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Capítulo 45 - Sembou Sakura

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 45 - Sembou Sakura

Autor: Amnésia | Revisão: Paragon

O fato de Fukai Ferio conseguir bloquear e golpear sem o uso da espada fez com que a cor rosada de Lucy Naita mudasse para uma mais pálida.

Porque em sua cabeça e em seus estudos com seu pai havia sempre um ditado que era mencionado: "Aquele no caminho da espada é um perdedor no caminho do punho."

Ainda assim, a defesa madura com a palma e o golpe dado por ele não só afetaram o corpo, mas a mente de Lucy.

As coisas que aprendeu sobre forte e fraco não eram nada quando comparadas a Fukai.

Seu estilo era tão aberto que dava pena, mas por ser assim dificultava a chance de acerto.

Pernas, braços, tronco, pulsos, punhos, dedos.

Cada parte do corpo dele reagia a uma situação diferente, e isso deixava a senhorita Naita irritada porque era uma defesa.

Fukai também estava impressionado, ele recebeu um golpe firme quando estava na posição de Shin no Kamae, e sua defesa não foi absoluta. Lucy era dez se não vinte vezes mais forte do que pensava.

Se ela treinasse por mais tempo com oponentes de verdade seu estado natural de luta evoluiria.

Mas naquele nível atual, não havia pessoas que pudessem se comparar a ela, apenas os que estavam no topo do Reino Terrestre, mas por qual motivo eles gostariam de enfrentar um Junior?

Seus orgulhos não deixariam, não havia nada mais humilhante do que se rebaixar a enfrentar alguém inferior.

As emoções de ambos estavam a flor da pele. Se encarando de forma tão severa, eles sorriram um para o outro.

Essa sensação de luta, essa sensação de euforia, Fukai não teve nem mesmo quando ficou de frente para os dois assassinos dos Ferio.

Fukai respirou fundo exalando uma fumaça cinza para fora de sua boca, seu corpo não estava mais no seu ápice, o cansaço e a dor já o abraçavam com louvor.

Seu pulso direto também estava cada vez mais fraco. A luta que teve com os dois assassinos dos Ferio o deixou mais fraco do que antes.

Suas pernas já dançaram por tanto tempo que nem mais respondiam a seu comando.

Fukai se preparou para o próximo movimento, essa seria a última troca de golpes da luta.

Do outro lado, esperando seu oponente se estabilizar, Lucy reunia todas as informações possíveis sobre seu oponente e também buscava a paz interior.

Seu peito formigava quando as cenas de sua luta até agora com Fukai rodeava sua mente.

Não era raiva, era emoção, a alegria, o pouco do seu espírito de luta sendo trazido de volta, uma felicidade por ter encontrado alguém tão forte e determinado.

Fukai Ferio, seu nome não me será esquecido.

Os últimos momentos de silêncio entre os dois lutadores, se abafou com as vozes dos demais a volta.

Eles estavam excitados, seus corpos desejavam assistir até o último segundo dessa luta.

O público não queria que acabasse, a última troca de golpes começou, e para eles que nunca haviam visto algo do tipo desejaram que nunca terminasse.

Uma luta tão acirrada e tão forte, era raro onde competidores conseguiam se manter de pé depois de muitas trocas, mas eles já estavam assim faziam mais de cinquenta trocas.

O último golpe veio...

Lucy recuou o pulso de um dos braços se defendendo e golpeou com o outro na abertura entre o ombro e pescoço do oponente.

A técnica de perfuração foi a frente, mas acertou o vazio. Fukai se abaixou no momento em que seu golpe foi defendido, mas não pode se mexer para nenhum dos lados.

Suas pernas haviam chegado ao seu limite, sua reação ficou mais curta e sua Profunda Energia estava em zero, ele lutava apenas com reflexos e ainda se mentia equilibrado com a ajuda de seus calcanhares.

Lucy ao errar o golpe de perfuração, ergueu seu joelho com um golpe forte.

Fukai com a mão esquerda se defendeu pressionando sua palma para baixo e empurrando de volta a perna.

Seus olhos apenas pegavam curtos momentos antes de se defender.

Ele leu por muitos anos sobre os Gargalos Reinais. O que diferenciava o Verminiano do Terrestre era seu entendimento sobre seu próprio corpo e também a criação de harmonia com o solo.

Terrestre vinha da própria terra, a capacidade que você tinha para entender sobre ela. Como funcionava, suas defesas, seus ataques, como suportar pressão.

O Reino Terrestre era uma base para o Reino Elementar.

Então pra que servia o Reino Verminiano? Por que as pessoas chamavam as pessoas de vermes por estarem nesse Reino?

Ninguém gostava de ficar nele por ser o mais baixo entre todos, mas nenhum deles conhecia a verdadeira essência que o Verminiano trazia.

Fukai Ferio sabia.

Depois de ler por anos depois de seu pai ter ido embora, ele fez o que sua mãe havia lhe dito, ler tudo o que podia, conhecer e aprender tudo o que podia.

E na página de um livro velho jogado no chão da biblioteca dos Ferio, lá estava o conhecimento que todos se negaram a estudar.

Fukai colocou seu braço no chão, levantou sua perna e acertou um golpe de baixo pra cima retraindo os braços da garota para trás.

Ele se levantou saltando, girou 360 graus e com sua perna esticada, ele a forçou a recuar.

Lucy ficou assustada, seus olhos se contraíram um pouco e ela ergueu sua guarda.

Os reflexos de Fukai aumentaram rapidamente, mas o estado do seu corpo era bem deplorável.

A tremedeira do seu corpo já o denunciava, e Lucy não o deixaria se recuperar, ela tinha a vantagem da batalha.

Expulsando aquela hesitação, ele se mexeu como um raio golpeando de todos os lados, sua melhor arma agora era a surpresa, ela tinha que acabar a luta agora.

Ela acertou a lâmina cortando uma parte do braço de Fukai que grunhiu curvando o corpo acertando seu pesado punho contra sua barriga.

A garota abriu a boca onde salivas e sangue escaparam de dentro.

Lucy não acreditou quando se estabilizou. O espírito desse garoto, a determinação de não querer perder, seu estado de força e sua teimosia.

Lucy não queria mais dialogar com ele. O fato de seu peito estar batendo forte com um sentimento amargo e doce ao mesmo tempo para seu oponente a deixava calada.

Por que eu quero conhecer mais dele? 

Por que seu espírito me cativa tanto?

Por que alguém do Reino Verminiano consegue ser tão forte?

Havia perguntas que não podiam ser respondidas com a lógica, a sua cabeça só queria mais daquele garoto, mais um pouco do sentimento de estar completa em batalha, o sentimento de estar viva mais uma vez depois de tanto tempo.

Lucy atacou com tudo dessa vez, duas lâminas brilharam com o último tom de roxo que sua Profunda Energia lançava para fora.

Seu corpo se mexeu esperando a reação de Fukai, o seu último golpe seria com certeza parado por ele, assim iriam para mais uma troca, assim Lucy queria do fundo do seu coração.

Mas durou segundos, e foi quando ela viu os olhos de Fukai Ferio fechados, sua espada pra cima, seu corpo na defensiva e nenhum resquício de que se mexeria para desviar.

A espada já estava menos de um metro, não havia como desviar, a direção era o coração, um ataque direto que o mataria.

Lucy torceu o pulso tentando tirar a lâmina, mas a espada não respondeu. As risadas das duas lâminas pedindo por sangue, apenas a garota Naita ouviu.

Lucy fechou os olhos atormentada, o golpe pegou a carne, e penetrou por mais dois centímetros antes de parar.

Os braços da garota travaram e começaram a gelar aos poucos, o frio e assombro da morte acolheram seu corpo.

Ela engoliu o seco abrindo os olhos.

Um espírito azul-transparente parado a frente de Fukai segurava as duas lâminas com suas mãos nuas. O chapéu de palha e o cigarro estavam imóveis, apenas a fumaça cinzenta transparente se mexia.

- Sembou e Sakura.. - Ele disse casualmente com um sorriso nada bondoso. - Vocês também foram mortas, não é?

As duas espadas se mexeram sem o consentimento de sua mestra, e no mesmo instante dois espíritos femininos exatamente igual ao que parecia um Samurai surgiram.

Eram duas mulheres desenvolvidas com um vestido lindo sobre o corpo, ambas seguravam uma espada exatamente iguais as que Lucy tinha.

Não eram iguais, eram as mesmas espadas.

Sakura tinha um olhar e sorriso sedutor jogado para Razam que retribuiu muito bem.

Sembou era mais tímida e desviou do olhar constrangedor do espírito abraçando seus próprios seios grandes, ela ficou vermelha de vergonha, mas como suas cores eram todas transparente, essa cor não aparecia.

- Ora, ora.. - Sakura disse andando para o lado olhando Razam de cima a baixo. - Olha o que o demônio Aser nos trouxe.

Sua voz era forte e autoritária, muito diferente das mulheres normais.

- Também estou encantado por te encontrar, sua víbora. - Razam devolveu com hostilidade, mas sorrindo.

Seus olhos encontraram Sembou, e ele mudou todo o seu jeito para um encantador cavaleiro, se curvou e inclinou a cabeça em reverência pra ela.

- Grande Senhora Sembou.. - Ele disse formalmente educado. - Encantado de reencontrar a senhora por aqui.

Mesmo levando o título de senhora, Sembou era uma jovem dama com longos cabelos e um rosto delicado.

Ela se ajeitou olhando para Razam sem jeito.

- Grande Razam.- Ela fez uma leve menção de cabeça. - Foi você que pausou o tempo para os humanos agora?

- Sempre com bons olhos, minha senhora. - Ele respondeu levando a mão ao peito em concordância.

Sakura balançou a cabeça movendo seus cabelos presos para os lados, essa atmosfera chata.

- Vocês sempre são assim, por favor, vão para um quarto e se comam logo.

Sembou apertou mais ainda seus peitos muito mais envergonhada, sua irmã nunca era cordial com as pessoas que lhe eram corteses.

- Minha senhora. - Razam disse sorrindo um pouco envergonhado e triste. - O que houve para que as duas fossem seladas? Aconteceu algo no Plano Celestial?

Sakura bufou abanando as mãos.

- E quem liga pra que lugar? - Ela passou a mão por trás do pescoço de Sembou e a trouxe mais para perto. - Agora que estamos livres, podemos desfrutar nossas vidas como queremos.

Razam franziu a sobrancelha.

- Livres?

- A forma de espírito é apenas um casulo, Razam. - Sembou lhe responde tirando o braço de sua irmã de cima de seu ombro. - Seja mais educada, Sakura.

Sakura revirou os olhos ignorando completamente Sembou e se jogou pra cima de Razam seduzindo com seus lábios.

- Desde que você foi embora, nós duas ficamos tão sozinhas. - Ela arrastou seu dedo sobre o roupão de Razam falando tristemente. - E agora, o destino nos uniu de novo, como vai nos reembolsar pelos 4 mil anos que nos deixou?

Razam riu maliciosamente, mas nada disse.

- Na verdade, estou mais interessado em como a mestra de vocês, Lucy Naita, está nos vendo.

- Hm?

Sembou olhou para Lucy que estava recuada piscando seus olhos várias vezes buscando saber se era um sonho ou não.

Sembou sorriu gentilmente para ela caminhando em sua direção.

- Senhorita Naita, sou Sembou Gagueoshi. - E apontou para a mulher nos braços de Razam. -Aquela é Sakura Gagueoshi.

Lucy engoliu o seco concordando tremendo com a cabeça.

- Não precisa ficar com medo, somos espíritos livres que estão selados nas suas duas espadas, temos um conhecimento muito grande do universo, e agora pertencemos a você.

- A.. a mim? - Lucy apontou para si mesmo com certa incredulidade. - Eu não fiz nada..

Sembou sorriu acalmando a jovem com um leve toque em seu ombro.

- Você tem o porte das lâminas gêmeas, então é a nossa mestre e também aprendiz.. - Sembou sorriu. - O objetivo principal dos espíritos é desenvolver seu mestre para que ele se torne alguém com imensa força e sabedoria.

Sakura riu.

- E você, Razam, aquele garoto é bem forte, mas parece ter algo errado com sua Profunda Energia. - Sakura continuou observando a posição onde Fukai havia sido congelado. - Um selo, talvez?

- Sim.. - Razam respondeu indiferente. - E ele teve as veias do braço direito seladas por uma luta passada de vida ou morte, então não está no seu melhor dia.

Sakura assentiu.

- Ele é forte mesmo para alguém no Reino Verminiano.

- Não o subestime. - Razam a advertiu com um sorriso brilhante. - Ele tem potencial para até mesmo me passar.

Sakura fez um beicinho e gargalhou baixo.

- Um humano? Passar uma entidade celestial?

- Não se esqueça do Deus Universal, Sakura. - Razam falou sério, e mudou o seu olhar para Fukai. - Ele também era parte de um planeta diferente, mas foi capaz de chegar até o topo.

Sakura deu de ombros com um gesto insignificante e voltou a falar.

- Não é como se todos pudessem chegar até lá.

- Mas não é impossível. - Sembou a lembrou. - O fato de que alguém chegou até o cargo máximo de uma divindade mesmo sendo um ser vivo mundano prova que nossos conceitos estão errados.

Razam assentiu sorrindo antes de emendar sua frase na sentença de Sembou.

- E acredito que não foi ele quem matou seus corpos, mas fez questão de selar suas almas, não é?

As palavras de Razam esfriaram mais um pouco o ar a volta dos três espíritos e a humana.

- Como sabe disso? - Sembou perguntou rapidamente.

O fato de terem sido seladas em uma espada nunca foi revelada a nenhuma das duas por nenhuma entidade.

Suas mortes no plano Celestial foram obra do destino, os ataques constantes de um grupo rebelde contra a residência dos Guerreiros Sagrados e onde coincidentemente as duas irmãs gêmeas estavam.

- No último segundo de vida, eu pude sentir meus vasos de Pura Energia sendo puxados e selados.. - Sakura falou baixo. - Parece que Ele tem algum tipo de plano elaborado para todos nós.

Razam nada disse e olhou para Lucy, ele ajeitou o chapéu e tirou o cigarro da boca.

- E então, agora você é a mestra de duas Semideusas, deve cuidar para que suas espadas não quebrem.

Lucy depois de tanto tempo ouvindo sobre coisa como Deuses, Plano Celestial e Entidades, acordou rapidamente dando um leve tranco pra trás.

Sembou pousou gentilmente  sua mão sobre o ombro de Lucy com um sorriso doce.

- Ela é muito cuidadosa com suas espadas, sempre foi fiel a nós.

Sakura riu, mas não zombando de Lucy.

- Até que ela sempre foi muito cordial a nós, até conversava com as espadas.

- Pare de falar isso.. - Lucy bateu de volta com vergonha. - Não repita aquelas coisas.

Sakura saiu de perto de Razam colocando as mãos nos lábios.

- Claro que eu falarei, olhe para nós, estamos sozinhos, isolados do mundo exterior e você acabou matando seu oponente.

Lucy congelou..

- Eu.. eu o matei?


Por Amnésia | 16/02/18 às 00:46 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação