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Capítulo 50 - Nas mãos do acaso

Legado dos Deuses (LDD)

Capítulo 50 - Nas mãos do acaso

Autor: Amnésia | Revisão: Paragon

Um golpe certeiro por um chute encaixou na barriga de Garp. Tracy Naita, Salla Naita e mais um homem estavam de pé na frente do garoto que estava caído no chão da Casa de Vinho.

O corpulento garoto forçou seus olhos a se abrir com uma incrível dor de cabeça o martelando. Ele encarou Tracy com seus olhos semiabertos e logo fechou novamente.

- Hoje é minha folga. - Ele disse virando seu corpo para o lado querendo voltar a dormir. - Fale amanhã.

Tracy suspirou antes de fazer seu movimento. Levantou seus pés até a cintura e abaixou golpeando com tanta força que fez Garp gemer.

Apertando o punho, o garoto Sá girou rangendo os dentes.

- O que foi, caralho? Não está vendo que estou tentando dormir?

Ignorando aquilo, Tracy abaixou sua perna.

- Onde está Lucy?

Garp com sua cara confusa deu de ombros antes de continuar a falar.

- E por que eu saberia? Estive no bar e não lembro de nada do que aconteceu antes. - Sua testa começou a doer mais e mais, ele levou a mão sentindo um inchaço anormal. - Estive aqui dentro o dia todo.

Salla apontou rapidamente para Garp com fogo nos olhos, uma raiva gigante o perseguindo.

- Devia tê-la protegido com a sua vida, seu pedaço de merda.

Garp entortou uma sobrancelha e riu.

- Eu devia ter protegido ela? Dê o fora, lixo dos Naita. - Ele girou o corpo se deitando de novo no chão. - Eu não sei de nada dessa garota.

Quase indo a frente sacando sua espada, Salla foi parado por Tracy que deu as costas e saiu andando pelo recinto.

A mulher nem mesmo buscou saber se Garp mentia ou não, mas pelo fato de que aquele inchaço era por um cabo de espada, diria que ele foi acertado antes de cair.

Tracy não era uma das melhores investigadoras, mas conhecia bem o formato de um pomo de espada quando batido contra a pele.

A testa de Garp foi golpeada antes dele tombar.

Caminhando de volta para o recinto inicial, Tracy passou pelas cadeiras que estavam de cabeça para baixo em cima das mesas. Essa era a hora da faxina, então os funcionários responsáveis ajeitavam tudo para que a noite pudesse ser como as anteriores.

Nenhum tipo de sujeira ou coisas quebradas podiam estar a vista, essa era a regra.

Mas diferente de todos as outras Casas de Vinhos, o chef estava do outro lado do balcão ainda preparando as cervejas para a noite. Ele trabalhava arduamente manuseando uma colher de pau dentro de uma panela com um grosso líquido verde.

Parando na frente do balcão, Tracy se sentou.

- Parece estar bem preocupada. - O chefe disse calmamente de costas.

- Claro que estou preocupada. - Ela falou em seguida não respeitando o silêncio do ambiente e a calmaria. - Minha melhor discípulo foi levado para algum lugar por um estranho e não tenho nada para achá-la.

O chefe deu de ombros.

- Isso acontece, as vezes. - Disse ela nada impressionado. - Na verdade, acontece muitas vezes.

Tracy respirou fundo. O som da chuva batendo contra o telhado era forte, o primeiro e segundo andar da Casa era dividido entre uma escada, e ainda assim o som da forte chuva abafava um pouco os sons de dentro.

Mas a calmaria que ela trazia era tão forte quando um escudo largo contra uma flecha de madeira.

- Quer uma cerveja? - Chefe brincou esticando um copo para trás. - Ela traz sabedoria nos maus momentos.

Tracy hesitou um pouco, mas aceitou segurando e bebendo um gole. O gosto doce era a arma principal da bebida e a mulher aproveitou, fazia tempo desde que não tomava.

- Aperfeiçoou mais uma vez a cerveja? - Tracy disse meio sorridente. - Desde quando você consegue fazer uma desse jeito?

Chefe deu de ombros ainda de costas, mas seu sorriso foi revelado.

- Na verdade, desde que me expulsaram da Seita Naita, eu pratiquei muito para que ela fosse a melhor. - Ele não escondeu. - Gosto quando as pessoas apreciam minha obra prima.

- Sim, está ótima. - Ela devolveu bebendo tudo de uma vez. - Agradeço por ter falado sobre o garoto no fundo da Casa.

Chefe abanou as mãos descontraído.

- Garp realmente esteve com senhorita Lucy, mas eu realmente não vi quem foram as pessoas que a levaram. - Ele falou sério. - Mas espero que possa a encontrar logo, o tempo não vai melhorar, pelo contrário...

Tracy assentiu com a cabeça movendo seus olhos para o lado.

- A tempestade está vindo...

- Sim, acho melhor encontrá-la antes do anoitecer de hoje, caso não conseguir, ficará por cerca de 4 dias sem poder sair daqui. - Chef falou se virando pela primeira vez. - Quando o tempo aperta, os pássaros se escondem.

Tracy concordou com o dilema.

- Irei comunicar isso com Merer, espero que ele possa ajudar.

Chefe se virou de volta para a panela.

- Quando precisar de algum tipo de ajuda novamente, me chame, farei o máximo que puder.

- Agradeço, Clement. - Tracy disse sorrindo. - Pelo menos, dessa vez posso te chamar pelo seu nome, certo?

Os dois que estavam escoltando a senhora Naita abriram sua boca atordoados ao ouvirem aquele nome distorcido. O nome que assombrava por muitas vezes a própria Seita Calto e Seita Naita.

O homem no qual muitos podiam conhecer pelo nome, mas ninguém sequer tinha visto seu rosto.

- Não diga isso perto dessas crianças. - Ele disse rindo. - E eu já não posso me chamar por isso, minha vida como um ladrão acabou faz muito tempo.

Tracy sorriu de volta esticando a caneca e o homem a encheu de novo.

- Não acha que está na hora de ir buscar sua criança? - Ele perguntou devolvendo a caneca. - Quando você a achar, eu mesmo preparei o vinho de frutas.

- Não vai ser por esse vinho que vou acabar essa procura mais rápida... - Ela falou rindo. - Mas sim, irei agora.

A perplexidade nos rostos dos dois atrás de Tracy continuaram até que eles saíssem pela porta a fechando. O tempo chuvoso ainda ponderava do lado de fora e dessa vez, ainda mais forte.

Salla foi o que abriu sua boca para falar.

- Aquele era Clement Sinxer? - Ele não poupou voz e falou bem alto. - Quer dizer, o ladrão mais habilidoso que estava foragido por muitos anos?

Tracy respirou fundo mais assentiu com a cabeça em seguida.

- Ele era um ladrão. - Ela disse. - Perdeu sua habilidade de camuflagem faz muito tempo, e desde que saiu dessa vida começou a trabalhar em Casas de Vinho.

- E por que ele está aqui, no Instituto Darey Mason? - O outro levantou a voz um pouco curioso.

- Essa história é bem complicada para se eu contar tão casualmente para vocês agora. - Ela começou a caminha pela chuva. - Vamos andando, temos que achar Lucy o mais rápido possível.

Os dois não perguntaram mais, mas a curiosidade aumentou sobre o homem que uma vez foi chamado de o mais rápido na arte roubar.

Ele era uma das poucas lendas que não se tinha a localização, mas pelo que parecia, os Naita possuíam muito mais informação do que outros pensavam.

Não muito longe da Casa de vinho, a chuva soprou para os lados ocultando totalmente a visão dos Naita caminhando. Uma sombra negra sentada por cima de uma casa os observava sem nenhum movimento, estava intacto, estático, a chuva batia contra toda a sua capa negra grossa e escorria para o telhado.

Depois de algum tempo, ele se mexeu. Levantou tão rápido quanto desapareceu deixando para trás uma fumaça cinza ser dissolvida pela chuva.

O som de passos por cima das casas não era audível, a única coisa que se podia ouvir era a chuva e os trovões somados com os lampejos de relâmpagos iluminando o Instituto.

Seus pés corriam por cima de cada telhado até chegar acima do portão de entrada do Darey Mason.

Ele ergueu a cabeça puxando ar várias vezes com uma tática de farejamento.

- Entendo... - Ele disse suavemente. - Então aqueles idiotas realmente estão para aquele lado.

A figura não se mexeu de novo, encarou o céu nublado e bem sombrio. O frio era uma arma letal quando a noite caía, se não fosse pela sua própria capa grossa e manto impermeável, ele não iria sair de seu aposento.

- Esse não é um assunto no qual eu devo interferir agora. - Ele falou arrastando os anéis de seu dedo um contra o outro. - Deixarei isso nas mãos do acaso...

Por Amnésia | 01/03/18 às 18:41 | Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Wuxia, Xianxia, Brasileira, Poder, Adulto, Elementos de Cultivo, Ação