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Memória 35 - Carta

Lagrimas de Jade (LJ)

Memória 35 - Carta

Autor: Yamimura | Revisão: Shinku

― Isso é ótimo de ouvir – falei.

― Vamos começar assim que Aiko estiver pronta – Asuka-san disse – Vá buscar seu material e não demore muito. Esta será uma ótima experiência e uma oportunidade ainda melhor de impressionar Shoichiro-san

― Sim, Mãe – Aiko disse rapidamente saindo do quarto.

A garota pode ter se esforçado bastante para esconder as próprias emoções, mas seu coração a entregou. Ele deu um salto no próprio peito quando foi requisitada a ajudar. Aquilo era muito importante para uma menina como ela que ainda não tinha um patrocinador. Ela provavelmente já havia me impressionado agora ela precisava impressionar quem estava por trás de mim, por assim dizer. Se ela conseguisse talvez meu pai a mandasse para a capital Escorpiã. Qualquer gueixa gostaria de ser mandada para a Nossa capital, ali havia as Okyas mais frequentadas do Império. Era a melhor oportunidade para se ter uma vida confortável e quem sabe encontrar um bom patrocinador.

― Agora que estamos sozinhos, diga-me o tens em mente? – Asuka-san perguntou.

― Eu não acho que eu tenha entendido onde quer chegar – respondi.

― Ora vamos menino – ela disse aborrecida – eu não nasci ontem, qual o seu objetivo?

― Como assim qual? – disse com um sorriso sarcástico – ajudar da vila, o que mais poderia ser?

― Sim, certamente – ela disse – e no inverno faz calor.

― Veja, posso ter de fato outros objetivos em mente – disse com uma risada – ajudar a vila é um deles, porém. O que a senhora acha que eu sou? Um monstro?

― Monstro? Claro que não – ela disse com um sorriso – apenas filho de Shoichiro, nunca há apenas um objetivo em suas ações.

― Pobre de mim sofrendo pela má fama de meu pai – disse rindo.

― Se eu não fosse intima de seu pai eu jamais duvidaria de suas boas intenções – Sayo-san falou – Escorpiões tem uma lábia impressionante, admira-me você não ter nem mesmo tentado convencer-me das boas intenções que certamente você tem.

― Não há nenhuma necessidade disso – falei – eu preciso de sua ajuda e preciso que entenda a verdade para isso. Eu descobrir coisas muito interessantes envolvendo Aquele homem, precisamos tirar suas garras dessa vila antes que estevam cravadas demais para serem removidas sem sequelas.

― Kamia? – ela pareceu surpresa – você acha que ele está fazendo alguma coisa?

― Ora vamos Asuka-san – eu disse desapontado – a senhora não é uma tola. Sabes muito bem que se aquele homem aparece em algum lugar importante para meu pai ele está tramando alguma coisa.

― Você está certo sobre isso – ela disse pensativa – já tens suspeitas do que seja?

― Sim eu tenho e suspeitos também – falei para ela – não deve haver apenas uma pessoa trabalhando para Kamia nesse lugar pedirei que fique atenta quanto a isso.

Eu disse a ela alguns nomes que deveria tomar cuidado e observar para mim. Segundo ela algumas dessas pessoas frequentavam sua Okya então não seria um problema. Também disse a ela que deveria ficar com a guarda levantada com as próprias meninas, pois Kamia poderia ter colocado alguma delas nesse lugar sem que a própria Asuka tivesse percebido. A própria já havia pensado na possibilidade, mas precisava observar um pouco mais agora.

Quanto a meu plano foi bem simples e rápido explicar a ela, já que a mesma já havia entendido boa parte dele. Primeiro não deveríamos esperar pela boa vontade de meu pai de ajudar, ele de fato importava-se com o bem da vila, não entenda errado, porém tirar recursos do próprio bolso seria algo que ele não faria de boa vontade. Nesse caso nós precisávamos agir rápido e forçá-lo a ajudar.

Eu ouvi os passos no fim do corredor e presumi que fosse Aiko, assim resolvi mudar rapidamente de assunto perguntando se havia algo que eu deveria estar ciente sobre a vila. Asuka estranhou o foco ter sido mudado tão rapidamente, mas quando viu a porta abrindo atrás de mim ela entendeu. Aiko poderia ser uma das melhores gueixas de Ruma e ser da confiança de Asuka, mas para mim ela ainda era uma suspeita como qualquer outra. Eu não duvidava da mulher a minha frente; sua relação com meu pai já vem de muitos anos, muito antes do meu nascimento, não havia porque duvidar dela, até porque ela sabia o preço de trair um Escorpião.

― Desculpe a demora Mãe – Aiko curvou-se longamente para ela.

― Não há nenhum problema – Asuka respondeu com um sorriso – isso nos deu tempo para relembrar da infância de Ichijou-san.

― Poupe a menina dessas histórias Asuka-san – falei com um suspiro – ela não precisa saber sobre aqueles atos vergonhosos.

― De fato – ela riu – pergunto-me que reação ela teria.

Aiko olhou para mim curiosa, mas resguardou a vontade de perguntar sobre essas histórias, ela parecia querer aproximar-se de mim. Talvez tenha ficado interessado em minha pessoa, mas eu tenho suspeita que foi no meu nome que seu interesse surgiu. Meu pai era um homem muito influente nas terras do Escorpião, cair em minhas graças era o mesmo que cair nas dele, pelo menos era isso que a maioria achava. Um pensamento engraçado se quer minha opinião.

Aiko terminou seus preparativos e já estava pronta para escrever a carda a meu pai. Asuka deu-lhe um espaço em sua mesa para ela ter um apoio melhor ao escrever. Ela testou algumas vezes a própria escrita até achar um traço que lhe deixasse satisfeita e olhou para mim aguardando o que pediria para que escrevesse. Virei-me para um canto que sabia não haver nada e respirei profundamente por algum tempo.

Era uma pratica que tinha quando ainda enxergava e por incrível que possa parecer ainda funcionava muito bem. Eu não tinha ideia de como deveria fazer a carta, ser muito direto poderia entregar meu plano e eu não sabia se podia confiar tanto assim naquela menina. O melhor seria não ariscar, ela certamente ficaria sabendo de uma parte, pois eu precisava que ela soubesse para que tudo funcionasse devidamente. Ela, porém, não precisava saber de tudo, afinal nem mesmo Asuka sabia. Comei a falar o que eu queria que fosse escrito fazendo algumas pausas entre as frases para que Aiko tivesse tempo o bastante para escrever corretamente.

Saudações, meu querido pai,

Espero que o tempo esteja bom em Hondo, pois aqui em Ruma não está nada bem. Os ventos vindos do Leste nos enganaram, o inverno deve estar chegando bem antes do previsto. A filha mais nova de Sayo-san é uma graça de menina, tão jovem que mau pude acreditar ter menos de um mês, é uma pena não ter podido ver ela por muito tempo. Sayo-san está com medo pelas crianças que desapareceram, que coisa trágica meu pai. Ah, lembro que me disse para provar um ótimo prato que Sayo-san faz como ninguém, mas os ingredientes acabaram, pois são tão comuns que são disputados por aqui; você poderia mandar alguns? Estou realmente interessado em provar.

Ainda não encontrei Hideki. Saya-san disse que ele foi para o Leste buscar alguns produtos. Espero encontrá-lo logo para entregar a mensagem que me pediu. Sayo-san contou-me que seu Bom amigo esteve aqui há alguns dias. Ele estava preocupado com o estado da filha dela e ofereceu sua ajuda, um bom homem com o senhor mesmo costuma dizer. Deveria oferecer aquele delicioso saquê, as plumas do rouxinol, ouvi dizer que era o preferido daquela pessoa.

Irei me encontrar esta noite com Sayo-san, espero que já tenhas mandados os ingredientes necessários para que eu possa comer uma deliciosa refeição junto com estas pessoas.

Durante minhas palavras eu pude notar o incomodo de Aiko que continuava escrevendo cuidadosamente cada uma delas. Eu sentia a confusão em cada pincelada, a própria Asuka ficou confusa quando iniciei e infelizmente não sei se ela entendeu a mensagem que eu queria passar, mas isso não me importa. O que de fato me importava era que meu pai certamente entenderia. Havia dúvida no ar e a própria expressão de Aiko era essa, para mim isso era ótimo se a própria escritora e provável suspeita de espionagem não entendia eu poderia ficar tranquilo.

Por que eu tenho ela como suspeita? Porque todos na vila são suspeitos até que eles provem que não precisam estar sob observação. Um homem precavido em guardar segredos ou em investigá-los é um homem que tem a todos como suspeitos. Esperando o pior de qualquer um não haverá surpresas quando o pior acontecer a única surpresa será uma surpresa boa, quando descobrir que uma pessoa não é um traidor.

― Creio que seja apenas isso – falei com um sorriso.

― Essa era a mensagem que o senhor desejava escrever? – Aiko perguntou desapontada.

― Certamente – respondi comum aceno de cabeça – algum problema?

― Não meu senhor – ela disse constrangida – claro que não há nenhum.

― Irei chamar alguém de confiança para enviar a mensagem – Asuka disse.

― Em quanto tempo essa mensagem pode chegar em Hondo? – perguntei.

― Amanhã pela tarde – Asuka disse – creio que é o mais rápido que posso fazer chegar lá.

― Está tudo bem – levantei a mão a interrompendo, eu sei, extremamente mal-educado de minha parte – eu tenho alguém de minha confiança que pode mandar esta carta. Já deve estar chegando, inclusive.

Não demorou mais que um minuto para alguém aparecer à porta. Entrou apenas depois que foi lhe dado permissão e ouvi ao meu lado um gemido de surpresa. As duas mulheres comigo estavam realmente espantadas com algumas coisas. Asuka estava aparentemente mais tranquila, mas Aiko estava completamente aturdida. Descobri que o motivo do espanto era a suposta beleza da pessoa que estava ali. Não entendi o motivo para tamanho alvoroço da parte daquelas duas, então resolvi apenas ignorá-las.

― Mestre, sua serva veio receber suas ordens – a voz que veio a mim era doce e de certa forma sensual.

Eu reconhecia aquela voz. Muito tempo atrás eu tive de dentro do próprio Clã que se apaixonou perdidamente por mim. Eu posso entendê-la, eu sou realmente muito bonito, já vi brigas acontecendo por minha pessoa. Pode ser estranho para você ouvir isso, mas já vi mesmo homens brigando por mim. Sim, isso é realmente estranho de ouvir, mas é apenas a verdade. Esta pessoa a minha frente era uma das quais chegaram a lutar e declarar amor a mim.

Infelizmente para ela eu já tenho alguém que estou comprometido e que amo, assim sendo eu não posso corresponder os sentimentos dela. Fico entristecido de não poder, mas é assim que as coisas funcionam. Ela, no entanto, resolveu que isso não importava, pediu a intervenção de meu pai e aquela raposa velha conseguiu um jeito de seu amor, creio que falar assim pode soar estranho, fosse correspondido.

― Já faz muito tempo Kikyo – disse com um sorriso – Você terminou seu treinamento?

― Sim, meu senhor – ela disse curvando-se profundamente para mim e encostando a testa nas próprias mãos.

Pelo que lembro de Kikyo, quando eu ainda a enxergava era realmente uma mulher encantadora. Seu sorriso arrancava suspiros de quem quer que fosse. Olhos negros como a noite e cabelos claros. Sua cor de cabelo era diferente do que costumeiramente vemos no império. Existem cabelos brancos, mas são pintados, algo comum na Garça, porém os de Kikyo não eram assim. Sua cor de cabelo era natural, algo próximo ao marrom, creio que o termo seja castanho, não sei para você, mas eu tive certa dificuldade para me acostumar.

Kikyo tinha um rosto mais arredondado e fofo, quase como o de uma criança, com bochechas arredondadas do tipo que se tem vontade de apertar. Seu nariz era um rechonchudo. No geral seu rosto dava a impressão de ser mais jovem do que realmente era. Devo dizer que quando eu a conheci achei-a incrivelmente linda, quase como uma sereia.

Conheci-a muitos anos antes quando eu e meu pai viajamos para as ilhas do Clã Louva-deus para uma troca comercial. Ainda erámos jovens na época, não que sejamos velhos, você deve ter entendido o que quis dizer. Ainda estava em treinamento com meu pai na época por isso viajei junto a ele naquele tempo. Conversamos e nos divertimos juntos, creio que foi naquela época que tomei seu coração para mim, não fiz intencionalmente é claro.

Kikyo treinava naquele tempo para se tornar uma arqueira numa das melhores escolas de arquearia de todo o Império; claro que existem pessoas que são contra ser tipo que esta é a melhor escola, mas admitem pelo menos que suas técnicas são excelentes. Ela demonstrou toda a sua habilidade e lembro de ter ficado realmente impressionado com ela. Conversamos muito, realmente gostei do tempo que passamos juntos e das conversas que tivemos, porém não achei que voltaria a encontrá-la.

Algumas pessoas depois ela veio até a casa de meu pai. Ela havia terminado o treinamento em tempo recorde e já era uma Samurai-ko plena. Veio propor-me em casamento e ficou arrasada quando descobriu que eu já estava comprometido a outra. Ela é claro não desistiu, mas pelo menos era uma pessoa integra, tive medo que ela ameaçasse Akatsuki, mas felizmente isso não aconteceu.

― Eu tenho um pequeno pedido para você – falei em um tom agradável – espero que não se incomode.

― Qualquer pedido seu será uma ordem, meu senhor – ela disse firme, mau dando-me tempo para terminar.

Segurei uma risada. Mesmo sendo uma Samurai-ko ela agia como uma serva diante de mim. Era estranho, mas ao mesmo tempo engraçado. Devo dizer que estou feliz que pelo menos a sua personalidade não havia mudado depois de tanto tempo. Ela falava e agia daquela forma apenas para me irritar, pois ela sabia que eu não gostava quando ela fazia aquilo. Talvez aquilo fosse a punição que as Fortunas colocaram em minha vida por fazer o mesmo com Akatsuki, eu deveria aceitar se esse era o caso.

― Você realmente não muda nada – disse com um suspiro – preciso que você entregue aquela carta a meu pai.

Apontei-lhe a carta nas mãos de Asuka e ela tomou das mãos da Okusan rapidamente. Kikyo olhou de uma para a outra analisando as duas mulheres que estavam no recinto e passou mais tempo olhando para Aiko. A Samurai estufou levemente o peito e assumiu um ar de superioridade ante a pobre menina. Eu não tinha visto Aiko, mas certamente Kikyo ganhava dela em vários aspectos. Ela havia de fato treinado em uma escola apenas de arqueiros, mas devo dizer que teve outros treinamentos quando resolveu que iria me servir. Será que posso afirmar que atualmente ela é uma gueixa de batalha? Isso tem uma pronuncia bem ruim, parando para pensar, mas não é tão errado assim.

― Partirei imediatamente e voltarei ao seu lado depois de entregue – ela disse curvando-se.

― Espere pela resposta – falei – e por favor diga a meu pai que aguardo ansioso pela entrega do que foi pedido.

― Certamente, meu senhor – ela disse.

Depois disso ela levantou-se para se retirar, mas olhou mais uma vez para Aiko antes de sair. Kikyo era ciumenta em relação a mim, pois ela tinha uma posição que não iria entregar de bom grado a ninguém. Ela provavelmente notou as intenções de Aiko ao tentar aproximar-se e resolveu mostrar as próprias garras para mostrar que estava pronta para brigar se fosse necessário. Eu estava com pena daquela menina. Kikyo há havia sumido quando Asuka virou-se para mim eufórica.

― Eu não tinha ideia que você tinha uma serva de tamanha qualidade.

― Por favor não fale assim, ela não é um objeto – falei rindo – Kikyo é uma amiga de infância.

― Ora, perdoe-me pela indelicadeza – ela respondeu – ela parece realmente muito fiel a voz.

― Sim, creio que sim – comentei – existem algumas circunstancias envolvidas.

― Essa seria aquela menina que seu pai estava treinando pessoalmente para ser uma gueixa, não é? – Asuka perguntou

― Sua memória é muito boa Asuka-san – disse espantado – sim, ela é aquela menina.

― Eu tenho que lembrar – ela disse rindo – houve um tumulto na época, seu pai trouxe as duas melhores professoras do Império para treiná-la por meses. Creio que ela seja agora uma das melhores do Império.

― É de estranhar que ela esteja comigo agora, certo? – disse rindo – uma vitória para mim.

― Você deveria evitar dizer isso na frente de Shoichiro-sama – Asuka disse preocupada.

― Isso certamente o irrita sempre que toco no assunto – falei – foram circunstancias extraordinárias que a fizeram vir me servir, além do desejo da própria. Meu pai não podia fazer muito em relação a isso.

― Agora que a mensagem já foi encaminhada o que você fará? – ela perguntou.

― Devo voltar para junto de Takeshi-san – respondi – ele deve estar me esperando para continuamos às investigações sobre esta doença.

― Você precisa de alguma ajuda? – ela perguntou.

― No momento apenas com aquilo que discutimos mais cedo – falei sério – mas terei certeza de pedir ajudar se outro assunto surgir, espero que não se incomode.

― Imagine – ela respondeu com um aceno de mão – ficarei mais que feliz em ajudar a acabar com essa peste que assola a vila.

― Eu estou partindo agora – disse levantando-me – estarei aqui para almoçar.

Depois de despedir-me voltei em direção ao centro da vila. Eu havia demorado mais que o esperado, espero que a criança ainda esteja me esperando ou eu teria problemas para encontrar Takeshi. Para a minha sorte a criança estava esperando-me onde eu havia pedido. Ao me avistar ela correu em minha direção e apresentou-se para levar-me ao encontro de meu companheiro. Estendi a mão para ele para que me guiasse, o menino ficou receoso, mas pegou minha mão depois que o tranquilizei; aquele era um bom garoto, deveria dar uma chance a ele para mudar a própria vida. Quem sabe quando eu estiver menos ocupado.

Talvez você já tenha entendido as circunstancias que levaram Kikyo a estar me servido. Foi um desejo dela mesmo de tornar-se uma Sombra, Samurais normalmente não são aceito, pois a taxa de sucesso não é muito alta. O experimento pode realmente ser muito cruel, mas tinha que ser feito, ele era apenas o primeiro passo para algo ainda maior, como eu já havia dito. Espere, creio que eu não tenha dito isso antes, me perdoe. Esqueça o que acabei de dizer não é muito importante. Acontece que existem indivíduos muito especiais que suportam ir um pouco mais além no experimento. Essas pessoas extraordinárias superam as próprias fraquezas impostas pelo ritual e chegam a um patamar muito diferente.

Existe um pré-requisito é claro e ele pode ser muito alto para pagar. É um direito que aqueles que completaram o ritual tem de negar-se a continuar. Como eu disse antes sombras São submissas, ferramentais que servem para o seu proposito e nada além disso. Aqueles que continuam entregam suas próprias almas e corpos aos seus senhores. A união é tão perfeita que ambas as vidas ficam ligadas para sempre. Se o mestre morre a Sombra vai fundo, dependendo de como a ligação aconteça e do grau de envolvimento entre os dois o contrário também pode acontecer. Uma faca de dois gumes, o próprio mestre tem a chance de morrer, porém ao aceitar tal risco ele pode ficar ainda mais forte.

Seriam uma pena se os outros Clãs ouvissem sobre isso. Nosso objetivo com tal projeto não é supremacia. Escorpiões preferem estar em segundo plano, observando e aprendendo. De fato em alguns períodos ouve uma traição que o Clã cometeu ao usurpar o trono, é dito que ouve um bom motivo para o que aconteceu, afinal estávamos nos livrando de Sangue amaldiçoado que levaria o Império ao desastre. Naturalmente nós, como a mão oculta do Imperador deveríamos agir e foi o que fizemos.

Tomamos o poder, mas fomos retirados algum tempo depois por tolos que não entendiam o propósito. Creio que esse foi um erro que o Clã não pretende mais cometer. Não precisamos estar no trono para fazer o Império funcionar corretamente; cordas podem ser puxadas e guiar perfeitamente toda a sociedade para um futuro prospero. Atualmente traições são levadas muito a sério pelo Clã, nós amos os traidores devemos tratá-los corretamente. Um evento com o que aconteceu muitos séculos atrás dificilmente voltaria a acontecer, pois definitivamente o próprio Clã iria reprimir tal rebelião.

Outros Clãs podem ver nossos experimentos com um perigo ao Império, uma nova tentativa de tomar o poder, mas creio eu que isso não seja verdade, não totalmente pelo menos. Eu ainda não tenho tanta influência ou prestigio no Clã, por isso não posso falar por ele, dizendo claramente as intenções de meus Irmãos e mesmo que eu tivesse eu também não o faria. O meu Clã é o menor de todos, não somos o Clã mais bélico, nem o mais importante politicamente, mas isso é apenas o que eles acham. Nós somos o Clã mais necessário, no entanto, somos o Clã que fazemos o que os outros não fazem. Abraçamos o título de Vilão do Império, mergulhamos completamente na escuridão para defender os ataques de onde ninguém mais pode. Somos odiados por todos, poucos são aqueles que se aproximam de nós sem nos julgarmos, mas eles sabem. Nós somos os únicos que podemos fazer o que fazemos e fazemos isso muito bem.

 

Por Yamimura | 14/04/19 às 12:07 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Romance, Brasileira, Drama, Maduro, Horror