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Capítulo 32 - Busca de respostas

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 32 - Busca de respostas

Autor: Amnésia | Revisão: Paragon


Fukai ergueu sua cabeça, o alivio de suas palavras o fizeram mais calmo, ele respirou fundo encarando os moradores que uma vez estavam ajoelhados, todos eles contentes pelas palavras que Fukai os deixou.

Na família Ferio, as últimas coisas que alguém poderia fazer era dizer o nome do Antigo Protetor sem que fosse do ramo principal, nesse caso, apenas sua própria família, a que ele formou poderia usar tal título.

Não muito longe do pátio, havia um homem sentado por cima de uma casa, relaxado apoiando suas mãos sobre o joelho, ele assistia calmamente as palavras de Fukai e Ana Ferio.

Seu traje era um cinza cheio de equipamentos de batalha, sem duvidas era algo que poucas pessoas teriam, e ele que viajou por 5 anos tinha reunido muitas peças para si.

Esse era Tyson Ferio, seus cabelos negros presos por um rabo de cavalo e seus olhos vermelhos eram claramente iguais a de sua filha. Pin Ferio puxou quase tudo de seu pai, até mesmo o que podia se chamar de personalidade.

Ele assistiu a Fukai dizer as palavras reais e duras para Ana Ferio que nada conseguiu responder. Não que era impossível, era que com o conhecimento atual que ela tinha sobre a sua família, ela não poderia, isso era óbvio para ele.

Apenas os que conhecem verdadeiramente a situação dos Ferio poderiam dialogar entre si..

Ty observou o garoto sair de perto do portão deixando todos para trás e seguir seu destino, somente nesse momento que ele se levantou.

A pouca brisa da manhã trazia o cheiro da terra seca e também de ódio.

Ouvir do garoto que o Segundo Elder tentou o matar ontem a noite o deixou meio perturbado, seria assim então que sua família resolvia todas as coisas?

Desde quando decaímos tanto?

Ty deu um passo para frente no ar, e ele desapareceu fazendo uma distorção no espaço, seu corpo entrou nessa distorção e sumiu rapidamente.

Seu espírito estava abalado, seu peito doía, seus olhos vagos buscavam respostas, ele estava em um estado fortemente pensativo.

Qual o motivo da família Ferio ter por tanto tempo estado no poder e logo caiu do nada? Sempre sendo comandada pelo Patriarca, o homem mais habilidoso e escolhido pelo povo, como poderia ser tudo o que o Antigo Protetor uma vez criou ir ralo abaixo?

O que o ramo principal poderia estar escondendo dos seus próprios membros?

Ty Ferio não poderia simplesmente ir diretamente ao Patriarca e exigir respostas, isso seria um tanto quanto estranho.

Alguém que chegou de viagem exigindo que os problemas mais fatais de sua família fossem revelados a ele?

Não, Ty não poderia fazer esse tipo de coisa.

Sem que sua posição fosse revelada, ele começou a elaborar algum plano, qualquer um no qual conseguisse as respostas.

Sua cabeça doía, e ele teve que relaxar sua mente para que não fosse acertado por uma enxaqueca, para os praticantes marciais e cultivadores, dores de cabeça era um golpe um tanto quanto mortal.

Se não fosse tratado, a dor levava a pessoa a ficar louca, em estados mais extremos, a morte.

Tyson respirou fundo saindo de dentro do espaço distorcido que criou, e dando seu primeiro passo para fora, ele estava em frente a uma porta de madeira. Ele estava prestes a bater quando uma voz soou de dentro.

- Entre, sua pessoa não precisa bater para falar comigo. - Era meio velha, mas um pouco contente.

Ty sorriu e entrou girando a maçaneta.

Do lado de dentro, o homem sentado na cadeira no canto da sala deslizava o pincel sobre um papel de jade relaxadamente, sua performance era clara, ele treinou aquilo para masterizar tanta maestria em apenas escrever.

O homem parou, olhou para Ty de cima a baixo e sorriu feliz.

- Faz muito tempo desde que eu te vi pela última vez, Tyson. - Ele disse parando de escrever e se prostrando de pé, caminho até seu amigo e parou. - Como foi a viagem? Descobriu as respostas que queria?

Ty acenou com a cabeça um pouco pesada e voltou um passo para trás.

- Mestre, as razões de eu ter partido por tantos anos foi para que eu pudesse conhecer o mundo por mim mesmo, as respostas nunca vieram porque elas estavam comigo o tempo todo. - Ty respondeu sabiamente de cabeça baixa. - E eu retornei o quanto antes, precisamente cheguei ontem a noite, espero que não tenha se ofendido por eu não ter vindo antes.

- Não se preocupe com isso. - Ele abanou as mãos como se nada disso importasse verdadeiramente para ele. - E não me chame de mestre, olhe como você está. - O homem deu dois tapas no ombro de Ty e sorriu orgulhosamente. - Depois de finalmente ter se formado virou um grande homem, seu título até mesmo ofuscou meu cargo, sabia?

Ty abaixou a cabeça ouvindo aquilo com pesar e juntou as duas mãos em concha.

- Desculpe por isso, mest.. senhor. - Ty forçou. - Juro que não foi minha intenção causar nenhum problema para você.

O velho homem tirou sua mão do ombro dele e coçou sua barba sorrindo alegremente.

- Problemas? Depois que saiu, todo esse lugar virou um lugar famoso, por isso conseguimos elevar nossos níveis e nos tornamos uma das melhores instituições da Seita Calto batendo de frente com os Xinta.

Com um leve sorriso, Ty concordou.

- Pois bem, espero que me diga o motivo de sua estadia hoje por aqui, estamos para começar o anuncio dos mais novos membros de nossa instituição.

Tyson concordou levemente e pausou um pouco ocioso.

- Senhor, poderia me dizer algumas coisas que aconteceu com a família Ferio nesses anos que estive fora?

O homem coçou a barba um pouco, e deu de ombros.

- E por que não? - Ele indicou uma cadeira ao lado da escrivaninha. - Mas sente-se, isso vai demorar um pouco para ser falado tão casualmente.

Estrada de Pedras, caminho para Darey Mason…

O silêncio simplesmente dominava a localidade, olhando para tudo a volta, Fukai não podia achar a beleza da natureza simples, era algo bom, algo calmo, algo que amenizava sua raiva no decorrer dos dias que ficou em casa.

Uma semana inteira e toda a paz que reuniu durante o tempo que esteve fora de casa se auto destruiu do nada.

Ele balançou a cabeça suspirando, deixar pensamentos ruins afetarem suas ações, isso sem dúvida era algo que sua mãe o repreenderia.

Amelia diria coisas do tipo: “Se tentar consertar as coisas sozinho, vai sempre acabar solitário.”

Solitário ou não, quem mais faria algo para melhorar as condições da sua própria família?

Quem ligava?

- Pare de pensar e preste atenção em sua volta, não estamos sozinhos. - Razam interrompeu os pensamentos de Fukai e o fez parar. - São dois homens, ambos no pico do Reino Elementar, se não me engano podem ser claramente os dois velhos que você derrotou ontem.

- Entendo. - Fukai respondeu indiferente.

Ele fingiu estar coçando o peito e ativou um dos seus selos de listra branca.

Coçou o pescoço se virando e esperou encarando de onde veio.

- Vamos, parem com essa brincadeira…

As sombras se mexendo pararam por cima de uma árvore, eles encaram o garoto os esperando e sorriram secretamente.

- Quem são vocês? - Fukai perguntou sem interesse nenhum. - Eu tenho assuntos importantes, podem começar o que querem logo.

- Alguém que está prestes a morrer não deve fazer perguntas. - Um deles falou.

Fukai ficou meio desesperançoso, ele respirou fundo e lentamente entrou em posição de batalha, ergueu sua mão esquerda virando todo o seu lado esquerdo para os dois oponentes, e a mão direita para trás de suas costas. Sem tensionar suas pernas, ele permaneceu ereto cansado.

O primeiro saltou rapidamente para frente, puxou uma adaga fortemente de dentro do coldre que envolvia sua panturrilha, e atacou.

A adaga soou com um golpe de lado enquanto investia com tremenda força, seu braço veio pela direita.

Fukai deu um passo para frente e girou sua perna para cima. O homem levantou o braço esquerdo e defendeu do golpe, sua adaga respingou para frente e arranhou a bochecha de Fukai.

O braço esquerdo de Fukai se mexeu e acertou um soco para a direita, o corte que ele tomou foi proposital, deixando que um simples acerto o pegasse, então dava confiança para os dois oponentes.

Fukai fez um semi circulo com o pé direito dobrando os joelhos, e tensionou os braços.

- Mestre, está falando sério que esse é o alvo? - O homem riu zombando. - Eu pensei que seria mais difícil.

Fukai riu.

- Arte Selo: Contrato.

Ele tocou o solo fazendo um selo rapidamente se expandir, com um leve tremida, o chão respondeu ao toque.

Fukai se levantou e estendeu seu braço para a direita.

- Venha, Lingot.

A bainha negra surgiu em sua mão, a aura simples que rodeava o garoto se tornou mortal e fria, o homem que estava ainda por cima das árvores ficou instigado, esse poder saindo de seu corpo não era algo que uma pessoa comum poderia liberar.

- C2. - O homem em cima da árvore alertou seu colega. - Acabe logo com isso.

Respondendo ao seu líder, a pessoa que estava em solo obedeceu rapidamente levantando sua arma e indo diretamente para seu alvo, dessa vez mais determinado.

- Hey, garoto, me diga.. - O homem atacou de todos os lados enquanto Fukai apenas se defendia e desviava dos golpes sem expressão complicada no rosto. - Me diga como quer morrer.

As duas armas se chocaram fazendo seus rostos ficaram bem próximos, se entreolhando, os dois rangeram os dentes disputando forças.

Por fim, o homem retirou sua arma e fez Fukai desequilibrar para frente, ele tinha vantagem, ou achava isso.

Quando ele levantou sua arma para deferir um golpe no garoto de costas e deu um passo para frente, suas pernas travaram, ele golpeou rapidamente a frente tentando sair, mas seus pés não obedeciam.

Fukai riu enquanto rapidamente de pé correu para o único homem que ainda estava livre. O assassino por cima da árvore sacou sua espada lisa e desceu rapidamente para o chão dando golpes variados pelas laterais e tentando desarmar Fukai.

Essa decisão não estava dando certo, quando cada tentativa de pegar a bainha surgia, Fukai dava um passo para trás e o repelia com um soco ou chute.

Entrando em um impasse, o Assassino rapidamente passou a mão livre sobre o peito com um listra verde aparecendo em sua palma.

A ligeira cor não era forte, mas o suficiente para que Fukai pudesse notá-la.

- Ferio..

A bainha negra bateu contra a espada, Fukai mudou seu rosto para um muito mais sério, segurou o punhal da arma e a sacou rapidamente batendo a contra a de seu oponente.

Defletindo o golpe rapidamente, o assassino que estava antes confiante que iria ganhar agora não conseguiu mais pensar nesse assunto. A espada curvada apareceu em sua visão ocultando todo o cenário, era como se uma grande explosão estivesse a sua frente.

Fukai rapidamente deu dois passos para o lado e acertou um golpe lateral, seus braços não mais ficaram curvados, ele começou aos poucos a aumentar a velocidade atacando de ambos lados, direita e esquerda.

O primeiro golpe chicote bateu contra a diagonal. O homem recuou assustado, ele nunca tinha visto um movimento de braço tão rápido.

O chicote assolava completamente o lado direito do Assassino o fazendo dar passos para trás, a cada passe recuado, um novo golpe mais forte.

Inconscientemente, ele começou a levantar sua espada somente para a direita, sua intuição o agarrou aquele lado.

Mas do nada, parou…

Ele engoliu o seco ao ver sua mão suando, os ataques cessaram sem nenhum aviso prévio, quando olhou para frente, um soco emergiu e acertou sua barriga o fazendo andar e cair para trás.

- Contrato: Terra. - Fukai disse guardando a espada de volta na bainha.

A terra se despedaçou completamente para o lado, o Assassino caído ficou horrorizado quando a terra começou aos poucos a cobrir seu corpo.

Ele rapidamente tocou sua palma na terra e disse com medo:

- Contrato: Terra.

Exatamente como Fukai Ferio tinha dito, a terra agora saiu de cima de seu corpo o deixando livre.

- Então realmente a família Ferio veio me assassinar. - Fukai disse solene. - E eu achando que eles teriam mais face do que assassinar membros de sua própria família.

- Um estorvo do ramo secundário nunca será parte da família principal, nem em status e nem em altura. - O Assassino disse se levantando aliviado e um pouco cansado.

O outro homem se liberou ao recorrer a um selo de contrato também com o chão, ele retirou seus pés de dentro da cova de areia e parou com sua adaga puxada.

- Bom, agora teremos uma boa disputa para ver quem irá ficar com essa arma curvada. - Ele disse com um sorriso medonho.

- Se conseguirem pegar essa arma, então sim, poderão disputar. - Fukai respondeu com um sorriso nada amigável. - Venha, venha pegar…

Por Amnésia | 20/01/18 às 02:12 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação