mestre, Reda, um clérigo de Tenebra.

— Bem, você tinha um mestre fraco... e mau. — Kuoth cruzou os braços e levantou uma sobrancelha.

— Por que o mataram?

— Ele estava mantendo o Senhor Al-Muskati preso. Quando tentamos salvá-lo, seu mestre os capangas dele nos atacaram.

A medusa não se surpreendeu muito com aquilo, todos sabiam da inimizade entre Azgher e Tenebra. Olhou para o corpo no chão e tirou o elmo negro que ele sempre usara.

Ficou chocada com o rosto que estava por baixo. Dentes afiados e pequenas antenas. Ela nunca soube que ele se tratava de um lefou, parecia estar cercada por essa raça. A Tormenta estava deixando um rastro tão forte assim?

— Senhores, preciso ir agora até o templo para ser tratado. — Al-Muskati olhou para os aventureiros. — Agradeço muito a todos vocês e os recompensarei de alguma forma! Eu prometo.

— Senhor Al-Muskati, se eu puder conversar com o senhor antes que fosse embora da cidade apreciaria muito — disse Héere.

— Oh sim, é claro.

— Não se esqueça de vir se despedir da gente antes de ir embora. — Earwen sorriu.

— De forma alguma, meu caro.

— Bem, vamos então. — disse Bolton. — Senhor al-Muskati, eu e meus amigos o levaremos, eles têm que me contar toda a história no caminho, e eu tenho que contar algo também.

— Pessoal, eu não vou poder ir, tenho que resolver umas coisinhas. — O ladino disse, enquanto mexia em sua bolsa e piscava para Kuoth.

Ele saiu do albergue e seguiu em outra direção.

 

***

 

Depois de pagar muitas bebidas e andar, Eawen finalmente achou um halfling interessado na pólvora que achara com Kuoth, conseguiu vende-la e dividiu o dinheiro para o grupo, pegando um pouco a mais para ele mesmo. Apenas esqueceu que tinha gasto mais ainda com as bebidas, talvez justamente porque bebera demais, o que o deixou no prejuizo.

 

***

 

No templo de Khalmyr, o restante do grupo deixou o clérigo de Azgher aos cuidados dos servos, enquanto falavam com o sacerdote Miglo.

— Grupo descobrir culto, trazer cadáver para provar. — Zanshow disse cheio de orgulho.

— Uma seita? Onde?

— Num antigo templo de Tenebra, nas montanhas. — Aron respondeu.

— Sim, acabamos com a seita que tinha o clérigo de Azgher como prisioneiro. Trouxemos o corpo do líder para provarmos e, o mais importante, saber se há alguma recompensa. — Kuoth cruzou os braços e sorriu.

O clérigo olhou confuso para o qareen por um tempo, até que Bolton suspirou e traduziu o que a língua rápida de Kuoth tentara expressar.

— Bem, eu não sei se há uma recompensa, mas... sim, sim, levarei ao conselho da cidade, eles saberão como premiá-los. Muito obrigado. Agora só espero que possam cumprir a nova demanda.

— Nova demanda? — Aron perguntou.

— Ah sim... tenho que falar sobre isso com vocês, pessoal.... Maaaais aventuras! Por Thyatis!!! — Bolton sacou a espada, quase acertando a perna de Zanshow no processo.

— Bolton se empolgar demais.

— Foi mal, grandão. — O halfling pigarreou e guardou a espada de volta na cintura.

Miglo voltou a contar tudo que dissera antes ao pequeno cavaleiro e os aventureiros ouviram com cuidado, ao final Kuoth sorriu e balançou a cabeça.

— La vamos nós de novo....

— Zanshow esmaga!

 

***

 

Já era tarde da noite quando o grupo inteiro se reuniu no albergue novamente. Depois de conversarem um pouco e de Earwen jogar alguns tibares de ouro para cada um, eles se deitaram no grande cômodo cheio de camas e pessoas.

O ladino encarava o teto. Esperava pelo dia em que pudesse pagar um quarto em uma estalagem, um dia em que finalmente deixaria de dormir em meio a tantas pessoas, de tantos tipos e odores. Najla e Aron também pensavam isso, apesar de não dizerem, a verdade é que provavelmente todo o grupo ansiava pelo dia em que teriam mais dinheiro e melhores condições.

Quem sabe com a próxima demanda...

 

***

 

— Foi interessante vê-los chegar tão longe aventureiros..., mas acabou.

O grupo estava no topo de uma escadaria, e sentada em um trono a sua frente, Enora, a Mulher-Dragão, os olhava com a curiosidade de quem observa pequenos animais brincando.

— Que diabos... — Earwen olhou em volta.

— Alguém mais acha que é um sonho? — Kuoth encarava a mulher no trono com curiosidade.

