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Memória 18 - Surpresa

Lagrimas de Jade (LJ)

Memória 18 - Surpresa

Autor: Yamimura | Revisão: Shinku

Mais uma vez aquela sensação horrível tomou conta do meu corpo. Sentia uma energia penetrando por minha pele, alimentando o meu Vazio, mas era forçado e doía. Eu apertei os olhos, ou acho que apertei, porque tudo era muito escuro e não conseguia enxergar. Era uma sensação inexplicável de solidão estar naquele lugar, quase como se aquilo fosse o mundo real e tudo o que vivi até aquele dia fosse apenas um sonho para fugir dessa triste realidade. Concentrei-me em meu Vazio. Lutar contra aquela força me parecia besteira, então resolvi aceitá-la, talvez tenha sido por isso que fiquei paralisado da outra vez. A vertigem acabou e senti ter saído daquele espaço escuro, abri meus olhos e vi que estava ajoelhado em um dojo comprido. Meus aliados ao lado e à frente um velho homem que nos encarava mal-humoradoÀ sua frente estava o jovem rounin que Hiruma Seta estava apadrinhando, e ao lado dele, desmaiada, estava a Voz da ImperatrizMiya Otome. Ela não parecia ferida, provavelmente já estava desmaiada quando chegou aqui. 

Otome-sama era a líder da família Miya, uma das famílias nobres que serviam diretamente à ImperatrizEles serviam, principalmente, como mensageiros oficiais do imperador e como cortesãos na corte imperial. Lei era a especialidade dessa família. Otome-sama vestia um quimono verde limão decorado para indicar sua posição na corte da Imperatriz. Em sua manga, uma tira de tecido com o símbolo que lhe indicava como a Voz da Imperatriz. 

 Mais alunos para fazer a prova – o velho ranzinza falou  aproximem-se, eu espero que vocês tenham findo mais preparados que este tolo e esta preguiçosa. 

 Preguiçosa? – Akodo Ryu perguntou erguendo uma sobrancelha. 

 Sim – ele disse dando um tapa na perna – esta menina preguiçosa está dormindo desde o dia que chegou. 

O velho professor apontou para Otome-sama sem nenhum respeito com a posição dela no Império. Akodo Ryu pareceu ficar irritado com essa falta de respeito, mas Kuni Karasu o acalmou dizendo que isso provavelmente não passava de uma ilusão, assim como o oni na sala anterior. 

 Para o seu teste, eu quero que vocês me digam o Clã, Família, Nome pessoal e o nome do pai deste homem – ele  apontou para um homem que foi levantando-se. 

O homem fez uma reverência para nós e para evitar a falta de cortesia, nós fizemos o mesmo. Depois disso nós tínhamos certeza que onde quer que estivéssemos nós estávamos em uma ilusão do Campeonato de Topázio. Os Caranguejos ainda tentaram adivinhar, mas eles não tinham o conhecimento da heráldica de outros Clãs. O Leão foi o que chegou mais perto de dizer corretamente, acertando o nome pessoal. Para a sua sorte, aquele homem era alguém muito conhecido nas histórias que ouviu pelos seus Irmãos Ikoma. Aquele era Matsu Shisui, do Clã Leão membro da Família Matsuóbviamente. 

 E o nome do pai de Shisui? – o velho perguntou esperançoso. 

Eu... Eu não sei – Akodo Ryu disse com os ombros caídos. 

 Incompetente! – o velho deu um tapa forte na própria perna – eu não consigo acreditar que você não consegue responder uma pergunta tão fácil. Você, Shosuro Ichijou! 

 Sim, mestre? – eu perguntei levantando meus olhos para o velho. 

 A mesma pergunta que fiz para Akodo Ryu – ele apontou para uma mulher. 

Uma linda mulher levantou-se, seu rosto coberto por um leque vermelho sangue e uma máscara. A máscara lhe cobria ao redor dos olhos, como um óculos sem lentes. Eu senti um arrepio que percorreu toda a minha espinha e me ajoelhei ao chão curvando-me para aquela mulher. Eu sabia que ela era apenas uma ilusão, mas será que ela era realmente apenas isso? Aquela mulher passava uma pressão tão grande quantHime me passou, mas a dela eram agulhas perfurando minha pele. A mulher fechou o leque e sorriu, satisfeita por eu ter a reconhecido de imediato, e como eu não poderia? 

 Oh, um aluno dedicado – o velho ficou satisfeito – Já que foi tão fácil você a reconhecer, eu irei modificar a pergunta: Eu quero que você me diga além do que perguntei, diga seus títulos, o nome de seus dois filhos e seus amantes. 

 Você pode levantar a cabeça, Ichijou  a mulher falou. 

Eu levantei a cabeça imediatamente ao seu comando, mas não me atrevi a olhar para ela. Voltei a olhar para o velho, mas a Escorpião saiu de onde estava e foi andando até se colocar entre mim e o velho. Seu quimono era muito fino e revelador, você não esperaria nada menos daquela mulher. Ela com certeza foi a criadora da ideia de usar seu corpo para seduzir. Seu quimono revelava a perna esquerda até a cintura e não usava roupa de baixo, mas não importava o quanto nem como se olhasse, você não poderia ver nada. A roupa caia levemente por seus ombros, revelando um pouco mais de sua pele e seus mamilos marcavam um pouco o tecido fino. O homem pensou em dizer alguma coisa, mas sob um sorriso gelado ele continuou em silêncio. Ela olhou para os outros que pareceram petrificar sob o olhar dela, sorrindo ela tornou a olhar para mim. Seu leque veio ao meu queixo e levantou meu rosto. Mesmo relutante eu a obedeci, mas não ousei lhe olhar. 

 Olhe para mim, Ichijou – ela disse com um sorriso. 

 Minha senhora, eu jamais ousaria... – eu falei, mas minhlíngua pareceu ficar colada. 

 Você é igualzinho a ele, mas você está enganado, Escorpião – ela sorriu e seus olhos se estreitaram – isso não foi um pedido. 

Eu a olhei imediatamente e seu sorriso ficou ainda mais largo. Era a primeira vez que estava olhando para alguém que era uma lenda dentro do Clã, Nossa Mãe. Quase ou talvez tão importante quanto a própria Shosuro ou o próprio Shosuro, ninguém sabe ao certo qual o gênero da pessoa que criou a Família Shosuro. Aquela mulher era tão linda que parecia um sonho, sua pele rosada tinha um cheiro que até hoje eu não consigo esquecer e seu olhar era ainda mais perigoso que qualquer arma. Ela passou os dedos em minha máscara, senti meu corpo tremer e seu sorriso mostrava que ela estava se divertindo com aquilo. 

A mulher andou para o lado saindo da minha linha de visão e quase não pude ouvir seus passos que a levaram até minhas costas. Ela abaixou-se tocando meus ombros e senti seus seios apertando-se em minhas costas. Eu suspirei, concentrando-me para manter a calma e ela apenas riu do meu esforço. Suas mãos se apertaram em meus ombros, me puxando mais para ela e sua boca aproximou-se de meu ouvido. 

 Agora meu pequeno Escorpião – ela sussurrou – responda as perguntas daquele homem corretamente e quem sabe eu possa... 

Eu engoli em seco com o que ela falou depois daquilo, e para que essa história não vá para outro gênero que eu já estipulei para ela, eu não irei dizer mais nada. Apertei meus olhos respirando fundo. Apertei minhas mãos em minhas pernas, ela sorriu olhando para minhas mãos e logo olhou para o professor com um sorriso diabólico. O homem apenas suspirou e continuou esperando sua resposta. 

 Esta é Bayushi Kachiko – gaguejei – do Clã Escorpião, da Família Shosuro, filha de Shosuro Koshurin. Conhecida como Mãe dos Escorpiões, Campeã e Trovão do Clã Escorpião, Conselheira Imperial e Imperatriz de Rokugan. Esposa de Bayushi Shoju de onde obteve o sobrenome Bayushi e após a morte de seu marido e de servir um longo tempo ao Imperador Hantei 39°, casou-se com o mesmo, tornando-se Imperatriz. Seus filhos foram Bayushi Dairu e uma criança sem nome que morreu assim que nasceu. 

 Muito bem dito, meu pequeno Escorpião – Kachiko-sama sussurrou em meu ouvido. 

Eu sentia sua mão deslizando por mim para dentro de meu quimono e um sussurro que me fez ficar completamente arrepiado. Ela riu baixo em meu ouvido e afastou-se graciosamente olhando para trás. Seus quadris dançavam a cada passo que dava e sentou-se novamente no lugar onde estivera antes. Só então eu consegui respirar novamente e meu pulso começou a normalizar. O professor ficou satisfeito com minha resposta e dando um tapa na coxa disse que eu tinha passado. Senti uma força misteriosa penetrando em minha pele e algo dentro de mim crescer. Aquela força parecia muito com aquela que se manifestava quando me concentrava no Vazio, até hoje eu não sei bem o que era aquilo, mas presumo que fosse a força que rege todas as coisas. Como os monges costumavam dizer. 

 Este é um aluno dedicado em conhecer seus ancestrais  ele disse orgulhoso – agora vocês podem passar e levem esta preguiçosa com vocês. 

O velho apontou para Otome-sama que ainda estava desmaiada. O ronin ficou paralisado de medo o tempo todo, mas recobrou a consciência quando o velho professor o mandou embora. Uma porta abriu onde antes era uma parede, mas dessa vez ela não era transparente. Através dela podia se ver apenas escuridão, mas como nós sabíamos que o único jeito de sair era passar por ela, nós continuamos. Atrás de nós o homem recomeçou a dar sua aula, explicando as melhores formas de estudarmos a heráldica e foi uma pena estarmos com tanta presa, pois essa aula seria muito útil. Eu olhei uma última vez para trás antes de passar pelo portal e tudo estava como era alguns segundos atrás, apesar do fato de Kachiko-sama não estar mais ali. Balancei a cabeça e passei pela porta e senti meu corpo ir caindo muito mais rápido do que antes. Concentrei-me em absorver a energia que se forçava em mim com meu Vazio e abri os olhos vendo que estávamos em uma clareira.  

Ao longo da clareira tinham poucas árvores e uma maior bem ao que poderia ser o centro. O cheiro de terra molhada era intenso e podia-se sentir as gotas de chuva batendo fria contra a pele exposta. O ambiente era cinza, mas apesar disso era possível sentir a vida na vegetação rasteira. Um caminho de terra pisada levava até a maior árvore, onde haviam duas figuras sentadas protegendo-se da chuva fraca. Os dois se vestiam como Heimins, mas um deles usava as cores do Clã Dragão, monges. O Dragão usava as cores verde esmeralda como cor principal, e dourado como complemento. Ele não era um clã muito rico, já que quase toda as suas terras eram compostas de florestas labirínticas e névoa. O Clã era conhecido pelo seu monastério, mas ninguém realmente sabia onde ele ficava. O mais interessante era que qualquer um poderia entrar para o monastério, seja um Eta ou um Samurai, a pessoa precisaria encontrá-lo assim se provaria digna. Assim sendo eles não tinha quase nenhuma terra para produzir alimento e não tinham tanta habilidade com o comércio como seus Primos, os outros Clãs. Eu realmente não entendo como um Clã assim conseguiu manter seu Status até aquele momento e não pretendo ir muito fundo nisso. Não é do meu interesse. 

Dos dois homens, um estava em profunda meditação, completamente ignorante de onde e porque estava. O outro pareceu ver-nos de longe e abriu um sorriso largo. Quando chegamos mais perto podemos ver que ele comia alegremente uma batata doce cozida e havia várias outras dentro do saco. Ele nos olhou e ofereceu-nos uma batata para cada, ninguém ali parecia querer receber, mas o homem insistiu. 

 Finalmente vocês chegaram  o monge disse – achei que tivessem se perdido por esse Reino. 

 E quem é você?  Kuni Karasu perguntou. 

 Eu? – ele disse – eu sou apenas um pássaro que voou até uma janela aberta. 

Ise zumi é como a casta dos monges é conhecida nas terras do Império. Sua posição social é a que eu considero mais estranha, particularmente. Eles são pessoas que abandonam tudo para viver em busca da iluminação. Família, títulos, dinheiro, nada disso importa para eles. Para nós, todo efeito eles são como Heimins, mas pior que eles isezumis não produzem nada. Eles falam apenas em enigmas e meias palavras. Alguns lordes por vezes procuram pela sabedoria que os monges trazem consigo para guiarem seus caminhos, mas eu não consigo me acostumar com eles. O Clã Dragão possui muitos monges da Ordem dos Togashi, sim, uma família inteira apenas de homens carecas com os pensamentos em um mundo completamente diferente. Nem todos os que carregam o sobrenome Togashi nasceram no Clã, aqueles que juntam-se a família depois de encontrarem o templo nas terras do Dragão podem tornar-se ou continuar mantendo seu Status de Samurai, apesar de serem isezumis, confuso certo? 

Não se engane, existem ise zumis que não perdessem aos Togashi. Existem muitos monastérios espalhados pelo Império, porém apenas os Togashi são Samurais. Essa dupla era um bom exemplo, eu não sei dizer de qual monastério era aquele velho irritante, mas o outro era claramente um Togashi e embora um deles tenha o Status de Samurai, os dois eram ise zumis. 

 Certo, Sr. Penoso – eu perguntei olhando para o outro – e o que o trás até aqui? 

 Eu estou esperando vocês, é claro – ele disse com um sorriso e notou que eu fitava o outro – quanto a esse camarada, eu não tenho ideia. Deve estar perdido nesse mundo como vocês estão. 

O outro monge abriu os olhos e olhou em volta confuso. Ele tinha sido tragado assim como quase todos pelo portal que abriu quando o Oráculo foi morto. Ele mesmo não sabia como veio parar diretamente aqui, mas desde que foi tragado pelo portal ele tinha estado meditando. Seu nome era Togachi Hoshi e como o outro monge tinha dito ele estava perdido nesse mundo como nos estávamos. Ele não tinha a menor ideia de que reino era aquele, mas ele disse que conseguia sentir uma ligação com o Vazio muito maior nesse lugar. 

 E porque um monge está nos esperando em um lugar como esse? -  eu perguntei. 

 Porque as estelas os levaram a um caminho sem portas – o monge riu  Apenas criando uma poderão passar. 

 E como achamos a saída? – Akodo Ryu perguntou. 

 Todos os caminhos são portas, assim como o ovo – ele disse seu enigma – onde o filhote deve quebrar sua casca para em um novo mundo chegar. 

 O que isso quer dizer? – eu perguntei. 

O monge sorriu e repetiu a mesma sentença. Depois daquela pequena conversa que tivemos não importava qual pergunta nós fizéssemos, ele sempre respondia a mesma coisa: “Todos os caminhos são portas...” e depois da quarta repetição eu vi uma veia saltando na testa de Kuni KarasuComo eu disse a você antes, monges conseguem ser irritantes, falando apenas em enigmas. Qual o problema dessa  gente de dizer as coisas diretamente? Se um dia você for se tornar um Ise zumi, pelo amor de Amaterasu, fale normalmente, é irritanteO monge colocou seis tigelas e vocês já devem ter entendido o que ele falava quando perguntávamos qualquer coisa ou comentávamos alguma coisa“Vejam como o céu está bonito hoje!”... “Todos os Caminhos são portas...”. Irritante. 

Embrenhamo-nos em meio aos arbustos, procurando qualquer coisa que desse sentido àquela charada, mas depois de procurar por vários minutos nada encontramos. A floresta ia ficando mais densa a cada metro que nos afastávamos daquela clareira. Os arbustos pareciam mais difíceis de transpor e maiores, mais 15 metros e estaríamos parecendo formigas. Quando já estávamos para desistir Hiruma Seta saiu de dentro de um arbusto com uma expressão estranha, ele não parecia acreditar no que tinha visto. 

 Qual o problema, Seta-san? – Kuni Karasu perguntou. 

 “Eu encontrei alguns ninhos de Peixe Tsu”  ele escreveu em um papel. 

Peixes Tsu é um animal muito estranho. Ele é um peixe enorme, muito maior que um cachorro e que por mais estranho que possa parecer eles podem andar em terra firme. Suas nadadeiras musculosas servem como patas e uma vez por ano eles veem a terra colocarem seus ovos. Suas cabeças são enormes e parecem com o cruzamento de um peixe com um sapo. Sim, eles não são nada bonitosÀs vezes eu me pergunto se em Rokugan existe alguma coisa que a natureza dê que seja bonita. A caça a esses peixes era um tipo de esporte, mas a cada ano seus números foram diminuindo devido a essa prática até que a Imperatriz decretou que a temporada de caça seria aberta apenas uma vez a cada 6 anos. Dessa forma, esses estranhos animais ainda seriam preservadosSua carne é muito dura para se comer então normalmente ela é distribuída entre os Heimins e Etas, para que não morram de fome, caçá-los para comer não é considerado crime, mas fazer apenas por esporte pode custar caro. Ouvi dizer que uma vila praiana do Império cria essas coisas em cativeiro, difícil de acreditar. 

 Talvez fosse isso que o monge queria dizer – Akodo Ryu – então o portal vai estar dentro de um desses ovos? 

 “Talvez ele queira que levemos os ovos para ele” – Hiruma Seta escreveu no papel – “As tigelas”. 

Seta-san passou pelo arbusto e guiou-nos por um caminho que tinha aberto entre as folhas. Ele advertiu que deveríamos fazer o máximo de silêncio que pudéssemos, pois os ninhos não ficavam muito longe. Em uma outra clareira um pouco menor que a primeira e mais arborizado ao pé das árvores mais grossas haviam ninhos feitos de galhos secos e pedras onde haviam pelo menos um ovo por ninho. Como haviam muitos arbustos era impossível ver quantas daquelas criaturas haviam precisamente, mas eu tinha uma péssima sensação. Passando os olhos eu conseguia contar pelos menos 20 e era impossível para mim dizer quais eram os machos e as fêmeas. Hm? Claro que isso é importante seu tolo. Por quê? Aquelas coisas estavam pondo ovos, mesmo que os machos fossem normalmente os mais agressivos, as fêmeas estavam 10 vezes pior. Proteger suas crias é o básico de toda criatura. Se você não foi amado por sua mãe não ponha culpa nos peixes. 

 Tem muitos deles – eu sussurrei – pelo menos 20, não 22. 

 “Eu contei 25, mas talvez existam mais” – Hiruma Seta escreveu – “Nos aproximarmos será perigoso, não acho que consigo chegar sem ser visto. 

 Seria suicídio – eu disse – precisamos de uma distração. 

Aqueles peixes não pareciam tão rápidos, desde que tomássemos cuidados estaria tudo bem. 

 Típico de um Escorpião  Kuni Karasu debochou – Sempre pensando em uma emboscada. 

 Talvez o Mestre Kuni queira convencer eles que estão máculas – eu disse – e forçá-los a cometer Seppuku. 

Nem me fale, as faíscas voavam o tempo todo entre mim e Kuni Karasu naquele tempo. Como o tempo foi ficando cada vez menor, mas não diria que nos tornamos amigos. Akodo Ryu suspirou e conferiu a informação do Hiruma; de fato haviam muitos deles e tentar uma aproximação furtiva seria improvável. 

 O que você recomenda, Shosuro-dono? – o Akodo perguntou. 

 Finalmente alguém que sabe pensar – eu suspirei  Eu acredito que eu e Seta-san somos os mais fáceis de nos esgueiramos por trás dos peixes enquanto vocês chamam a atenção deles. O problema é que nós poderíamos pegar apenas dois ovos de cada vez. Eles são grandes demais. 

Os ovos desse peixe são tão grande quanto a cabeça de um cavalo e frágeis como papel. O Leão concordou com o plano, mas sugeriu que mais alguém fosse junto, teríamos que pegar os 6 ovos de uma única tentativa e então fugir. Era muito arriscado ficar demorando demais perto daqueles peixes. Sua mordida era muito infecciosa e dificilmente alguém sobrevivia depois de uma mordida, além disso a musculatura do peixe fazia sua mordida ser forte o bastante para arrancar o braço de alguém. Decidimos que Togachi Hoshi também iria se esgueirar enquanto Kuni Karasu e Akodo Ryu chamariam a atenção daqueles animais. 

Hiruma Seta nos levou para o mais perto possível dos ninhos e esperamos os outros dois começarem. Akodo Ryu disparou de dentro de uma moita gritando e com um movimento cortou as costelas de um dos peixes. O animal ganiu de dor enquanto suas tripas iam se espalhando pela grama rala. A morte de um dos animais fez os outros entrassem em fúria atacando Akodo Ryu. Bolas de fogo viram de dentro da floresta enquanto Akodo Ryu partia em retirada atraindo vários dos peixes Tsu e essa foi a nossa chance. 

Saltamos de nosso esconderijo; Hiruma e eu pegamos 4 ovos silenciosamente, mas eu ouvi um barulho vindo de onde Togachi Hoshi estava. Eu fiz uma careta e como eu suspeitava, um peixe tsu percebeu o monge e correu na direção dele, pensei em ajudá-lo, mas o fazendo o peixe saberia da minha existência também. O monge deu um chute poderoso contra a cabeça do peixe, mas o animal ignorou a dor e o mordeu à cintura. A criatura mordeu com força e o monge gritou de dor, sua bocarra era grande o bastante para morder sua cintura quase por inteira. No momento que o monge sentiu mais uma poderosa mordida, seu grito morreu. Como em um passe de mágica o monge simplesmente sumiu junto com o peixe, e um arrepio passou por minha espinha. 

Por Yamimura | 04/11/18 às 20:33 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Romance, Brasileira, Drama, Maduro, Horror