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Memória 16 - Cerimônia do Chá

Lagrimas de Jade (LJ)

Memória 16 - Cerimônia do Chá

Autor: Yamimura | Revisão: Shinku

Akatsuki me puxou pela mão, atravessando o salão principal da hospedaria em direção aos dormitórios. Como filha de um importante daim da Garça era impossível ela não ter um quarto reservado em seu nomeO quarto era um dos melhores da Carpa Sorridente, o que me levou a crer que seu pai, e meu sogro, conhecia o dono deste lugar. Nota mental, devo lembrar de perguntar para ele de quem se trata para satisfazer minha curiosidade. Em um canto do quarto havia uma caixa de madeira que reconheci como o conjunto de porcelana para a cerimônia de chá que eu e o irmão de Akatsuki lhe presenteamos no último aniversário. 

O conjunto era caro demais para apenas um de nós dois comprarmos, então resolvemos juntar forças, ou nesse caso, bolsos, para comprar-lhe este presente. Lembro de ter economizado tanto que não tive dinheiro para comprar os produtos que costumo usar para cuidar de mim mesmo por um longo tempo. Aquilo me custou um braço e uma perna, mas o que eu não faria para ver um sorriso naquele rosto tão lindo. 

Ela virou-se para mim com um sorriso largo e as maças do rosto levemente coradas, seus olhos brilhavam de felicidade ao olhar para mim, e aproximou-se. Ela tinha que manter a própria dignidade como filha de um daimiô na frente de outras pessoas, mas aqui, sozinha comigo naquele quarto, ela poderia libertar-se dos protocolos. Tomou minhas mãos com as suas e afagou-me as costas das mãos com os polegares. Ela olhou bem para mim e logo aproximou-se ainda mais. 

Senti o contato de seu busto macio contra o meu peito e o calor de sua pele branca. Logo, quando senti a sua respiração não tive muito tempo para pensar antes que ela me tomasse a boca em um beijo apaixonado e cheio de saudades. Mal tive tempo para fechar a porta atrás de nós, se não tivesse sido rápido alguém poderia ter visto-nos e isso seria um problema. Meu sogro não ligava muito para o que fazíamos, ele já foi jovem, mas as outras pessoas não pensavam o mesmo. Precisamos manter a compostura pelo menos na frente de outras pessoas ou geraríamos um problema incalculável para o pai dela. 

Prolonguei aquele beijo o máximo que pude, assim como ela eu também guardava em meu peito a saudade que senti dela por tantos meses sem nos ver. Ambos erámos ocupados desde aquele tempo. Cada segundo que passamos juntos era precioso, pois não haviam certezas de próximos encontros. Essa é a vida de um Samurai, nunca se sabe se haverá vida no próximo nascer do sol. 

 O que você tem feito? – ela disse entre os beijos, pausadamente – Por que não foi me visitar? 

Abracei-a pela cintura lhe afagando com as mãos e a apertando mais contra mim. Ela parecia querer conversar, mas a vontade de ter-me era ainda maior que esta vontade. Eu não poderia culpa-la, pois eu também pensava assim. 

 Eu tive contratempos por conta das apresentações – eu sorri – e estava ajudando Doji Haruki em um pequeno problema. 

 Aquele velho irritante está aqui, não é? – ela revirou os olhos – Meu pai deve ter o convidado. 

 Você não gosta de Haruki? – eu erguia uma sobrancelha. 

 Haruki? – ela ficou surpresa – desde quando você se tornou amigo daquele velho? 

 Desde que eu o ajudei com um pequeno problema -  sussurrei aproximando os lábios dos dela, mas seu dedo indicador me impediu de continuar. 

 Você não vai escapar, Shosuro – ela riu – Que problema? 

 Eu não posso lhe contar – eu mordi a ponta de seu dedo – É muito constrangedor para ele. 

 Mais um motivo para saber – a voz dela falhou enquanto ela olhava para seu dedo em minha boca. Ela segurou-me pelo rosto e dando um beijo apertado afastou-se, sentando-se nas almofadas onde estava o conjunto de chá. 

Balancei a cabeça impotente diante dela e sentei-me na almoçada a frente dela, parece que não havia maneira de escapar sem contar a verdade. Sim, eu entendo, aquilo era minha culpa, eu podia simplesmente ter ficado calado e esse assunto nunca teria surgido. Parece que era verdade que Doji Haruki tinha uma fama muito ruim mesmo entre seus iguais. Todos pareciam bem cientes, mesmo que os boatos parecessem desviar de sua presença, que Haruki era um homem sedento por Fama e apenas piorou depois do presente. 

Ninguém entendia por que motivos um homem tão importante quanto Seppun Ayumu havia presenteado um homem como aquele. Doji Haruki obviamente soube aproveitar muito bem o presente que alavancou seu prestígio entre os Garças. Ninguém queria admitir, mas um presente como aquele conferia a ele um certo respeito. Depois daquilo, ele se tornou um homem ainda mais obcecado, mas pelo menos seus delírios por fama nunca o fizeram tomar decisões tolas. 

Dito isso, agora tinha a parte difícil, pensar em uma forma que eu pudesse falar para ela que não complicasse a situação para cima de Doji Haruki e principalmente para mim. Eu pedi para ela fazer chá enquanto eu lhe explicava os acontecimentos e a fiz jurar manter segredo. Para a minha sorte, minha noiva era muito consciente de que quando eu pedia por segredo era porque o que eu iria contar seria problemático. 

Contei tudo o que aconteceu para ela, mas omiti coisas que não se dizem à pessoa que se tem um relacionamento. Eu ainda presava por minha vida. Diferente dos outros ela não demorou muito a acreditar que Ayumi estava envolvida, afinal ela sabia que eu não mentia para ela e não fazia sentido acusar um nobre de um roubo sem ter certeza da verdade. Ela ficou aliviada que a cabaça d’água que fez teve serventia, mas preferia que não tivesse usado. 

 Eu farei outra para você – ela disse empurrando a Chawan para mim. 

 Você não deveria se esforçar tanto  disse girando a taça em minha mão – eu ficarei bem mesmo que não tenha sua magia comigo. 

 Eu sei que vai – ela sorriu docemente – ficarei mais tranquila se você ter ela consigo, no entanto. 

Fechei os olhos sentindo o aroma do chá e acabei rindo com o comentário dela. Atatsuki ficava preocupada comigo o tempo todo quando não estávamos juntos. Em suas cartas ocasionais, ela mencionava que deveria ter cuidado o tempo todo. Tomei o chá calmamente, girei novamente a taça em minha mão, coloquei-o no chão e empurrei o Chawan em sua direção. Enquanto a cerimônia seguia ela me contou sobre as coisas que ouviu durante suas ocasionais conversas com alguns shugenjas de sua família. Aparentemente os ataques de mahotsukais estavam ficando mais frequentes em algumas vilas menores e chegavam até algumas vilas das terras fronteiriças com as terras dos Caranguejos. 

Não havia nenhum motivo para alarme até aquele momento, pois os ataques foram contidos habilmente pelos shugenjas do Caranguejo. Mahotsukai, será que eu já havia explicado o que eles eram antes? Eu falarei sobre eles em uma hora mais oportuna, nesse momento não existe nenhuma necessidade especial de falar sobre eles. Acreditasse que falar sobre tais pessoas malditas atraem azar, eu sinceramente não acredito nisso, não falarei nesse ainda simplesmente porque não irá adicionar nada ter esse conhecimento agora. 

Akatsuki também me contou que visitou algumas amigas na capital Garça. Uma delas estava prestes a casar e ela ajudou a escolher parte da decoração que seria usada na cerimônia. Ela estava muito animada e feliz por essa amiga, talvez animada por pensar que nós iriamos casar logo, se nada atrapalhasse nossos planos, daqui alguns anos iriamos nos casar. Ainda não havíamos decidido quando ou onde, mas provavelmente seria daqui alguns meses e nas terras da Garça. Creio eu que haverá muitos lugares mais bonitos e agradáveis para uma cerimônia como aquela nas terras de meu sogro que nas terras de meu pai. 

Ao término da cerimônia, levantei-me e caminhei até a janela onde sentei para ver o movimento lá embaixo, enquanto Akatsuki terminava se arrumar seus utensílios. Não havia mais tantas pessoas pela rua. As poucas que vi andando por ali estavam ou vindo de uma noite de farra ou indo para a farra. Passei os dedos para pegar meu kiseru, mas senti duas mãos passando por baixo de meus braços e o calor do toque suave do corpo de Akatsuki em minhas costas. Ela encostou o rosto em minhas costas, roçava ele contra mim e a ouvia suspirar enquanto cheirava-me. Sorri voltando meus olhos para a rua quando vi meus quatro companheiros de viagem saindo da pousada apressados. 

Akodo Ryu era o que estava mais preocupado de todos eles. Provavelmente os mais jovens ainda não tinham voltado de seu passeio. Fechei os olhos suspirando, crianças não deveriam sair sem supervisão, ainda mais em bando. Olhei para o céu estrelado e senti o vento gelado em meu rosto. Em Tsuma ainda haviam muitos lugares abertos. Uma casa de Geishas e vários restaurantes pequenos espalhados pela rua principal. Sabendo como eram os jovens, provavelmente eles foram fazer aquilo que desejaram por tanto tempo, beber saquê. Akodo Ryu notou-me e acenou com a mão chamando por mim. Balancei a cabeça e mostrei os braços que me envolviam tomando cuidado para não revelar quem era. Ele abriu um largo sorriso e concordou com a cabeça. Por gestos eu disse que talvez os jovens tivessem ido beber e ele parecia ter o mesmo pensamento. Nesse meio tempo os outros já tinham me visto e acenaram com a cabeça. 

Eles pareciam um pouco aborrecidos por eu não me juntar a eles para ir atrás de meu aluno, mas pareceu-me que Ryu explicou que eu estava ocupado com alguma coisa. O Leão acenou para mim antes de partir e eu suspirei acompanhando-os com os olhos até que dobraram a esquina. 

 Eu deveria ir com eles  comentei com a voz vaga – as crianças podem estar com algum problema. 

 Sim, você deveria – ela disse com um tom divertido – mas você não vai. Quatro Samurais devem dar de conta de alguns jovens encrenqueiros. Agora você tem coisas mais importantes para fazer. 

 Eu tenho?  eu perguntei com uma risada. 

Senti as mãos dela me soltando e não demorei a ouvir o som de tecido roçando. Virei-me sentando à janela para ver o quimono dela solto. Ela segurava a cinta nos lábios o que impedia de seu quimono abrir totalmente. Ela me olhava sedutoramente enquanto suas delicadas mãos passavam nas bordas do quimono deixando seus ombros e parte de seus seios redondos amostra. Levantei fechando a janela e coloquei a mão sobre o ombro guiando-lhe de costas pelo quarto. Tomei sua boca mais uma vez em um beijo mais intenso e o parei tirando o tecido de seus lábios. Ela me olhava com um sorriso e abraçou-me pelo pescoço. Minhas mãos deslizaram pelo corpo dela. Podia sentir as curvas de seu corpo desenvolvido nas palmas das mãos e a segurei pelas pernas, tirando ela do chão. Suas pernas cruzaram por minha cintura e ela me puxou para beijar-me a boca, soltei a cinta vendo seu quimono afrouxar mais, vendo agora o que eu queria ver, mas eu não irei detalhar isso para vocês. Eu a sentei ainda no futon dobrado e desci dando um beijo em seu pescoço. 

 Parece que estarei ocupado por algum tempo  disse dando um beijo em seu pescoço e continuei descendo. 

Akodo Ryu abriu a porta corrediça da casa de saquê... Qual o problema? Vocês querem que eu diga o que nós fizemos no quarto? Vocês são crianças? Sexo, o que mais poderia ser? Jogar Shogi que não seria. Obviamente aquilo se trata da minha privacidade e eu não vou detalhar o que aconteceu, essa não é uma história erótica. Muito menos revelar o que faço em quatro paredes com minha noiva seria uma boa ideia. 

Creio que você sabe, mas a sociedade Rokugani não vê com bons olhos pessoas que deixam a pureza de lado antes do casamento. Não que isso impeça alguém de transar, mas devemos pelos menos evitar que esse tipo de boato aconteça. Por que eu contei isso a você se esse é o caso? Bem, eu não faço ideia, talvez porque você não represente nenhum perigo real ou algo do tipo. Ora vamos, não faça essa cara, isso é uma coisa boa, não? Significa que pelo menos eu posso me abrir com você, isso não é bom para a história que estou contando? 

Como eu ia dizendo antes de me interromperem, Akodo Ryu abriu a porta da casa de saquê Águas Venenosascomo o próprio nome sugere é um estabelecimento Escorpião. Os donos são conhecidos meus de longa data e escolheram esse nome apenas por diversão. O saquê daquele lugar é um dos melhores e mais fortes que irá encontrar, o seu melhor saquê chama-se Presas Venenosas. Uma garrafa desse maravilhoso saquê poderia derrubar um Hida, e essa não é apenas uma história. 

Realmente aconteceu quando um Hida disse que saquê que os Escorpiões produziam eram fracos e desafiou qualquer Escorpião a produzir um Saquê que o deixasse bêbado com uma garrafa. Foi assim que surgiu esse saquê, ninguém sabe ao certo quem o fez, mas pelo menos a forma de produção foi repassada para algumas pessoas. Graças a isso, o Presas venenosas pode ser apreciado por qualquer um que tenha coragem o bastante. Depois desse diaos dois irmãos construíram uma casa de saquê nas terras do Escorpião e começaram a expandir o negócio, até que conseguiram colocar uma em Tsuma. 

O Leão olhou pelo lugar lotado e demorou um pouco para encontrar quem procurava. Os cinco estavam bebendo junto com mais dois que nenhum dos meus companheiros conhecia. Exatamente, eu me esqueci de dizer para eles. Como eles ainda estavam se divertindo bastante, Akodo Ryu sugeriu deixá-los ali um pouco mais. Relutante, os outros três aceitaram e pediram um pouco dsaquê para passarem o tempo. Algumas horas depois já um pouco alterados pelo álcool, eles decidiram que estava na hora de voltar e foram à mesa onde estavam nossos alunos. 

Nenhum deles estava sóbrio, apenas o jovem Ronin não bebeu quase nada, pois não tinha dinheiro para pagar. Mesmo os outros falando que pagariam por ele, o jovem não quisera incomodar. Ajudou os outros a se manterem de pé e Hida Hiato perdeu a paciência com o jovem Hida. Pegando-o nos braços ele deixou a casa de saquê com o jovem no ombro. Quanto aos outros, cada um foi apoiando-se em um de seus professores e apenas os três que sobraram: Kage, o Mirumoto e Kakita voltaram apoiando-se uns nos outros.  

Depois de fazer o que eu tinha que fazer, eu vesti uma roupa e deixei Akatsuki dormindo no futon. Dei um beijo em sua testa e a cobri saindo do quarto. Fui até o salão e perguntei a Haruki dos outros. Ele disse que saíram há algum tempo, mas ainda não tinham retornado. O daim já estava se recolhendo para dormir quando falei que iria atrás deles. Saí pelo portão principal e os encontrei já vindo naquela direção. 

 Fiquei preocupado com você – eu disse quando se aproximaram. 

 Garanto que tenha ficado mesmo – Kuni Karasu disse. 

 Eu vi quando vocês saíram – sorri ignorando o comentário – pensei em me juntar a vocês, mas um contratempo surgiu. 

Hida Hiato passou ao meu lado sem se importar comigo e eu tive que sair do caminho para o garoto desmaiado em seu ombro não me acertar. Hiruma Seta passou por mim acenando com a cabeça. Akodo Ryu me olhou com um sorriso estranho e eu entendi logo que ele me viu subindo com uma garota. Tive que conter um riso e olhei para ver se alguém estava faltando. 

 Onde estão os outros três? – eu perguntei erguendo uma sobrancelha. 

 Como onde?  Akodo ficou confuso – eles estão... 

O Leão virou-se apontando por cima do ombro do garoto, mas não encontrou os três. Seu rosto ficou pálido e logo bateu com a mão no rosto. 

 Como eles conseguiram se perder em uma linha reta? – o Leão jogou a pergunta no ar. 

 Nunca duvide das capacidades de alguém bêbado – eu respondi com uma risada – eu irei procurar por eles, vocês podem ir descansar. 

 Nada mais que sua obrigação – Kuni Karasu disse seco – Seu aluno quem está perdido. 

 E o aluno de minha noiva – eu disse. 

 Você não irá sozinho, Escorpião – Akodo Ryu falou – duas pessoas procurando será mais rápido. 

Eu o agradeci por isso e subi para pegar minhas espadasAkatsuki ainda dormia e parecia sonhar com algo bom, pois estava com um sorriso em seu rosto. Como eu não queria acordá-la, deixei uma nota ao lado dela dizendo que iria sair, mas voltava logo. Fui ao meu quarto, mudei de roupa e peguei minhas espadas. A noite estava muito fria e provavelmente eu congelaria se saísse com um quimono frio como aquele que estava usando. 

