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Capítulo 48 - Sinfonia

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 48 - Sinfonia

Autor: Amnésia | Revisão: Paragon

Os tijolos da torre ao lado do gabinete de Merer Gaufeng eram completamente fundidos a Profunda Energia para que as chuvas não pudessem fazê-lo cair. Por muito tempo, aquela torre foi a moradia de um comandante importante para a Seita Calto, mas logo que a pessoa desapareceu, o quarto ficou vazio.

Dessa vez, com alguns hóspedes importantes de outra Instituição, ele liberou todos os quartos e deixou o último e mais alto para Lucy e Tracy Naita.

Ambas mulheres se acomodaram, e ficaram contentes por não precisarem ir de imediato.

Com a grande quantidade de chuva, as estradas de terra e cimento ficavam mais escorregadias e também havia um aumento de bandidos e especialistas que se agrupavam nesses dias.

Lucy que estava na janela, nada mais fazia do que observar o tempo chuvoso. Ela decidiu abrir a janela para arejar o quarto e ficou dali observando para onde o Pátio Principal estava.

Depois de ter assistido algumas aulas particulares com o próprio Diretor Merer Gaufeng, a garota passou o resto do dia ali no quarto, lendo, escrevendo, e tentando matar o tempo.

Em grande parte do tempo, ela não acabava nenhum capítulo dos livros, voltava a fazer revisões em suas duas armas, e em outras ocasiões puxou assunto com as duas espíritos que lhe deram algumas dicas importantes sobre seu cultivo.

Lucy Naita não era alguém inativa, ela tinha que se mexer para que sua mente pudesse trabalhar.

E naquele dia em especial, ela estava debruçada na janela encarando o tempo nublado todo escuro.

O pátio principal estava vazio, tão vazio que nem mesmo parecia que alguém sairia de seus dormitórios para treinar.

Mas naquela paz e calma, o semblante de alguém usando uma capa escura apareceu.

Lucy ficou meio sem voz ao ver a cena, a pessoa parou, olhou em volta, esticou a palma de sua mão esquerda pra fora e continuou andando.

A figura era suspeita, talvez alguém que estava procurando alguém para um sparring ou só outro que gostava do tempo chuvoso.

De qualquer forma, a curiosidade de Lucy foi tomada quando a figura foi embora com passos leves.

Tão simples, parecia triste... Lucy levantou-se, guardou as espadas de volta a cintura, pegou seu casaco largo feito de couro e saiu do quarto tão apressada que nem se deu conta de quem a observava.
Tracy estava deitada em sua cama, lendo alguns livros quando Lucy passou em disparo. A mulher deu um riso bobo e disse:

- Essas crianças e suas mentes frágeis!


Lucy saiu do quarto descendo as escadas tão rápido quanto um raio e esbarrou em alguns dos seus colegas da Falcon Felix.

Chegou na base da torre se encontrando com o guarda da torre, ele a saudou com a cabeça e a deixou partir.

Uma das ordens de Merer era para que nenhum dos guardas barrasse os membros da família principal dos Naita.

Lucy era uma das quais tinha vantagem por seu título e abusou disso, dessa vez.

Saindo para o lado de fora chuvoso, a garota tentou identificar as marcas de pegadas nas poucas áreas de barro que havia no pátio principal, mas nada encontrou.

A chuva já havia apagado tudo.

Com sua intuição e perseverança, a jovem começou a caminhar para onde os risos e gritaria eufórica vinham.

Era tarde agora, mesmo que faltasse pouco tempo para dar o final da tarde, o céu ficou mais escuro ainda por causa do tempo nublado.

Naquele mundo cinzento, as luzes da casa de vinho chamaram atenção total da garota.

A casa de vinho era o local onde todos se reuniam depois que os treinos da tarde acabavam.

Nada do que uma boa dose de cerveja quente e um mel doce depois do esforço do dia.

Lucy encostou na porta, ela arranhou para dentro e entrou.

Ela chamou pouca atenção, quase ninguém virou a cara para vê-la. Estavam mais concentrados na bebida do que em alguém encharcada.

As mesas redondas de madeira vinham com grandes copos de cerveja, todos os que se sentavam tinham consigo amigos e faziam da mesa uma roda de conversas jogadas fora.

Homens e mulheres sentados como iguais perante a mesa, os que serviam também eram conhecidos.

O chefe que distribuía o copo de cerveja olhou para a jovem e abriu os braços em alegria. Era gordo e conseguia ocupar sozinho metade da parte de dentro do balcão.

Ele era o mais amigável de todos os membros, sempre fiel e nunca aceitava que aqueles que entrassem em sua casa de vinho ficasse sóbrio.

Em resposta, todos presentes estavam bêbados.

- Senhorita Naita. - Ele se curvou quase não cabendo dentro do balcão. - Qual bebida você aceitaria hoje?

Lucy caminhou passando por entre as mesas e se sentou a frente do balcão e do gordo chefe.

- Quero um copo de vinho, por favor.

- Claro que sim. - Chefe respondeu virando, pegou o copo e encheu de vinho até o limite. - Aqui está, não se preocupe em pagar, é por conta da casa.

Lucy sorriu e tomou o vinho em mãos, deu uma golada e riu ao saborear o doce gosto descendo pela boca.

- Sempre muito bom. - Ela falou sorrindo como se toda sua timidez sumisse. - Você faz falta na Falcon.

Chefe gargalhou e tocou o nariz da garota brincando.

- Sou o melhor chefe, claro que sentiriam falta de mim.

Lucy segurou o copo e escondendo um riso de canto de boca devolveu.

- Também é bem egocêntrico.

Os dois gargalharam. A atmosfera era normal para quem frequentasse a casa de vinho. Os risos, gritaria e até mesmo as canções que alguns soltavam entre si eram tão ricas que nem mesmo parecia ser uma instituição.

Todos eram jovens, da mesma idade ou mais novos que Lucy, comemorando ou chorando, eles se afogavam na bebida.

- E então, senhorita Lucy. - Uma voz a chamou da direita.

A garota que estava no seu quinto copo de vinho virou sua cabeça meio tonta e tentou focar na pessoa.

- E quem seria você? 

O jovem sorriu com charme, os piercing em sua boca e os brincos de sua orelha eram incomuns e traziam uma beleza estranha aquele garoto.

- Sou uma pessoa bem interessada em você.

Lucy riu, tocou o nariz de forma fofa e suas bochechas ficaram vermelhas.

- Ninguém está interessada em mim, eles... me chamam de arrogante. - Bêbada, ela apontou para trás. - Ninguém quer uma garota arrogante.

A última parte foi um pouco triste, ela abaixou sua cabeça com os braços apoiados no balcão.

O chefe estava de costas para ela e sequer prestava atenção. Os assuntos da casa de vinho nada cabiam a ele, a única coisa que ele se preocupava era com a distribuição da bebida.

- E se eu estiver? - O jovem disse para ela de lado. - Eu pareço ser bom o suficiente pra você?

Lucy deu uma golada no vinho e assentiu.

- Não quer dizer bom o suficiente, mas... pra mim a pessoa tem que ser forte.

O jovem riu.

- Forte? Em que sentido?

Uma mão pesada pousou sobre o ombro do jovem e o pressionou para baixo.

O jovem foi quase que forçado pro chão, e a mão não suavizou nenhum um pouco.

- Hey... - A voz de trás foi fraca e logo junto de um arroto. - Essa não é a senhorita Lucy Naita?

Lucy olhou para a nova pessoa com pouco de dificuldade e assentiu sorrindo.

Ela logo abriu os braços com bastante alegria.

- Garp... você está aqui.

O grande e musculoso Garp respondeu sorrindo e mostrando seus músculos do braço direito, e com uma cara toda alegre, falou:

- Sempre a disposição da sua senhorita.

Lucy gargalhou junto dele e ambos ficaram bem animados. O jovem do meio, nada pôde fazer contra Garp que só com um movimento tirou todo o seu plano.

Ele rapidamente saiu de perto e foi andando de volta pra sua mesa, se sentou com a cara fechada quando os seus amigos lhe encararam espantados.

- Ela recusou?

- Isso é impossível. - Outro disse. - Você é um dos únicos que todas as belezas da Darey Mason querem.

O garoto bufou em desdém.

- Foi o Garp Sá, ele me atrapalhou.

Todas as cabeças se viraram para o corpulento homem e um extremo choque se formou em suas caras.

Garp estava fazendo Lucy rir apenas mostrando seus bíceps firmes e trincados. Eles riam e gargalhavam.

Lucy e Garp viraram colegas quando se encontraram na ala de enfermagem.

Os dois trocaram palavras vagas, mas nos poucos dias uma amizade firme se formou. Não que Lucy odiava o restante das pessoas do Darey Mason, mas era que Garp tinha um jeito simples de realizar as coisas.

Suas ações sempre eram fáceis de prever, e suas palavras sempre confiáveis.

Lucy podia ser bem seletiva quando o assunto era o seu círculo social, mas no primeiro momento que falou com Garp, essa seletividade pareceu bem inútil.

O garoto não era idêntico aos jovens de seu Instituto, mas sua personalidade risonha, meio arrogante e brincalhona eram o que ela sempre admirou nas pessoas, e ainda por cima, havia o fato de Garp ser considerado uma potência para sua idade.

Os jovens que estavam na mesa se levantaram todos juntos. Seus passos foram coordenados e seguiram adiante até onde os dois, sentados no balcão, riam e bebiam alegremente brindando por coisas idiotas e bobas.

Raro era ver Lucy Naita pelos locais públicos do Instituto Darey Mason, mais raro ainda era vê-la bêbada em um desses locais.

Os garotos se colocaram ao lado de Garp enquanto seu líder seguiu para traseira de Lucy Naita. Eles todos rodearam os dois e continuaram ali até certa parte.

- Grandão... - Um dos garotos disse.

Garp girou todo o seu grande corpo com uma cara rosada, e não esperava receber um golpe forte do pomo de uma kanata no meio da testa. Ele cambaleou tonto e caiu para trás batendo contra o chão com força.

O enorme corpo bêbado somado com aquela distribuição de dor foram todos somados e distribuídos. Seus olhos começaram a se fechar, ele tentava os manter abertos, mas era tentador demais, sua mente lhe obrigava a fechar, a dormir, a acordar só no outro dia.

Garp teve os últimos lampejos de sua visão com todos os que estavam a sua volta segurarem Lucy a força e a levar.

A garota nem resistiu, sorria enquanto era conduzida por um par de jovens para fora.

Na mente de Garp, a única coisa que ele escutava era um Sinfonia de uma bela música tocada ao fundo, uma melodia tão doce que sua mente se negava a acordar!

Por Amnésia | 16/02/18 às 00:54 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação