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Capítulo 37 - Cicatrizes de batalha

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 37 - Cicatrizes de batalha

Autor: Amnésia | Revisão: Paragon


Alguns dias se passaram desde que Fukai esteve caído, ele ficou na cama todos os momentos, seu corpo havia sido atingido por incontáveis tipos de ferimentos, desde os mais profundos até os mais superficiais. Seu membro mais atingido foi seu braço direito que teve múltiplas fraturas e cicatrizes por toda a pele, sua palma ficou deformada parecendo um campo de batalha e seus dedos tinham uma cor verde por causa do inchaço das veias.

Ao seu lado, Pin Ferio se manteve sentada tomando conta do jovem com todas as suas forças. Ela sempre passava panos molhados sobre a testa dele, lavava seu rosto e arrumava o quarto para que não ficasse empoeirado.

Levantando da cadeira ao lado da cama, Pin abriu a janela, os raios solares do começo do dia eram os mais agradáveis e a fraca brisa era uma das poucas coisas que lhe tiravam as preocupações. Fechando seus olhos, ela se esqueceu do mundo em que estava e uma quente sensação de curta felicidade durou.

Mas essa felicidade acabou quando a porta abriu violentamente, um garoto forte, musculoso e meio alto entrou olhando para todos os lados como se procurasse algo, e parou os olhos em Fukai deitado na cama.

- Te encontrei, seu miserável. - Ele estava prestes a saltar quando uma mão segurou seu colarinho por trás e o segurou. - Me solte, sua pivete…

Uma ruiva garota passou entrando e largou o grandalhão o deixando irritado, os dois trocaram olhares fumegantes antes de desviarem seus olhos, ambos transmitindo raiva e desgosto pelo outro.

Pin sorriu ao ver os dois, ela os conhecia por pouco tempo, dos últimos dias ambos estiveram presentes no quarto para ficar ao lado de Fukai, pelo que parecia, eram amigos.

Melina cruzou seus braços não ligando e deixou Garp sair correndo feito um louco para cima de Fukai enquanto ela apenas caminhou lentamente.

Garp se sentou na mesma cama que Fukai estava deitado e deu um tapão na sua perna esperando que ele acordasse.

- O que está fazendo? - Pin disse empurrando o braço pesado de Garp de volta para seu corpo. - Vai machucar ele.

- Não se preocupe, ele tem fibras de ferro. - Garp brincou gargalhando. - Não tem como ficar assim por mais tempo.

Melina bufou ao ouvir aquilo.

- Não ouviu o que o diretor Merer disse? Ele pode ficar assim até mesmo por alguns meses, refutar o que o diretor disse é burrice. - Melina foi totalmente descortês.

- Não refutei o diretor. - Garp disse sério, ele olhou para Fukai deitado e riu. - Como posso dizer, sinto que ele vai acordar em breve, estou louco para lutar com ele na arena de batalha.

Melina balançou sua cabeça querendo não mais ouvir aquela pilha de músculos falar e foi até o lado de Pin se sentando em outra cadeira.

- O que seria essa Arena de Batalha? - Pin perguntou segurando sua saia negra mais forte.

Melina a olhou e sorriu encantada pela paz que essa garota trazia ao redor. Até mesmo o humor de Melina foi melhorado por ela.

- Você não saiu desde que veio para cá, então basicamente não deve saber. - Melina falou. - A Arena de Batalha é onde você consegue arrecadar dinheiro em forma de pílulas de baixa qualidade, chamadas de pílulas normais, sabe qual ela é?

- Conheço essas. - Pin afirmou com a cabeça gentilmente. - Por favor, continue.

- A Arena de Batalha é um grande pátio feito com ferro fundido onde duas ou mais pessoas lutam entre si, a cada vitória, você recebe um ponto, e cada derrota é tirado um ponto, o número mínimo de pontos é zero, então mesmo se perder, nada pode ser tirado.

Garp riu interrompendo a explicação de Melina.

A garota apertou o punho por isso.

- Falando de forma melhor. - Garp apontou para si mesmo. - Os pontos que você acumula são basicamente o seu próprio Ranking dentro da Instituição, quanto mais alto, mais pílulas e pedras de valor serão dadas a cada final de semana, e com isso sua força pode velada.

Pin assentiu de boca aberta impressionada, arrumou seus óculos e continuou.

- E quem está no topo?

Garp mudou sua expressão para um muito mais séria, mas não disse nada.

Melina riu dele cruzando os braços e passando sua perna por cima da outra.

- Esse idiota desafiou o primeiro lugar logo no primeiro dia e perdeu miseravelmente. - Ela fez questão de chamá-lo de idiota. - O nome dele é Stil Quito, da família Quito, está no primeiro nível do Reino Elementar tendo apenas 23 anos.

Pin ficou bem impressionada, em sua viagem ela conheceu muitas pessoas de alto nível no Reino Elementar e Sol Nascente, mas suas idades sempre foram 60 anos ou 70 anos, mas seus rostos eram bem tratados parecendo estar na casa dos 30 anos.

Alguém estar no Reino Elementar sendo tão novo era sem dúvidas algo muito anormal.

Melina riu colocando a mão perto da boca e deixou Garp ainda mais puto.

- Ele perdeu em dois movimentos sem que Stil tivesse empunhado sua espada.

Garp bufou olhando para o outro lado irritado.

- Ele é uma pessoa estranha, foi questão de um ataque meu e parecia que todos os seus movimentos estavam em sincronia, ele nem mesmo me atacou. - Garp pareceu sombrio. - Quando me dei conta eu tinha caído desmaiado.

Pin nada disse, mas prestou atenção no rosto de Garp pensativo.

- Ele deve ter usado algum tipo de supressão, não acha? - Pin o perguntou.

Garp a olhou com a mão no queixo e colocou sua cabeça para o lado.

- Supressão?

Pin assentiu sorrindo levantando seu dedo.

- Em uma batalha, ataques e defesas não são necessariamente a única forma de combater seus oponentes. A minha família Ferio, por exemplo, sempre esteve em batalhas como suporte, e por isso não somos tão bons com armas. - Ela disse deixando Melina curiosa também. - Quando os inimigos se encontram, há um tipo de força mental e energética que pode ser usada durante uma luta.

- Força… Energética e… mental? - Garp coçou a cabeça. - Como funciona isso?

- A Força Mental é usada, na maioria dos casos, em duelos solos, seu oponente consegue penetrar na sua cabeça e te derrotar sem usar os braços. - Pin explicou a Garp e gesticulou sua mão na direção do grandão. - Stil Quito pode ter te derrotado por achar que sua defesa mental era mais fraca do que a força física.

Garp estalou a língua dando um forte tapa na perna de Fukai.

- Aquele desgraçado…

Pin olhou mortalmente para onde Garp tinha dado o tapa, seu rosto ficou quase roxo. Garp levantou seu braço da perna de Fukai dando um riso um pouco envergonhado.

- Desculpa, desculpa, foi sem querer. - Ele continuou rindo.

- Pin, me fale dessa Força Energética. - Melina tocou o ombro da garota. - Fiquei interessado nela.

A jovem beldade dos Ferio assentiu e continuou.

- Força Energética é um impulso que é liberado do corpo, sua Profunda Energia se torna mais densa por um curto período de tempo e seu corpo fica mais forte emitindo muita energia para fora. - Pin olhou para o braço de Fukai totalmente cicatrizados e seus dedos verdes por causa das veias. - No pior dos casos, a sua própria Profunda Energia pode-se voltar contra si e acabar te machucando.

Melina também olhou para o braço de Fukai e concordou.

- E como essas duas forças operam?

Pin saiu de seu transe e novamente continuou.

- Hoje em dia esses tipos de coisas podem todos serem aprendidos e desenvolvidos pela própria pessoa, mas antigamente teria que haver um dom. - Pin explicou sem dificuldade. - O próprio Sacro Rei do Império Nômade foi um grande guerreiro que não usava seus braços.

Garp ficou estático.

- Rei Nômade?

Melina o encarou com nojo.

- Isso é sério? Você não conhece nem mesmo os grandes guerreiros das Eras passadas?

Garp deu de ombros desviando a cabeça delas. Melina sorriu tendo desejo de sacar sua espada rapidamente, as histórias contadas sempre traziam a ela uma grande euforia.

- Rei Nômade foi o guerreiro que lutou ao lado da única pessoa que respeito. - Melina falou baixo e só Pin a ouviu. - Zesar Nakamoto, o especialista da Primeira Era que veio das ilhas mais pobres do Sul.

- Quando Zesar levantava sua espada, ele conseguia manipular cada movimento com tanta perfeição que seus oponentes eram suprimidos pelo poder seu ataque, o pior dos seus oponentes só pôde se segurar por 10 sequências de golpes.

Pin sorriu, Melina falava com muito entusiasmo quando se tratava de seus ídolos.

- Eu sempre gostei do Gladiador do Outono… - Ela disse sorrindo.

Melina a encarou assustada.

- O homem que fez a estação do Outono ser reconhecida mundialmente?

Pin concordou rapidamente sorrindo.

- Esse mesmo.

Ambas sorriram deixando Garp um pouco de lado.

- Meu ídolo era o Assassino de Tronos, Since Jiyuto. - Ele falou virado para o outro lado.

O sorriso de Pin e Melina sumiram ao ouvirem aquilo, a voz de Garp foi um tanto quanto baixa e fraca.

- Alguém que morreu acreditando no seu próprio caminho, criou seu próprio estilo e seu próprio Dao, e mesmo quando todos o chamaram de Assassino, ele se manteve de cabeça levantada. - Garp levantou o punho para perto do peito o segurando fortemente. - Um tipo de homem com capacidade de deixar os demais no chão, derrotou um exército inteiro apenas com um porrete.

Olhando para o porrete nas costas de Garp, Melina finalmente entendeu o motivo daquela arma estranha estar sempre com ele.

- Ninguém o culpa hoje, irmão Garp. - Pin disse gentilmente. - Ele foi nomeado inocente depois de muitos anos depois de sua morte quando pegaram o verdadeiro culpado.

- Eu sei, mas… - Garp tentou pronunciar.

Uma voz soou de seu lado fracamente.

- Mas o fato dele ter sido morto injustamente faz com que seus nervos fiquem nervosos, seu ídolo morto por algo infantil de pessoas que sequer acreditaram em suas palavras.

Garp assentiu sem prestar atenção em quem tinha ouvido, mas logo que parou, ele girou sua cabeça encarando os olhos de Fukai o fitando sério.

- Quando alguém é colocado de joelhos, as rezas começam a ser cantadas, os pássaros param de piar e somente o silêncio o espera, mas Since Jiyuto continuou de cabeça erguida para que as pessoas pudessem saber que ele não temia a verdade. - Fukai falou fracamente para Garp. - Eu te acho mais legal agora que contou isso.

Garp ainda meio estático logo recobrou seus sentidos gargalhando fortemente e dando um outro tapa nas pernas de Fukai.

- Desde quando está acordado?

As outras duas agora encaram o garoto deitado e viram seus olhos abertos e um sorriso forçado com um pouco de dor estampado nos lábios.

- Desde que me deu dois tapas na perna, desgraçado.

- Ah, foi tudo uma estratégia montada. - Garp apontou para sua cabeça gargalhando. - Estratégia da dor.

Fukai respirou fundo e desviou sua cabeça para as duas pessoas ao seu lado. Tanto Pin Ferio quanto Melina Salto estava o encarando com um pingo de susto no rosto.

- Estava nos ouvindo o tempo todo? - Pin perguntou inclinando seu corpo e encostando sua palma sobre a testa de Fukai. - Está abaixando a febre, que bom. - Ela disse aliviada.

- Não o tempo todo... - Fukai devolveu com um sorriso fraco. - Foi você quem esteve cuidado de mim esses dias?

- Sim. - Pin assentiu, mas logo recuou o corpo vermelha. - Não foi nada demais, como somos da mesma família, eu meio que…

Fukai mexeu seu braço direito e segurou a fina mão de Pin a deixando estranhamente assustada, mas não reagiu ao toque.

Quando os dedos verdes se curvaram a segurando de forma gentil e nada agressiva, Fukai fechou os olhos.

- Obrigado. - Ele disse sorrindo.

- De… nada!

Melina riu daquilo e se levantou ajeitando suas roupas de batalha vermelha, o protetor de ombro feito de ferro, as estiras de couro que passavam entre seus peitos e limpou o semblante da imagem de sua família Salto: O Tigre Amarelo.

Ela deu um passo a frente e deu um chute nas costas de Garp que ainda olhava para Fukai com um certo brilho nos olhos.

- Vamos saindo, está quase na hora das aulas de combate. - Ela disse passando por entre eles. - Os dois Ferio, venham assistir como eu dou uma surra nos outros novatos.

Mesmo sendo tão arrogante, ela ainda tinha seu toque de beleza natural quando seus cabelos ruivos simplesmente balançavam enquanto andava.

Garp negou rapidamente com os braços.

- Não, venham me assistir esmagar os pirralhos do ano anterior, todos eles são tão fracos que me deixa entediado. - Ele gargalhou colocando as mãos na cintura, seu corpo sem dúvidas era de alguém divino. - Eu quero batalhar contra você, Fukai.

Fukai abriu os olhos sorrindo.

- Estarei lá para ver os dois ainda hoje. - Ele respondeu. - Não se preocupem, em uma semana conseguirei estar de volta as aulas.

Garp e Melina assentiram enquanto saíam da sala.

Fukai largou a mão de Pin, ele respirou fundo e olhou para a garota que arrumava seus óculos olhando para a porta.

- Posso te pedir um último favor? - Fukai perguntou.

- Claro. - Pin respondeu meio sem graça.

Fukai riu e apontou para suas pernas.

- Pode me levantar, Garp me deixou meio dolorido, preciso massagear a parte que ele me acertou.

Pin sorriu com sua mão perto da boca e levantou a Fukai a se sentar na cama.

O garoto massageava as pernas nas partes que Garp havia batido com uma expressão dolorosa mais risonha deixando Pin mais aliviada e sorridente.

- Agora que acordei, você não precisa mais ficar aqui dentro. - Fukai lhe disse. - Te atrasei poralguns dias, por favor, retorne para a sala.

Pin assentiu com a cabeça.

- Mas se precisar de algo, por favor, me fale, somos da mesma família.

Fukai sorriu para ela de forma natural, algo que ele não deixou de estranhar.

Fazia quanto tempo desde que não sorria assim?

- Pode deixar, eu irei avisar.

A garota passou andando segurando sua saia curta negra para fora do quarto dando um último aceno com sua mão erguida e fechou a porta calmamente.

Logo que ela saiu, Razam apareceu na frente de Fukai sentado com seu chapéu de palha acima da cabeça e o cigarro de palha na boca.

- Está totalmente curado, por que falar que vai ficar uma semana de repouso?

- Meu braço direito... - Fukai olhou para seu membro cicatrizado. - Eu não sinto nada nele, a Profunda Força não está circulando nele.

Razam o olhou e cuspiu rapidamente o cigarro de palha colocando sua mão por cima do braço e depois do pulso do garoto.

- Sim, eu vejo. - Razam assentiu. - É uma pena, garoto, suas veias de energia foram cicatrizadas, vai ficar sem ela por muito tempo até que voltem ao estado natural.

- Isso foi pelo fato de você ter assumido controle do meu corpo no último momento da batalha contra o segundo assassino? - Fukai o encarou, mas não tinha nenhum pingo de raiva em sua voz ou ação.

- Também... - Razam respondeu. - Mas o fato principal é pelo fato de que agora você consegue manipular algo a mais do que a Profunda Energia, seu corpo tem a Pura Energia dos elementos ar, terra e água junto dele.

Franzindo sua sobrancelha, Fukai pediu para que Razam continuasse.

- Humanos são mesmo ignorantes, quando combateu o segundo homem, seu dantian projetou uma falha, ele se rachou e deixou que outros tipos de Energia pudessem entrar no seu corpo, mas apenas seu braço levou o choque por estar carregando Lingot.

- A espada curvada é um ótimo receptor de diferentes tipos de energia natural, quando ela recebeu toda aquela carga de Pura Energia, ela não resistiu a tentação e roubou tudo para si, e consequentemente seu braço foi atingido também.

- Por não estar no Reino Elementar, eles ficaram com defeito, paralisaram, mas toda a carga de Pura Energia dos três elementos estão dentro do seu corpo.

Fukai conseguiu compreender e levou sua mão ao queixo pensativo.

- E isso é bom ou ruim?

Razam olhou para o lado tentando achar um jeito bom de responder.

- O lado bom é que você no futuro terá controle exato de três elementos primários, o lado ruim é… você não vai poder canalizar sua força no braço direito, e consequentemente sua velocidade para subir de nível e Reino aumentam quase cinco vezes.

A expressão de Fukai ficou meio atormentada, ele já tinha o problema do Selo no seu corpo e agora isso, a dificuldade para ficar mais forte apertou de novo.

Razam puxou o cigarro de palha do chão e colocou na boca o fazendo acender sem usar o fogo.

- Não se preocupe com as coisas futuras, essas cicatrizes no seu braço vão te lembrar da necessidade de ficar mais forte, sem dor não há mérito, e sem mérito não há glória.

- Bem filosofo. - Fukai riu.

- Estou apenas dando minhas instruções, como seu mestre, eu preciso dizer as coisas… - Ele abanou a mão para o lado tragando seu cigarro e soltando a fumaça. - Vou voltar, não force seu corpo, ele ainda está um pouco fraco.


Fukai assentiu observando o espírito livre desaparecer da sua frente e voltar para dentro de sua mente.

- Obrigado por ter me salvado… - Fukai pensou consigo mesmo nos últimos segundos antes de voltar a dormir.


Por Amnésia | 26/01/18 às 17:37 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação