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Capítulo 225 - Relatos

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 225 - Relatos

Autor: Amnésia | Revisão: G.V.C, Old Man (QC)

“Na época que coloquei meus pés no Exílio, a única coisa que eu sabia que existia aqui era um castelo afundado na neve. Nos primeiros dias, eu usei todo o meu controle elementar para puxar a fortaleza de volta para cima, mas não consegui.

Fiquei mais algumas semanas puxando-o para cima, mas nada acontecia. Tive tanta dificuldade que desisti, eu me sentia cansado todo o santo dia, então tive que procurar um abrigo logo de cara. Ou melhor, criar um.

O abrigo foi feito no Norte, onde tem os picos das maiores montanhas do Exílio, abaixo dessas montanhas, as florestas mais escuras e densas. Para se chegar ao topo da montanha, é preciso passar pela floresta.

Não fui ingênuo, caminhei esperando o pior, e encontrei depois de algum tempo. Não era besta como essas, não eram bestas furiosas, eram homens congelados, pode achar brincadeira minha, mas falo sério.

Eles estavam parados sentados em cima de uma cavalo também congelado, e não se mexia por nada. Eu joguei pedras em lugares diferentes para ver se eles reagiam, mas nada aconteceu, eles continuavam imóveis, feito pedras.

O vento frio estava me congelando, então eu decidi andar por entre a floresta, mas no primeiro momento que tentei tirar uma das árvores, eu senti a minha espinha congelar. O Guardião, é assim que eu o chamei, estava com sua cabeça virada para mim naquele momento.

E ele soltou um barulho que não era humano. Me aterrorizei na hora, parecia que eu estava na presença de um ser maligno, algo que realmente não tinha alma, porque ele soprava vento gelado de uma maneira que era sufocante.

Mas, como sabem, eu sou Achu Cordeon, e naquela época eu era novo, tinha meus 472 anos mortais, era forte e cai no pau com o Guardião.

A luta demorou cerca de 30 minutos até que o Guardião pediu arrego e seu cavalo o salvou.

Eu não iria matá-lo, até porque era impossível. Aquilo lá já estava morto, deu pra ver. Eu peguei duas dezenas de árvores e fiz minha primeira casa, era pequena, uma miúda perto do castelo que tentei tirar da terra.

Porém, todas as noites, eu ouvia berros muito fortes, eram de animais, e por mais estranho que fosse, eu conseguia ouvir o grito de socorro de cada um deles. Eram as bestas que estão nesse castelo agora.

Pode parecer bem estranho, mas não eram os humanos que estavam fazendo as bestas daqui quase entrarem em extinção, eram esses Guardiões. Pelo que percebi quando entrei na floresta foi que estavam pegando as bestas e retirando seus cristais.

E mesmo eu, que sempre fui bom com cristais, nunca vi um negócio daqueles.

Era uma sensação de morte em conjunto. Ao pensar que só havia um único guardião da floresta, eu errei, eram três deles. Estavam matando os Arcônicos voadores arrancaram suas asas e tiraram os cristais de dentro dos seus corpos.

Foi uma cena horrível de ver.

Os animais que estavam fugindo vieram na minha direção, se escondendo e recuando como se eu fosse algum tipo de protetor, um guardião melhor do que aqueles.

E então, na minha ingenuidade, eu enfrentei os três guardiões enquanto via os Arcônicos irem embora sendo resgatados por outros tipos de besta. Em uma luta árdua, eu consegui ganhar de um deles e deixei os outros dois feridos.

Com isso, ganhei a confiança de quase todos os animais que viviam na floresta. Porém, quando eu pensei que aquilo fosse diminuir, eles aumentaram os ritmos, e a cada vez mais, eu me via indo na direção da floresta para ajudar os necessitados.

Quando entendi que estava caindo em uma armadilha montada por esses guardiões já era tarde. Eu estava no meio deles, com apenas meu punho e calma, mas isso acabou por ser inútil quando eles levantaram do chão um exército de esqueletos.

Aquelas coisas certamente não eram vivas. Andavam como se fossem mortos, falavam como se fossem mortos, mas eles lutavam como se fossem verdadeiros humanos com o instinto de animais, eu penei para fugir deles.

Achu Cordeon fugiu para viver. E não falo como se fosse uma vergonha, eu ajudei bastante dessas bestas, e prometi que se mais vozes daquelas se levantassem, então, eu iria até eles, novamente.

10 anos se passaram desde que eu vi aquele exército. Porém, dessa vez, eles lutaram contra humanos que vieram do próprio Porto.

Foi algo que me surpreendeu, porque de certa maneira, os Guardiões realmente eram guardiões. Protegeram da primeira investida dos humanos a 30 anos atrás, não deixaram que eles dominassem o porto, mas foi em vão, porque a cada vez que protegiam, seu exército caía, e eles tinham menos gente para defender da próxima.

Por mais egoísta que fosse, eles deixaram a floresta descuidada nessa época, eu aproveitei para resgatar todos as bestas que ficaram presas e as trouxe para perto da minha antiga casa. E então, quando finalmente senti que podia, tirei metade do castelo unindo forças com todos as bestas que salvei.

Mas elas não me obedeciam, eu só consegui trazer os menores para dentro do castelo. Os Smugs, Mamutes, Ursos e Lagartos foi uma complicação a mais. Eles moravam nas montanhas, e eu não tinha muito tempo para pegar os maiores.

Todos os que são mais agressivos precisam da admiração forte de um lutador, e eu não tinha como enfrentar uma gangue de Smugs ou Mamutes rapidamente, e cada vez que os Guardiões iam com esses exércitos para o Porto, o tempo de ida diminuía até que eles pararam de ir.

E então, eu o vi pela primeira vez. O Rei sobre a montanha.

Eu nunca esperei ver um ser tão estranho, deformado, com cicatrizes e faltando uma parte do rosto, era uma coisa muito estranha, mas tinha seu charme. Ele desceu e ordenou que os humanos parassem de vir até sua casa, e deu um dia apenas para eles irem embora.

Apenas um humano partiu, ele deve ter levado a informação de que havia uma pessoa vivendo naquela área, uma que estivesse viva, porque até então os Guardiões eram fortes esqueletos e só isso.

Os humanos que ficaram morreram todos. Mas passou cerca de 5 meses, apenas, e os soldados voltaram, só que dessa vez em massa. Eram centenas, o porto foi ocupado, assentamentos foram feitos, foi a primeira vez que fiquei do lado dos Guardiões.

Quando os animais começaram a soltar os cristais Edo pelas fezes, eu a estudei por algum tempo até que descobri os efeitos regenerativos, e entendi o porque do Rei sobre a montanha estar matando os animais.

E pelo que pude entender, os Soldados também decifraram até certo ponto como funcionavam os cristais. Com o tempo passando, eles ficaram no porto e criaram alojamentos por lá, e começaram a avançar para a direção da montanha.

Como podem perceber, essa fortaleza está bem perto da floresta, e eles tiveram que vir até aqui. E foi quando os três Guardiões apareceram, eles lutaram contra os soldados, mas mesmo que a força fosse maior, os soldados estavam aos montes.

Os dois grupos, e então, o exército dos soldados e o exército de mortos vivos se enfrentaram em seu maior confronto que resultou a destruição de quase os dois lados.

Nesse tempo de guerra entre os dois, eu salvei os Smugs presos em correntes feitos de gelo, e os Mamutes em prisões abaixo da terra.

O Rei desceu e destruiu quase todos os que estavam lutando, mas também sofreu consequências, os soldados da elite ficaram por último, na retaguarda e só avançaram quando ele apareceu. A luta durou horas até que o Rei se afastou ao ter a parte boa do seu rosto acertado por chamas.

Desde então, eu nunca mais o vi, porém, sei que ele está vivo. E os soldados começaram a caçar as bestas acreditando que o cristal, com seu poder regenerativo e curativo, deveria ser entregue ao Continente.

Ambos os lados tinham suas convicções, porém, desde então, 30 anos, eu nunca mais descobri o real motivo do Rei não ter aparecido novamente.

E isso… faz com que eu me arrepie.

Por Amnésia | 08/11/18 às 19:21 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação