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Capítulo 49 - Busca de redenção

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 49 - Busca de redenção

Autor: Amnésia | Revisão: Paragon

O tempo chuvoso era cruel demais para aqueles que estavam sem abrigo, na verdade, era mais do que cruel. Muitas das vezes que essa parte do ano chegava, as colheitas, a agricultura e todo o sistema latifundiário tinha que tomar algum tipo de atitude.

Muitas das vezes, a atitude era pedir ajuda aos que estavam mais abrigados como as Seitas ou os Institutos.

Perto de Darey Mason havia um desses lugares, era composto por pequenas residências feitas de madeiras, palha e folhas longas de bananeiras. As casas se estendiam uma ao lado da outra nos dois lados formando um pequeno caminho entre elas.

Em cada esquina era capaz de presenciar as poucas cabanas vendedoras, as que vendiam algum tipo de armadura, arma ou até mesmo a própria comida. Mesmo que estivessem ali tentando vender desesperadamente o produto, era complicado para receber esse tipo de cliente.

Aquela era uma vila pobre que vivia sob o trabalho de pesca em um imenso Lago que dava para uma grande massa de água desconhecida e sob a agricultura que se estabelecia na base de uma das montanhas.

Sob essas condições, as pessoas não estavam nem mesmo confiantes de que conseguiriam se manter vivas. A própria Seita Calto afirmou que não teria como mandar recursos para os habitantes dali, e o próprio Instituto Darey Mason quase não tinha para si mesmo.

A situação precária estava assinada no rosto de cada um que vivia e andava por ali.

No entanto, havia uma figura andando entre as vielas e caminhos da pequena cidade. Já havia se passado cerca de 3 horas direto desde que havia deixado os portões de Darey Mason, e circulava sem pressa por aquele lugar.

A figura estava enrolada em uma grande capa marrom e um capuz cobria sua cabeça e rosto, era claro que queria esconder sua identidade, mas fazia isso de forma tão direta que ficava impossível para que os que estavam nas varandas de suas casas não a encarassem com curiosidade.

Era raro um visitante naquela área, ainda mais com aquele tempo.

A pessoa parou de andar virando seu rosto para cima, o volume de todo o corpo cresceu rapidamente acrescentando duas rosadas esferas no peito, e uma curva excepcional de suas pernas. Essa pessoa chamou atenção até mesmo das mulheres que bufavam por causa do tempo.

Parando de olhar para o céu, a figura deu dois passos em seu caminho quando um jovem senhor a interrompeu ficando em seu caminho. O homem estava todo encharcado, suas roupas velhas com fivelas todas desbotadas de velhice e sua calça de couro desmanchava com o toque da água.

Mas o sorriso daquele jovem senhor ainda estava bem-humorado.

- Eu devo me apresentar a jovem senhoria que andas por essa terra, não é mesmo?

A pessoa encapuzada balançou a cabeça para os lados antes de falar.

- Na verdade, estou mais a procura de um abrigo, não desejo nomes. - Foi grossa, firme e nada cordial.

O jovem senhor sorriu levantando os braços com um gesto complacente.

- Claro, claro. - Ele apontou para a direita, do lugar de onde veio. - Minha família é dona de uma hospedaria naquela direção, gostaria que eu lhe fizesse companhia até lá?

A capa em volta do corpo da mulher se mexeu enquanto foi para frente. O sorriso do jovem senhor foi crescendo mais e mais a cada segundo que passava, uma presa tão fácil de atrair quanto a própria chuva era atraída pelo solo.

Haviam lendas dos mais velhos que a Deusa chuva e o Deus solo eram amantes muito próximos, mas por causa de um esquema bem elaborado dos céus, ambos foram separados por uma distância tão enorme que nunca mais poderiam se ver.

A Deusa de tão triste que estava chorou por 100 dias e 100 noites, e todas as vezes que isso acontecia, um desses pingos lhe escapavam do rosto e caíam sobre a terra, e por fim gerava a própria chuva.

A lágrima que uma vez fora chamada de ruína dos homens.

Quando essa chuva acabava, o tempo ficava duas vezes melhor, e chovia novamente, mas dessa vez com os raios de sol ainda iluminando o sol.

Eles chamavam isso de lágrimas da dor e lágrimas da alegria.

O garoto se curvou em plena chuva enquanto apontou diretamente para a viela onde a hospedagem ficava. A mulher parou encarando o local, respirou fundo e começou a caminhar novamente.

As pessoas que assistiam a volta de suas casas afastaram seus olhos daqueles dois, não por desinteresse, mas por conhecerem a figura que estava presente indicando o caminho.

Conhecido como James Fuly, um dos mercenários que gostava de atrair as pessoas que chegavam de outros lugares para uma hospedagem onde, na verdade, era uma casa onde todos os seus colegas estavam.

Aquela era uma vila tão pobre que o nível de cultivo das pessoas não passava do quinto nível do Reino Verminiano. Podia parecer pouco, mas esses eram os que comandavam a cidade.

Os que pescavam e cuidavam da agricultura no pé da montanha nada dialogavam com os que tinham poder, e nesse ponto, apenas os mercenários conseguiam ter esse poder.

Nem mesmo o dono do vilarejo podia fazer algo a não ser acomodar esses vilões.

Caminhando lado a lado, as duas pessoas continuavam em silêncio com a chuva batendo em seus corpos com violência.

Aquele som de chuva era a única coisa em toda a vila, parecia que as vozes morriam, os animais se calavam e tudo permanecia em uma perfeita melodia para que o único som que era a chuva formava sua música.

Era belo, mas violento.

Assim como as pessoas que ocultavam suas aparências.

- O que uma pessoa como você está fazendo por esse lugar tão pequeno? - O homem perguntou quebrando o silêncio de forma tão casual que parecia que ambos já se conheciam de longa data. - Esse fim do mundo, certamente, não é do seu interesse.

- De passagem. - A mulher devolveu. - Organizando suprimentos para ir atrás de uma pessoa.

- Em busca de vingança ou de redenção? - O outro brincou com um sorriso bobo. - Nesse lugar, eu não acho que vai encontrar o que procura.

A mulher nem esboçou reação, continuou caminhando por uma viela no meio das casas e olhava para os lados apreciando aquilo.

- Gosto dos lugares menos ocupados pelas grandes famílias, é o lugar onde posso andar sem ser vigiada. - Ela disse com um pouco de suspiro. - E você, vejo que cultiva também, qual o seu motivo de estar ainda aqui?

O homem mudou o sorriso bobo para uma careta dando de ombros.

- Nenhum em especifico, meus pais são daqueles que gostam de proteger, e eu também já assegurei a eles que irei tomar conta do recinto quando eles falecerem.

A mulher assentiu com um leve balançar.

- E então, você vai assegurar o desejo deles de continuar no estabelecimento. - Ela até que aceitou a frase do outro. - Parece ser bem nobre.

- Não é? - Ele riu em resposta. - Quando vai partir, posso te ajudar a procurar os itens que deseja.

A mulher não respondeu, ela continuou a caminhar entre as vielas em silêncio deixando o companheiro ao seu lado um pouco irritado por ser ignorado. Com um leve balançar de seu corpo, os olhos da mulher se lançaram por entre as pessoas que a encaravam de suas casas, entre elas, uma garota.

A jovem menina tinha uma cara assustada balançando a cabeça mexendo a boca, estava dentro da casa pela janela, tentava alertar de alguma maneira a garota com algum tipo de fala, porém a única coisa que se podia ver era seus movimentos desesperados.

Por outro lado, a garota foi reconfortada por um sorriso da pessoa do lado de fora. Um sorriso tão simples, mas ainda bem capaz de assustar qualquer um que não estivesse preparado para recebê-lo.

- Sim, pode me ajudar. - Ela finalmente disse depois daquela pausa. - Estou em busca de um lugar para ser exato.

- E qual seria, senhorita? - O homem limpou as gotas de chuva que batiam contra seu corpo com a palma da mão. - Farei o possível para ajudar.

- Está em uma casa nessa mesma direção, ela está infestada de pessoas que se dizem donos da cidade, é basicamente uma ordem de retirada, eles são a porta para a pessoa que procuro.

O homem assentiu colocando a mão no queixo pensando.

- Isso é bem incomum, eu também ouvi dizer que há pessoas que controlam essa cidade com mãos negras por trás do senhor dessa vila.

- E sabe onde fica esse lugar?

- Seria estranho se eu soubesse. - Ele falou descontraído. - Mas espero que possa recomeçar essa busca amanhã, você necessita de roupas novas e um banho nem que seja gelado.

Ela assentiu virando a cabeça e continuou caminhando.

O caminho foi bem normal, eles continuaram seguindo a trilha até chegar perto da única casa de dois andares que tinha pela vila. Era reforçada com concreto e também possuía vigas de sustentação aos lados. Era bem formada, muito bem para aquele lugar.

O homem parou limpando a testa e esticou o braço para a morada.

- Bom, é essa aqui.

- Parece ser bem simples, muito obrigado por ter me trazido até aqui. - Ela disse curvando a cabeça ligeiramente. - Não é mais preciso que me leve.

O homem cruzou os braços rapidamente se colocando a frente dela.

- Não seja por isso, eu irei pedir para os meus pais para que você não precise pagar, foi tão honesta e firme que não será necessário pagar.

- Eu quero pagar. - Ela foi firme. - A economia da cidade só anda se houver algo como compra e venda, todos precisam disso.

O homem meio estático, procurou uma resposta mais concreta para ter que levar a mulher até onde a hospedagem fica, mas não a encontrou de imediato.

A mulher passou por ele deixando apenas o cheiro de seu perfume e um fio de seu cabelo para fora.

A cor vibrante fez o corpo daquele jovem senhor bater mais forte enquanto fechou seus olhos respirando fundo e balançando a cabeça. Ele não podia falar nada, seu trabalho era esse, agora não tinha volta.

Caminhando sem pressa, a capa da mulher se mexeu para o lado, a porta de madeira se aproximava enquanto ela levava a sua mão até a cintura, e quando ficou a 2 metros da porta, ela apertou o punho.

A porta de madeira da residência foi jogada para o chão com um chute, caindo para trás e tombando, todos os que estavam no hall principal não eram hóspedes, mas sim homens com machados, equipamentos leves e marcas por todo o rosto.

- Uma fachada para capturar viajantes. - Ela disse para si mesma, mas não demonstrou emoção. - Foi como disseram que era.

Reagindo ao tombo da porta, um dos mercenários mais pertos avançou com sua espada e se atirou contra a mulher.

A espada lisa voou da bainha fina para fora em um piscar de olhos enfincando diretamente no pescoço do agressor. A mulher puxou a espada fazendo o corpo cair para trás levemente.

- Vamos, tenham dó de si mesmo e venham todos de uma vez, vamos acabar com isso!

A morte de seu companheiro não foi nada para os outros, eles avançaram com fome de carne e sede de sangue, todas as armas miradas para a mulher que apareceu do nada e seus corpos emitindo grande Profunda Energia para fora.

Entre todas as 10 armas presentes, apenas a lâmina fina dançou.

Defletindo de um lado para o outro, a mulher cortou o braço de um, desviou da lâmina se colocando para a direita e acertou um soco no rosto do segundo o fazendo virar de costas antes de estocar sua espada pelas costas dele.

O terceiro e quarto avançaram pela dianteira quando o quinto e sexto pela traseira. Os quatro nem sequer esperavam uma intimidação pelo outro lado, o que receberam foi mais do que isso.

Abaixando, a mulher rolou entre as pernas de um dos agressores lhe cortando as dobras do joelho, ele se ajoelhou sangrando gritando de dor antes de ter sua cabeça cortada. Ela esticou sua espada para a esquerda onde acertou o meio da testa de outro.

Saltou no ar acertando um chute perfeito no pescoço do quinto lhe tirando todo o ar. O sexto caiu depois de trocar um único golpe com ela, suas tripas caíram para o chão e seu corpo desabou.

O sétimo, oitavo, nono e décimo, todos tiveram uma morte suja de sangue. Seus corpos caídos no chão com o sangue espalhado por todo o solo.

- Está sujo. - Ela disse indiferente. - Não deu nem pro cheiro.

O jovem senhor que apareceu na porta, seus olhos percorreram do chão até a mulher que estava apoiada na parede do outro lado da sala, mais de 24 corpos agora estavam jogados no chão.

A quantidade de pessoas que ficavam dentro dessa estalagem era quase que 30 pessoas, todos eles treinados e bem organizados em batalha. Até mesmo duas pessoas normais não seriam capazes de abater um único dele.

Ele se recompôs para a mulher limpando a garganta.

- Vo.. você quem fez isso?

A mulher que limpava a sua lâmina suja de sangue com sua capa que usava por cima do corpo nem o colocou nos olhos.

- Está vendo mais alguém aqui além de mim?

O homem engoliu o seco.

- Por favor, não me mate. - No mesmo momento, ele caiu de joelhos no chão colocando sua testa no chão. - Eu estava sendo manipulado por causa da minha família, realmente tem um estalagem, mas eles os pegaram quando se instalaram aqui.

A mulher nem se comoveu, ela suspirou parando de limpar a espada e fechou os olhos meio cansada.

Ela começou a andar e passou pelo homem de testa no chão com uma expressão dolorosa e desesperada.

A morte lhe aguardava?

- Eu devo me desculpar pelas coisas que eu fiz. - Ele disse tentando achar um jeito de sair daquilo tudo. - Devo pagar pelos meus pecados, mas não me mate, meus pais...

- O vilarejo precisa de alguém que faça as coisas acontecerem, você devia ser responsável por isso já que é o único vivo. - Ela foi direta. - Deixarei você vivo por esse motivo, não é pela sua família, não é pela sua redenção e pecados.

O homem levantou sua cabeça agradecendo de todo o coração, reverenciou a mulher tantas vezes que seu braço até doeu.

Por outro lado, a mulher nem ondulou.

- Quero que se lembre de quem ajudou esse lugar. - Ela disse quando saiu do estabelecimento. - Não ouse contrariar a família Salto daqui pra frente.

Por Amnésia | 16/02/18 às 00:56 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação