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Memória 22 - O estranho

Lagrimas de Jade (LJ)

Memória 22 - O estranho

Autor: Yamimura | Revisão: Gabriel Morais

Akatsuki ainda olhava desacreditada. Nenhuma palavra saía de sua boca. Seus olhos marejados e o rosto pintado pela perda de seu amor. Sua falta de força estava martelando sua cabeça enquanto ela martirizava-se por não ter feito nada para impedir Ichijou de morrer. Ela não ligava para nada. A luta que acontecia à sua volta não importava. Ela tremia, seus soluços estavam cada vez mais altos enquanto ela curvava-se sobre si. As últimas palavras de seu amado ainda ecoavam em sua cabeça. Mesmo ele não tendo necessariamente falado nada, sua afável voz, que ela ouvira tantas vezes, reproduziu-se automaticamente em sua cabeça. “Sinto muito meu amor, eu fiz você chorar novamente”. Essas simples palavras alimentavam o turbilhão dentro dela. Akatsuki entendia que deveria ir embora dali, mas seu corpo se recusava a deixá-lo para trás. O pensamento de atirar-se ao abismo para encontrá-lo mais uma vez, mesmo que apenas mais uma vez, passou em sua cabeça. Aquele pensamento nefasto foi afastado com um toque suave em seu ombro.

Ela tremeu ao sentir a mão de alguém lhe tocar e ergueu os olhos inchados pelas lágrimas. Ryu olhava para ela. Seu semblante era de tristeza, ele parecia entender o que ela estava sentindo, mas precisava ser forte. Ele havia feito uma promessa, promessa essa que teria certeza de cumprir.

― Nós precisamos seguir em frente – ele disse com o pesar na voz.

― Eu... – Akatsuki tentou dizer alguma coisa, mas rompeu em lágrimas uma vez mais.

― Não se preocupe com ele – Ryu deu-lhe uma tapinha no ombro – Shosuro-san deve encontrar uma forma de voltar.

― É impossível que ele esteja vivo depois daquelas... – Karasu disse, mas foi interrompido por uma cotovelada de Seta. Eles entendiam que o Escorpião morreria devido àquela gravíssima ferida, mas haviam coisas que não podiam ser ditas a alguém de luto. Felizmente, Akatsuki não parecia ter escutado o que o Caranguejo falou. Ryu ajudou-a a levantar-se. O Portal estava aberto agora. Diferente de antes, onde os corpos evaporavam aqui, os cadáveres amontoavam-se espalhando seu sangue enegrecido corrompendo a terra. O cheiro de morte e sangue estava pelo ar. Akatsuki olhou mais uma vez para o abismo e com um dor muito além de qualquer outra que sentiu, virou as costas. Limpou o rosto pálido e caminhou com a ajuda de Ryu. O Leão manteve o contato não mais que o necessário na Garça e afastou-se um pouco andando à frente dela. Seus passos eram firmes, mas havia luto. Lento e com o peso de ter perdido um aliado, que mesmo que apenas por pouco tempo tornou-se alguém que deixaria a marca da perda.

Ryu sabia que não era seu dever, não era nem mesmo alguém que fosse considerado amigo de Ichijou, mas como um filho do mesmo Clã, o Leão devia prestar respeito e informar à mãe do Escorpião de sua provável morte. Nunca havia a encontrado de fato, mas ela era uma figura muito respeitada e conhecida dentro do Clã, e por ter conhecido seu filho quando ainda era vivo o Akodo viu-se na obrigação de fazer aquilo. Aquele trabalho deveria ser da noiva do rapaz, mas dado a atual condição da pobre garota o Leão jugou que ela ainda não estava pronta. A morte dele havia acontecido há pouco, que tipo de monstro julgaria alguém por perder seu amado? Apenas demônios do Jiguku e Perdidos teriam tamanha frieza.

O Leão foi o primeiro a passar pelo portal, seguido pelos outros. Akatsuki foi, no entanto, a última a passar. Algo ainda a prendia ali, uma vontade de jogar-se precipício a baixo para poder pelo menos na pós vida encontrar seu amado. Seu peito doía como se uma espada cega rasgasse sua carne e transpassasse seu coração. Sua mente estava em branco, ela não conseguia pensar em mais nada além daquilo. Seus olhos estavam vazios, como os de alguém que lhe foi negado o direito de viver, alguém que teve tudo o que lhe era de importante arrancado e deixado apenas as migalhas para trás.

Em um lampejo de saudades ou talvez de esquizofrenia, ela viu a imagem de um homem olhando para baixo diretamente ao precipício. Ele vestia roupas totalmente brancas e seus cabelos eram tão lisos e suaves que mais pareciam parte de uma pintura. Akatsuki ficou espantada e seu coração apertou quando viu que o homem ali parado era a imagem e semelhança de seu falecido noivo, mas havia algo diferente. Ichijou era um homem bonito, não havia nenhuma dúvida nisso, mas aquele ali parado tinha um esplendor quase divino. Sua expressão era de uma paz inumana e seus olhos transpareciam bondade.

Seu noivo era um bom homem, mas a expressão dele nunca seria daquela forma, seus olhos nunca demonstraram nada além de pura sedução. Em seu amago ela sabia que havia algo errado, aquele não era seu Ichijou. Quem poderia ser, então? E seja lá quem fosse, porque ele tinha a mesma aparência de seu amado? Ela aproximou-se cuidadosa, buscando não fazer nenhum barulho, mas ela não tinha a mesma habilidade que o Escorpião. Seu pé bateu em uma pequena pedra que rolou na direção daquele homem.

O coração dela parou por um segundo, ela tinha medo do que podia acontecer se fosse descoberta ali, mas traindo suas expectativas o homem continuou parado olhando para o abismo sob seus pés. Ela continuou olhando para o homem que ficou em silêncio um pouco mais. Ele não tinha nenhuma arma e mesmo que ela não fosse uma guerreira ela sabia que conseguiria defender-se de um homem desarmado. Aproximou-se um pouco mais para ter um vislumbre melhor do homem ali parado, mas congelou no lugar quando ouviu a voz levemente distorcida do homem que amou um dia.

― Você sente a falta dele? – o homem falou, sua voz era idêntica a de Ichijou, mas havia uma leve distorção nela, uma mudança tão sutil em seu timbre que apenas ela que passou tanto tempo com seu amado podia saber a diferença.

― Quem é você? – Akatsuki perguntou com a voz trêmula, mas reuniu toda a sua coragem para aproximar-se e ver aquele homem mais de perto.

― Quem eu sou ou o que eu sou não tem nenhuma importância – o homem disse dando um sorriso caloroso e cheio de vitalidade. Seus olhos eram prateados e havia uma luz de sabedoria, ele tinha um ar de alguém mais velho. Ela já estava acostumada com aquele tipo de arrogância, seu pai e seu sensei tinham aquele tipo de comportamento. Mesmo seu sogro tinha aquele tipo de atitude algumas vezes. O homem tirou sua atenção do abismo e fitou ela diretamente – O que importa é o que você está sentindo nesse momento, menina.

― Eu não sou uma criança! – Akatsuki disse com raiva. Ela sempre era provocada por seu noivo daquela forma, mas ouvir alguém tentar fazer o mesmo sendo que nem mesmo sabia com quem estava falando era no mínimo aborrecedor.

― Oh, sinto muito por isso – ele disse surpreso, não pareceu sua intenção deixa-la irritada de alguma forma – Foi apenas o hábito, não se incomode com isso, por favor.

― Por que você tem a aparência de meu noivo? – ela perguntou.

― Essa é a aparência que você desejou ver – o homem disse – nada mais, nada menos. Seu noivo deveria ser alguém muito importante para você. Sua dor foi quem me trouxe até aqui, talvez para tentar impedi-la de fazer algo que não haveria volta.

― E o que eu iria fazer que precisasse impedir-me? – Akatsuki perguntou surpresa.

― Você pensou em pular daqui – o homem disse com tristeza na voz – acha que isso mudaria o que aconteceu? Sua morte não o traria de volta.

― Desculpe por ser grossa, mas isso não lhe diz respeito – ela disse erguendo uma sobrancelha.

― De fato, eu não estou aqui para obriga-la – o homem disse com um sorriso – mas se fosse ele em seu lugar agora e você tivesse dado a vida para salvá-lo; você gostaria que ele se matasse para encontrar com você?

― Não – ela disse um pouco envergonhada – além disso, eu tenho certeza que ele não faria algo tão estúpido.

― Por que você acha isso? – o homem perguntou curioso – você não acha que ele te amasse tanto?

― Não diga besteiras usando a boca de meu noivo – ela disse com raiva – eu sei que ele me amava, ele apenas não pensaria nesse tipo de coisa.

― Será mesmo que ele não pensaria? – o homem voltou a olhar para o abismo – homens são criaturas fascinantes sabia? Criaturas muito simples, no entanto. Ele certamente teria pensado no mesmo que você pensou, tenho certeza disso. Seu último pensamento foi para você, nem mesmo a própria vida era mais importante que sua segurança.

― Como você pode saber? – Akatsuki perguntou confusa.

― Eu sei de muita coisa – o homem disse – Poucos fariam o que ele fez por você. Muitos dizem que daria as suas vidas por aqueles que amam, mas quando o momento de desespero chega, abandonar é muito mais fácil. Apenas os realmente corajosos e os que amam de verdade poderiam chegar a dar a própria vida. Talvez tenha sido isso que me trouxe aqui de fato. Sacrifício.

― Eu não ligo para o sacrifício, ele não precisava ter feito aquilo – ela disse e uma lágrima começou a escorrer por sua bochecha – eu só queria que ele estivesse aqui. Ele era um imbecil, mas era o meu imbecil.

― Sua dor é muito grande, nada do que eu possa dizer irá amenizá-la, mas morrer não seria o que ele iria querer para você – o homem disse – viva por ele, é tudo o que você pode fazer nesse momento.

Akatsuki piscou e enxugou as lágrimas por um momento. Viver não era mais uma opção, não sem o seu amor, mas ela poderia pelo menos tentar. Ergueu a cabeça para encarar o estranho homem novamente, mas ela agora estava sozinha à beira do penhasco. Ela olhou para baixo e aquilo parecia tentar engoli-la, ela não tinha medo, era na verdade o seu desejo ser engolida e com sorte ser levada para o mesmo lugar que ele. Lágrimas voltaram a correr descontroladamente e não importava o quanto ela tentasse, não havia como pará-las.

Ela abaixou-se ficando de joelhos na borda do precipício e fez uma oração pelos pequenos deuses para protegerem seu noivo. Havia ainda uma pequena chama, quase extinta, de esperança que aquecia seu coração. Talvez a conversa com o estranho homem tenha lhe feito as brasas em seu peito tornarem a ascender. Ela continuou as preces um pouco mais e ousou ir um pouco mais além, pedindo pela intercessão do próprio Vazio. O Vazio não era como os outros elementos, não havia kamis ligados a ele, havia apenas o poderoso Dragão do Vazio. Ela não era um Ishiken, pois não tinha o talento para tal, mas ela poderia pelo menos tentar apelar para que o Dragão o salvasse. Ela apertou as mãos uma contra a outra e rezou ao Vazio com tudo o que tinha. Continuou ali por um longo tempo fazendo várias preces e quanto já estava completamente exausta ela levantou-se. Derrotada e mesmo depois de tanto pedir não houve nenhuma resposta. Ela esperava algum tipo de sinal, dado que suspostamente estava em um reino próximo ao próprio Vazio, mas não houve nada. Caminhou lentamente em direção ao portal e o atravessou, mas não antes de ter um último vislumbre do lugar que lhe havia tirado o que era de mais precioso.

A porta levou-os para o meio do nada; um campo aberto indescritivelmente extenso. Capim seco podia ser visto cobrindo todo o solo até onde a escuridão podia permitir. Apenas as estrelas iluminavam aquela planície aberrante. Havia, mais ao fundo, um aglomerado de sombras disformes que em um raio de lucidez o Leão conseguiu discernir como uma floresta e ainda mais distante havia uma cadeia montanhosa que longe demais para a percepção humana funcionar corretamente parecia ondular ao sabor do vento noturno. O ar ali era um pouco seco e misturado ao cheiro da grama alta havia sal, o mar deveria estar próximo.

Ryu esperou que todos tivessem terminado de passar pelo portal, apenas havia notado que deixara a noiva de seu companheiro caído para trás e sua consciência pesou. Ele temeu o pior achando que ela iria cometer algum tipo de besteira, mas sua mente aliviou-se, junto a seu coração de guerreiro, quando viu a mulher passar. Ainda havia uma mistura confusa de sentimentos em seu rosto. Havia tristeza e melancolia, mas um brilho novo de determinação. Ela pareceu colocar sua mente no lugar naquele momento. Seus olhos delicados estavam fundos, inchados e sua maquiagem borrada pelas lágrimas já secas em suas bochechas.

O Leão não havia notado aquilo, talvez ninguém tenha notado; nem mesmo a mulher que estava de luto, mas havia algo sobre o tempo que era diferente naquela dimensão. O tempo passava diferente em cada sala pela qual eles passavam. Não entenda errado, o tempo não passa mais devagar na sala anterior, na verdade ele passa de forma completamente aleatória. Em uma sala o tempo pode passar da mesma forma que a outra, mas ninguém poderia garantir que o mesmo aconteceria na próxima. O motivo pelo qual o Leão não havia notado o longo sumiço de Akatsuki se dava exatamente por esse motivo. O tempo na sala que estavam agora passava muito mais devagar que na anterior.

O Akodo virou-se para frente e apertou os olhos quando notou uma movimentação suspeita mais ao longe e o vento pareceu lhe trazer o final de uma frase que lhe foi muito confusa naquele momento, mas que lhe trouxe um alivio ainda maior. Havia ficado preocupado antes com algumas das pessoas que lhes acompanhavam em viagem, mas esse sentimento foi ceifado com o anúncio que o vento agora mais morno pela felicidade lhe banhou a face abatida.

― Ei! – O Leão gritou a plenos pulmões, mas a mistura do vento e distância entre eles pareceu impedir o monge de escutá-lo.

― Por que você está gritando, homem? – Perguntou Karasu aflito.

A ausência da lua conferia aquele lugar um ar ainda mais mórbido e sombrio, apenas as estrelas iluminavam de forma porca aquela planície; mergulhando a todos em um apenumbra aterradora. Os tentáculos da escuridão mexiam com o cenário a volta e a fluidez de detalhes os deixavam com os nervos à flor da pele. O vento que soprava periodicamente trazendo sons distantes e incompreensíveis para a qualquer um deles, não ajudava em nada à acalmá-los.

As estrelas assim como tudo nas salas, por assim dizer, que passaram antes, mudavam constantemente e de forma aleatória; cor, intensidade e até mesmo posição, mesmo as que pareciam formar algum tipo de constelação não pareciam ter nenhum sentido lógico. Para aqueles como Hiruma Seta que normalmente guiava-se pelas estrelas, como qualquer bom rastreador Hiruma, instantaneamente ficou em choque, pois não sabia para onde ir. Momentaneamente perdido em terras desconhecidas, sentiu a espinha gelar, coisa que nem mesmo as infestuosas Terras Sombrias faziam com ele. Acalmou-se quando lembrou que nada daquilo era real, apenas mais uma ilusão que aquele plano pregava em todos ali.

― Eu vi Togachi Hoshi – Ryu disse – Indo naquela direção agora a pouco. Não cheguei de fato a vê-lo é claro, mas ouvi sua voz

― Você não está vendo coisas, ou melhor, ouvindo coisas? – Karasu disse olhando na mesma direção – Eu não consigo ver nada, está muito escuro aqui. Provavelmente seja apenas esse lugar maldito brincando com nossas mentes.

― Está bem escuro, mas eu sei o que vi – O Leão falou convicto – vamos seguir, aquela parece ser a direção certa de qualquer jeito.

O Kuni ficou um pouco receoso de seguir naquela direção, aquele lugar era estranho e as coisas não pareciam seguir a lógica comum. O que Akodo Ryu viu poderia muito bem ser uma ilusão projetada para leva-los para uma armadilha. Vendo que não poderia fazer muito para impedir que os outros seguissem naquela direção o Shugenja manteve-se um pouco mais atrás e atento aos arredores para qualquer perigo. O grupo caminhou por alguns minutos pela grama alta; O Leão levava sua protegida às costas e caminhava um pouco atrás de Akatsuki para guardá-la de qualquer perigo e Hiruma Seta ia mais a frente guiando-os para o descampado enquanto procurava por sinais de perigo.

O espaço era amplo e com terra batida úmida as marcas no chão indicavam a corriqueira presença de cavalos. Um circuito com alguns obstáculos e vários alvos circundavam o descampado. Perdidos em pensamentos enquanto olhavam para todo o lugar estavam Togashi Hoshi e os outros que foram resgatados desde que o grupo entrou naquele reino. Nenhum deles notou a aproximação do grupo e pegos de surpresa armaram-se para o combate, mas foram acalmados habilmente por Akodo Ryu.

― Ficamos preocupados quando chegamos aqui e vocês não estavam – comentou o Ise zumi.

― Acabamos em outros lugares antes de chegar aqui – Akodo respondeu rapidamente, mas baixou a voz quando continuou – resgatamos este jovem Garça, mas um de nossos companheiros pereceu no caminho.

― Enche-me isto – o monge disse em um sussurro – o Escorpião pelo que vejo.

― Infelizmente – ele disse com um suspiro – Evitemos falar sobre isto, sua noiva ainda se encontra abalada.

― Entendo, em todo caso, todos encontram-se bem? – o monge perguntou enquanto olhava para os outros. A fadiga estava clara em todos eles, alguns dos mais jovens ainda estavam inconscientes ou paralisados e os mais velhos estavam feridos e sujos do combate anterior.

― Não no melhor estado, mas ainda falta muito para vê-los desmaiar pelo cansaço – o Leão disse com um sorriso de alívio.

― Esta é uma notícia maravilhosa, apesar de tudo – uma voz veio do alto, distante, porém poderosa.

Todos olharam instintivamente para o céu, as estrelas de um certo conjunto pareciam converter para um único lugar. O aglomerado de estrelas parecia projetar-se para fora do tecido celeste e aos poucos ganhar a forma de uma enorme serpente. A criatura desceu da abóboda celeste vindo na direção deles, sua cabeça era como a de um lagarto, mas com um focinho mais protuberante e musculoso, tão grande quanto um celeiro e do topo dela duas espigas paralelas de energia ramificadas como galhos de árvore. Seu pescoço e seu corpo eram um ao longo de vários metros, translúcido, negro como a noite e feito de poeira estelar. Não haviam membros em seu corpo e nem mesmo um fim parecia haver no mesmo. Aquilo era como os poderosos dragões vistos apenas em pinturas e de certa forma sua aparência lembrava de uma pintura.

― Bem-vindos – o dragão disse com uma voz telepática – vocês fizeram muito bem em chegar até aqui, mesmo que não todos. As passagens para o mundo do qual vieram não estarão abertas por muito mais tempo, vocês precisam se apressar, não há tempo para tristeza.

― O que é você? – Karasu perguntou.

― Eu sou um dos guardiões desse lugar – o dragão disse fixando seus grandes olhos luminosos no Caranguejo – Uma personificação desse plano e um dos agentes do Vazio.

― Então nós estamos no Vazio? – perguntou Ryu.

― Vocês estão em algum lugar entre o Vazio e o seu mundo, presos até encontrem uma saída – o dragão respondeu – mas não demorem, sua estadia aqui está perto de ser permanente.

― O que devemos fazer para achar a saída daqui? – Karasu perguntou olhando para os obstáculos.

― Aqui vocês devem vencer-me em uma corrida armada – o dragão virou-se para o percurso – em alguns pontos do percurso haverão alvos, três deles no total. Vence quem tiver maior pontos e a corrida será uma forma de desempate. Escolha o seu representante.

Da terra, duas massas de barro ergueram-se moldando dois cavalos perfeitamente preparados para serem montados. Um terceiro monte surgiu ao lado de um dos cavalos e um humano formou-se, vestido com uma pesada armadura de batalha e com o rosto coberto com uma máscara hannya roxa com detalhes dourados, no peito um mon, hora do Clã Unicórnio, hora do Clã Dragão.

― “Eu vou” – Seta tomou a frente e escreveu seu desejo.

Por Yamimura | 02/12/18 às 10:46 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Romance, Brasileira, Drama, Maduro, Horror