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Memória 17 - Erro tolo

Lagrimas de Jade (LJ)

Memória 17 - Erro tolo

Doze homens estavam discutindo uma espécie de plano de infiltração e ao chão estava um mapa de toda Tsuma. Eles colocaram pedras para impedir que o mapa se fechasse enquanto eles revisavam o plano. Um deles explicava todo e tudo novamente, mostrando suas rotas de fuga e como eles deveriam fazer para pôr a culpa no Garça. Enquanto alguns prestavam total atenção, outros já pareciam aborrecidos por todo o esquema estar sendo repetido mais uma vezAquele homem deveria ser um tolo, no mínimo, ele deveria supor que alguém poderia estar ouvindo, era simplesmente tolice achar que estava seguro. É entendível seu descuidado dado o lugar onde eles estavam. Quem estaria à espreita, escondido nas sombras que bruxuleavam sob efeito das chamas daquelas tochas? Realmente, não deveria haver ninguém 

 Nós doze seremos mais do que o suficiente para acabar com esse Torneio e fazer o Clã Garça pagar – um homem que parecia o líder esmagou um papel com o símbolo da Garça – agora tudo que precisamos fazer é roubaessas identidades e nos prepararmos para amanhã. 

Algumas pessoas estavam inconscientes e amarrados todos juntos em uma árvore. Entre eles, os três jovens aspirantes a Samurais e alguns heimins, mas a maioria eram competidores. Todos eles viraram a atenção para as suas vítimas. Um barulho veio de cima, como se algo pesado passasse por entre as folhas. Dois dos homens olharam e o pavor tomou conta de seus rostos quando duas lâminas perfuraram o peito de cada um, derrubando-os ao chão. Os outros se viraram para encarar o assassino de seus companheiros e me viram tirando as espadas de seus corposAkodo Ryu pulou dos arbustos com um grito que os assustou. Os homens deram um passo para trás e uma flecha atingiu um deles no ombro. 

Foi estranho para mim quando eles nem mesmo tentaram lutar, apenas correram para a floresta e desapareceram sem deixar rastrosUm garoto saiu dos arbustos, ele era um dos competidores do torneio que nos encontrou enquanto estávamos seguindo a informação. O garoto tinha visto alguns homens arrastando vários jovens para a floresta e resolveu vir investigar por conta própria. Um ato muito corajoso que certamente teria o levado para um destino pior do que a morte se não tivesse nos encontrado. Acordamos os prisioneiros que ficaram assustados quando nos viram, mas se acalmaram depois de um tempo e nos explicaram com dificuldade como foram capturados. Pelo menos metade deles tinha sido levado enquanto estavam bêbados e o resto não tinham certeza. 

Voltamos para a cidade e informamos a guarda sobre o acontecimento. Alguns etas foram mandados para recolher os dois corpos e o magistrado foi investigar. Tivemos que prestar um rápido depoimento sobre o que vimos e foi dito que a guarda seria reforçada durante o Torneio. Aparentemente, esses rebeldes queriam fazer a Garça passar vergonha na frente da Imperatriz, para mostrar que eles eram incompetentes, mas isso quase todo mundo já achava, não era necessário uma confusão durante o Campeonato. Conseguimos voltar para a pousada quase meia noite depois que o magistrado voltou de sua investigação. Os homens eram muito bons no que faziam, pois sumiram como fantasmas. 

Eu ainda estava incomodado por aqueles homens terem fugido sem nem mesmo tentar lutar. Certo, nós atacamos de surpresa, mas eles estavam muito bem armados e em maior número. Eles poderiam ter lutado e quem sabe até mesmo nos derrotado. Tudo bem, isso foi um exagero de minha parte, mas eles podiam pensar dessa forma. O que os faria ficar com tanto medo a ponto de fugir? 

Não é como se eu ou Ryu fossemos famosos por qualquer coisa. Se fossem rostos conhecidos de Samurais realmente “fortes” eu entenderia o porque de terem fugido, mas de dois Samurais completamente desconhecidos como nós? Poderia esse ser apenas um plano  

para desviar a atenção dos guardas? Não, isso é improvável, para não dizer impossível. Quantos passos o criador de tal plano deveria estar à frente de qualquer investigador para ter criado um plano como aquele?  

Para começar, para isso fazer parte de um plano não poderia haver apenas uma isca, mas várias, no caso de alguma delas ser descoberta. Dito isso, as iscas deveriam ser organizadas de forma que fossem encontradas para desviar a atenção da guarda. Parando para pensar, eu acho que o lugar que encontramos aqueles homens foi até fácil, e isso seria um erro para um plano de invasão. Melhor que eu pare de pensar sobre isso logo, estou começando a ficar paranoico, não preciso de outro Kuni perto de mim. 

Eu me despedi de Akodo Ryu e voltei para o quarto onde minha noiva ainda dormia tranquila. Ela parecia não ter acordado enquanto eu estive fora, recolhi o bilhete e sai do quarto para voltar ao meu, onde dormi até o outro dia pela manhã. 

Eu acordei cedo, o sol mal tinha começado a iluminar o céu. Fiz o meu prazeroso ritual matinal, ficando aqueles poucos segundos parado onde nada importava para mim. Levantei-me para trocar de roupa e ouvi alguém chamar. Sem pedir permissão, Akatsuki entrou no quarto trajando um dos quimonos azul cheio de silhuetas brancas de flores. Eu estava começando a tirar meu quimono quando ela fechou a porta atrás de si. 

 Meu pai quer que eu fique junto a ele durante o discurso da Imperatriz – ela suspirou. 

 E o problema é...? – falei colocando o quimono que usaria hoje. 

 Eu quero ficar com você – ela disse dando uma pisada no chão – já passamos muito tempo longe. 

 Você não consegue ficar longe por um momento? – eu disse erguendo a sobrancelha – nós iremos passar o dia todo juntos, nenhuma regra diz que os professores devem ficar longe uns dos outros. 

 Ah – ela ficou surpresa e riu – eu não me lembrava disso. 

Rindo eu me virei para ela dando um peteleco em seu nariz. Ela reclamou e agarrou minha bochecha entre os dedos. Sorri afastando sua mão e terminando de me vestir. Meu quimono era todo vermelho e com alguns detalhes pretos, isso dizia muito sobre minha posição dentro do Clã. Quanto mais alto, mais negro iam ficando as roupas do Escorpião. O vermelho que usava era um vermelho mais escuro, como sangue. Preto e vermelho-sangue eram as cores do Clã dos Segredos. Cada Clã tinha a própria maneira de representar a posição e como o Escorpião gostava de sutileza, essa era a maneira de representar. 

Descemos as escadas e todos já estavam ali esperando por Haruki. A comitiva real estava chegando através do rio como sempre, mas o que poucos sabiam era que a própria Imperatriz estava vindo nela e daria início ao torneio. Doji Haruki vinha sozinho, nos cumprimentou ao passar e fomos todos juntos para a praça ao lado da Academia de Duelistas Kakita. Ali nós nos separamos de Doji Haruki e Akatsuki que seguiram para junto dos nobresA praça estava dividida em várias “áreas”. A que estava mais perto do palanque de madeira, de onde falaria a imperatriz, estavam os nobres, pelo menos uns cinquenta deles. Atrás dos nobres estávamos nós, os samurais. Nossa Casta estava dividida por hierarquia, o que significava que lordes estavam à frente, magistrados no meio e nós Samurais estávamos no fim da área. Eu chutaria uns 200 ou talvez até mais, não consigo me lembrar. Atrás de nós os heimins e bem depois deles alguns etas. Era incomum permitirem etas nesse tipo de evento, mas acho que deixaram os infelizes terem pelo menos um pouco de alegria em suas vidas miseráveis. 

Um som veio do rio, simbolizando a chegada da figura mais aguardada de todo o torneio, a Imperatriz Kitsuni Iwueko. O sol vinha brilhando em suas costas, como se o próprio céu quisesse que nós adorássemos sua filha. O barco vinha lentamente e a cada segundo mais próximo provocava murmúrios cada vez mais altos. As pessoas estavam muito animadas apenas de ver aquela mulher, e quem não ficaria? Muitos passariam a vida toda e nunca sequer veriam uma pintura dela. Você deve entender o tamanho da honra para qualquer um respirar o mesmo ar que ela. 

O barco atracou e no mesmo instante todos se ajoelharam até o chão para Iwueko-sama. Por um minuto inteiro, tudo que podia ser ouvido eraos passos dela e de seu cortejo vindo atrás. A Imperatriz passou os olhos lentamente por todos ali, parecendo ver os segredos de cada um. O discurso foi muito bonito, mas eu não me lembro de nada do que ela falou. Lembro que fiquei um pouco feliz quando Iwueko-sama disse estar grávida. Essa era uma grande dádiva para todos nós, nossa amada Imperatriz teria um filho. Queria compartilhar conosco sua felicidade e parecia ter conseguido. Muitos ali ficaram cheios de sorrisos, mas outros não pareciam nada felizes com aquela notícia. Ela chamou o Oráculo do Vazio para vir tomar o seu lugar e dizer algumas palavras. 

O Oráculo era o humano mais próximo de um elemento, sempre era um shugenja que conseguiu ter tanta afinidade com um elemento que um dos Dragões Celestiais notou sua existência e o banhou com suas bênçãos. Pode se falar que o Oráculo é a personificação de um Dragão Celestial e aquele era o Oráculo do Vazio. A personificação de um dos mais poderosos dos Dragões, senão o mais poderoso. Ele discursou bem, mas com o tempo eu deixei de prestar atenção no que ele dizia. Eu tinha uma sensação estranha. Como eu deveria dizer? Era... Uma sensação desconfortável em meu peito, como se o perigo estivesse próximo. Olhei em volta e não consegui ver nada que me indicasse o porquê eu estava sentindo aquilo. Todos estavam com suas atenções voltadas na direção do Oráculo. A ficha caiu para mim apenas quando era tarde demais. Ouvindo um estrondo forte no portão, todos os presentes viraram-se para olhar e ficaram surpresos. 

Vários homens montados a cavalos vinham em disparada desde o portão fazendo muito barulho. Eles usavam armaduras pesadas e brandiam suas armas passando por cima de alguns etas, esmagando-os. A gritaria e o som de armas sendo brandidas podiam ser ouvidos de todos os lados. Os Samurais ali estavam sse preparando para uma batalha, mas nós estávamos em absurda vantagem. Akodo Ryu estava incomodado, no entanto 

 Isso não faz nenhum sentindo – o Leão disse. 

 O que não faz sentido? – Kuni Karasu falou – esses homens estão atacando a Imperatriz. 

 Com apenas dez homens? – ele disse com um riso – Um plano como esse está fadado a falhar. 

 A menos que... – eu disse pensativo. 

 A menos quê? – os outros perguntaram e eu vi a mesma pergunta no rosto de Hiruma Seta. 

 A menos que isso seja uma distração! – eu me virei puxando minhas espadas. 

Droga, como eu pude ser tão idiota? Todos os indícios de uma distração esteve debaixo de meu nariz o tempo todo. Os homens da noite passada não haviam fugido por medo, mas porque aquilo fazia parte de um plano muito maior e complexo. Não, o plano era tão simples que chegava a doer. Aquilo era o básico de um ataque Ninja, distrair e fazer um dos infiltrados atacar. Agora pense, qual o melhor lugar para se colocar um assassino durante um ataque como aquele? Junto à guarda. Seriam as pessoas mais próximas do alvo durante o ataque e dificilmente alguém se incomodaria em olhar para vítima durante um ataque. 

Esse era o motivo para as operações que ninjas faziam serem tão eficientes para roubo e assassinato; o descuido. Um deslize era o que um ninja precisava para seu ataque acontecer com sucesso. Ninguém fica com a guarda levantada o tempo todo, e um assassino sempre terá o fator surpresa por esse motivo. Um verdadeiro assassino precisa de apenas um ataque para ceifar a vida da vítima e certamente o assassino que estava atacando agora era muito bom. 

Eu vi no exato momento que um guarda saltou contra a Imperatriz com uma faca na mão. Meu coração congelou, nunca que eu teria tempo para ir até , nenhum de nós teria. Creio que nem mesmo os guardas ao lado dela teriam tempo o bastante. Quando deram conta, uma lâmina afiada já voava na direção do pescoço da Imperatriz. Dei-me conta que tudo aquilo cheirava muito mal. Um plano para envergonhar a Garça ante o Império era uma coisa; matar a Imperatriz estava em um nível totalmente diferente. 

Entendi então que o plano deveria ser muito maior que tudo isso. Mesmo a informação que eu mesmo havia pego deveria ser mentira. Envergonhar a Garça poderia ser apenas um objetivo que viria naturalmente com aquilo, mas a repercussão do assassinato da Filha do Céu seria no mínimo catastrófica. O império entrariam em caos, mas por quê? Quem iria se beneficiar com Rokugan em Caos? Na época, eu não tinha a resposta. 

Iwueko-sama notou no último instante e usou o leque para defender-se. Um leque de papel não era a melhor arma para defesa, mas foi a salvação dela. Ela fechou o leque e desviou o ataque quase todo, mas a faca ainda lhe acertou o ombro, fazendo um corte profundoO golpe não pareceu ser para ela, no entanto, ele era para o Oráculo. A faca acertou abrindo um corte profundo de uma orelha a outra, quase como um sorriso. O sangue jorrava e em sua luta contra a morte eminente, o Oráculo ajoelhou-se e eu pude ver um sorriso sangrento que eriçou todos os pelos de meu corpo. Alguém gritou, mas no meio do grito todo o som morreu. Simmorreu, você não escutou errado. Não havia mais som e nada, até que um urro horripilante veio. Um som que parecia vir de dentro de mim e pela reação dos outros de dentro deles também. Como um monstro que gritava contra a tristeza, e de repente, tudo ficou escuro. 

Eu não desmaiei, eu sentia que estava caindo. A mesma sensação que senti quando fui caindo pelo Gaki-dô. Eu temi estar voltando para aquele lugar, mas era diferente. Eu não ouvia murmúrios, eu não ouvia, na verdade. Apenas continuava viajando pela escuridão e sentindo a vertigem da queda. Eu não sabia onde estava, mas algo dentro de mim gritava querendo sair. Eu me concentrei um pouco e senti algo entrando pela minha pele. Eu não consigo explicar, era como fumaça e eu sentia-a entrando em minha pele. A coisa começou a entrar mais rápido em minha pele e senti um choque percorrer meu corpo, tentei gritar, mas minha voz não sabia. Meu corpo bateu com violência contra o chão, porém, eu não senti dor, apenas o impacto. Além dos meus olhos, eu não conseguia mover nada. Ouvi um gemido de dor e vi quando Akodo Ryu levantou-se com um gemido. Ele conferiu meu pulso e suspirou aliviado. 

 Ele está bem  ele comentou. 

 Seta também está – eu ouvi a voz de Kuni Karasu mais ao longe – ele esta apenas paralisado. 

 Que lugar é esse? – o Leão perguntou, levantando-se 

 Eu não tenho ideia – o Kuni disse – mas consigo sentir o Vazio aqui muito mais forte. 

 Este poderia ser o próprio Vazio – Akodo disse caminhando para longe – o próprio Oráculo do Vazio foi assassinado. 

Eu não conseguia ver muito bem, porque não podia mover a cabeça, mas nós pareciamos estar em um extenso corredor de rocha. A pedra era escura e lisa, nunca tinha visto esse tipo de trabalho antes. Em Rokugan, costumamos usar madeira para construir prédios, pedra é muito difícil de ser trabalhada. Ao fim dali havia uma porta de onde vinha o som de uma multidão; um oni estava jogando um corpo para o lado. O corpo era Hida Yato, mas felizmente estava apenas desmaiado. 

A construção era ainda mais estranha do que antes. Havia uma círculo de terra no meio e muros que se erguiam mais de três metros nas bordas; um pequeno ringue circular. Atrás desses muros haviam arquibancadas que iam subindo gradativamente até o topo da construção; o teto era o próprio céu estrelado e nele havia uma lua cheia enorme e amarelada. A construção em si era magnífica, porém, nunca havia visto nada semelhante. A forma como as arquibancadas estavam distribuídas pareciam permitir que cada um dos espectadores vissem a arena perfeitamente. 

Dentro do ringue, além de terra, haviam quatro enormes portões, formando uma cruz. Os portões eram feitos de ferro maciço, um desperdício de material. Não devo negar, porém, que deveriam ser resistentes o bastante para suportar a investida de um oni furiosooni que estava no centro da arena, se é que devo chamar aquele lugar por este nome, abriu os braços dando um urro ensurdecedor. O som ecoou perfeitamente para cada canto daquela construção e mesmo eu que estava longe senti meus ouvidos doerem. O oni finalmente havia notado o Leão parado em uma das portas e apontou para elechamando-o para o combate. 

 Karasu! – Akodo Ryu gritou, olhando por cima do ombro. 

shuguenja apressou-se para a arena e deu um passo para trás quando viu o oni. Ele era um pouco diferente dos tipos de oni que já viu antes e nem mesmo parecia um. Aquele oni ou o que quer que fosse, não parecia bestial. O oni não era muito maior que Hida Hiato, porém era muito mais musculoso, quase o dobro. Vendo os dois Samurais, ele bateu no peito com as mãos. 

 Apenas um pode desafiar de cada vez! – ele gritou com raiva – Você será minha segunda vítima hoje, Leão. 

O Leão não precisou mover-se até o meio da arena, pois ele sentiu uma força o puxando na direção daquela criatura. Akodo Ryu tentou puxar uma de suas espadas, ele sentia vindo a mão e puxando a arma, mas quando olhava estava sem nada a mão e a katana ainda estava a bainha. 

 Tolo! – o oni debochou – você terá de lutar com as mãos vazias. 

Com um avanço, o oni colocou sua perna no meio das pernas de Akodo Ryu e o empurrou para trás, segurando por seu quimono. Seus instintos mostraram para ele que caminho tomar e o Leão segui-os a risca, mas o oni foi mais rápido. O Akodo tentou tirar as mãos do demônio de suas roupas, mas o adversário tirou seu equilíbrio e o pegou pelas pernas. O oni o ergue do chão e bateu suas costas violentamente contra a arena. O Leão cuspiu sangue e sentiu a armadura ranger com o impacto. O demônio levantou-se, erguendo os braços para a sua vitória e a multidão foi à loucura, uma vitória muito fácil para ele. Enquanto isso, eu consegui voltar a mover meu corpo depois de me concentrar um pouco. Levantei ainda zonzo e ajudei Hiruma Seta a levantar-se. Nós seguimos com dificuldade até a entrada da arena e chegamos em tempo de ver Kuni Karasu ser jogado ao lado de Akodo Ryu que estava levantando-se com sangue no canto da boca. 

 Samurais fracos – gargalhou o oni – Vocês são nada mais que moscas e parece que outras duas chegaram para serem esmagadas. 

O demônio virou-se para mim e senti quando meu corpo foi forçado a ir contra ele. Minhas pernas não me obedeciam, mas quando comecei a correr na direção dele eu senti o controle delas voltarem para mim. Minhas mãos foram para as espadas e senti-as em minhas mãos, mas elas não estavam ali. O demônio riu e lançou as mãos para mim. Baixei meu corpo para desviar e o agarrei pala cintura o erguendo do chão, para um monstro tão grande ele era leve como uma pena. A criatura soltou-se de mim e me pegou em um dos braços. Senti meu corpo deixando o chão e ser arremessado por cima do ombro dele. Eu não fui arremessado com muita força, mas ao cair no chão eu senti meus ossos se partindo. Eu cuspi sangue e não consegui mais me mover, apenas gemi de dor e olhei para Hiruma Seta. 

O Caranguejo já estava agarrado com o oni, eles lutavam ferozmente para ter o controle do agarrão, mas  ficaram empatados todas as vezes. Hiruma Seta empurrou o oni para trás que acabou perdendo seu equilíbrio e essa foi a brecha que ele queria. Hiruma o pegou pelas pernas e, assim como foi feito com Akodo Ryu, o oni foi jogado contra o chão com força. O oni simplesmente transformou-se em fumaça negra, no entanto. Quando o oni desapareceu, a dor foi amenizando e consegui me levantar novamente. 

 O que foi isso? – eu perguntei com um gemido. 

 Isso não pareceu Sumai para vocês? – Akodo Ryu perguntou batendo a areia das roupas. 

Ele estava certo. O que nós enfrentamos naquele lugar era idêntico a uma das provas do Torneio de topázio e nós deveríamos continuar avançando para sair daquele lugar, pois nosso tempo estava acabando. Uma porta de madeira formou-se a poucos metros de onde estávamos no meio do ar. A porta dava para lugar nenhum e quando a abrimos podíamos ver o outro lado da arena. 

 Que ótimo, a única possível saída leva para lugar nenhum – Kuni Karasu bufou. 

Ouvi dentro de minha cabeça uma voz conhecida por mim me mandando atravessar a portaHime insistiu para que eu passasse pela porta e foi o que eu fiz, mesmo ainda relutante. Atravessei a porta e o ar deformava-se, como se eu passasse por uma película transparente. Os outros se entreolharam quando me viram desaparecer no meio do ar e seguiram. Um a um eles atravessaram a porta, e assim todos nós morremos. 

Brincadeira.


Nota do Autor:


Primeiramente gostaria de desejar a todos um bom dia, finalmente consegui postar uma memória com horas de antecedência, vejo isso como uma vitória pessoal.

Para aqueles que acompanham o que escrevo espero seu suporte por um pouco mais te tempo e devo adiantar que estou iniciando um novo projeto e que entrarei em um concurso literário com esse projeto. Espero profundamente que ganhe tão concurso, não estou em busca de dinheiro para continuar escrevendo Lágrimas de jade, escrevo porque gosto e porque alguns de vocês parecem gostar também, mas estou precisando de um Pc novo porque o meu antigo explodiu. Vamos ver se com o dinheiro do concurso eu consigo montar um pra mim.

Desejo a todos um ótimo fim de semana e espero que gostem do capitulo.



Por Yamimura | 28/10/18 às 10:38 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Romance, Brasileira, Drama, Maduro, Horror