— Se Enora está nele, então pode ter certeza que é um pesadelo. — Aron bufou, encarando a Mulher Dragão.

— Minha querida. — Bolton não pareceu ligar para o fato de estarem em um sonho estranho. — Você está viva? Fiz de tudo para que não a matassem, espero que esteja aproveitando sua segunda chance.

— Esse cavaleiro continua tão insuportável quanto antes!

— Ô, não faz ideia. — Najla cruzou os braços.

— Calem-se, não preciso ouvir vocês, estou aqui para lhes dar um aviso.

— Eu jurava que tínhamos nos livrado da psicopata gostosa... Belos dados, Nimb... belos dados... — Earwen suspirou, balançando a cabeça.

— Silencio!... Já disse, estou aqui para avisá-los. — Passou uma mão pelo rosto, era impressionante o quão insuportável era ter que lidar com aqueles aventureiros, apesar de ser absurdamente divertido observá-los batendo suas cabeças demanda pós demanda. Respirou fundo e continuou:

— Parem essa demanda agora. Vocês já foram mais longe do que deviam, estão mexendo com poderes que estão além da capacidade de vocês. Parem agora ou morram! Este é meu aviso a vocês, e só o faço pois achei interessante observá-los até agora... — Estalou os dedos, se lembrando de algo. — Ah, e antes que morram de vez... Acordem!

 

***

 

O grupo acordou no escuro, ouviam barulhos estranhos, a maioria não entendia nada, mas Zanshow e Najla enxergaram o desastre.

— Homens doidos! Homens mortos! — Foi o aviso que o Samurai conseguiu passar

— Carniçais! Se preparem! — Najla foi mais precisa.

Cada membro do grupo ficou em pé na própria cama, um ao lado do outro. Pegaram suas armas e esperaram Aron acender um lampião. Quando todos puderam ver, se assustaram. Todos os outros no albergue, aqueles que dormiam com o grupo todos os dias, haviam se tornado mortos-vivos agressivos e famintos.

— Zanshow pelado, Zanshow ficar encostado na parede. — O orc encostou na parede de barro e arrepiou sentindo o frio tocar sua bunda.  — Zanshow odeia ficar sem armadura.

As criaturas atacaram, Najla e Zanshow enfrentavam três carniçais ao mesmo tempo, conseguindo aliviar um pouco a situação dos outros.

Aron pegou sua espada e, meio desesperado, acertou-a no crânio de um carniçal. O golpe foi tão potente que a lâmina se quebrou. Xingando, ele se abaixou de novo para pegar sua maça, era sempre bom ter uma arma reserva, mas ainda achava sua média de perdas alta demais.

Zanshow cortava carniçais ao meio, fazendo uma limpeza no lugar. Olhou para o restante do grupo, todos lutavam, mas uma cena lhe chamou a atenção.

Earwen e um carniçal estendiam os braços um para o outro, balançando-os, mas mantendo os olhos fechados, como duas damas que não quisessem quebrar as unhas, queriam matar um ao outro, mas ao mesmo tempo, pareciam ter nojo e receio de encostarem no oponente.

Foi tão estranho, tão surreal, que o orc não suportou mais e, junto de Bolton, deram cabo do carniçal.

O ladino sorriu, agradecido, e pegou seu arco. Assim, todo o grupo se focou nos que atacavam Najla.

A medusa suportava os golpes como se fossem tapas de crianças, as garras que pareciam penetrar o manto dela não deixavam rasgo nenhum. Ela era como um escudo mágico. E o grupo agradeceu por isso distrair os mortos-vivos a ponto de poderem acabar com todos.

Olhando para o albergue, eles se deram conta da devastação.

A dona do albergue estava morta com uma flecha no pescoço e um grande corte no quadril.

Respirando, aliviados e confusos, procuraram por coisas valiosas que estivessem no meio do mar de corpos. Afinal, os donos não precisariam mais.

— Atacando no meio da noite, isso é covardia contra um feiticeiro. — Kuoth tinha um sorriso selvagem no rosto enquanto olhava para o chão infestado de sangue a sua frente

— E agora? Como explicamos a bagunça? — Earwen abriu os braços.

Todos se encararam, olharam para os corpos e para os companheiros.

Deram de ombros e continuaram vasculhando o local.

Najla achou um jarro de água ainda intacto. Quando aproximou o nariz sentiu um cheiro horrível e afastou a jarra.

— Acho que descobri o que pode ter causado isso.

Mostrou a jarra para os outros.

— Vamos levar até o templo. Talvez eles descubram algo — disse Bolton.

O grupo começou a se vestir, Zanshow com mais pressa que todos os outros, e quando ficaram prontos, saíram do albergue em direção ao Templo de Khalmyr.



Por Eastar | 20/10/18 às 22:13 | Aventura, Fantasia, RPG, Comédia, Ação