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Memória 21 - Sacrifício

Lagrimas de Jade (LJ)

Memória 21 - Sacrifício

Autor: Yamimura | Revisão: Shinku

Depois daquelas palavras eu senti meu corpo responder e pude me levantar, mas o calor em meu rosto não iria passar tão facilmente. Notei o olhar de deboche do Kuni e Akatsuki, segurando um riso enquanto olhava para frente com o leque cobrindo o rosto. Olhei em volta, conferindo todos que estavam ali. Para a minha surpresa não estavam, antes eu achava que eles tinham apenas ficado paralisados como antes, mas eu estava errado. Onde estavam os dois Dragões? Eu pisquei incrédulo e olhei novamente apenas para ter certeza. Kitsune Aoshi tinha sumido, bem como o ronin, Hida Yato, A Voz da Imperatriz e o Kakita que encontramos na outra sala. Seria possível que ninguém tinha notado?

— Onde estão os outros? – eu perguntei.

— Eles devem ter ido para outras salas – disse Ryu – Você não deve ter ouvido quando conversamos sobre isso.

Estranho, eu não me lembro de ter ficado nenhum momento inconsciente, mas como todos concordavam não deveria discordar deles, naquele momento. Aproximei-me de minha noiva, sentando ao seu lado e olhei para o livro que havia aparecido ali. O assunto geral era sobre Lei e Bushido.

— Já que o Senhor me pareceu tão relaxado, jovem Shosuro – ela olhou para mim com um olhar inquisidor – Diga-me a quem pertence toda a terra do Império.

— A ninguém menos que a Imperatriz – eu respondi logo em seguida – de fato as terras são divididas entres os Clãs que servem abaixo da filha do céu, mas toda a terra apenas a ela pertence, pois são muitas propriedades para uma única pessoa gerir.

— Muito bem, você tem uma atitude ruim, mas prova ser um aluno aplicado – ela disse.

— Eu agradeço a boa instrução da professora – eu disse me curvando.

Ela balançou a cabeça gostando da resposta. Ela explicou um pouco do caminho do guerreiro, não por achar que não o conhecíamos. Que samurai não conhecia o Bushido? Para um Samurai esse código era a própria vida, a forma como agimos e pensamos, nem todos, é claro.

— Alguém... Diga-me uma das Virtudes do Bushido – ela disse fechando os olhos – e explique-a para os demais.

— Honra – o Leão disse, claro que ele disse. Honra era a virtude que os Samurais do Clã Leão seguiam acima de qualquer coisa – A mais básica das virtudes que um samurai deve ter. Honra ensina que todo Samurai deve se pôr sob julgamento pessoal, como o próprio Akodo escreveu: “Um verdadeiro Samurai só tem um juiz de sua honra ele próprio. Decisões feitas e como elas são executadas são meramente um reflexo de como se vive. Você não pode esconder-se de si mesmo.”

— Muito bom – ela disse com um sorriso satisfeito.

Nós conversamos mais um pouco. Aquilo mais parecia um debate do que uma prova. Ela nos dava pequenos resumos sobre Bushido, Etiqueta, Lei e até pequenas dicas sobre Heráldica. Começamos a falar de Etiqueta e sua importância no Império. Vocês devem entender o quão importante isso é, não preciso ficar dizendo aqui. Presentear alguém quando se paga uma visita ou negar duas vezes um presente para que uma pessoa possa oferecer três, isso é o básico. A mulher parecendo satisfeita assentiu para nós e apontou para uma porta que antes não estava ali. Levantamo-nos seguindo o caminho indicado e passamos para a próxima sala. Combinamos que deveríamos pensar um nos outros para que não nos separássemos e atravessamos o portal.

A já costumeira sensação veio enquanto passávamos por aquela região escura. Eu senti um vento forte balançar minhas roupas e cabelos. Dessa vez todos os que passaram estavam ali e o ali era um profundo e aterrador desfiladeiro. Vários metros separavam os dois paredões e não era possível ver onde começava a elevação de rochas. Apenas um profundo negro abismo de onde imensas árvores erguiam-se até o céu nebuloso. O vento ali em cima era muito forte, o bastante para derrubar alguém que não tomasse cuidado onde pisaria. Estávamos no alto do desfiladeiro, em uma superfície plana.

Em cima desse paredão que estávamos havia outro que se levantava mais metros há alguns passos de onde estávamos, e as copas das árvores seguiam essa elevação para o que parecia ser ainda mais alto que a formação de pedra.

— Vejam aquilo! – Akodo teve que gritar para que pudéssemos ouvi-lo claramente – Aquilo não parece uma pessoa?ue pudessemos ouvilo claramentecopas das arvores seguiam essa elevação para o que parecia seshido

— Não é aquela garota Matsu que você apresentou? – Kuni Karasu apertou os olhos olhando naquela direção – definitivamente é ela.

Virando-me na direção apontada eu olhei e apertei bem os olhos para distinguir, com certa dificuldade, um ponto amarelo berrante, presa entre os galhos de uma árvore muito alta. Eu não sabia se ficava mais impressionado daquela menina ainda desmaiada presa ali, sem ter sido derrubada pelas lufadas de vento constantes ou pelo fato do shugenja tê-la reconhecido quase de imediato. Alcançá-la seria difícil de onde estávamos. As árvores eram muito espaçadas, pular não seria uma opção viável. Teríamos que subir o paredão e só ai pensar em uma maneira de tirá-la de lá.

A subida seria difícil, principalmente para Akatsuki. Como estávamos em uma cerimônia ninguém tinha trago seus equipamentos. Óbvio que um Samurai nunca sai para lugar nenhum sem suas armas, mas o equipamento mais grosseiro não. Eu tinha um gancho em minhas coisas, mas não esperava precisar dele naquele dia e acabei deixando minhas coisas na pousada. Suspirei profundamente e olhei para o paredão. Seria uma subida difícil e não acho que Akatsuki conseguiria subir sozinha. Afastei-me um pouco para procurar um lugar mais fácil para subir e uma rota foi sendo traçada em minha cabeça enquanto via Hiruma Seta escalando rapidamente o paredão. Akodo Ryu foi o próximo. Ele tentou subir, mas o peso de sua armadura estava o atrapalhando. As pedras que ele escolhia para se apoiar não estavam conseguindo suportar todo o seu peso e depois de tentar duas vezes seu corpo já estava completamente encharcado de suor.

Akatsuki nem mesmo chegou a tentar, ela sabia que não iria conseguir e olhou para mim procurando por ajuda. Como uma shugenja do Garça ela não tinha jeito para aquele tipo de coisa. Tentar levá-la-ia apenas a uma desastrosa falha. Enquanto olhava para o paredão senti minhas roupas sendo puxadas e notei Akatsuki ali. Ela olhava para mim expressando não poder fazer aquilo sozinha. Eu realmente poderia ajuda-la, ou melhor carrega-la até o alto do paredão, mas seria um pouco vergonhoso para ela. Notei que Ryu ainda não estava conseguindo subir e que Karasu apesar de estar tendo problemas já estava na metade do caminho. Aproximei-me do Leão e dando uma palmada em seu ombro expliquei para ele o caminho que tinha encontrado pelas pedras. Talvez aquilo o ajudasse a escalar, mas isso seria com ele. Depois de explica-lo chamei Akatsuki e expliquei o que faria. Ela precisaria agarrar-se firmemente a mim enquanto eu escalava por nós dois. Seria problemático, eu admito isso, mas era a única forma que eu conseguia pensar. Ela ficou um pouco sem jeito e olhou para todos ali, mas eles estavam muito ocupados com seus próprios problemas.

― Não há outra maneira? - ela perguntou olhando para mim.

― Claro que há – eu respondi calmamente.

― Diga – ela perguntou animada.

― Você pode tentar subir sozinha – eu disse com um sorriso.

A raiva riscou seu rosto e ela bateu com o pé no chão. Não havia maneira de ela subir sozinha, como já disse antes. Se tivesse ela não teria vindo falar comigo em primeiro lugar, mas eu não poderia deixar de implicar com ela. Akatsuki sempre teria ótimas expressões quando estava brava, mas no final eu podia enxergar apenas a beleza por trás daqueles olhos flamejantes. Ela cruzou os braços, olhou para o Leão ou fingiu estar olhando, emburrada. Eu segurei um sorriso para ela e aproximei um pouco o rosto para sussurrar em seu ouvido, “Você não estava tão relutante ontem a noite”. Seus olhos ficaram arregalados quase saindo de suas órbitas e olhou nervosamente para os outros como se tentasse ver se eles tinham ouvido aquilo. Seu rosto ia ganhando um tom avermelhado e ela logo me olhou com raiva. Sua mão cortou o ar na direção do meu rosto, eu podia ate sentir a ardência em minha bochecha, mas ela parou. Baixou a cabeça e respirou fundo. Apertando sua obi ela apertou os lábios e olhou para mim com os olhos marejados.

Segurei um riso virando de costas e tirei duas Sais de meu quimono. Testei-os contra a pedra e parecia que meu plano iria correr bem. Olhando por cima do ombro a chamei e não demorou muito para sentir o toque quente e macio de seu corpo em minhas costas. Seus braços finos foram desavergonhadamente me envolvendo, apertando-se fortes contra mim. Os seios dela se apertavam e eu podia sentir o ritmo do coração dela disparar. Por um momento ela hesitou e por cima do ombro eu via o rosto dela. Seus olhos estavam apertados e ela murmurava que não deveria estar fazendo aquilo. Suas pernas se envolveram em minha cintura e apertaram com força, prendendo-se completamente. Eu pude ver um sinal de aprovação de Ryu e balancei a cabeça voltando minha atenção para o paredão á minha frente. Finquei a metal contra a pedra fazendo um barulho ensurdecedor, aquelas focas não tinham sido feitas para aquilo e senti o metal reclamando. Mas agora já estava feito, só me restava continuar.

Apoiando o pé em uma pedra comecei a escalar alternando entre as Sais, ficando-as contra a pedra o mais firme que podia e me puxava para cima. Por vezes eu senti o metal sendo torcido pelo peso e parava para conferir o estado, mas até chegar ao topo não tive muitos problemas. Finquei as sais pela última vez para me puxar, uma delas acabou quebrando e quase despenquei lá de cima. Akatsuki assustou-se apertando-se mais contra mim, um pouco mais e ela me cortaria ao meio com suas pernas. Hiruma Seta agarrou-me pelo quimono me ajudando a subir. Agradeci por aqui e Akatsuki soltou-se, se afastando com as orelhas vermelhas. Ela não estava olhando para mim naquele momento, mas podia imaginar que tipo de cara ela estava fazendo.

O Leão estava quase terminando de subir quando hiruma Seta e eu o ajudamos. Ele estava completamente coberto de suor e visivelmente casado por tanto esforço. Escalar com aquela armadura imensa não era coisa pra qualquer um. Deveríamos parar um pouco para dar-lhe tempo para descansar, mas haviam coisas muito mais urgentes. Uma ventania ainda mais forte que a primeira veio e com ela o som de galhos se partindo ecoou. Kaori despencou alguns metros até chocar-se contra um galho grosso que suportou seu peso. Não havia mais muito tempo, não sabíamos o que aconteceria com quem caísse naquele abismo e não estávamos muito desejosos de descobrir. Dentre nós o único que realmente parecia apto a conseguir salvar a garota parecia ser Hiruma Seta. Ele havia demonstrado suas capacidades atléticas quando escalou, sem muita dificuldade, aquele paredão.

O Caranguejo deixou seu equipamento junto à Karasu e puxou uma pequena tira de pano para amarrar suas mangas de forma que elas não atrapalhassem quando estivesse estalando as árvores. Qualquer erro poderia ser o último. Tomou distância, respirou fundo e pulou com toda a sua força. Eu tive um pouco de pena dele, eu poderia ter ajudado um pouco mais. Em meus bolsos havia um par de peças de metal que ao ser acoplada à mão poderiam ajudar melhor a escalar, mas não haviam motivos para me expor. Esse tipo de equipamento não é bem visto por Samurais, pelo menos os fora do Clã Escorpião, então como eu disse, não haviam motivos para expor que eu possuía aquilo. Hiruma Seta mesmo com as mãos nuas conseguiu habilmente agarrar-se aos galhos da árvore.

Para o Rastreador não pareceu muito difícil encontrar um caminho por entre as folhas e pequenos galhos que levassem até a Leão desmaiada. Ele passou algum tempo olhando para a condição dela e ao tocar nas costelas ele fez uma careta. Não era muito estranho, não sabemos como ela foi parar ali em cima, mas provavelmente caiu de um lugar alto. Além disso, aquela queda que presenciamos foi violenta demais para alguns ossos dela não terem quebrado. Ele colocou-a no ombro e procurou por uma maneira de retornar. Ele poderia simplesmente voltar pelo mesmo caminho que fez, mas ele não parecia seguro que os ganhos aguentariam o peso dos dois. Depois de algum tempo procurando ele desistiu, não havia outra maneira de retornar, mas ainda havia um problema. Para chegar até nós ele precisava dar um salto de alguns metros. Carregando alguém era impossível para ele. Ele teria que de alguma forma acordá-la ou os dois cairiam no abismo.

Seta colocou-a encostada na árvore e deu duas tapinhas no rosto dela, mas não havia nenhuma resposta. Ele tentou de mais algumas formas, mas foi um esforço inútil. O rastreador puxou um cantil e jogou a água na cara dela. Ele pareceu relutante no começo, mas vendo que não havia outro jeito, ele fez o que precisava. A garota acordou engasgando-se com a água e debatendo-se. A dor de alguns ossos quebrados incomodou-a de súbito e ela não parecia conseguir pensar direito. Por pouco ela não tombou para o lado e caiu do ganho, mas o Hiruma segurou-a pelos braços. Ela ficou confusa, mas reconheceu o homem a sua frente.

― Que lugar é esse? – ela perguntou confusa – O que aconteceu com os outros?

Seta apenas balançou a cabeça e demonstrou que não podia falar, ela apenas baixou a cabeça um pouco envergonhada por não lembrar daquilo, mas o Samurai deu-lhe um toque de conforto ao ombro. Apontando na nossa direção o rosto da menina iluminou-se quando viu Akodo Ryu, mas congelou quando viu o que precisava fazer para chegar ao outro lado. Ela não tinha certeza se conseguiria pular, mesmo não usando a pesada armadura que usaria durante o Torneio, ela não estava muito segura de saltar tantos metros. Hiruma esperou ela acalmar-se e a incentivou a pular. Ela tremia um pouco pensando no que poderia acontecer e olhou para Ryu procurando por alguma ajuda.

― Vamos criança, você consegue fazer isso! – Ryu Gritou – Lembre-se do seu treinamento!

Kaori respirou fundo. Seu senpai tinha razão, ela precisava lembrar-se de tudo o que tinha aprendido até ali. Samurais recebem um treinamento muito completo, mas obviamente Clãs e as Escolas dentro desses Clãs tinham abordagens diferentes. O treinamento de um Dragão seria diferente de um Fênix. Um Hida teria um treinamento diferente de um Hiruma, mesmo sendo do mesmo Clã. Eu não tenho tanto conhecimento sobre o treinamento da Escola dos Akodos, mas por ter um estilo bem mais militar seus dojos devem abordar um treinamento muito focado no físico, então não seria estranho ter práticas de escalada. Afinal, esperasse que um valoroso guerreiro do Leão estivesse preparado para qualquer tipo de situação em um campo de batalha. Ela tomou distância, baixou um pouco o corpo e correu. O ganho balançava violentamente enquanto ela movia-se e quando saltou eu ouvi um estalado estranho na madeira. Hiruma Seta segurou-se para não cair e olhou tenso para o galho sob os pés.

Apesar de ter feito um belo salto faltou-lhe força. Talvez por conta de seu medo inicial suas pernas negaram-se a funcionar corretamente no momento do salto. Ryu correu para frente e estendeu a mão para ela, de outra forma ela cairia no penhasco. O Leão segurou a companheira de Clã pelo pulso, mas não havia ninguém para segurá-lo. Seu corpo foi deslizando, enquanto os dois estavam prestes a cair na imensidão negra. Karasu e eu saltamos. Agarrando-o pela armadura e com algum esforço puxamos os dois para cima. Com um suspirou aliviado Akatsuki veio até mim, passou a mão e apertou meu ombro. Durante nossa peleja houve momentos que quase caímos junto com os dois Leões, mas conseguimos contornar a situação.

Hiruma Seta estava também aliviado, mesmo que seu rosto demonstrasse algum receio enquanto olhasse para nós. Depois do salto desajeitado da garota aquele galho já não era mais seguro. Ele deveria procurar uma outra forma de chegar até nós. Foi quando notei algo estranho. Como eu já tinha dito antes; Aquele lugar mudava constantemente, mas eram apenas detalhes. Como o padrão das folhas de uma árvore ou a posição de uma pedra, mas agora algo tinha mudado drasticamente naquele cenário. Ligando os dois paredões havia uma imensa e puída ponte de madeira. Seu rangido era alto e impossível de não ser percebido. Os outros pareciam tão confusos quanto eu ao verem aquela nova “figura” naquele lugar. Do outro lado havia um imenso portão avermelhado. Dois pilares horizontais e duas traves horizontais. Aquele tipo de estrutura era frequentemente visto nas entradas de templos e chamamos de Torii.

A ponte parecia segura o bastante para ser usada, mas ainda estávamos com receio de usar. O que garantia que enquanto passávamos aquela ponte não iria sumir sob nossos pés? Hiruma Seta conseguiu encontrar um caminho por entre as árvores para o outro lado e depois de algum tempo foi decidido que passaríamos. Arriscado, eu devo concordar, mas aquela era a nossa única alternativa naquele momento. Os dois Leões ofereceram-se para ir primeiro, se aquela ponte aguentasse os dois, ela aguentaria todos nós. Os dois foram se segurando nas cortas e passaram sem muitos problemas. Karasu ainda estava um pouco receoso, mas passou em seguida. Para mim a situação não foi tão simples. Quando estávamos passando, Akatsuki e eu ouvimos um guincho vindo de todos os lados. Brotando do chão, como se fossem criados da própria terra, criaturas que pareciam humanas. Esses golems surgiram dos dois lados da ponte e correram para cima de nós. Inicialmente eu pensei em correr para o outro lado da ponte, mas aquelas criaturas eram muito rápidas, fechando a distância que nos separavam em um piscar de olhos. Puxei minha espada para defender-me de um violento ataque e por pouco não fui jogado para fora da ponte. Akatsuki puxou sua wakizashi para me ajudar, mas eu a impedi.

― Corra! – gritei atacando a criatura a minha frente.

A ponte não era muito larga. No máximo um metro e meio de largura, seria impossível duas criaturas me atacarem daquela forma. Akatsuki concordou com a cabeça e correu dando as costas. Mais a frente o combate se desenrolava mais facilmente. Hiruma Seta depois de recuperar sua espada desferiu um pesado golpe contra um dos golems, raspando-lhe o peito rochoso. Para uma katana comum aquele golpe teria feito-a cegar ou até mesmo quebrar, mas estávamos falando do poderoso aço criado pelos Kaiu. Haviam menos criaturas impedindo a passagem para o portal que as que tentavam atravessar a ponte, então não foi difícil abrir caminho. Sob os ataques desenfreados de meus companheiros as criaturas foram rapidamente sendo derrubadas uma a uma.

Com o caminho agora livre eles pareciam passar, mas esperaram por mim, que meigo. Infelizmente, as coisas do meu lado não estavam tão favoráveis. A criatura de pedra não me deixava fugir, seus ataques batiam sempre no lugar certo me impedindo de me mover e fora me empurrando para trás. Sob aqueles ataques eu tive sorte de não ser derrubado, mas meus braços tremiam segurando quase que por um milagre minha espada. Com um golpe mais forte eu fui jogado contra uma das cordas que sustentavam a ponte. A coisa passou por mim balançando violentamente a cada passada. Eu vi mais duas ou três daquelas coisas passando por mim, mas consegui acertar um golpe nas costas da terceira que parou. Girando o corpo, ela atacou-me e gritei de dor. Seu golpe acertou em meu braço e meus ossos não resistiram àquele ataque.

Minha visão ficou escura por um segundo e desferi um golpe com a espada quase no mesmo instante. Infelizmente devido a dor, não havia força em meu golpe. A criatura apenas virou-se de costas correndo de mim quando senti algo perfurando através de minhas costas e saindo no meio de meu peito. Uma estava. Uma ensanguentada estaca de pedra afiada, sentia meu peito sendo empurrado. Meus ossos rachavam a medida que aquela massa de terra alargava aquele buraco. Eu já não sentia nenhuma dor. Talvez aquela dor deveria ser tão grande que meu cérebro tenha desligado essa função. Ouvi um grito desesperado do outro lado da ponte. Akatsuki estava caída ao chão com as mãos ao rosto. Ela me olhava com um misto indecifrável de sentimentos estampados em seu rosto. Uma das criaturas saltou para atacá-la. Ela não se ialargada, apenas olhava para mim e rastejava na minha direção. As lágrimas brotavam em seu rosto enquanto ela balbuciava alguma coisa. A criatura teria a matado se meus companheiros não tivessem intervindo.

Eu apenas sorri. No fim, pelo menos ela ainda estaria a salvo. Dei um passo para frente sentindo a pressão puxar meu peito, esmagando-o contra ele mesmo e aquela estaca deixar meu corpo. O sangue jorrou na madeira podre sob meus pés e eu ataquei com toda a minha força. A espada reclamou com aquele ataque, mas eu não me importava. Nada mais importava para mim naquele instante. Eu via aquelas várias coisas vindo na minha direção. Dei um passo para trás e gritei com toda a força que ainda me restava.

― Akodo! – eu sentia o sangue enchendo meus pulmões enquanto eu tentava continuar a falar de uma forma clara – Tire Akatsuki daqui, prometa!

O Leão olhou para as minhas costas, nenhuma palavra minha. Seus lábios tremiam tentando deixar sua voz sair, mas nada vinha. Ele apertou o cabo de sua espada e arregalou os olhos quando gritei novamente.

― Prometa, Leão! – eu gritei mais uma vez, cuspindo uma quantidade inacreditável de sangue.

― Eu prometo! – ouvi seu grito cheio de convicção.

Eu respirei fundo e puxei minha Força. O vazio em mim espalhava-se por cada uma das fibras de meus músculos. Podia sentir mais uma vez, apenas por um breve momento, como se meu corpo estivesse saudável. Virei-me de frente para eles, meus lábios moveram-se enquanto olhava para Akatsuki. Seu rosto tornou-se surpreso e logo triste mais uma vez. Ela havia entendido o que eu queria passar a ela. Akatsuki gritou levantando-se, mas o Leão a segurou pelo pulso. Ele não iria quebrar a sua promessa, eu confiei-a ao homem certo naquele momento. Meus olhos foram de encontro a Ryu que consentiu.

― Eu não o perdoarei se quebrar essa promessa, Leão – eu sussurrei, mas tenho certeza que aquele homem escutou aquelas palavras.

Com um movimento rápido e com a força vindo do meu Vazio, cortei transversalmente a ponte. Sem nenhuma resistência as cordas e madeira foram separadas e pude sentir uma força invisível me puxar para o abismo. As criaturas que tentavam atravessar a ponte tentaram virar-se para fugir, mas não havia mais tempo. Assim como eu, elas despencaram por entre as árvores tentando agarrar-se a elas. Para mim, apenas tentar já era impossível, meu corpo não se movia e minha katana caia bem ao meu lado. Olhei para ela e suspirei.

― Sinto muito, Hime – eu pensei, minha voz não estava mais saindo. A última coisa que vi foi o rosto de Akatsuki. Eu lembrei da forma como ela chorava e amaldiçoei minha própria impotência. Um homem não deve fazer a mulher que ama chorar, mas eu fiz. Talvez eu não merecesse ela no final.

Sinto muito meu amor, pelo menos você não irá mais precisar chorar por alguém como eu.

Nota do autor:


Boa tarde meus caros leitores, devo me desculpar pelo que aconteceu na semana passada por não ter postado nenhuma memória, mas essa semana eu fiz um esforço para postar duas ao mesmo tempo e mais tarde eu irei postar um capitulo a mais para compensar pelo imprevisto. Sinto muitíssimo para quem eu deixei esperando, mas semana passada eu fiquei totalmente impossibilitado de postar um capitulo, por falta de tempo e de pc, mas a boa noticia é que o novo que comprei finalmente chegou. Agora irei finalmente voltar ao ritmo normal de postagens. Espero que gostem e esperem pelo capitulo 22 que postarei mais tarde.















o menos você não irá mais precer que ama chorar, mas eu fiz. Talvez eu não merecesse ela no final. já era impossivel, meu corp

Por Yamimura | 25/11/18 às 15:03 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Romance, Brasileira, Drama, Maduro, Horror