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Capítulo 251 - São Deuses?

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 251 - São Deuses?

Autor: Amnésia | Revisão: Old Man Leo (QC)

Papa Shidai erguia sua lança à frente de seus homens enquanto gritava com fervor acima das dunas de terra. Não havia nuvens no céu, o ar quente abraçava as centenas de guerreiros que erguiam suas lanças e batiam com sua mão livre na couraça de suas armaduras.

Homens morenos, de diversos tamanhos, cabelos e cor de olhos. Diferentes em feições, iguais em batalha. Presentes para serem guiados diante o clamor do que parecia ser o começo do fim.

Papa Shidai era o líder, o ancião que carregava a vontade dos mais valentes guerreiros e os cobria com sua benção. Mesmo que seu título fosse para uma pessoa acima da idade de batalhas, em suas veias corriam o real sangue de um guerreiro.

- Diante suas cabeças, seus ingratos, está aquele que festeja a nossa glória - Papa Shidai virou-se para seus homens. - O nosso guia diante as dificuldades, aqueles que um dia esteve no meio de nós, humanos mortais. O Sol, o mais forte de todos os astros, despeja sua glória sobre nossas cabeças para que possamos seguir seus caminhos e leis.

Os guerreiros urraram de volta.

- Arruam…

- Exatamente. Arruan esteve conosco como um grande mediador do Sol, ele é o homem mortal que o nosso deus escolheu. Nunca estivemos em desvantagem quando nossa fé estava direcionada para nosso criador. - Papa Shidai voltou a ficar de costas para seus homens e esticou suas duas mãos para cima - Ele nos protegerá, mais uma vez.

As dunas de areia estavam completamente espalhadas pelo deserto escaldante. Os ventos moviam as areias de um lado para o outro formando outras duas e atrapalhando o caminho de comerciantes ou estadias distantes.

Aquele era o clima do Terminal Árido, uma das ilhas mais próximas de Belerus.

- Nosso inimigo, ele está presente para nos atormentar - Papa esticou sua lança para frente em direção ao horizonte. - Bestas que nasceram sem o nosso pensamento, que caçam por prazer e diversão, que não cultuam um soberano.

Papa Shidai balançou a cabeça, enojado.

- Elas avançam por essa terra como querem, ameaçando o nosso povo, a nossa tribo. - ele agachou, passou a mão na terra e depois se ergueu criando uma listra de areia em sua bochecha - Hoje, irmãos, iremos mostrar o que a Tribo dos Guerreiros do Sol pode fazer.

As cores das dunas começaram a escurecer, de longe. Papa Shidai não se amedrontou, nem seus homens, eles estavam parados, esperando por aquilo desde o amanhecer. Os líderes da campanha pelos Guerreiros se colocaram à frente, generais de batalha e fortes líderes, como Papa Shidai.

Entretanto, apenas Papa Shidai ergueu sua arma.

- Está na hora, irmãos… Avancem e tragam a vitória para as nossas mãos.

Os guerreiros começaram a descer a duna escorregando com a areia e deslizando sobre a superfície inclinada. Seus gritos ecoavam por entre centenas de metros no deserto ganhando força se aproximando das bestas.

A vitória deveria ser deles.


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- Papa Shidai - um dos homens gritou, desesperado, segurando a parte que ainda restava de seu braço. - Não temos como ganhar, senhor.

Papa Shidai não o ouviu. Continuou girando sua lança de um lado para o outro enquanto confrontava os inimigos irracionais, sua maestria com a espada conseguia penetrar dentro das armaduras das bestas e as matá-las com apenas alguns golpes.

Isso, porém, não era suficiente.

Seus guerreiros lutaram bem, ele reconhecia isso de longe. Lutaram como se a própria tribo estivesse ali, protegendo até mesmo os irmãos mais desdenhosos e desordeiros. Suas forças somadas não foram o suficiente.

Papa sabia disso, a luta sequer durou horas, estava acabada pela quantidade de inimigos que não paravam de aparecer sobre as dunas. Eram milhares, talvez, centenas de milhares, projetados para criar um medo surreal no coração dos mais corajosos.

Isso foi o suficiente para os atormentar. Era a sua derrota, bem ali, à frente deles.

Papa esticou sua mão para frente e usou sua Profunda Energia jogando algumas dezenas de bestas para longe, mas elas foram substituídas por outras que chegaram no mesmo instante.

- Dairou, recue os homens, ganharei tempo para que consigam voltar para casa e liderarem as crianças e idosos para a caverna. - Papa virou o rosto por segundos, mas foi acertado por uma garra no peito arrancando sua precária armadura de couro e criando listras em seu peito.

Ele berrou caindo ao chão, mas rolou para trás, enfurecido.

Dairou não podia ajudá-lo, o homem virou o olhar para o outro lado e começou a correr para longe junto de muitos que conseguiram sobreviver. Homens que tiveram a sorte de não encontrar a morte naquele dia praguejavam por não conseguirem ajudar os demais.

Era ao contrário para Papa. Segurou a lança, se pôs em posição de batalha enquanto seu sangue fervia para terminar aquilo que começou, mesmo que sua morte fosse eminente.

- Venham, bestas… - urrou indo ao encontro delas, com um salto.


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O ciclo de energia envolvendo Fukai e Silver não parava de girar, era como se estivessem entrado em um looping onde acontecia sempre a mesma coisa. Eles não estavam conseguindo ficar de pé, flutuavam enquanto tudo à sua frente se estendia.

Estavam em uma velocidade alta quando avistaram uma dobra no espaço estranho. Não foi necessário se comunicar, eles se atiraram para dentro dela enquanto ainda prendiam a respiração.

Com um sopro de ar, eles foram atirados para fora. Seus corpos saíram batendo contra corpos atrás de corpos sem parar até que suas peles começaram a se aquecer sozinha.

Deslizaram por alguns metros um longe do outro até pararem.

- Silver, está tudo bem? - Fukai soltou o ar, aliviado.

- Acho que não estamos na melhor situação para falar disso, Fukai - Ela puxou o escudo para fora enquanto acertou uma besta diretamente abaixo do braço, cortando seu membro. - São bestas desérticas.

Os sons de estática entre os dentes dos animais irracionais foram a causa de Fukai voltar a enxergar a energia, e se assustar parcialmente por onde estava. Era um planície de quase dezenas de metros, recheadas de areia e… bestas.

Ele rolou para trás saindo de um golpe de um dos inimigos e puxou Lingot para sua mão. As bestas encaravam tanto Silver quanto Fukai, ambos no meio de uma multidão de animais negros e marrons, com espinhos sobre a cabeça e dentes afiados.

- São… Sauros - Silver piscou algumas vezes, sem entender. - Não estamos em Belerus, caímos em uma ilha.

- Quer discutir isso agora? - Fukai forçou a barra apontando sua espada para frente.

- Fugir ou lutar? - a jovem olhou em volta - São muitos.

- Vamos fugir lutando. - Fukai esticou sua mão para frente fazendo o solo a sua volta se erguer em espinhos e perfurando todas as bestas a sua volta. - Temos que sair daqui o mais rápido possível.

Silver virou e correu na mesma direção de Fukai, ela segurava seu escudo e defletia qualquer que fosse o ataque vindo das laterais enquanto os espinhos de pedra surgiam criando um caminho no qual poderiam seguir.

Fukai balançou os braços e água escapou de seus poros, ele gingou para o lado e bateu a parede feita de água contra uma dúzia de bestas.

- Não vejo saída - Silver arfou se defendendo contra mais golpes. - Temos que subir.

Fukai bateu seu pé no chão e a terra levantou ambos alguns metros para cima. Era um deserto enorme, as ventanias chacolhavam as areias, e as bestas berravam com força. O som de urros e do vento se misturavam em sincronia.

- Estamos no meio de um ninho delas - passando a mão no rosto, Silver encarava todos os lados, sem um caminho aparente.

- Essas bestas são diferentes umas das outras. - Fukai estava com sua cabeça virada para baixo, vendo as cores das energia que surgiam delas. - São de raças diferentes, elas não deveriam se gostar.

- Bestas seguem uma cadeira de ordem, certo? - Silver agachou na borda olhando para algumas das feiosas bestas tentando subir pela parede. - Elas estão sendo controladas por alguma coisa?

- Não faço ideia, mas sinto o cheiro de sangue. - Fukai ergueu o pescoço puxando o ar com mais força. - Elas estão lutando, mas não entre si.

Silver olhou para mais longe, onde uma grande quantidade de bestas estavam sendo levantadas em um único ponto naquele deserto. Estavam o cercando, mas não queriam o matar, não aquele ser que estava as desafiando.

Ela apontou, contente.

- Tem alguém lá.

- Não sabemos o que é - Fukai se virou para ela, conflituoso. - O que quer fazer?

Silver deu uma risada, colocou o escudo nas costas e a espada em uma das mãos. Esticou seu braço para Fukai e balançou a cabeça.

- Me arremesse.

Fukai deu uma risada.

- Como em Trish?

- Como em Trish. - repetiu, com um sorriso no rosto.

Fukai a segurou pelo braço, a girou duas vezes e a lançou a largando com toda a sua força. Não foi o arremesso mais forte que fez, mas era suficiente para que conseguisse utilizar o ar a sua volta, sem esperar, ele usou a pedra onde pisava para o arremessar no ar, na mesma direção.

A pressão que circulava Silver diminuiu por ter sido concentrada na lâmina de sua espada. Girou no ar antes de tocar o solo, e quando chegou, rotacionou ainda mais.

- Espada Fantasma…

A espada desgrudou de sua mão girando no ar enquanto outras dezenas apareceram a volta de Silver. A técnica criou um redemoinho com a jovem no meio, e fez as espadas cortarem tudo, se expandindo para todas as direções.

O velho homem que estava de joelhos não conseguia desgrudar seus olhos da jovem senhorita que o salvou. As espadas de cor cinzentas desapareceram no ar e deixou apenas ela, de costas, puxando seu escudo de volta.

- O senhor está bem? - a voz angelical veio com uma virada de lado daquela senhorita.

Papa Shidai suspirou como se estivesse sonhando, um sonho que parecia ser um pesadelo antes.

- Está ferido? - perguntou novamente, mas sem resposta.

Silver posicionou o escudo para frente esperando pelo ataque dos inimigos.

Papa Shidai estava contemplando aquela figura quando um segundo choque acertou, pelas suas costas. Um homem, com uma espada na mão e uma aura densa, forte, como a da senhorita. Pessoas estranhas que o Ancião sequer tinha visto na vida.

Ele piscou, vagarosamente, algumas vezes. Estava sendo salvo por uma dupla de pessoas misteriosas.

Fukai virou o rosto para trás deixando a mostra sua venda para o homem que não disse nada, seu rosto passível não pensava em mais nada.

- Ele está delirando, Silver - Fukai falou de volta. - Temos que ir, agora.

- Como vamos fazer isso? - Devolveu olhando de relance para ele. - Temos uma pessoa agora para levar.

- Vou usar algo - Ele se virou para o homem e o segurou pelo braço. - Segure ele e salte.

Silver bateu com o escudo no chão e criou uma onda violenta de ar que afastou os inimigos em volta. Sedentos de sangue e raiva, eles avançaram com mais força e raiva contra os novos invasores.

O ancião foi pego por Silver e ela saltou conseguindo encurtar o espaço para cair por causa do ar, não havia dominado completamente como flutuar, mas iria, algum dia. Ela segurou o braço de Papa Shidai olhando para baixo.

Fukai encaixou Lingot no chão, e respirou fundo.

- Tempestade de Thor.

As bestas chegaram perto de arranhar Fukai quando infinidades de correntes foram liberadas do corpo do humano. Fios azuis correndo por entre o ar, se dividindo como uma teia de aranha perfurando corpos, ligando e condensando outros pontos, se expandindo e cruzando entre si.

Os raios azuis perfuravam os corpos retirando as vidas daqueles seres que sequer conseguiram entender o que a acertaram.

O sangue verde cobriu completamente a marrom areia, criando uma camada secundária.

Fukai puxou a espada de volta apontando para frente, puxou a Energia Elementar para fora levantando incontáveis pequenos morros e pedras. Criou uma sequência de paredes naturais estacionando a via das bestas.

Aquilo tudo fez seu sangue aquecer, podia dizer que fora o sol ou o deserto, mas passar meses no Exílio Álgido e para num deserto, isso era sair de um extremo para o outro.

Silver voltou a descer com o homem, que estava de boca aberta. Ele não conseguiu dizer nada enquanto era salvo pelos dois, mas naquele momento, ele gaguejou, não compreendendo nada do que viu.

- Vocês… são… deuses?

Por Amnésia | 11/02/19 às 03:50 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação