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Reporte de sessão XIII - Um começo desastroso

Heróis Improváveis (HI)

Reporte de sessão XIII - Um começo desastroso

Autor: Henrique Zimmerer

— Bom dia, senhores. — Um homem abriu a porta do templo, ainda sonolento.

— Bom dia, meu senhor, gostaria de falar com meu grande amigo paladino, Sir Gylas. — Bolton disse.

— Ele está viajando, meu senhor.

— Então o Irmão Miglo, por favor. É de extrema urgência.

— Não posso acordá-lo senhor.

— Precisamos disso, por favor.

— Esse é o tipo de pessoa que tem que acordar primeiro para esvaziar o penico dos outros. Esquece esse cara. — Najla cruzou os braços, emburrada.

— Desculpe pela nossa companheira, senhor, mas realmente é uma questão de urgência. Lamento, mas só posso falar disso com o Irmão Miglo.

— Tudo bem, tudo bem...

O homem se foi e pouco tempo depois chamou o grupo para que o acompanhasse até a presença de Miglo. Najla ficou do lado de fora, não estava a fim de entrar naquele lugar.

O grupo explicou para o clérigo o que havia acontecido e lhe entregou a água para que fosse levada para estudo.

Com esse assunto resolvido, e depois de Miglo ajudar a recuperar Zanshow que estava bastante ferido, o grupo finalmente resolveu partir na missão atrás do Malho da Realidade.

 

***

 

Kuoth voava sobre um rio onde os esgotos de thanagard iam dar depois de caírem de um penhasco. Normal, se não fosse pelo fato do qareen segurar um crocodilo enquanto voava.

— Escuta aqui elfo-peixe. Se essa porcaria de jacaré tentar me atacar, eu largo ele! — Gritou para Aron lá embaixo.

O feiticeiro estava furioso, pois, como sabia muito bem, a ideia de tirarem Croc da cidade daquele jeito viera dele mesmo.

— Não se preocupe! Já disse para ela ficar quieta. — O ranger gritou com as mãos ao redor da boca.

— Ó sim, e eu confio muito no que você diz pra ela fazer... Ok, ok, estamos chegando, lagartixa gigante.

Croc não se movimentou além do esperado e, por fim Kuoth colocou-a no chão e enxugou o suor da testa, se afastando do animal.

 

***

 

No final do primeiro dia, o grupo montou acampamento e definiu os turnos de vigia, deixando Najla e Kuoth com o primeiro.

Tão logo os outros pegaram no sono a medusa viu as três formas vindo em direção ao grupo enquanto o qareen estava distraído, ela o cutucou e tentaram acordar o restante do grupo. Bolton e Aron acordaram rapidamente, Zanshow levantou um momento depois.

Os três vultos eram Hobgoblins, mas pareciam mais fortes que o normal. Lutavam melhor que os outros e estavam dando trabalho para o grupo até que um disse:

— Ora, ora, vejo que melhoramos muito desde o nosso último encontro, medusa.

— O quê? De onde te conheço? — A clériga franziu o cenho enquanto desviava de mais um golpe.

— São os três que entregamos ao Tex! — Aron gritou.

Zanshow atravessou a katana na barriga de um, mas em vez de cair, o hobgoblin respirou fundo e então gritou, atacando-o de novo.

— Por que bicho não morrer? — Zanshow fez a pergunta mais inteligente da sua vida antes de voltar a luta.

Bolton também tinha problemas, e Kuoth assistia a tudo isso quando olhou para o lado e viu Earwen dormindo e roncando.

O feiticeiro abriu a boca para xingar mas resolveu simplesmente chutar o ladrão imbecil, que acordou assustado e olhou ao redor.

Viu a cena que se desenrolava no acampamento e, sem tempo para despertar direito, agarrou o arco ao seu lado e se impulsionou, ficando rapidamente de pé e atirou, mas o fato de ainda estar meio dormindo não ajudou. Ele pegou a arma ao contrário e, na hora de atirar, soltou-o, o que o fez voar longe para a frente.

Xingando muito, ele correu em direção ao arco quando todos ouviram uma voz:

— Chega de testes, queridinhos!

Um homem musculoso, careca e afeminado desceu da pedra alta e se dirigiu para o grupo. Os hobgoblins haviam parado e o grupo todo o encarava.

—Tex! É você? — Bolton olhou confuso para o homem. — Por que nos atacou?

— Bolton? Vejam só se não é o grupinho que mais adogo! Ai gente, não vi que eram vocês, estava apenas treinando meus lindos hobgoblinzinhos. O que acharam?

— Que poderia ter testado com outra coisa... — Earwen resmungou, cruzando os braços.

— E quem seriam esses dois lindinhos?... Olhem só, um qareen! — O clérigo se virou para Kuoth. — Adorei! Você é uma gracinha, querido!

O feiticeiro levantou uma sobrancelha, sem entender aquele homem estranho.

— Eles são novos membros do grupo. — Bolton explicou. — Kuoth é nosso feiticeiro e o Earwen é o nosso bardo.

— Earwen não ser bardo. — Zanshow disse frustrado para Bolton pela milionésima vez.

— Um bardo? Que maravilha! Toque, bardinho querido, vamos. Toque enquanto os adultos conversam!

Com raiva daquele homem, Earwen se sentou com o alaúde e começou a tocar uma música furiosa, fazendo um ritmo pesado e metálico.

— Geeeennte! Que luxo! — Tex aplaudiu — Que estilo novo e maravilhoso! Você deveria investir nele, lindinho, que tal chamá-lo de Heavy Metal? Significa Metal Pesado em goblinóide. Sim, um nome tão lindo quanto esse qareen maravilhooooso aqui.

— Obrigado, eu acho... — disse Kuoth, antes de correr e se esconder atrás do orc samurai.

Conversaram por um tempo até Tex resolver que era hora de ir.

— Meus amores, tenho que ir, estou voltando praquela cidadezinha de Thanagard.

— Tex. Zanshow querer saber. Você conhecer Kizoku?

— Uuuuhh... — O homem careca olhou para o orc com interesse. — Quer dizer que você conhece o segredinho dele?

— Mestre de Zanshow matar Kizoku, mas Zanshow ver ele em Thanagard.

Tex deu risadinhas com a mão na boca.

— Kizoku não pode morrer bobinho. Pelo menos não por meios convencionais. Isso é justamente o que venho pesquisando. Ele não é desse plano. Não pertence nem mesmo a esta existência.... Pois bem, nos veremos depois. Até mais, meus amores!

Ele se virou e sumiu no meio das árvores com os goblinoides, como se não houvesse dito nada demais.

 

***

 

No início do terceiro dia foram atacados por um bando de nagahs, mas desta vez as criaturas não contavam com um xamã ou guerreiros treinados, como os do Bosque dos Kobolds em Hassenbluff, onde o grupo foi pego em uma armadilha.

As nagahs foram dizimadas sem muito esforço, apenas quatro delas conseguiram escapar ao massacre com vida, ainda que gravemente feridas. Depois disso, o grupo pôde vasculhar suas posses e encontrar alguns tibares e itens úteis.

No fim do terceiro dia de viagem, eles chegaram a um descampado, próximo a uma cachoeira. Metade do grupo foi averiguar a queda d'água, enquanto a outra metade se preparou para montar acampamento.

— Sério, eu tô desistindo. — Kuoth resmungou.

— Somos dois. — Najla concordou.

— O que é isso, companheiros? Aposto que estamos chegando. — Bolton disse, tentando animá-los.

— Zanshow não ver sinal de labo... labori... palavra difícil.

— Do que vocês estão falando? — Eastar gritou, de longe. — A cachoeira está ali. O laboratório é do lado.

O grupo se reuniu próximo ao homem, que apontava a entrada de uma grande caverna, e exclamaram juntos:

— Aaaaaaaaahhhh....

— Tem razão, bardo! Estão vendo!? Chegamos! — Bolton se animou.

Eles passaram por algumas árvores e caíram em um terreno aberto. Puderam ver melhor a grande queda d'água que dava em um precipício de quinze metros. Um tronco ligava os dois lados como uma ponte, e logo depois puderam ver uma construção com um moinho e duas entradas de caverna, além de uma terceira, isolada, que vertia água, o que Kuoth sabia significar que um rio corria lá dentro.

Guardando uma das entradas da caverna, o grupo viu doze orcs e decidiram tramar algo para chamar a atenção deles, atacando assim que eles atravessassem o tronco.

Fizeram barulho e acenderam luzes. Os orcs ficaram olhando para eles sem entender o porquê daquela baderna idiota, mas se mantiveram inertes.

Desistindo daquela tática, partiram para o ataque. Bolton atravessou o tronco montado em Meirelles, com Zanshow logo atrás. Os orcs enfim atacaram, e por pouco não mataram Bolton com uma machadada certeira, derrubando-o de sua montaria.

O resto do grupo ficou do outro lado atacando de longe com seus arcos e magia.

Apesar do susto inicial com o pobre halfling, que sangrava muito, eles conseguiram acabar com os orcs sem maiores problemas. Najla pode curar os ferimentos do pequeno cavaleiro e eles entraram em uma das passagens da caverna.

Caminhando um pouco mais, chegaram ao rio interno, mas em vez de atravessarem a ponte que levava ao outro lado do rio, viram que dava para retornar por um caminho que levava a outra entrada.

Quando saíram novamente céu aberto, se viram perto da construção que deveria ser o laboratório abandonado. Aron seguia afobado na frente, querendo entrar no laboratório a qualquer custo. Ele e Earwen procuraram por armadilhas na entrada, e só então o ladino abriu a porta.

Kuoth sentiu vários pontos de magia no lugar, sendo o maior deles vindo de uma poça no meio do aposento.

— Pessoal, não sei o que é aquilo, mas é melhor não pisarem ali. — Apontou.

Enquanto ele falava, Aron, que não prestava atenção, entrou de uma vez no aposento buscando qualquer coisa de valor e, obviamente, acabou pisando na poça. Soltou um grito de dor e, ao olhar para baixo, viu que a poça se levantava e se agarrava a perna dele.

O restante do grupo viu aquilo e começou a recuar. O meio-elfo, apavorado, correu para fora da construção. A poça se transformou em uma esfera de plasma flutuante e seguiu o ranger.

Earwen resolveu correr atrás de Aron que ia na direção da caverna e Zanshow já os seguia, quando viram Bolton atacando a esfera.

Najla e Kuoth também ficaram e Zanshow voltou para ajudar.

— A recomendação era: Não lute contra a Magia-Viva. O que meu lindo grupo faz? Luta contra a merda do bicho! — Balançando a cabeça, o ladino voltou se lamentando e tocou no ombro do qareen. — Encante meu arco.

O feiticeiro começou a lançar magias para fortalecer e ajudar o grupo, que começou a lutar contra a criatura.

 

***

 

Aron corria apavorado, nem se quer olhou para trás, seguiu em direção ao precipício e saltou no rio lá em baixo, sem saber sua profundidade. Não importava o que estava acontecendo, só queria sair daquele lugar.

Algo na sua cabeça dizia que a água curaria seus ferimentos... nunca será descoberto de onde surgiu essa ideia ridícula.

O rio não era tão profundo quanto o jovem previa e, ao mergulhar, bateu sua cabeça em uma pedra, quase perdendo a consciência. Por sorte conseguiu se manter acordado e continuou seguindo rio abaixo, sem importar com onde estava o restante do grupo ou o que acontecia com eles.

 

***

 

Perto do laboratório os outros lutavam, mas a esfera era poderosa demais, os golpes mal a afetavam enquanto ela soltava ácido para todos os lados quando era atingida.

Não era uma batalha que poderiam vencer.

Por Eastar | 28/10/18 às 23:27 | Ação, Aventura, Fantasia, Comédia, RPG