No portão principal, Akodo Ryu me esperava, ele já tinha colocado Matsu Kaori para dormir em seu quarto. Reclamou da demora quando eu apareci e partimos. Procuramos por todo lado, mas não encontramos nem sinal deles, era como se eles tivessem desaparecido no ar. Voltamos para a casa de saquê, onde com sorte eu encontraria a ajuda que estava precisando. Entramos e eu senti vários olhos vindos da escuridão, aquele era o lugar que eu precisava ir. 

 Espere aqui, Akodo-san, eu preciso conversar com um velho amigo – eu bati no ombro do Leão – beba um pouco de saquê enquanto isso. 

Ele tentou dizer algo, mas eu já tinha me afastado dele. Caminhei até um balcão onde estava um rapaz sorridente. Seus dois ajudantes estavam recebendo algumas garrafas de saquê para levarem às mesas. A Casa faturaria uma boa quantidade de Kokus este ano. Eu já devo ter falado, mas Koku é a unidade unitária de maior valor no Império, uma pastilha de ouro e teoricamente 1 Koku equivale ao valor de um ano de arroz. Vocês devem entender como funciona o comércio, as vezes esse valor aumenta, mas as vezes pode diminuir. O rapaz viu quando me aproximei e fitou bem o meu rosto, olhando para a minha máscara. Ele deu uma longa reverência e fiz o mesmo. 

 Bem-vindo as Águas Venenosas, Irmão – ele disse com um sorriso. 

 Eu agradeço a hospitalidade, Irmão  eu disse virando-me para olhar para todos que estavam ali – Como estão os estoques? 

 Estamos na nossa melhor safra – disse calmamente – Algum pedido especial? 

 O Pai Solitário  comentei olhando para ele ainda de costas – Para Bayushi Kage e os outros dois rapazes que estavam com ele: Um Mirumoto e um Kakita. 

 Mirumoto Tangen e Kakita Akitsuki? – ele perguntou em um sussurro. 

 Talvez, eu não conheço seus nomes, sinto muito Irmão  eu disse com um suspiro. 

 Seu Pedido não deve demorar, Irmão  ele disse sorrindo – alguma coisa para beber enquanto encontramos sua encomenda? 

 Uma garrafa de Presas Venenosas – eu curvei-me agradecendo e voltei para mesa onde Akodo Ryu estava sentado. Sentei-me junto a ele e um dos ajudantes trouxe meu pedido. O Leão assobiou quando leu o nome na garrafa e olhou para mim. 

 Eu estou impressionado, não sabia que tinha tantos Kokus nos bolsos – o Leão riu – mas nós não temos tempo para beber, aqueles jovens ainda estão desaparecidos. 

 Está tudo bem agora – eu disse tirando a rolha da garrafa – eu já deixei a procura a cargo de um conhecido, ele deve encontrá-los em alguns minutos 

Nós não tínhamos bebido nem metade da garrafa ainda quando um ajudante passou por trás de mim e colocou furtivamente um papel em meu bolso. Demorei um pouco para pegá-lo para não revelar como aquele papel chegou em mim e olhei para o Leão. 

 Nós devemos nos apressar, os garotos parecem estar com problemas – eu me levantei e fiz um sinal para o dono de que voltaria logo. 

 Espere, o que? – Akodo Ryu ficou atordoado e foi levantando desajeitadamente – como você sabe disso? 

Eu mostrei o papel enrolado, deixei a garrafa de saquê ali e saímos apressados para onde a informação levava. Segundo o papel, os garotos foram vistos sendo arrastados por alguns homens, cerca de cinco, para o bosque mais afastados de Tsuma. Do lado de fora, dois cavalos estavam esperando por nós, uma das vantagens de fazer negócios com o próprio sangue. Eu dei um aceno com a cabeça para o servo que fez uma longa reverência e pulei no animal. Akodo Ryu ainda estava confuso, mas seguiu meu exemplo e subiu no cavalo. 

Nós cavalgamos o mais rápido que os cavalos aguentavam e faltou muito pouco para chegarmos atrasados e um deles morrer. 

Por Yamimura | 21/10/18 às 12:45 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Romance, Brasileira, Drama, Maduro, Horror