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Capítulo 22 - Perto das Colinas

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 22 - Perto das Colinas

Autor: Amnésia

Seis dias tinham se passado desde as provas, enquanto alguns dos membros que passaram foram reencontrar suas famílias para dizer as boas notícias, outros, por sua vez, tiveram uma recomendação feita pelo diretor Merer Gaufeng para ir atrás de informações sobre um grupo de bandidos próximos.

Melina, Garp e Hakunin, os três foram escolhidos pelo próprio Lau e Merer Gaufeng como uma forma de experiência, de acordo com o diretor, essa era a uma das poucas formas de se obter prática com expedições um pouco fora do comum.

E viajando pelos seis dias inteiros, o grupo de dez pessoas liderados por Lau Gaufeng começou a se aproximar de seu objetivo.

Passando por uma cadeia de colinas baixas, a estrada feita de pedras pequenas se estendia por mais alguns quilômetros. De ambos lados, as paredes das colinas o abraçavam fazendo uma curvatura no horizonte como uma grande muralha.

O dia estava frio, para dizer o mais exato, a temperatura era demasiada abaixo do normal, e com o céu nublado, as chuvas cairiam logo.

O líder, Lau Gaufeng, parou, e atrás dele todos continuaram.

Sua postura era a mais atenta possível, seus olhos mexiam de um ponto para o outro sem ao menos deslizarem no ambiente; as folhas quebradas, pegadas largas, o chão sujo com terra caída de uma das colinas, todas elas eram de fato registros de que houve um acampamento por ali.

Com o dia caindo, a situação ficaria ainda mais difícil, viajando e parando apenas 4 horas por dia, ele já havia sobrecarregado muito das pessoas que estavam atrás dele, continuar seria inútil agora.

- Paramos aqui. - Ele disse sem se virar e começou a andar a frente sozinho. - Montem o acampamento, eu farei reconhecimento da área a frente.

Os sete mais velhos e experientes concordaram e retiraram suas bagagens das costas rapidamente, cada um deles carregava um anel no dedo, eles tocaram o dedo no anel e uma barraca surgiu rapidamente para fora.

Anel dimensional era muito usado pelos especialistas marciais porque eram sem dúvida uma das formas mais fáceis de armazenamento, para viajar grandes distâncias e não precisar arcar com o peso a mais em seus corpos.

Depois de verem essa situação por mais de seis vezes seguidas, os três novatos não estavam mais tão chocados e admirados, eles até mesmo acharam mais casual aquele tipo de coisa.

Com a explicação sempre decorrente de Lau Gaufeng sobre tudo a sua volta, os três já tinham certa familiaridade os veteranos.

Melina Salto fazia parte das poucas praticantes marciais mulheres, e junto do grupo, ela tinha duas companhias também do sexo feminino.

Ela já havia ficado intima com as mulheres que a acolherem sendo uma delas, ela não armou sua barraca, ao invés disso, ficava dentro da moradia móvel de Lisa Calto, considerada como uma das mais belas beldades da Seita Calto.

Lisa Calto carregava uma fama por ser uma das poucas mulheres classificada entre os 100 jovens mais habilidosos do Império Quilin, carregando consigo uma espada de lamina branca atravessada nas costas, ela tinha os mais belos olhos azuis e também uma cor única exatamente igual a neve.

Melina não conseguia se comparar com ela em força e nem em beleza.

A Seita Calto produziu uma das mais belas mulheres e também uma que carregava o nono nível do Reino Terrestre, o que estava acima do Verminiano.

Era algo bem comum os mais velhos entre 22 a 24 anos estarem no Reino Terrestre, mas ela tinha apenas 22 anos e estava no final do segundo Reino, era um gênio surpreendente.

Sentada dentro da grande cabana com Lisa, Melina se encolheu reconhecendo sua inferioridade. Ela era arrogante quando estava em par com o seu oponente, mas para alguém que não podia se enfrentar, recuar era o que tinha sido ensinada a ela.

Lisa tirou os vários ligamentos de ferro que prendiam seu cabelo negro, e os deixou cair sobre o ombro de costas para a garota.

- Por que está tão tímida? - Lisa perguntou gentilmente. - Sabe que não sou ruim com ninguém.

- Me desculpe, senhorita Calto. - Melina foi extremamente formal curvando sua cabeça. - Eu só…

Lisa virou a cabeça com um olhar gentil, e depois girou o corpo em direção a Melina.

As duas sentadas transmitiam sintonias diferentes, uma era gentil, a outra era pesada.

- Hey, sabe que eu não gosto quando me chamam de ‘Calto’, pode usar meu primeiro nome, não é nada anormal. - Ela tocou o queixo de Melina levantando sua cabeça. - Melina também é um nome muito bom, sabia?

Com aqueles olhos tão azuis a encarando, Melina não sabia como refutar.

- Melina significa ‘doce como o mel’. - Lisa riu descontraída. - Você não é doce como o mel, não é?

- Não mesmo. - Melina riu de volta.

Lisa retraiu sua mão sorrindo, e tirando a espada atravessada de suas costas, a colocou no canto da barraca e respirou aliviada massageando os ombros. Melina a seguiu fazendo o mesmo, sua espada também era uma arma com peso considerável.

 

Ambas leves puderam relaxar apropriadamente.

- E então, Melina? - Lisa puxou assunto depois de um tempo calada. - Lau me disse que você tinha um talento com espadas lisas, isso é verdade?

- O professor Lau me elogia demais. - Ela respondeu meio tímida. - Mas eu tenho treinado desde sempre para me tornar uma boa patriarca para a minha família.

Lisa abriu a boca, mas nada saiu, seu olhar ficou um pouco apertado, e então colou os lábios desviando o olhar.

- Me responda algo, por favor, mas você gostaria de se tornar a Patriarca da família Salto por vontade?

Melina não respondeu de imediato, na verdade, ela ponderou. A voz de seu pai tremeu em sua mente durante o curto tempo calada.

- Eu quero poder dar glória a minha família, fazer parte das grandes famílias que cuidam da família Calto é um privilégio e tanto. - Melina devolveu convencendo a si mesmo.

Mas Lisa, seu rosto não ficou alegre, ao contrário, seu rosto ficou sério, os olhos gentis dela se tornaram até mesmos ofuscados.

- Não respondeu a minha pergunta, é por vontade ou obrigação?

A atmosfera mudou um pouco para mais rude, as palavras frias de Lisa não combinavam nada com o seu rosto, e isso deixou Melina um pouco assustada.

- Bom, minha família… o Patriarca, ele tinha um filho, era uma pessoa mais velha que eu, e também alguém com um potencial imensurável, um jovem brilhante que um dia saiu em missão… - A voz de Melina foi se perdendo aos poucos. - Ele.. não voltou.

Lisa não mudou sua expressão, continuou séria, mas assentiu.

Sentimentos pesados e vingativos eram um tipo de defesa e também arma, usados para se proteger e fugir, também utilizado para atacar e matar.

Vingança era algo que todos tinham um pouco dentro de suas próprias cabeças.

- E pensa em se vingar algum dia? - Lisa foi direto ao ponto.

Melina concordou de cabeça baixa.

- Algum dia, aquela pessoa vai pagar. - Ela falou com ódio, palavras pesadas para uma garota de 16 anos. Ergueu sua cabeça com olhos suplicantes. - Por favor, senhorita Lisa, peço que não conte para ninguém.

Lisa concordou retrocedendo sua gentil face e sorriso. Ela levou sua mão ao ombro de Melina e deu dois tapinhas.

- Como alguém que será protegida pela sua família algum dia, eu espero que você me visite algumas vezes em minha casa para praticarmos. - Ela sorriu. - Não conheci o filho do atual Patriarca da família Salto, mas garanto que sua filha certamente tem potencial sobrando.

Liberando um sorriso gentil nunca visto por ninguém do lado de fora de sua casa, Melina entregou o seu bem mais precioso.

- Então estamos combinados. - Lisa riu se ajoelhando e fechando os olhos. - Eu meditarei um pouco, irei te deixar livre agora para fazer o que quiser.

Deixando o silêncio ponderar, Melina continuou parada observando a mulher a sua frente, tão gentil, tão forte, tão extraordinária. Um tipo de pessoa assim, ela gostaria de seguir sem reclamar.

Em seu coração, Lisa já era alguém importante.

Do lado de fora, o frio começou a aumentar cada vez mais, a temperatura baixa incomodava apenas os mais novos no ramo da cultivação, então os outros veteranos estavam todos em paz dentro de suas respectivas barracas.

Ao lado da estrada de pedra, Garp estava sentado em uma pedra com uma roupa de pelo cobrindo seu enorme corpo enquanto segurava seu porrete, fazia cerca de seis dias que estavam em viagem, e desses seis dias inteiros, ele ainda não tinha conseguido refinar completamente o Ganger dado como recompensa.

Ele acabou em segundo lugar no segundo teste, o máximo de tempo para refinar um Ganger de 500 anos que ganhou seria de dois dias, mas por algum motivo ele estava sendo segurado, seu nível estava atualmente no oito do Reino Verminiano, e queria logo chegar ao Terrestre para poder voltar para casa.

Assim que retornasse, ele seria recebido com carne, bebida e muita festa. Já estava contando nos dedos os dias faltando para voltar, mas agora que enfrentou o gargalo do nono nível do Reino Verminiano, sua animação estacionou também.

Com suas pernas jogadas para baixo, ele tinha seus olhos fechado tentando ao máximo fazer sua Profunda Energia circular, mas a cada vez que ele encontrava o Ganger em seu estômago, ela se recusava a se aproximar.

Parecia haver uma barreira protegendo o Ganger ali dentro.

Do lado oposto de Garp, e também sentado em uma pedra, Hakunin o observava atentamente balançando a sua cabeça para os lados, mexendo em seus brincos da orelha, ele respirou fundo tirando sua atenção do músculo garoto.

Hakunin respirava soltando um vagão de fumaça cinzenta puxando seu casaco de pelo de Urso para si, o frio o esmagava completamente, ele nunca gostou daquela sensação de ser congelado aos poucos.

Mesmo que tivesse armado sua barraca, ainda não tinha entrado nela.

Uma sensação o chamava a ficar do lado de fora, alguma coisa o atraia para ali, claramente a primeira coisa que viu foi Garp tentar refinar idiotamente um Ganger tão poderoso com sua própria energia.

Pessoas normais usam a cabeça, pessoas fortes usam os músculos. Em uma luta justa com Garp, Hukinin assumia que não se sairia tão bem.

Durante os seis dias que se passaram desde que começaram a viajar, Garp era o único que se atirava plenamente para o encontro de bestas ferozes mesmo sabendo que podia morrer. Um lunático que não dava valor a própria vida era um inimigo extremamente perigoso.

Os Membey sendo uma família forte tinha registros de muitos lutadores fortes, e classificados como lunáticos estava o antigo Imperador da Primeira Era.

A Primeira Era era como um mundo totalmente diferente do atual, era escrito que todos os bestiais, ou bestas, dominavam 80% da superfície, e os humanos apenas o restante. Sendo comuns os humanos não praticarem as artes marciais, suas lutas para se defenderem começou a ficar cada vez mais complicada.

Eis que surge o homem, carregando uma espada pesada, ele sozinho liberou o atual Imperio Lotru que está a alguns milhões de quilômetros do Império Quilin e os libertou das terríveis bestas.

Apenas isso é dito sobre a Primeira Era, as traduções de escritas foram se perdendo com o tempo, e a linguagem que eles usavam era totalmente diferente da atual, assim estando, atualmente, na Quarta Era, as traduções dos textos achados são complicados de se fazer.

Hakunin era um estudioso que gostava de ler nos seus tempos vagos, por fim, quando sua família suspendia os livros, ele era obrigado a treinar.

Estando no sétimo nível do Reino Verminiano, ele era uma pessoa comum dentro de sua grande família

Mas essa pessoa comum era extremamente diferente do que muitos uma vez ouviram falar.

Hakunin se levantou segurando o cabo da espada, voltando seu corpo para a para de trás da estrada de pedra, ele afiou seus olhos.

A muito tempo aquela sensação de ser vigiado o abraçava com intensidade, mas só agora que esse sentimento se apertou ao ponto dos pelos da sua nuca se levantarem.

Não era o frio, e ele tinha certeza disso.

- Garp.

- Estou ocupado, cale-se. - Garp proferiu.

- Inimigos.. - Hakunin puxou sua espada fazendo um arraste.

Garp abriu os olhos encarando a estrada, somente nesse momento os dois olhos de uma grande besta o dominaram, seu corpo gelou mais do que o frio podia fazer.

Ele saltou da pedra que estava sentado e pegou o porrete.

A cada segundo que passava uma nova pressão o dominava, era pesado, forte e o prendia paralisado no chão.

Hakunin também imóvel teve um pingo de suor escorrido pela sua testa.

- Uma besta tão forte assim? - Os anéis do dedo de Hakunin se chocaram produzindo um barulho tão alto que atordoou os ouvidos de Garp.

Esse era o sinal proposto por Lau quando um perigo eminente pudesse estar por perto, Lau viajou sozinho por muitas décadas, usar um objeto para transmitir em vez de vozes era algo que também aprendeu em suas viagens.

Lau durante o processo do segundo teste ficou de olho em duas pessoas exatas, foram elas: Hakunin Membey e Fukai Ferio.

Um era talentoso e também reservado com uma grande sede por conhecimento, e o outro era um garoto do terceiro nível do Reino mais baixo que tinha uma determinação enorme.

Hakunin sendo selecionado como um dos envolvidos para a expedição o deixou satisfeito, porque Lau Gaufeng era alguém que utilizava todos os métodos possíveis para usar e torcer todas as habilidades da pessoa.

Francamente, Hakunin era um discípulo direto de Lau Gaufeng.

Por Amnésia | 27/12/17 às 15:38 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação